quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Recordando uma emocionante final da Taça dos Campeões Europeus

Brevemente recordaremos também o excelente percurso do Benfica da década de oitenta. Os clubes portugueses estavam em 'alta'.

 

Águia acelera aos 30 minutos

A facilidade com que o Benfica tem feito golos na atual edição da Liga tem merecido os mais variados elogios. E percebe-se a razão. Afinal de contas, os 50 remates certeiros em 19 jornadas são algo que não acontece com regularidade no futebol nacional. Aliás, é preciso recuar até à temporada 1995/96 para encontrar um desempenho ofensivo similar, então protagonizado pelo FC Porto de Bobby Robson e onde pontificava Domingos (foi o melhor marcador, com 25 golos). Nessa altura, os dragões somavam 50 'tiros' no alvo, mas também 16 vitórias e 3 empates. Não tinham derrotas e apenas haviam sofrido 3 golos. No final, sem surpresa, festejaram a conquista do título, deixando o Benfica a 11 pontos e o Sporting a 17...
Olhando apenas para os dados históricos do Benfica, desde a época 1989/90, então sob o comando de Eriksson, que não se via uma equipa com tantos golos nas primeiras 19 jornadas. Com Jorge Jesus ao leme, em 2009/10 (a sua primeira época na Luz), o pecúlio chegou perto (49), mas não à meia centena. Depois, ficou-se pelos 40, 47, 47, 36 e 44.
Mas atente-se agora na distribuição dos golos encarnados esta época. A primeira evidência é que os comandados de Rui Vitória são mais eficazes na segunda parte (30 golos), nomeadamente na última meia hora (têm 11 golos entre os minutos 61 e 75 e 12 dos 76' aos 90'). Ninguém marca tanto nesse período, nem em qualquer outro quarto de hora.
Curiosamente, o desempenho não é famoso nos primeiros 15 minutos, período em que o FC Porto (9 golos) marca mais e onde cinco equipas sofrem menos, com destaque para o Sporting que, pura e simplesmente, ainda não foi batido nessa fase.
Entre os 15 e os 30 minutos, o Benfica concretiza pouco (só 4 golos, atrás de quatro concorrentes), embora também só tenha 2 golos sofridos (ainda assim há três equipas com melhor registo, destacando-se, mais uma vez, o Sporting com... 0).
A partir da meia hora, então sim, o Benfica costuma despertar. Nos últimos 60 minutos já fez 39 golos (78% do total) e sofreu 7. Antes soma 'normais' 11-6. 
SABIA QUE...

Apesar do excelente rendimento atacante, o Benfica sofre golos há três jornadas?
Nacional, Estoril e Arouca não lograram roubar pontos aos encarnados, mas todos conseguiram bater Júlio César. Esta é a primeira vez na época que as águias sofrem golos em três rondas consecutivas.

Na importante vitória em Tondela, o Boavista estabeleceu dois recordes dispensáveis? 
Os axadrezados foram a primeira equipa da temporada a ver 10 cartões (e 9 amarelos) num encontro. 

Danielson foi o primeiro jogador do Moreirense a ser expulso esta época? 
Agora, Benfica e União da Madeira são as únicas formações sem vermelhos. 

A onda goleadora na prova continua viva? 
Houve 34 golos nesta ronda 19, exatamente os mesmos da jornada 17. Melhor, só os 40 verificados na ronda 13, quando só União da Madeira e Tondela ficaram em branco.
Luís Avelãs no Jornal Record

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A velha Guarda

Tive o gosto de ver, ontem, no Dragão, o reencontro de dois excelentes treinadores que a luz da realidade fez regressar à ribalta do futebol português: José Peseiro e Nelo Vingada.

Peseiro, de 55 anos e com 24 de carreira, estava proscrito desde que teve não o verdadeiro mérito de levar o Sporting à final da Taça UEFA, em 2005, mas o suposto demérito de a perder. E depois de um episódico e não bem-sucedido regresso a casa, para treinar o Sp. Braga, José Peseiro parecia condenado ao exílio até ao final dos tempos.

Vingada, de 62 anos e já com 35 de percurso profissional, percorreu o Mundo – de Marrocos ao Irão, da Jordânia à Coreia e à China, com um interregno de quatro meses em Guimarães, em 2009 – desde que há quase uma década terminou o seu contrato com a Académica. Como se o saber, a experiência e os resultados fossem coisa pouca para um mercado nacional que se virou, por vezes de forma bacoca, para técnicos classificados de 'inovadores', apresentados como sucos de barbatana da ciência da bola e donos do futuro, na vã descoberta de mais Mourinhos – como se o original tivesse cópia.

É bom que o nosso futebol tenha, dentro de portas, treinadores sólidos e ainda jovens, como Rui Vitória ou Sérgio Conceição, Paulo Fonseca, Lito Vidigal ou Jorge Simão. Mas quando chega o aperto e as experiências laboratoriais falham, é a escola de Jorge Jesus, a velha guarda que integra Peseiro e Vingada, Norton de Matos, Vítor Oliveira e outros que é chamada a pôr valor seguro no lugar da pretensão e do aventureirismo.
Alexandre Pais no Jornal Record

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Acho que José Peseiro vai surpreender


(foto retirada do site zerozero)

Confesso que para mim também foi uma surpresa a contratação de José Peseiro pelo FC Porto. Peseiro é um bom treinador e um excelente homem, mas o azar e a má imprensa a partir do momento em que tudo perdeu numa semana (Sporting 2004/2005) ditaram-lhe o futuro. 

Eu próprio já o critiquei, mas vejo neste momento muito mais crescimento e experiência no novo treinador do FC Porto.
Nessa semana em que tudo perdeu era quase impossível fazer melhor, vim a saber que afinal se discutiam prémios no intervalo de algumas partidas, como no intervalo da final da taça UEFA em Alvalade. 

Não sou eu que o digo, é quem lá estava e afirmou ontem na tv à boca cheia. 

Agora, Pinto da Costa dá-lhe uma oportunidade para demonstrar tudo o que vale.
E, é bom não esquecer que no FC Porto é mais fácil para ele, sim, porque tem qualidades a dobrar em relação ao seu antecessor e a estrutura ainda está lá, apesar de um pouco combalida. É normal quando não se vence títulos.

Pressinto que vai fazer um bom trabalho no FC Porto.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Ninguém fala de Pacheco porque a frontalidade e a competência incomodam



Sou suspeito porque sou amigo e admiro Jaime Pacheco.

Acompanho-o desde os seus primeiros tempos no FC Porto e vibrei com o título que conquistou no Boavista, em 2001, o que me levou à rotunda com uma bandeira do clube axadrezado que ainda guardo e que continua à espera do autógrafo do Jaime.

Nesta hora, quando se fala no novo treinador do FC Porto, Jaime Pacheco permanece como um tabu e não é pelo facto de ter sido o único treinador que no estádio do FC Porto não se sentou na cadeira que lhe destinaram na sala de imprensa.

Jaime é visto, essencialmente, como um tosco que só ganhou um campeonato porque o Boavista tinha os favores dos árbitros, de pouco importando o FC Porto ter Jardel e Benfica e Sporting outros tantos craques. O Boavista tinha Jaime Pacheco e, entre outros, o Martelinho.

Vivemos um tempo onde os dirigentes continuam à procura de um novo Mourinho –
uma busca vã e de resultados funestos pois Mourinho só há um. Tal como só há um Jaime Pacheco. Um homem bom, um homem que fez história no FC Porto e na seleção nacional, uma pessoa com princípios e que nunca traiu ninguém e também por isso uma pessoa incómoda.

Prefiro continuar a ver o Jaime assim mas gostava muito também de o ver com uma oportunidade num grande português mas provavelmente, ao contrário dele, vou ter de me sentar na minha cadeira.
Eugénio Queirós, aqui

domingo, 3 de janeiro de 2016

SLIMANI É IMPORTANTE, MAS NESTE SPORTING SÓ HÁ UMA COISA INSUBSTITUÍVEL: A IDEIA DE JOGO

1. O que pretendeu Jorge Jesus com a aposta em Matheus Pereira no onze?
Acreditou que o Sporting seria mais forte, desta vez, com Ruiz por trás de Slimani. Era esse o desenho ou, então, ter Montero a fazer dupla com o argelino no ataque. Com a deslocação de Ruiz para uma zona mais central abriu-se uma vaga no lado esquerdo. E a partir daí restavam duas hipóteses: Matheus e Gelson. JJ apostou no futebol mais desconcertante de Matheus para os primeiros 60 minutos. À entrada para a última meia hora, com o Sporting em vantagem no marcador e já com muito espaço nas costas de Maxi, fez todo o sentido trocar Matheus por Gelson.

2. Justifica-se o ‘castigo’ de Lopetegui a Marcano depois depois da exibição desastrada do central frente ao Marítimo, no jogo da Taça da Liga?

Claro que justifica. Marcano já tinha estado a um nível baixo nos últimos jogos. Contra o Nacional, por exemplo, teve aquela entrada imprudente e até incompreensível que poderia (deveria!) ter valido uma grande penalidade a favor dos madeirenses. Na Taça da Liga voltou a fazer tudo mal. Se nem assim Indi fosse titular, quando seria?

3. O Sporting passa a ser o principal candidato ao título?

Reforça claramente a candidatura, porque são estas vitórias – claras e indiscutíveis – que fazem disparar a confiança. Se o Sporting está em 1.º lugar e já venceu os dois rivais de forma tão clara, é normal que seja considerado, desde já, o grande favorito. Mesmo com 57 pontos por disputar.

4. Qual o motivo que impede o FC Porto de apresentar maior regularidade exibicional?

É estranho, de facto, que um plantel tão valioso não consiga marcar diferenças numa liga onde este FC Porto tem condições para ‘voar’ como um Fórmula 1. Qualidade não falta, de certeza. O que pode faltar é audácia e uma proposta futebolística mais corajosa. Mais vontade de desequilibrar, de provocar dano no adversário, de mandar no jogo em zonas adiantadas. Lopetegui é um adepto do controlo através da posse, mas muitas vezes em espaços inofensivos. A primeira ideia passa sempre por não correr riscos. E é esse espírito obsessivo que impede a equipa de explodir ofensivamente.

5. Este Sporting tem condições para conseguir viver sem Slimani?

Teria de reconverter alguns processos, mas é evidente que pode continuar a ser uma equipa muito forte mesmo sem Slimani. Também havia dúvidas que pudesse viver sem Carrillo e, como se vê, o que não falta são soluções. No início da época, quando uma lesão afastou William Carvalho por longas semanas, também parecia que o equilíbrio defensivo iria ficar comprometido. E afinal não ficou. Mérito do treinador, como é evidente. Slimani é importante? Sim, claro. Mas um técnico com o pensamento estratégico de Jorge Jesus nunca dependerá de um jogador. A filosofia de jogo é que é insubstituível.

6. O FC Porto fez apenas 3 faltas na 1.ª parte. Isso quer dizer o quê?

À partida, ainda por cima tratando-se de um clássico, pode querer dizer que mostrou pouca agressividade nos duelos individuais e que reagiu sempre mal ao momento da perda, sobretudo no meio-campo. Só Danilo pareceu inconformado a partir do momento em que o FC Porto ficou em desvantagem. Um jogador com a influência de Herrera, por exemplo, não pode demitir-se da sua função defensiva. Correu menos 30 ou 40% do que deveria ter corrido. Péssima atitude.

7. Que papel é que Bruno César pode ter a partir de agora nesta equipa do Sporting?

Vai ter de esperar pela oportunidade, mas ela acabará por chegar, naturalmente. É possível que Jesus reserve a sua estreia para um jogo da Taça da Liga. E a partir daí se verá o que o treinador vai querer de Bruno César. Tem a vantagem de fazer três posições e acrescenta uma solução que tem existido pouco neste Sporting: meia distância. Pode vir a ser uma peça importante no último terço da temporada, quando tudo se decide.

8. Tello não justificaria mais tempo de utilização?

Brahimi e Corona estão a um nível muito superior neste momento. Seria preciso que Lopetegui modificasse o sistema para que aumentassem as hipóteses de Tello entrar no onze. A realidade, no entanto, é que também não tem aproveitado as oportunidades. Muito longe da qualidade que chegou a mostrar no Barcelona de Pep Guardiola.

9. A que se deve o fantástico momento de João Mário ?

Um jogador que para além de representar a perfeição técnica ainda consegue ser inteligente (na decisão) e solidário defensivamente será sempre beneficiado pelas ideias de um teinador como Jorge Jesus. Está já muito perto de ser um produto acabado. É, juntamente com Slimani e Adrien, o jogador do Sporting em melhor momento de forma.

10. O lado esquerdo do FC Porto não tem nenhum canhoto. Faz sentido?

Não faz, nem deixa de fazer. É um caso raro, mas não é único. Não é por Layún e Brahimi que o FC Porto não está melhor.
daqui