quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Guerra de nervos


Chegados a este momento, já todos percebemos muito bem que o combate pelo título na Liga 2016/17 está circunscrito a Benfica e FC Porto, que, nesta fase, estão separados por um insignificante ponto, quando ainda há 14 jornadas pela frente e um duelo direto no Estádio da Luz. Já todos percebemos igualmente que a guerra de nervos vai fazer regra e quem for capaz de lidar melhor com essa vertente emocional acabará por recolher os respetivos dividendos. Noutros tempos, esta capacidade de fazer a diferença em tempos críticos, como é o caso, chamava-se estofo de campeão e tornou-se um mito do futebol português. E a pergunta seguinte é esta: quem, por agora, revela essa qualidade?
O Benfica tem do seu lado a motivação decorrente do objetivo histórico da primeira conquista do tetracampeonato, para além de ser líder com mais um ponto. A equipa de Rui Vitória foi dominadora até há bem pouco tempo, mas agora está a sentir os efeitos da pressão esgrimida por Espírito Santo. O treinador do Benfica está obrigado a fazer um diagnóstico imediato da quebra para repor a normalidade e garantir a competitividade na Liga dos Campeões, uma prova onde há pergaminhos a defender, e que pela forma como a equipa responder, será determinante para o rumo da própria Liga interna. O FC Porto, por sua vez, tem a legítima ambição do título depois de três anos negros, e chega a esta altura da época na situação em que desejava estar, ou seja, a depender apenas de si para ser campeão.
Esta semana, Espírito Santo vai sentir o reverso da medalha da pressão que tem lançado sobre o Benfica, pois joga no dia seguinte ao seu rival, e frente a um adversário sempre complicado, como é o caso do V. Guimarães. A verdadeira pressão para os dragões reside no facto de terem de subir o seu rendimento fora de casa, deixando de desperdiçar pontos sem a mínima explicação. O estofo de campeão passa por nivelar o rendimento por cima e sem os altos e baixos que, por vezes, tem revelado e que nem sempre Casillas consegue disfarçar. Ao estar à frente, o Benfica terá sempre a primeira palavra e é nesse conforto que Rui Vitória deve colocar novamente a águia a voar alto.
Jorge Barbosa no Jornal Record

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