quinta-feira, 23 de março de 2017

SOBRE QUEIXINHAS E CRIANÇAS BIRRENTAS




«(…) INSUPORTÁVEL o clima actual do futebol português. Maiores culpados: os três grandes, não importa a ordem. Agridem-se uns aos outros quase todos os dias como garotos birrentos e mal educados, dão um péssimo exemplo à população e obrigam os media a reportarem e comentarem peixeiradas e psicodramas sem a mínima substância (alguns deles não se importam nada, cumpre dizer). Nenhum dos três grandes pode reclamar inocência neste desatino colectivo. Todos berram desalmadamente - a ver quem berra mais alto.

É um espectáculo muito antigo… e muito triste, que não se vê em nenhum outro futebol da Europa avançada. Adoro desporto e confesso que me irrita solenemente passar boa parte do tempo na Bola TV a comentar queixas, queixinhas, insinuações, insultos, ameaças veladas, ameaças explicitas, grosserias, banalidades, lugares comuns, comunicados estapafúrdios, comunicados estupidamente pomposos, processos idiotas e efabulações de figuras menores que, infelizmente, vão conseguindo algum protagonismo no mundo ainda pouco exigente do futebol português.

Na época passada, Sporting e Benfica travaram uma guerra ruidosa com muitos e feios lances subterrâneos. Agora a peixeirada é entre Benfica e FC Porto e o enredo… igualzinho: ninguém pode perder = há que ganhar, custe o que custar = vale tudo. Traçadas pelos estados maiores as estratégias comunicacionais – leia-se: agit-prop -, algumas varinas de serviço devidamente doutrinadas vão cuspilhando lamúrias, tonterias e boçalidades pelos jornais e pelas tv’s a ver quem conseguem influenciar e condicionar.

No meio desta chinfrineira que tudo abafa, quase nos esquecemos de falar do que realmente interessa. Do Jonas e do Pizzi, do Brahimi e do Soares, do Gélson e do Bast Dost, do Nuno e do Vitória, do Jesus e do Couceiro. Maldita sina, esta. Somos campeões europeus de futebol e nem assim conseguimos sair da cepa torta. É todos os anos a mesma coisa. Garotos birrentos».
Excerto do artigo de opinião n’A Bola de André Pipa

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