sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Sporting. Mais uma prenda de Bas Dost

Nos últimos três 1-0 do Sporting, o herói é invariavelmente o holandês (Bessa, Bonfim e Restelo). Num jogo insonso, às vezes sem ponta por onde se pegue, o golo sai aos 90'+3



Pela cara, Bas Dost está quase quase quase a fazer o 1-0 nos descontos
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey? Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey? Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey? Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey? Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey? Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey? Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey? Where’s the bottle? Where’s the bonbon? Where’s the whiskey?
Atenção, isto não está escrito a giz por Bart Simpson. Na filmagens do filme “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), a escultural Marilyn Monroe demora 59 takes para acertar na frase “Where’s the bourbon?”. Simples mais simples é impossível, só que Marilyn está num dia assim-assim a atirar para o não e está armado o trinta-e-um. Ligeiramente parecido com o Sporting no Restelo, primeiro apático, depois simpático, finalmente certeiro. Só ao fim do 93.º take é que a bola sai redonda para a baliza de Joel, cortesia Bas-pois-claro-Dost. Nos últimos três 1-0, o holandês é invariavelmente o herói (Bessa, Bonfim e Restelo). Respira aliviado o Sporting, por manter os oito pontos de atraso sobre o líder Benfica e ainda o quarto lugar do campeonato na viragem do ano.
Jesus promove uma semi-revolução com cinco alterações, quatro das quais na defesa. Só Coates continua firme e hirto. O resto é substituído, por lesão ou opção: Beto por Patrício, Esgaio por João Pereira, Douglas por Rúben e Jefferson por Zeegelaar. No ataque, Alan junta-se a Bryan num mundo de Ruiz e sem Bruno César metido ao barulho. A súbita mudança de meia-equipa resulta em nada por incapacidade do Sporting em criar perigo nas bolas paradas. Um dois três quatro cinco seis sete oito cantos na primeira parte e nem um serve para criar perigo às redes de Joel. Aliás, o único digno de registo é proporcionado pelo Belenenses, curiosamente na ressaca de um canto do Sporting. O capitão Adrien demora a libertar a bola e Sturgeon parte para o contra-ataque. No três-para-um, os belenenses atrapalham-se todos e Beto defende bem o desajeitado remate à queima-roupa de Sturgeon (39′). Quando Tiago Martins apita para o fim, há 0-0 em tudo: emoção, futebol e criatividade.
A segunda parte evidencia um Sporting menos adormecido. Alan testa os reflexos de Joel, aos 47′, e Campbell (entrado para o lugar do apagado Bryan) semeia o pânico com um cruzamento venenoso a que Bas Dost chega tarde, aos 61′. Cinco minutos depois, uma falta de Gonçalo Silva sobre Campbell resulta num livre à entrada da área. Adrien atira forte, Joel defende com a ponta dos dedos e a bola embate na trave antes de sair da área. Espantosamente, é o canto do cisne do Sporting. A partir daqui, o Belenenses assume o jogo e começa a espantar a bola para a baliza de Beto. Aos 73′, Sturgeon recebe e atira ao poste. No quadradinho seguinte (76′), João Diogo aproveita uma auto-estrada de Jefferson para obrigar Beto a defesa com as pernas. A pobreza franciscana é por demais evidente e o Sporting limita-se a controlar sem incomodar Joel. O número de cantos amontoa-se a torto e a direito. Só. Zero de perigo.
Quando o Belenenses sonha com o pontinho e perde tempo num lançamento lateral por Camará, o Sporting ganha uma bola no meio-campo por Bas Dost e lança-se ao ataque com fervor. Descaído sobre a esquerda, Campbell cruza para o segundo poste, onde surge repentinamente Bas Dost a selar a vitória. Até ao fim, o Belenenses ainda atira outra vez à baliza, num cabeceamento de Tiago Caeiro para defesa segura de Beto sobre a linha de golo. O um-zero está mais que garantido. Tiago Martins apita e há um adepto sportinguista a invadir o campo para pedir a camisola de Castaignos. A intervenção policial é imediata, tal como a de Jesus. Se os seguranças separam o adepto do jogador, o treinador une-os com um dois três quatro berros audíveis até na Almirante Reis. A saga do “where’s the bourbon?” continua só para o ano, no dia 8 Janeiro.
Estádio do Restelo, em Lisboa
Árbitro: Tiago Martins
BELENENSES: Joel Pereira; João Diogo, Gonçalo Silva, Gonçalo Brandão, Florent; André Sousa, Yebda (Mica Pinto, 84′) e Vítor Gomes; Sturgeon (Tiago Caeiro, 90′), Camará e Benny (Gerso, 73′)
Treinador: Quim Machado (português)
SPORTING: Beto; Esgaio, Coates, Douglas e Jefferson; Willliam (Bruno César, 83′) e Adrien; Gelson, Bryan (Campbell, 58′) e Alan (Castaignos, 73′); Bas Dost
Treinador: Jorge Jesus (português)
Marcador: 0-1, Bas Dost (90’+3)
Rui Miguel Tovar, aqui

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