quarta-feira, 17 de maio de 2017

ALTA TENSÃO EM CASA DE PAULO FUTRE

Aqui fica, para quem não teve oportunidade de ler no Jornal Record, um excerto de uma excelente crónica da autoria do 'enorme' jornalista Rui Dias.
(sublinhados da minha responsabilidade)

Recordar é viver:

Campeão europeu no FC Porto (1986/87), esteve um ano sem UEFA no Atlético Madrid. Regressou e foi eliminado pelo Groningen (Holanda). No dia seguinte, Gil y Gil despediu o treinador.
E o Menino de Ouro fez tudo para deixar o Calderón.





Paulo Futre regressava às competições europeias depois de ter ganho a Taça dos Campeões, em Viena, ao Bayern Munique. Vivera aprisionado na liga espanhola em 1987/88 (o Atl. Madrid ficou fora das competições da UEFA) mas aí estava ele, de novo, num grande palco internacional.

O primeiro adversário foi o Groningen e a estreia, na Holanda, não correu bem: os madrilenos perderam por 1-0, adiando a decisão para o Calderón. Paulo estava muito nervoso nas horas que antecederam o momento – "Ruizinho, temos de ganhar este jogo", repetiu vezes sem conta. Ganharam (2-1) mas foram eliminados.

Futre marcou um golo, sofreu o penálti do outro e entrou em depressão. O dia seguinte anoiteceu em clima de altíssima tensão na sua casa em Madrid. O telefone não parava; os cigarros sucediam-se e todos os factos adensavam ambiente irrespirável.

Quando entrou na sala, ao princípio da tarde, Paulo tinha as ideias claras: "Aqui não quero ficar." Entre quem procurava uma saída para o problema, a primeira opção foi consensual.

Paulo pediu para o porem em contacto com Pinto da Costa mas o mais que conseguiu foi comover-se com Frasco – "meu querido Frasquinho, as saudades que tenho tuas".

O telefone tocou então pela milésima vez. Era Jesus Gil para lhe dizer que Maguregui, o treinador, se tinha demitido. Reagiu com firmeza e falou alto com o presidente: "Diz a verdade, tu é que o despediste" – e despedira toda a equipa técnica e médica...

O FC Porto não teve condições para resgatá-lo mas o Sporting, de Jorge Gonçalves, entrou na corrida.

Quando as dificuldades financeiras pareciam desanuviar-se, José Bonetti, o brasileiro supervisor do futebol leonino, contratado aos quadros da FIFA, pôs fim ao sonho. Disse então o afilhado de Havelange que mesmo havendo acordo entre os clubes, o jogador teria de deslocar-se a Lisboa para ser observado por Pedro Rocha, o treinador uruguaio do Sporting. Futre nunca lhe perdoou.

Antes o inferno de Madrid do que a humilhação em Alvalade. E continuou no Atlético, até ser feliz. daqui

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