sábado, 9 de dezembro de 2017

Hoje já há jogos na luta pelo título

Benfica - Estoril e Boavista - Sporting são os jogos de hoje em destaque no campeonato português no que à luta pelo título diz respeito.

Na teoria, mais fácil a tarefa dos encarnados e mais complicada a deslocação dos leões ao Bessa?! Sim, mas só em teoria, na prática tudo se poderá  alterar, elas (bolas) contam é la dentro (da baliza).

Espero e desejo bons espectáculos e poucos casos de arbitragem para analisar. Isto, é que era bom...!
Em baixo, um clássico Boavista - Sporting com mais de 30 anos:


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

As prestações portuguesas na Champions League




Esta época disputa-se a 26ª edição da maior prova de clubes da europa - a Champions League, que veio substituir a antiga Taça dos Campeões Europeus.

O FC Porto está de parabéns por mais uma passagem à fase seguinte desta enorme montra do futebol europeu. O FC Porto é a equipa portuguesa com melhor performance nesta competição desde que existe este novo formato, passou a fase de grupos por 13 vezes. Aliás, neste novo formato, os dragões já conquistaram a Champions em 2003/2004 com José Mourinho ao leme.

Segue-se o Benfica, que só por 5 vezes passou a fase de grupos e o Sporting de Paulo Bento por uma única vez, em 2008/2009!

Curiosidade que, na primeira vez que o Benfica atingiu os 1/4 de final foi com o primeiro treinador português campeão europeu - Artur Jorge, em 1994/95, caindo aos pés do Milan!

A segunda, foi com Ronald Koeman em 2005/2006 quando atingiu os 1/4 de final, sendo eliminado pelo Barcelona e, já mais recentemente com Jorge Jesus, por uma vez, em 2011/2012 quando atingiu os 1/4 de final e foi eliminado pelo Chelsea, campeão europeu nessa época.

Rui Vitória há duas épocas também atingiu os 1/4 de final e na época passada os 1/8 de final. Bayern de Munique e Borussia de Dortmund foram os adversários que não deixaram o Benfica ir mais longe.
Nesta época foi a desgraça completa, o Benfica de Rui Vitória substitui o Sporting de 2000/2001 como a pior prestação de uma equipa portuguesa na prova rainha do futebol europeu. Há que reflectir...!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O futebol de vão de escada



O futebol português é uma novela mexicana dobrada em brasileiro. De mau gosto, esquizofrénico e com um guião lamentavelmente pobre. Na realidade, é preciso gostar muito de futebol (e dos clubes) para continuar a ir aos estádios e apoiar as respectivas equipas. Isso só acontece porque a paixão, como se verifica amiúde, é cega.

Os adeptos têm o direito de desancar o árbitro, invectivar os rivais e defender ao extremo a sua equipa. Quando ganha, é a melhor. Quando perde, foi naturalmente vítima do azar. Faz parte da natureza passional do jogo e os adeptos projectam no clube os seus sentimentos. As bancadas são divãs temporários de psicanálise e desempenham o seu papel terapêutico a contento.

O que não faz sentido, de todo, é os responsáveis dos clubes comportarem-se como adeptos e achincalharem a modalidade que lhes deu notoriedade pública e sem a qual seriam ilustres desconhecidos. Não olham para o futebol como um negócio e acham que os seus clubes (sobretudo os chamados três grandes) são demasiado poderosos para cair. Vivem da intriga, semeiam a desconfiança e fazem dos árbitros (a única equipa que não tem adeptos) as suas vítimas preferenciais.

No futebol inglês, quando um árbitro falha, a conclusão é a de que errou. No futebol português, quando um árbitro falha é porque roubou. O árbitro é o elemento que sublima os erros dos gestores, dos treinadores e dos próprios jogadores. Os dirigentes do futebol, em vez de elevarem o nível do discurso, puxam-no para baixo. Transformaram o jogo numa arena de combate e, desta forma, vão afastando adeptos e empresas, as quais não querem ver a sua imagem contaminada por polémicas artificiais. 
Estas circunstâncias tornam o campeonato português ainda mais periférico e os clubes são cada vez mais incapazes de captar receitas, a não ser as geradas pela venda de jogadores. Gerem os passivos e os três grandes são de uma irrelevância absoluta no mercado de capitais. Ninguém de bom senso admite investir numa equipa de futebol português na expectativa de obter retorno e isso diz tudo.Pode argumentar-se que sempre foi assim, sendo que os media exponenciaram este tipo de comportamentos. Dando esta premissa como verdadeira, a mesma só serve para aumentar o grau de exigência sobre os dirigentes, porque os bons exemplos têm de surgir de cima. O futebol, neste momento, é um esconso negócio de vão de escada. 

sábado, 2 de dezembro de 2017

Num dia o Sporting somou mais 7 pontos!

O Sporting foi o grande vencedor da noite de ontem - somou três pontos no seu jogo e, no clássico do Dragão, ficou com mais 2 do FC Porto e outros 2 do Benfica. Sete pontos amealhados!

 

Deu mais FC Porto no clásssico de ontem...

...mas no final, um ponto para cada lado. O Benfica entrou melhor no Dragão e Jonas aos 2 minutos poderia ter inaugurado o marcador, mas José Sá reagiu bem a uma má saída dos postes. Para uma má saída, uma excelente reacção e uma boa defesa!

Continuou o Benfica a dominar o jogo mas apenas até aos 20/25 minutos, depois disso, praticamente só deu FC Porto.

Os dragões jogaram com mais garra, com mais crença, correram mais e só não foram felizes no final, como mereciam, porque Aboubakar e, em especial, Marega, falharam oportunidades de bradar aos céus, algumas a roçar a infantilidade e o escandaloso. O FC Porto merecia ter ganho o jogo mas isso de justiça no futebol não existe.

Arbitragem? Correu mal e o FC Porto tem muitas mais razões de queixa que o adversário.
Vamos lá então tentar dissecar isso recorrendo também aos «ses» de que tanto gostam de utilizar, como se os «ses» ganhassem jogos.

E, se, logo aos 12 minutos, Felipe tivesse sido expulso por uma entrada por trás a varrer o adversário? O jogo seria o mesmo quando o Benfica estava por cima? Nunca saberemos! Errou e o Benfica tem razões de queixa!

E, se, aos 17 minutos o árbitro tivesse assinalado penalty por falta de Jardel sobre Marega? Errou e o FC Porto tem razões de queixa!

E, se, aos 57 minutos o árbitro não tivesse apitado mal (anulando assim a jogada e o VAR) uma decisão escandalosa do seu auxiliar? Errou e o FC Porto tem razões de queixa!

P.S. O lance de Luisão aos 45 minutos nem deveria merecer contestação, sejamos sérios - o central do Benfica tenta jogar a bola com a cabeça e é a bola que lhe bate no braço, não o braço em direcção à bola. Não há movimento deliberado do jogador em relação à bola.

O resumo do jogo em baixo:


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

«Onze e sistemas prováveis de FC Porto e Benfica»

Este blogue pressente que quem vai a jogo de início são os que estão nos quadros abaixo.


 

O primeiro clássico do FC Porto rumo ao Penta

Domingo, 5 Março de 1995 - Estádio das Antas - 55000 espectadores .

Um jogo interessante com o regresso de Artur Jorge às Antas mas como treinador do Benfica. O Benfica tinha ganho o campeonato anterior com Toni ao leme mas Manuel Damásio entendeu dispensar o técnico campeão e contratar Artur Jorge.

O Benfica vivia tempos conturbados a nível financeiro e a saúde de Artur Jorge nessa época também lhe pregou uma partida (o treinador foi operado à cabeça e esteve afastado dos relvados durante muito tempo).
O primeiro treinador português a vencer uma taça dos campeões europeus para o futebol português, iniciava assim uma fase descendente na sua carreira. Ainda foi seleccionador nacional na fase de qualificação ao mundial de 1998, na França, mas não conseguiu os objetivos. Neste caso, com muita culpa do tal árbitro francês Marc Batta que expulsou Rui Costa na Alemanha durante uma substituição. Portugal estava a vencer por 1-0 (golo de Pedro Barbosa) mas deixou-se empatar e as contas complicaram-se.

Mas, vamos ao jogo em si, vitória do FC Porto de Bobby Robson por 2-1 e o início do caminho do FC Porto rumo ao Penta.
Um FC Porto muito forte e um Benfica cada vez mais debilitado, após este jogo, alguns jogadores encarnados jamais perdoariam Artur Jorge por ter deixado no banco os centrais Hélder e Mozer. Outras guerras...! 

Com uma arbitragem polémica de José Pratas, as equipas alinharam da seguinte forma:

FC PORTO: Vítor Baía; João Pinto, José Carlos, Aloísio e Rui Jorge; Secretário, Emerson, Rui Barros (Jorge Costa aos 77') e Paulinho Santos; Iuran (Drulovic aos 71') e Domingos.

Benfica: Preud'Homme; Paulo Pereira, Paulo Madeira (César Brito aos 63'), William e Dimas; Vítor Paneira (Amaral aos 82'), Paulo Bento, Edilson e Nelo; Isaías e João Pinto.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Quando César Brito gelou as Antas

Hoje em dia fala-se muito da 'dita coação' aos árbitros e a malta mais nova poderá pensar que isto do futebol português está como nunca esteve.

Enganam-se, a única excepcção é que agora há redes socias e alguns programas de fanáticos que nada percebem de futebol a pôr mais gasolina para a fogueira. 
Sempre houve 'guerra' e a década de 90 do futebol português teve peripécias para todos os gostos, as mais conhecidas, nos ditos túneis de acesso aos balneários e/ou ao relvado. 

A pressão sobre árbitros e adversários eram uma constante!

Já na primeira década deste século também o túnel da Luz ficou conhecido pelos piores motivos. Todos se lembram dos castigos a Hulk e Sapunaru (vídeo, aqui).

Antes de continuarem a ler o texto, deixem a 'clubite' de lado porque não havia (nem há) inocentes no que aos ditos clubes grandes do nosso futebol diz respeito. 
E túneis é o que mais há!
Havia era uns que utilizavam métodos mais duros e por todos condenáveis. 

Foi  neste 'famoso' jogo que o guarda Abel ficou conhecido pelos piores motivos, mas neste dia aconteceram mais cenas lamentáveis que em nada honraram a instituição FC Porto, desde creolina ou enxofre no balneário da equipa visitante (os jogadores do Benfica equiparam-se num corredor) até a uns 'estalos' dados pela esposa de um dos vice presidentes do FC  Porto ao árbitro Carlos Valente, no túnel de acesso aos balneários, creio!

Estas reportagens são sobre o campeonato de 1990/1991, mas outras virão.

Valia tudo para condicionar o adversário e lembro-me de uma história em que para um Benfica - FC Porto o trio de arbitragem estava minado pelos fiscais de linha da altura.
Sem o chefe de equipa perceber, um dos auxiliares estava 'comprado' pelo FC Porto e o outro auxiliar pelo Benfica. Que grande açorda, hein?!...

Domingo, 28 Abril 1991 - 15h00 Estádio das Antas  - 75000 Espectadores aproximadamente.
Com arbitragem de Francisco Silva, as equipas alinharam da seguinte forma:

FC PORTO: Vítor Baía;João Pinto (Baltasar aos 45'), Fernando Couto, Alísio, Paulo Pereira e Vlk ;André, Semedo (Jorge Plácido aos 79') e Jorge Couto; Domingos e Kostadinov.

Benfica: Neno; Ricardo; Paneira, Paulo Madeira, William e Veloso; Paulo Sousa (Samuel aos 76'), Jonas Thern, Valdo e Pacheco (César Brito aos 80'); Rui Águas.

Em baixo algumas reportagens e resumo desse FC Porto - Benfica.


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O FC Porto - Benfica da época 1989/90

Estádio das Antas, domingo, 22 de Outubro de 1989, aproximadamente setenta mil espectadores para assistir ao FC Porto - Benfica da época 1989/1990.

Se na época anterior, o Benfica tinha vencido o campeonato, nesta, iria ser o FC Porto a voltar a conquistar o título. Houve um período na década de 80 e início da década de 90 que os campeonatos eram repartidos entre Benfica e FC Porto.  Ora vencia um, ora vencia outro.

Com arbitragem de Francisco Silva, as equipas alinharam da seguinte forma:

FC PORTO: Vítor Baía; João Pinto, Geraldão, Demol e Branco; Jaime Magalhães (Kiki aos 51'), André, Semedo e Bandeirinha; Madjer e Rui Águas (Domingos aos 14').

Benfica: Silvino; Ricardo; Veloso, Aldair e Fonseca (Abel aos 28'); Vítor Paneira, Jonas Thern, Valdo e Pacheco (Vata aos 67'); César Brito e Mats Magnusson.

Em baixo, uma reportagem de 13 minutos sobre o jogo em si e o resumo do mesmo!



Ganga, mas pouco...!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Quando Rui Águas trocou o Benfica pelo FC Porto



Estádio das Antas, domingo, 12 de Março de 1989, aproximadamente oitenta mil espectadores para assistir ao FC Porto - Benfica da época 1988/1989.
Uma época que ficou marcada pela contratação de Dito e Rui Águas por parte dos dragões ao eterno rival da Luz.

O Benfica viria a sagrar-se campeão nacional, num campeonato em que venceu vários jogos nos últimos minutos de cada encontro.
O angolano Vata entrava na maior parte deles e ajudava a resolver, aliás, foi mesmo o melhor marcador desse campeonato com apenas 16 golos. 
O FC Porto estava em renovação, depois de ter ganho tudo o que havia para ganhar a nível nacional e internacional.
Artur Jorge tinha voltado para substituir Quinito, técnico que informou Pinto da Costa que não tinha mais condições para continuar, após a eliminação da Taça dos campeões europeus aos pés do PSV.

Com arbitragem de Rosa Santos, as equipas alinharam da seguinte forma:

FC PORTO: Vítor Baía; João Pinto, Geraldão (Madjer aos 66'), Paulo Pereira e Branco; Bandeirinha, André, Semedo e Vermelhinho (Jaime Magalhães aos 45'); Domingos e Rui Águas.

Benfica: Silvino; Ricardo; Veloso, Mozer, Samuel e Fonseca; Vitor Paneira, Valdo, Diamantino (Miranda aos 88') e Abel Campos (Pacheco aos 65'); Mats Magnusson.

Em baixo, uma reportagem de 17 minutos sobre o jogo em si e o resumo do mesmo!

Uma boa parte dos benfiquistas não se reveem no José Marinho



Quando fiz um post sobre esta 'criatura' - clicar aqui para ler novamente -, já pressentia que não seria só eu a não achar piada nenhuma à entrada do José Marinho na estrutura de comunicação do Benfica. Quem é sério, já o começou a 'desmascarar'.

Hoje, foi o conhecido benfiquista João Malheiro a revelar no seu facebook uma mensagem enviada ao próprio após este o bloquear:

Mensagem telefónica enviada a José Marinho, depois de mais um deplorável episódio que dá substância à minha opinião, segundo a qual a comunicação do grande Benfica está numa fase de absoluta, lamentável e perigosa desorientação. Viva o glorioso e mítico Sport Lisboa e Benfica!





segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A final da Taça de Portugal de 1982/83 foi nas Antas



Muitos não sabem, outros já não se lembram e alguns ainda tem bem vivas as memórias dessa final da Taça de Portugal - época 1982/83!

A final da Taça não foi disputada no final da época como era normal, só se jogou a 21 de Agosto, já no decorrer da época 1983/1984 no Estádio das Antas.

Muita polémica nas secretarias do futebol de então, fizeram com que esse atraso fosse uma realidade. É bom que se diga que a decisão da Taça de Portugal mudar de local todos os anos tinha sido aprovada num congresso da FPF em 1982 mas durou pouco tempo. O problema é que em Novembro de 1982 ainda não se sabia onde a mesma seria disputada.

A FPF pressionada pela Associação de Futebol do Porto marcou para o estádio do FC Porto. O Benfica não queria ir às Antas. O FC Porto não abdicava da final ser disputada no seu estádio.

Era a primeira final de Pinto da Costa como presidente do FC Porto e, pelo que me informaram, foi Eriksson, treinador do Benfica, quem convenceu o presidente dos encarnados a jogarem nas Antas. Vamos lá jogar e vamos ganhar, disse o sueco!
E, não é que ganharam mesmo?! Vitória do Benfica com um golo de Carlos Manuel.
Resumo do jogo em baixo:


 

Sporting vence em Paços e Benfica goleia na Luz

domingo, 26 de novembro de 2017

Desportivo das Aves dá bicada no FC Porto

O líder FC Porto escorregou ontem na Vila das Aves num jogo pouco conseguido por parte dos dragões. O Desportivo das Aves mostrou-se atrevido e o resultado com que se chegou ao intervalo era injusto para os homens da casa.

Ricardo Pereira deu vantagem ao FC Porto logo aos 5 minutos de jogo mas isso não fez com que os azuis partissem para uma exibição de encher o olho, muito pelo contrário.

Pecado maior, já na segunda parte, uma entrada por trás de Corona a um adversário, aos 51 minutos, fez com que o FC Porto ficasse a jogar com 10 jogadores. O Aves acreditou e chegou ao empate aos 62 minutos com todo o mérito. A partir daí, qualquer uma das equipas poderia chegar à vitória e foi o FC Porto ao cair do pano a tentar o tudo por tudo. Um erro do árbitro Rui Costa, ao não assinalar um pontapé de penalty aos 90 minutos está a fazer correr muita tinta.

Ninguém sabe se o  pontapé de penalty fosse assinalado, seria concretizado. O VAR não quis intervir por achar que não era lance claro. Na minha opinião, esteve mal!,...era mesmo pontapé de penalty! 


sábado, 25 de novembro de 2017

«Entrevista com o grande Toni»

Toni: «Só tinha de provar a mim próprio que era capaz»
Foto: Miguel Barreira
Tornou-se treinador principal do Benfica há precisamente três décadas. Recusara o convite três anos antes mas, em novembro de 1987, aceitou o grande desafio.
RECORD - Recorda-se do que aconteceu na noite de 27 de novembro de 1987?
TONI – Presumo que é a data do Benfica-Farense que ditou o afastamento de Ebbe Skovdahl, o dinamarquês que treinava o Benfica na temporada de 1987/88.
R - É isso precisamente. Que memórias tem sobre o que sucedeu?
T – Tínhamos iniciado mal a época, o FC Porto era líder destacado (5 pontos, no tempo em que a vitória valia 2 e não 3 pontos) e a contestação subia de tom. Nessa noite defrontámos o Farense (de José Augusto), na Luz, e o ciclo negativo culminou com esse empate (2-2). Ficámos todos muito dececionados e fomos logo para casa porque no dia seguinte íamos para a Arábia Saudita, participar na festa do 80º aniversário do Al-Ahli. A meio da madrugada recebi um telefonema a comunicar-me que Skovdahl tinha sido destituído e que seria eu a assumir o comando.
R - Como reagiu?
T – Precisei de articular as ideias mas disse que sim, iria com a equipa, e que o resto logo se veria. Em boa verdade, o que me interessava mesmo, a partir desse momento, era falar com o treinador cessante para lhe explicar o que tinha sucedido, deixando as coisas totalmente claras relativamente à minha posição. Para mim foi sempre muito importante vincar a lealdade com os treinadores principais com quem trabalhei como adjunto. Foi assim com Lajos Baroti, Eriksson, Ivic, Csernai, Mortimore… Deixei sempre bem vincado que louros e fracassos têm de ser repartidos por todos os elementos da equipa. Nenhum deles tem razões de queixa a meu respeito nesse capítulo.
R - Em função do que li nos jornais da época, não foi imediata a sua posse como treinador do Benfica…
T – Pois não. Recordo-me de que, a caminho da Arábia Saudita, onde ganhámos 4-0, fizemos escala em Paris e fui ver um jogo do Matra Racing (com o Laval), então treinado pelo Artur Jorge, que vencera a Taça dos Campeões pelo FC Porto uns meses antes. Jantei com ele, falámos sobre muitas coisas, incluindo, naturalmente, a posição em que me encontrava. Foi um encontro importante para tomar a decisão.
R - Os dirigentes não estariam todos de acordo, porque o presidente João Santos disse que era a sua grande oportunidade, mas Gaspar Ramos disse que havia a dúvida se a escolha recairia sobre um português ou um estrangeiro…
T – Até à decisão final passaram-se alguns dias, disso recordo-me bem. Mas não memorizei esses pormenores. Naquela altura houve vários jogos e eu limitei-me a treinar a equipa, esperando por uma definição do caso. Até porque também eu queria escolher a equipa técnica com quem iria trabalhar.
R - Foi nessa altura que chamou Jesualdo Ferreira?
T – Precisamente. Achei fundamental ter alguém da minha inteira confiança e de reconhecida competência como adjunto.
R - É verdade que já tinha sido convidado para treinador principal do Benfica e não aceitou?
T – Sim, é verdade. Quando Tomislav Ivic substituiu Eriksson, em 1984, e saiu ao fim de poucas semanas, antes mesmo do início oficial da época, desempenhei o cargo transitoriamente. Em determinado momento, e depois de alguns jogos particulares em que me sentei no banco como treinador principal, endereçaram-me o convite. Senti-me honrado mas entendi que não era uma proposta convicta, consistente, no tempo certo… Essa decisão não foi bem entendida por muitas pessoas ligadas ao Benfica mas foi assim que vi as coisas. Fizemos, por essa altura, um jogo com o Atlético Madrid, e fiquei a saber que Pal Csernai estava na Luz a assistir. Foi ele o escolhido.
R - O que mudou, em três anos, para aceitar esse desafio em 1987?
T – Mudou muita coisa, quase tudo, diria eu. Tinha mais experiência e ganhei confiança e convicção suficientes para assumir tamanha responsabilidade. Não me preocupei com o que me rodeava, porque só tinha de provar a mim próprio que era capaz. *
«Empate com o FC Porto fez-nos pensar na Europa»
R - Lembra-se dos primeiros jogos como treinador principal ?
T – O primeiro foi o já referido frente ao Al-Ahli, na Arábia Saudita, que vencemos por 4-0. Já em dezembro, seguiu-se a primeira mão da Supertaça, com o Sporting, na Luz. Dei oportunidade a jogadores que estavam afastados da equipa, como o Bento e o Chalana, mas perdemos por 0-3. Na semana seguinte estreei-me no campeonato, em Coimbra, com a Académica, com vitória por 4-2. Não posso precisar a data certa em que assumi definitivamente o cargo, mas tenho a certeza quase absoluta de que, nessa altura, já não havia dúvidas de que ficaria até final da época.
R - O campeonato ficou perdido precocemente…
T – Sim, é verdade, deixámo-nos atrasar e ficámos numa situação difícil. Tivemos apenas uma oportunidade de entrar na corrida: em finais de janeiro recebemos o FC Porto e, se vencêssemos, teríamos ainda algumas hipóteses de lutar pelo título. Empatámos, o adversário continuou distante e, mesmo sem termos desligado, o empate com o FC Porto fez-nos pensar na Europa.
R - Concentraram forças para o jogo com o Anderlecht?
T – Sim, já sabíamos que íamos medir forças com eles em março e, sem desligar do campeonato, começámos a preparar esse embate dos quartos-de-final da Taça dos Campeões. A coisa correu bem e chegámos à meia-final, frente ao Steaua Bucareste do enorme Hagi, que derrotámos de modo claro.
R - O que mais recorda da final com o PSV Eindhoven?
T – Ui, tanta coisa: a lesão do Diamantino, as botas a saltarem dos pés dos nossos jogadores, a grande expressão do Benfica como clube mundial, a decisão nos penáltis que nos foi desfavorável... *
«Equipas de 1988/89 e 1993/94 eram fortíssimas»
R - Em que patamar coloca a equipa que foi à final da Taça dos Campeões de 1987/88?
T – Não vou dizer que era a melhor e a que tinha mais soluções entre aquelas que orientei no Benfica. Mas tinha muito caráter e permitia fazer um onze muito competitivo.
R - A de 1993/94, que foi campeã, era melhor?
T – As equipas de 1988/89 e 1993/94 eram fortíssimas. Foram campeãs nacionais com muito mérito porque, tanto uma como outra, dispunham de imensa qualidade.
R - As do novo século destoaram no seu percurso na Luz...
T – Essas surgiram num contexto de grandes dificuldades, já em plena travessia do deserto. Foram equipas construídas muitas vezes sem critério e o insucesso desses anos não foi surpreendente. *
«É um orgulho ter treinado o Benfica»
R - Recordar o momento em que assumiu o comando da equipa principal do Benfica que sensações lhe suscita 30 anos depois?
T – Suscita-me o orgulho por ter treinado o Benfica e ter tido a sorte de ser campeão – também como jogador. E, tal como já referi, sinto hoje o conforto de o ter feito no momento certo. A proposta foi mais credível e por isso não tive dúvidas em aceitá-la. Não o fiz para provar a alguém que era capaz. Como também já disse, a questão era mostrar a mim próprio que dispunha de condições para cumprir a tarefa.
R - Há 30 anos, como foi possível mandar embora um treinador (John Mortimore) que vinha de ganhar Campeonato e Taça?
T – É uma longa história e este não é o tempo nem o espaço para a dissecar. Hoje não faz sentido mas naquela altura também não fazia, embora então fosse menos relevante fazer a dobradinha, porque o Benfica vencia com mais regularidade. E depois Skovdahl foi apresentado como sendo da escola de Eriksson, que permanecia como referência para os adeptos.
Toni: «É um orgulho ter treinado o Benfica»
Foto: Miguel Barreira
R - Recordar o momento em que assumiu o comando da equipa principal do Benfica que sensações lhe suscita 30 anos depois?
T – Suscita-me o orgulho por ter treinado o Benfica e ter tido a sorte de ser campeão – também como jogador. E, tal como já referi, sinto hoje o conforto de o ter feito no momento certo. A proposta foi mais credível e por isso não tive dúvidas em aceitá-la. Não o fiz para provar a alguém que era capaz. Como também já disse, a questão era mostrar a mim próprio que dispunha de condições para cumprir a tarefa.
R - Há 30 anos, como foi possível mandar embora um treinador (John Mortimore) que vinha de ganhar Campeonato e Taça?

T – É uma longa história e este não é o tempo nem o espaço para a dissecar. Hoje não faz sentido mas naquela altura também não fazia, embora então fosse menos relevante fazer a dobradinha, porque o Benfica vencia com mais regularidade. E depois Skovdahl foi apresentado como sendo da escola de Eriksson, que permanecia como referência para os adeptos.
Entrevista no Jornal Record


«O enorme Peter Schemeichel que foi campeão pelo Sporting»

Alguns já não se lembram, mas Schmeichel, depois de sair do Sporting ainda fez mais duas época na premier league, no Aston Villa e, por fim, no Manchester City na época 2002/2003 onde realizou 31 jogos e finalizou a carreira aos 39 anos. 

Essa conversa de que veio para o Sporting já em fase descendente é uma treta. A passagem pelo Sporting foi de luxo e ajudou os leões a conquistar o campeonato 18 anos depois. 
Ainda estava no pleno das suas capacidades. Vale a pena recordar:


 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

«Quando um programa desportivo mandou um treinador para o hospital»

Não sei se terá sido bem assim, como a reportagem refere, mas eram tempos em que o conflito também era muito.



 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Esta criatura é uma vergonha



Fez-me sempre uma enorme confusão a maneira como Fontelas Gomes chegou à APAF e posteriormente ao Conselho de Arbitragem da FPF.

Como também me fez confusão a chegada deste Luciano Gonçalves para o substituir na dita APAF.

Estas 'duas criaturas', em especial o líder da APAF, demonstram uma total incompetência para o cargo que ocupam.

Digo isto, para não dizer algo muito mais grave. Esta gente não pode continuar, se o primeiro será difícil tirar do cargo, o segundo, Luciano Gonçalves, se tiver vergonha na cara que abandone pelo seu pé. Peça a demissão.

O artigo em baixo de Duarte Gomes reflecte precisamente o que penso de tudo isto. Subscrevo inteiramente. Sim, eu sei, o Duarte Gomes também está 'doidinho' por um tacho, mas, pelo menos, na teoria sabe o que diz.

Na prática parece-me que seria mais do mesmo, não gosto de vaidosos e que se julgam os donos da verdade. Aqui fica o artigo de Duarte Gomes na Tribuna Expresso.

Suicídio coletivo e uma enorme vergonha (Duarte Gomes escreve sobre a greve dos árbitros, que afinal não é bem greve)

O antigo árbitro e comentador da SIC Notícias escreve sobre o estado da arbitragem em Portugal
O processo em torno desta “greve que não era bem greve” ou deste recuo no “pedido de dispensa que afinal só será daqui a vinte dias se”... é tão mau que, por muito que se queira defender o que quer que seja, não se consegue. Não se pode. E mais importante do que tudo, não se deve.

Comecemos pelo começo.

Há umas semanas, a APAF tornou público um comunicado que dava conta de uma possível intenção de greve por parte dos árbitros. Na altura, não se percebeu bem o motivo, a forma e o conteúdo: as coisas não estavam péssimas (estavam apenas más, como de costume), a jornada nem tinha corrido bem em termos de arbitragem e a coisa era apontada não para o imediato mas mais para a frente.
A alegada paragem ocorreria, em exclusivo, na Taça da Liga (como se os clubes em questão não fossem os mesmos que competem na Primeira e Segunda Liga) e apenas no final de novembro e dezembro (com umas apitadelas pelo meio).
Foi tão feio que tudo se desmoronou em poucos minutos, com uma curtíssima reunião com quem manda e meras palavras de circunstância para atenuar a dor.

Logo aí os árbitros deram dois tiros nos pés: o avanço público, impreparado e impulsivo para uma greve... e o recuo pouco depois, sem que nada de palpável, concreto ou razoável dali resultasse.
Na prática, tudo ficou na mesma à exceção da credibilidade da classe, que perdeu pontos aos olhos de tudo e todos.
Poucas semanas depois, o ambiente geral ficou, de facto, insustentável. E apenas alguém muito incapaz discordará da ideia que o futebol profissional bateu mesmo no fundo: as máquinas de propaganda florescem a um ritmo alucinante, numa guerrilha tripartida que ninguém pára nem consegue travar.
Eles dizem e fazem o que querem, como querem e onde querem. Tudo na maior das impunidades. Tudo sob o manto sagrado da “defesa pela verdade desportiva” que, se não desse vontade de chorar, quase daria vontade de rir.
Entre algumas acusações pertinentes (que podem e devem ser investigadas a fundo), são atirados para a fogueira nomes de pessoas, dados inócuos e paletes de nada ou de poucochinho.
Hoje em dia, vale tudo, mas mesmo tudo para confundir, denegrir e levantar suspeitas.

Todos sabemos que estratégias moram por detrás de cada uma dessas manobras. E todos sabemos o que as motiva. 

Mas o problema maior deste enorme problema é o resultado final que produz: o fosso entre três e todos os outros é cada vez maior, o foco passa a ser o jogo jogado fora das quatro linhas (que se lixem jogadores e treinadores) e tudo isso tende a distanciar destas paragens, potenciais patrocinadores e investidores, porque ninguém inteligente quer colar-se a um espetáculo tão deprimente como aquele a que temos assistido nas últimas semanas.

Mas, para os árbitros, o pior mesmo é o vírus que liberta e contagia os adeptos. Os adeptos mais influenciáveis, que reproduzem-se maciçamente em climas como este.

No final do dia, todo aquele ódio resvala para cima dos árbitros e das suas famílias. As ameaças e intimidações quadriplicaram e a sofisticação do ataque também. Há mais emails, mais chamadas e mensagens, mais montras partidas e mais carros riscados. Há mais medo. Há muito mais terror.

Perante isto, sim: greve!

E na passada terça-feira os árbitros disseram “chega”. 

Não foi um CHEGA gritado com a raiva de quem se sente a explodir de razão. Foi um “chega” assim, muito tímido, quase que a pedir licença para entrar. Mas bem... foi um chega!

Daí até agora, a história é conhecida e classifica-se numa só palavra: vergonha!

Uma enorme vergonha!

Vejamos: os árbitros, fartos de serem associados a processos de corrupção e de serem citados como desonestos, meteram “dispensa” de atuação para este fim de semana. Não fizeram greve... meteram escusa invocando “motivos pessoais e falta de condições psicológicas”.

Esse foi o primeiro grande erro. 

Uma paragem é a bomba atómica, o fim da linha. É o recurso final. E é para usar no momento certo (como agora) e com coragem. Coragem!!

A greve é uma decisão de classe que não pressupõe receio de consequências regulamentares ou disciplinares. A greve não é um pedido avulso de dispensa, que é aquilo que se faz quando se quer ir a um batizado ou a um casamento. 

A greve é uma tomada de posição firme e inequívoca. Do todos. De todo o grupo. 

Mas não foi. E como se usou a porta mais pequenina, a saída mais rasteira, a do subterfúgio regulamentar... criou-se um problema enorme para o Conselho de Arbitragem. 

É que este só podia aceitar pedidos de dispensa com 20 dias de antecedência. E estes foram feitos três, quatro dias antes da jornada.

Das duas uma: ou os árbitros retiravam (ou adiavam) essa solicitação... ou ela não tinha cabimento regulamentar e o CA tinha que os nomear na mesma.

Ontem os árbitros terão sido sensíveis ao apelo da sua estrutura (para desmobilizar) e o resultado é o que está à vista: pela segunda vez em cerca de um mês, os árbitros recuaram na sua posição inicial. 

Cederam e remeteram a coisa para daqui a vinte dias, apresentando - em comunicado - um conjunto de pressupostos ocos, demagogos e inconcretizáveis.

Os árbitros de futebol profissional perderam a melhor oportunidade das suas vidas para se afirmarem enquanto classe. 

Tinham toda a imprensa e seguramente muitos agentes desportivos (treinadores, jogadores e até clubes) do seu lado. Com eles!! Solidariamente com eles!!

Foram elogiados pela coragem e firmeza. E depois recuaram, traindo a confiança dos que estavam do seu lado e destruindo mais um pouco da sua credibilidade.

O que os árbitros ontem decidiram feriu a classe de morte. Desiludia-a. E deu carta branca a mais ameaças, insultos e intimidações.

Uma vergonha.
Uma enorme vergonha.