quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Herrera é humano



Hector Herrera transformou-se no alvo fácil da ira e frustração portistas, bem como do escárnio benfiquista. Em causa, um canto cedido pelo mexicano e do qual nasceu o até então improvável golo com que o Benfica evitou o que seria mais que justa derrota no Estádio do Dragão.

Na vida, a diferença entre o estado de graça e a tragédia é tão curta como o mais ínfimo pormenor de que possamos lembrar-nos - Woody Allen retratou-o de forma sublime no filme Match Point, com a cena do anel que bate num ferro e pode depois cair ao rio ou de volta à rua.

Tirando tudo o que é nota de humor na internet e não ofende de verdade - antes brinca com um momento que pode vir a tornar-se decisivo no campeonato - assistir à crucificação do jogador do FC Porto é doloroso, porque profundamente injusto. Em rigor, o erro de Herrera não poderá custará um campeonato ao FC Porto. O erro de Herrera custou um canto ao FC Porto. Desse lance nasceu um golo, é certo. É também certo que o normal seria desfazer-se da bola pela linha lateral, também que no canto era ele quem estava com André Horta antes do cruzamento, e até que demorou um pouco a fazer-se ao lance. Reconheça-se, porém, que era um portista para dois benfiquistas e que Horta ainda esboçou passe a Pizzi.
Horta acabou por cruzar e na área ninguém parou Lisandro Lopez, da mesma forma que Casillas não conseguiu tocar na bola. Culpar Herrera pelo empate é tao justo quanto seria crucificar André Silva por não ter aproveitado as oportunidades para marcar. Para ocasiões futuras, é importante que não nos esqueçamos de que Herrera é humano. E que tenhamos sempre presente que o que acima escrevi não é uma piadola fácil e óbvia à máxima «errar é humano».

Nuno Perestrelo no Jornal «A Bola»

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