quarta-feira, 22 de março de 2017

ÁRBITROS MERECEM UM PORTUGAL MELHOR



Tenho algumas dificuldades em perceber o que leva uma pessoa a seguir o caminho da arbitragem, confesso. Já discuti isso com amigos, árbitros, velhos e novos e continuo sem chegar lá. Mas há algo que lhes admiro: a coragem. Enfrentam muitas adversidades. Competentes e incompetentes. De jogadores a técnicos e dirigentes, passando por adeptos e jornalistas, são muitos os ‘inimigos’ que cultivam. Infelizmente, devido à barbárie que se estende por esses campos fora, ainda são agredidos por energúmenos a quem espalhar o fel não chega e acabam por recorrer à violência para resolver problemas mentais muito mais graves do que o penálti que ficou por assinalar.

Sou muito crítico dos árbitros. Ou por que falo de barriga cheia (e sim, a minha é grande) ou porque se trata de uma classe a quem são possibilitadas regras diferentes das aplicadas aos outros no futebol. Mas sei que há uma injustiça que não mereciam. Uma medida que devia levar um Estado de direito a corar de vergonha. Abandoná-los à sua sorte, no ‘campo de batalha’, sinceramente, é triste . Ver estes homens a irem, fim-de-semana após fim-de-semana, para campos que sabem inseguros e à mercê, não só da total falta de educação, mas de agressores que muitas vezes fazem do número a sua grande arma... isso, lamento, mas faz-me ter nojo da medida tomada por Miguel Macedo em 2012. Foi apenas mais uma das muitas soluções acéfalas que a voragem dos cortes da ‘troika’ nos impôs. Resolvam lá isso. O policiamento tem de ser obrigatório. Ver gente a ser agredida a cada sábado e domingo que passa é que não. Portugal não é isto. Ou é mas não devia ser.

Bernardo Ribeiro no Jornal Record

Sem comentários: