domingo, 26 de fevereiro de 2017

«Estórias da bola»



A estória que se segue refere-se ao conflito entre Octávio Machado (adjunto na altura do treinador Ivic) e Delane Vieira, pessoa próxima do F.C.Porto, empresário para uns, manager para outros, parapsicólogo, enfim...até de bruxo o apelidaram) que não era bem vindo junto do grupo de atletas que Octávio queria preservar. Tudo isto se passou no Bessa.

Depois do jogo que o FC Porto venceu por 1-0, mais problemas. Numa das portas de acesso ao balneário, estou eu à conversa com Amândio Alves, jornalista da A Bola. 

Para grande surpresa minha, vejo aproximar-se o Delane Vieira, preparando-se para entrar no balneário. Não me contive, disse ao Delane:
«Não arranjes problemas, vai embora, o balneário é um templo sagrado, aqui dentro poucos são aqueles que têm o privilégio de usufruir deste espaço e tu não és um deles». 
O Delane obedeceu, foi embora.

Passados uns minutos, por uma outra porta que dava acesso ao túnel de entrada no estádio, surgiu o Pinto da Costa, que se pôs à conversa com o Luís César. Logo de seguida, pela mesma porta, entrou todo pimpão, o Delane Vieira.

Abri os olhos desmesuradamente e cravei-os no Delane, fitei-o durante algum tempo sem pestanejar. Perante o meu ar ameaçador, o Delane, com a língua expedita, disse ao Pinto da Costa: 

«Presidente, temos de resolver isto.»
Não me tive em mim, à frente dos jogadores e demais responsáveis do FC Porto, ferrei uma estalada tal nas bochechas do Delane que este caiu redondo no chão.
Não admitia que fosse desautorizado, amesquinhado perante os jogadores.

(...) Quando o Delane, embaraçado, se tentou levantar, pus-lhe um pé em cima, sentei-o outra vez e atalhei conversa:
«Eu avisei-te para não te meteres comigo, disse-te que no dia em que te metesses comigo eu fazia-te a folha. Tu a mim não metes medo.
E se começas a miar muito ainda te faço pior.» O Delane ficou-se.


Octávio Machado no seu livro - Vocês sabem do que estou a falar, pág.106 e 107.


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