José Veiga foi protagonista de uma ascensão profissional meteórica: de pintor de automóveis, no Luxemburgo, chegou a superagente de futebolistas de classe mundial como Luís Figo. Nascido em Seixo de Ansiães, em 1963, emigrou com os pais, aos seis anos. Apaixonado por futebol, adepto portista, fundou a Casa do FC Porto no Luxemburgo e tornou-se amigo de Pinto da Costa. Foi distinguido com o Dragão de Ouro.

Em 1991, José Veiga começou a trabalhar como agente, tendo colocado Celso e Ralph no FC Porto. Regressou a Portugal um ano depois, para trabalhar na Futeinveste, empresa de Joaquim Oliveira, que, para lá da organização de jogos, tratava do agenciamento de jogadores. O seu sucesso deu-lhe autonomia suficiente para constituir uma firma própria, a Superfute. Em 1994, conduziu Paulo Sousa à Juventus e Fernando Couto ao Parma, mas os maiores movimentos no mercado conseguiu-os com Figo, colocado no Barcelona (1995) e depois no Real Madrid (2000), numa das transferências do século. No mesmo ano, levou João Vieira Pinto para o Sporting, depois de dispensado pelo Benfica, o que mais tarde lhe valeu um processo em tribunal por alegada fuga ao fisco. Antes, em 1998, de amigo passou a inimigo de Pinto da Costa, por este ter entregado a intermediação da transferência de Sérgio Conceição para a Lazio a Luciano D’Onnofrio, o que Veiga considerou uma traição imperdoável.

Em 2001, foi o empresário de Zidane na saída da Juventus para o Real Madrid. No auge da atividade como empresário, em 2002, dispersou capital da Futeinveste na Bolsa de Paris, assinalando a data com pompa e circunstância. "É o dia mais importante da minha vida", chegou a dizer. É nesse ano que chega a andar à pancada com o seu grande rival
no mercado, Jorge Mendes.
No Benfica relançou a carreira e ajudou ao fim do jejum de títulos encarnado

No Benfica relançou a carreira e ajudou ao fim do jejum de títulos encarnado
Com o empobrecimento da carteira de jogadores, a Superfute acaba dissolvida, atolada em dívidas ao Fisco.

Campeão no Benfica

A sua carreira no futebol ganhou novo fôlego quando foi convidado por Luís Filipe Vieira para diretor-geral do Benfica. E em 2004/2005 esteve diretamente ligado à conquista do título, tendo sido responsável pela entrada do técnico Giovanni Trapattoni, depois de fracassar a contratação do então selecionador nacional, Luiz Felipe Scolari.
 

Obcecado com a unidade do plantel e o controlo do balneário, José Veiga fez-se notar pela gestão da informação. Nas viagens para o norte do país ninguém sabia qual o destino final do autocarro a não ser ele próprio e a sua rede de colaboradores, que tratavam da logística da equipa.

Na final da Taça de Portugal 2004/2005 ficou famosa a sua frase para o grego Fyssas, quando este resolveu contestar a substituição: "Guarda essa camisola porque é a última vez que a vestes."
Arresto de bens pessoais em direto

Em 2006, o arresto de bens pessoais – visto na televisão - devido a problemas com o Fisco levam à sua demissão do Benfica. Mais tarde, Luís Filipe Vieira chegou a ponderar o regresso de Veiga à Luz, mas a oposição do administrador da SAD, Domingos Soares Oliveira, foi determinante para que tal não tivesse acontecido. Em entrevista a Record, Veiga diz que o único mérito de Oliveira é ser "um bom jogador de golfe", atingindo indiretamente Vieira, quando considera o problema do Benfica "a falta de liderança".

O seu passo seguinte no futebol chamou-se Swindon Town, onde desempenhou funções de diretor-geral, sem resultados relevantes, tendo desaparecido progressivamente da cena pública.

Há sensivelmente um mês soube-se então das suas ligações a negócios no Congo e em Cabo Verde, que terão estado na origem da sua detenção.
notícia daqui