terça-feira, 31 de maio de 2016

A SELEÇÃO ESTÁ EM BOAS MÃOS



Quando Paulo Bento apostou nele, contra tudo e contra todos, convicto de que estava a dar futuro ao Sporting e ao futebol português, não faltaram as vozes contestatárias daqueles que foram mais sensíveis à fantasia de que Stojkovic era o melhor guarda-redes da Europa – e esses, por ignorância e preconceito, não podiam avaliar o momento como a génese de um mito das balizas. Nessa fase conflituosa de afirmação, Rui Patrício cometeu erros mas nunca se deixou seduzir pela demagogia do adorno e da extravagância. Quando era um simples adolescente e não seria escandaloso que reclamasse protagonismo para chamar atenções, jamais caiu na armadilha de criar problemas onde era suposto levar a solução. A sua construção como guarda-redes nunca adotou o estilo exuberante de quem promove um conceito de espectáculo e o adapta a novas realidades. No momento de ser chamado à baliza do Sporting já dominava todos os elementos do guarda-costas de uma grande equipa. As falhas deveram-se à falta de experiência. Não ao perfil desvirtuado para as exigências do que estava para vir.

RP sempre foi um guarda-redes sóbrio, ponderado, discreto, sem tendências suicidas nem propensão para atos heróicos. Mesmo na fase embrionária de afirmação, duplamente pressionado – era muito jovem e a concorrência apresentava-se poderosa –, revelou sintomas de responsabilidade, num processo que prosseguiu com a abertura para ouvir os mestres e continuar a aprender; de aprimorar a sensatez que consolida o equilíbrio e agregar ciência em doses proporcionalmente inversas ao esfriar de paixões juvenis que, em boa verdade, nunca o condicionaram. Nos primeiros passos do trajeto foi confrontado com imprecisões técnicas; com más avaliações da profundidade; com a dificuldade em antecipar alguns factos, que o faziam chegar fora de horas, logo desenquadrado, a muitos despiques. 

O sucesso arrebatador oculta erros que, em muitos casos, nem são reconhecidos – o que conduz, por norma, à travagem da normal evolução de um jogador. Nesse sentido, para o bem e para o mal, RP não construiu em Alvalade o império de conquistas relevantes que podia levá-lo ao topo como figura de uma grande equipa europeia. Talvez por isso nunca tenha dado por concluída a assimilação de competências, razão pela qual não tem parado de crescer. Nos duelos diretos com os avançados, por exemplo, é um dos mais completos guarda-redes da atualidade: tem instinto felino na saída dos postes e na abordagem aos lances; sabe manter as distâncias; é perfeito a encontrar o tempo de intervir e utiliza como poucos os segmentos corporais para tapar a baliza. Pela eficácia nesses confrontos, mas não só, cumpriu um dos requisitos que distinguem os grandes guarda-redes: o talento para intimidar os adversários e conduzi-los ao erro, reduzindo-lhes a imensa baliza que tem a seu cargo às dimensões de uma de hóquei em patins.

RP nunca viveu na dependência dos elogios da crítica ou dos gritos do público. Revelou imperfeições, cometeu erros que valeram pontos mas manteve fidelidade ao projeto de carreira que definiu (jogar em equipas grandes); nunca traiu as orientações dos treinadores e o compromisso assumido perante os companheiros. Aliás, foi essa capacidade isoladora do exterior e a convicção intuitiva de que as respostas emocionais coletivas não se fundamentam numa relação de fidelidade, que o fez prosseguir o caminho e chegar a este ponto da viagem; foi o entendimento de que os impulsos momentâneos com origem nas bancadas se explicam avulso pelo êxito das intervenções ou pelo seu fracasso que o tornaram imune a dúvidas e recriminações. Aos 28 anos atingiu o ponto mais alto do percurso, sublinhado com uma temporada a roçar a perfeição. É um dos melhores guarda-redes da Europa. A Seleção está em boas mãos. 

O deve e haver de CR7 em Madrid

Ao fim de 7 anos, as contas entre Ronaldo e o Real Madrid não estão em dia

CR7 invadiu o terreno sagrado do clube mais ganhador da história do futebol. Tornou-se o melhor marcador de sempre do colosso e está a deixar marcas arrasadoras no Bernabéu a todos os níveis. É símbolo de um tempo e uma das estrelas maiores que envergaram aquela camisola. Se o Real Madrid lhe tivesse dado, em títulos, uma glória proporcional à sua grandeza, o fenómeno seria ainda mais arrasador.

Guerreiro pode ser preciso

Nascido em França, só se mostrou a Portugal quando jogou na Seleção

Raphaël Guerreiro é um jogador distante mas cada vez mais próximo dos portugueses. Agora, de cada vez que o vemos junta algo à construção do puzzle como um dos melhores laterais-esquerdos nacionais e dos mais apetecidos no mercado europeu. A última peça, confirmada com a Noruega, foi a de um especialista em livres na zona frontal. Desde que cumpra as obrigações defensivas pode ser um jogador precioso.

Magistral lição do imperador

Usufruamos das últimas gotas de talento de um dos melhores da história

Ricardo Carvalho é uma ave rara. Poder-se-ia pensar que, de tão veterano, sentiria maior conforto em competições curtas mas os números não confirmam a tese – estará no Europeu aos 38 anos, no final de uma época em que fez 44 jogos, correspondentes a 3.833 minutos. Com a Noruega, o imperador deu magistral lição de como joga um central. Aproveitemos cada instante. Não há tempo para muito mais.
Artigo Rui Dias no Jornal Record

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Recordando um enorme treinador do FC Porto

A SAD portista anda louca...

Não sei se o título deste post é o mais adequado, mas foi o que me veio à cabeça quando soube da possível contratação de Nuno Espirito Santo para treinador da equipa principal do FC Porto.



Atenção, nada tenho contra o cidadão em questão, mas como treinador, não lhe vejo 'estaleca' para treinar um colosso europeu como o FC Porto.

Ah, coisa e tal, treinou o Valencia e blá, blá, blá...

Nuno Espirito Santo foi lá parar pelas mãos e compadrio de Jorge Mendes. Como é possível um treinador ir treinar um clube como o Valencia só com provas dadas (algumas) no Rio Ave?

E ssim foi o primeiro teste...




domingo, 29 de maio de 2016

Aguardando pelo particular da nossa selecção...

Recordando um Portugal - Inglaterra

O primeiro teste da nossa selecção antes do Euro

É já hoje que a nossa selecção fará o primeiro jogo particular, no Dragão, contra a Noruega.


(foto retirada da página oficial na nossa selecção no facebook)
O mais importante no jogo de hoje, é Fernando Santos ir testando todos os jogadores como tão bem ele sabe fazer. Chegou a hora de criar ainda mais rotinas entre os atletas portugueses.

Este Europeu deixa-me confiante por várias razões:

Na minha opinião, temos o treinador indicado para irmos longe na competição. Até hoje e, desde que acompanho a selecção, Fernando Santos é o seleccionador português que me enche as medidas. Também gostei imenso de Scolari.

Temos alguns jogadores que provavelmente farão a sua última grande prova a nível mundial e vão com toda a certeza ter a ambição redobrada.

Temos ainda, jovens que querem singrar rapidamente nos grandes palcos.

Temos, para finalizar, um misto de veterania e juventude do melhor que existe no seio de uma selecção.

Estão reunidas todas as condições (excelente estrutura da FPF no apoio às selecções de Portugal) para nada faltar e o sonho se concretizar.

sábado, 28 de maio de 2016

Parabéns ao Real Madrid e a CR7!...

...pela conquista da 11º Champions League! Agora, venha o Europeu em França! Carrega Portugal!!!

Julen Lopetegui de regresso

Caros leitores, antes de avançar para o post propriamente dito, peço desculpa por este blogue não estar a 'carburar' diariamente, mas factores alheios à minha vontade assim o obrigaram.




Em relação ao título deste post, sim, parece que Julen Lopetegui está de regresso a Portugal, mais propriamente ao comando técnico do SC Braga.
Custa-me acreditar que seja verdade,...neste tipo de rumores, sou como Tomé - só vendo para crer. Ainda não abordei o final da nossa época desportiva, e não me vou alongar muito - venceram as provas as equipas mais competentes.

Em relação ao campeonato, o Benfica venceu depois de uma excelente época do Sporting, jogando um futebol deveras atraente. Alguns falam em justiça e injustiça, nada mais errado, isso não existe no futebol, neste caso, quem chega ao final com mais pontos tem mérito.

Já se esqueceram dos dois campeonatos ganhos pelo FC Porto de Vítor Pereira ao Benfica de Jesus?, na minha opinião, o Benfica também jogava com a tal nota artística e perdeu os dois.
Porquê? Porque o FC Porto foi mais competente em todos os aspectos.
Benfica também com nota elevada pela participação na Champions League e vitória na Taça da Liga - uma excelente temporada dos pupilos de Rui Vitória, o mesmo que levou o Paços de Ferreira a uma final da taça da liga e o Vitória de Guimarães a vencer uma taça de Portugal do Benfica de Jorge Jesus.

Para finalizar, os meus amigos benfiquistas, mais fanáticos, desejam que na próxima época Bruno de Carvalho, Inácio, Octávio e, por vezes o técnico leonino, continuem a disparar em tudo o que mexe. Enfim...só os prejudicou!

Em relação à taça de Portugal, o Braga venceu e, bem! Foi triste ver aquele FC Porto no Jamor, com excepção de André Silva - que jogador?!

terça-feira, 10 de maio de 2016

JOÃO MÁRIO NO PATAMAR DOS DEUSES



Tem a expressão serena de quem recusa viver sobressaltado mesmo quando percorre as estradas armadilhadas do centro do terreno; é um condutor extraordinário, preciso, seguro, imperturbável, que sabe manejar a velocidade e nunca se equivoca nos caminhos. Em silêncio faz do futebol um espaço de liberdade (e responsabilidade); da bola um objeto de rebeldia pessoal (e comunitária); do relvado o palco predileto para se mostrar como é (um artista da bola). João Mário tem confiança quase insolente no talento que o abençoou, cujos alicerces consolidou e desenvolveu ao longo do tempo, de tal forma que já mandou fora o manual de sobrevivência a que os jovens recorrem para resistirem à pressão nos grandes clubes.

É incrível como, em silêncio e agora desviado do centro de comando das operações (entre a direita e o meio), desempenha papel tão preponderante na equipa. Aliás, se o Sporting pratica um futebol espetacular, articulado, amplo e equilibrado deve-o, em grande parte, à intervenção de João Mário. O seu jogo inteligente, seguro e grandioso tem como base a ciência inconsciente que advém de genes que o acompanham desde o berço e da orientação dos mestres que apanhou pelo caminho, com especial relevância para aqueles que o conduziram ao nível superlativo exibido nos últimos anos (José Couceiro, Marco Silva e Jorge Jesus). João Mário tem qualificações individuais sublimes mas não é efeito sem causa: precisa de contexto para se expressar e de uma equipa à volta para atingir a plenitude; não ganha sozinho (porque não é Ronaldo ou Messi) mas ajuda a resolver problemas que, sendo de todos, precisam da contribuição de quem ponha assinatura no passe, na assistência e até no último toque (já lá vão 7 golos na época). No Dragão, por exemplo, Slimani foi herói de um jogo no qual João Mário ditou quase todas as leis.

Ao recreio desenvolvido na juventude acrescentou os elementos de que são feitos os grandes jogadores: valorizou os antagonistas que o temem, as plateias que o adoram e os companheiros sem os quais o sucesso total é impossível de atingir. João Mário é tão brilhante no modo como entende o jogo que já riscou do reportório os valores supérfluos de exibicionismo e extravagância. Mesmo quando não recebe o sinal divino da inspiração e não acende a luz que ilumina o caminho para a glória, entrega-se e luta como qualquer operário da comunidade. É um dos melhores médios do futebol europeu e um futebolista de fácil inserção em qualquer equipa: que soma e multiplica (todos jogam melhor com ele por perto); que nos dias menos bons tem sempre algo para dar à equipa e nos melhores evidencia a maravilha que é vê-lo reverter a bênção de argumentos individuais num contexto mais amplo. Não tem magia nem perfil para ser "alegria do povo" mas aproxima-se tanto da perfeição que todos se curvam perante o seu talento. É um craque universal e indiscutível.

João Mário é uma brisa suave e refrescante que alivia o espetador, ameaça o adversário e inspira a equipa. É uma enciclopédia interminável, que elevou o amor pela bola à paixão pelo jogo; interpretou o egoísmo próprio de quem sente estar um degrau acima dos outros e transformou-o em solidariedade em nome do bem-estar coletivo; valorizou tanto o futebol em todas as vertentes (como jogo, espetáculo e indústria) que jamais o reduzirá a uma única parcela. Diz-se que o talento, quando ultrapassa determinada dimensão, oferece asas para voar. Aos 23 anos, como referência do Sporting de Jorge Jesus, já viaja pelo céu em busca do lugar sagrado que lhe cabe no altar dos maiores do seu tempo. Mesmo sem ter chegado ainda ao patamar dos deuses, já é um extraterrestre. Não tarda será génio de outra galáxia a ditar ordens numa das cinco ou seis melhores equipas do Mundo. O mercado não pode ficar insensível a um tesouro destes.

Renato Sanches é estrela maior

Sobre ele deve dizer-se que a procissão ainda nem sequer saiu do adro Renato Sanches melhorou o Benfica, é o rosto da reviravolta na Liga e acabará, fatalmente, por dar nome ao campeonato.

Entre o talento que mostrou e a imaturidade revelada em determinados momentos da época – o mais marcante dos quais a expulsão infantil no Funchal –, a balança pende para o que fez de melhor. A transferência para o Bayern é corolário do muito que jogou em 2015/16.

O grande legado de José Peseiro

Está a consolidar-se como bom ponto de partida para a próxima época

Sérgio Oliveira é a grande contribuição de José Peseiro para o FC Porto do futuro.
Tendo começado como último de um vasto lote de médios para três lugares (Danilo, Rúben Neves, André, Herrera, Evandro, Imbula…), o capitão dos sub-21 que foram vice-campeões da Europa em 2015 acaba a época como um dos maiores projetos do futebol português. Deram-lhe confiança e ele soube geri-la. O resultado está à vista. Vários modos de jogar bem Barcelona e Bayern Munique falharam o acesso à final da Liga dos Campeões Muitos defenderam a ideia de que, afinal, bom mesmo é jogar como Real Madrid e At. Madrid – sinal de que não falta quem prefira a mediocridade e o mau-gosto à grandeza e ao belo, desde que a essas opções corresponda uma vitória. Provado ficou, isso sim, que não existe apenas uma forma de jogar bem. E que o estilo, sendo muitíssimo importante, não chega para garantir vitórias por antecipação.
Artigo de Rui Dias no Jornal Record