sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Gestores do treino

VISÃO DE JOGO

Com o calendário apertado e com várias frentes para se disputar este é um momento importante da temporada para as equipas nacionais. É altura de mostrar a versatilidade dos plantéis e comprovar a diversidade (ou não) de soluções para dar resposta aos desafios que se preparam para chegar. Por seu lado, a gestão de recursos realizada pelos treinadores assume aqui maior preponderância.

No espaço de três semanas, teremos jogos para a Taça de Portugal, Liga dos Campeões, Taça da Liga e 1.ª Liga. Vamos assistir a partidas de exigência máxima como o dérbi Benfica-Sporting e o FC Porto-Braga, assim como os sempre disputados V. Guimarães-Benfica, Belenenses-FC Porto e Boavista-Sporting. E jogos europeus como o Benfica-Nápoles, FC Porto-Leicester, Sporting-Real Madrid e Braga-Shakthar Donetsk podem determinar muito do que será o futuro das equipas portuguesas nas provas continentais.

Faz parte do trabalho dos treinadores encontrarem as melhores opções para cada jogo, de modo a conseguirem gerir o esforço e recuperação dos atletas, sem com isso sofrerem qualquer dissabor em termos de resultados desportivos. Tal obriga a explorar os plantéis e a encontrar opções que possam complementar as que habitualmente vinham a ser escolhidas. É nesta gestão, que abrange também o treino e exige muita análise e ponderação, que por vezes se começa a trilhar o caminho para uma época de êxito, já que uma equipa com 17/18 titulares de qualidade tem sempre mais possibilidades de vencer. 

E este ciclo arranca após uma semana em que a preparação dos jogos da Taça não foi normal, já que muitos jogadores estiveram ausentes ao serviço das suas seleções e só chegam agora em cima da data dos jogos. Obriga a averiguar as condições físicas em que se encontram os internacionais e perceber se podem ou não ser opções imediatas.

No que respeita ao Benfica, e ainda que Rui Vitória já tenha o boletim clínico mais desanuviado, continuará a ter algumas baixas de vulto como Luisão, Fejsa e Jonas. O grande dilema parece estar no eixo defensivo no sentido de voltar a definir a dupla de centrais e encontrar o trinco que substituirá o médio sérvio. E jogadores menos utilizados como Jardel, Danilo Silva, André Almeida ou Samaris podem passar a ser apostas mais regulares.

Quanto ao Sporting, e olhando para o facto de apenas um reforço desta época, Bas Dost, constar no grupo de 11 jogadores mais utilizados. A grande questão passa por perceber que papel podem assumir jogadores que chegaram este ano, nesta fase mais apertada do calendário. Alan Ruiz, Markovic, Campbell, Castaignos, Elias, André, Petrovic, Meli e Douglas terão aqui a oportunidade de brilhar? No entanto, outros atletas como Jeferson, Paulo Oliveira e Matheus Pereira, apostas seguras num passado recente, podem dar também boa resposta.

Por seu lado, o FC Porto, que nos últimos jogos tem mantido um núcleo titular sem grandes alterações, no sentido de dar rotinas ao sistema e dinâmica da equipa, talvez comece a introduzir algumas caras novas para poder rodar o seu conjunto e dar resposta às várias frentes. Soluções como André André, Brahimi, Rúben Neves, Sérgio Oliveira, Evandro, Varela, João Carlos Teixeira, Boly e Depoitre poderão passar a ter mais minutos de competição. 

Com um plantel vasto em qualidade e quantidade, a vida de um treinador fica facilitada. Não deixa de ser tarefa difícil, já que a gestão contempla o lado físico e emocional dos jogadores. Mas há decisões para tomar em prol dos interesses da equipa. E este é um desses momentos de decisões.

O craque – Estreante em bom plano


Fez parte da seleção olímpica portuguesa que esteve Rio de Janeiro e, assim que regressou ao V. Setúbal, agarrou a titularidade da baliza sadina. Os primeiros jogos na Liga de Bruno Varela, jogador formado no Benfica, indicam que estamos na presença de um guarda-redes com grande potencial. Em 7 jogos disputados, sofreu apenas 6 golos e rubricou duas excelentes exibições na Luz e na receção ao FC Porto. Um guardião muito ágil e seguro entre os postes que, a médio prazo, se evoluir positivamente, poderá entrar no leque de opções da Seleção Nacional.

A jogada – Assuntos pouco importantes


Quando o campeonato pausa, esse período torna-se fértil em fait divers, focando-se por vezes em ocorrências fora das quatro linhas que nada dignificam a modalidade. Nesta semana, a Seleção fez apenas um jogo, o que até intensificou ainda mais as conversas sobre túneis, castigos, guerrilhas internas de clubes, contabilidade histórica de títulos ou as tradicionais críticas à arbitragem. E até a vida pessoal de alguns agentes desportivos serviu para ser escalpelizada. Que regressem rápido os jogos dos 3 grandes, para podermos assistir e falar do que verdadeiramente interessa.

A dúvida – Mais uma década a jogar

Cristiano Ronaldo renovou com o Real Madrid até 2021. Se cumprir o contrato até ao fim, o capitão da Seleção portuguesa irá jogar no Santiago Bernabéu até aos 36 anos, perfazendo uma ligação de 12 anos ao clube espanhol. Mas CR7 afirmou também que pretende jogar até aos 41 anos. Tirando os guarda-redes desta equação, onde a longevidade é maior, são raros os casos de jogadores que conseguem manter-se ao mais alto nível durante tanto tempo. Ricardo Carvalho, com 38 anos, foi o exemplo mais recente. Será Ronaldo capaz de superar este desafio? Se há alguém capaz, é ele de certeza.
António Oliveira no Jornal Record

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