quinta-feira, 20 de outubro de 2016

UMA GUERRA SEM TRÉGUAS



Há um ano, por esta altura, o Sporting jogava bastante bem e o Benfica bastante mal. Jorge Jesus já tinha aplicado a sua marca na nova equipa, Rui Vitória ainda convivia com o fantasma do poderoso antecessor. Este ano dentro do campo o panorama é outro: internamente o Benfica mostra solidez e, em contraste, o Sporting uma inesperada fragilidade em momentos cruciais. Além do mais, não é um detalhe, há o FC Porto que, nesta altura, há um ano, também estava em campo mesmo com um clima de desconfiança sempre associado à figura de Julen Lopetegui. 
 
 
 Eu acredito que aos adeptos, já não vou ao ponto de dizer aos amantes do futebol, seja o jogo o que mais interessa. E o jogo é, por certo, tática e estratégia, paixão, talento e, sim, alguma provocação do adversário, um ou outro caso com a arbitragem que os adeptos discutem com redobrada energia do Facebook ao Twitter, da mesa do almoço à secretária do escritório. Esse é o futebol, o nosso futebol, português e latino. Não muito diferente por isso em Portugal, Espanha ou Itália. 



Mas no caso português, havendo uma rivalidade de sempre entre Benfica e Sporting, surgiu e instalou-se um clima de conflito permanente no qual não há inocentes, pelo contrário, há responsáveis que semana após semana, mesmo quando surgem com pele de cordeiro, são autênticos lobos. É um clima que descredibiliza a indústria do futebol num momento em que esta mantém um ritmo de expansão. 

Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho são os responsáveis por este clima que está a tornar o ambiente irrespirável e que tem já tantos episódios que se transformou numa novela de péssima qualidade. Isso é tanto mais lamentável porque um e outro estão a fazer um bom trabalho. Mudaram radicalmente a paisagem que encontraram nos respetivos clubes à chegada – Vieira há mais tempo, Bruno apenas há quatro anos. 

Ora, o desgaste nesta guerra suja – por exemplo, esta semana, com a questão da investigação da Polícia Judiciária no Estádio da Luz – retira o foco do essencial e leva tudo, a começar pela questão no palco mediático, para o acessório. O tempo que se perde nestas arengas não serve para nada Pode dar likes no Facebook e palmas de circunstância. Apenas e só. 

Os dois presidentes estão neste momento, talvez por influência dos media, talvez por pressão dos mais próximos, demasiado centrados nas questões táticas e menos na estratégia. Mesmo que um exiba um ar de estadista e outro de pistoleiro. Vai dar tudo ao mesmo. Pode-se argumentar que nem Benfica nem Sporting têm deixado de seguir o seu rumo por causa do clima permanente de guerrilha. A minha visão é outra: sem este desgaste tudo seria melhor. Confronto, com certeza, por questões efetivamente fraturantes e confronto no campo. O resto é um insuportável ruído de que os programas de TV são o melhor, ou neste caso, o pior exemplo. 


A força da Champions

Os sorteios são o que são e o Sporting caiu num grupo forte na Liga dos Campeões. Isto é a evidência, o que está para lá dela é que, mesmo sem estar derrotado, o leão não mostrou ainda capacidade para competir a este nível. Até mostrou futebol – em Madrid mostrou inesperada superioridade; contra o Dortmund, quando a expectativa era alta, houve uma indesculpável imaturidade. Porquê indesculpável ? Porque mesmo sem Adrien, o pêndulo da equipa e hoje um jogador com experiência de grandes palcos, o Sporting levou muito tempo a acertar o passo num jogo que tinha de ganhar e podia ganhar. Mais: Jorge Jesus quis convencer-nos que o Dortmund é de outro mundo e não é. Desde logo em Alvalade não era pelas várias baixas. Na Alemanha compete agora ao Sporting ser mais atrevido e mais maduro. Investimento no plantel tem que ter retorno na maturidade. Quanto ao atrevimento, é sempre parte do jogo. Como a paciência. 


Regresso a casa 1. No próximo domingo, José Mourinho regressa a Stamford Bridge, a sua casa em Inglaterra durante mais de cinco anos. Há demasiadas questões que afetam o Manchester United, sobretudo, mas também o Chelsea, para termos um jogo virado para o passado. O que vai suceder é bastante importante para as duas equipas na Premier League deste ano. E é nisso que os dois treinadores estão a pensar. Sucede que, em Manchester, Mourinho ainda não conquistou o coração dos adeptos. Será que em Londres os fãs vão entoar o cântico com o seu nome? 

Regresso a casa 2. O Barcelona reserva sempre o seu melhor fato para as ocasiões especiais. E há coisa mais especial do que aquele dia em que o filho pródigo volta a casa? Há duas épocas, naquela meia-final da Champions, Guardiola foi recebido pelos ‘seus’, no Camp Nou,com uma exibição avassaladora da equipa culé, já na altura orientada por Luis Enrique. Acabou em 3-0, mas podiam ter sido mais. Ontem, no segundo regresso de Pep à Catalunha, as criaturas foram ainda mais longe e voltaram a deixar o criador muito mal na fotografia. Messi tinha marcado 2 no duelo frente ao Bayern. Ontem marcou 3 e ainda lhe sobrou tempo para vulgarizar jogadores por quem Guardiola pagou 40 e 50 milhões de euros. Até a imprensa de Madrid se rendeu. "Messi é o futebol", dizia o As. "Messi faz o que quer", escreveu a Marca. A Bola de Ouro está mesmo entregue?
Nuno Santos no Jornal Record

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