quarta-feira, 5 de outubro de 2016

BANDEIRA BRANCA


Ainda ontem escrevemos que a atribuição a Portugal de um prémio europeu de fair play era um sinal de esperança. Na verdade, muitas ações têm sido feitas em prol de uma postura exemplar do ponto de vista da ética e do desportivismo mas nenhuma tem sido direcionada para aqueles que em resultado da sua grandeza e impacto público podem ser os seus melhores promotores.

O clima de guerra aberta está à vista de toda a gente, ultrapassa os limites do tolerável e merecia da parte de todos aqueles que têm poder e influência para travar esta espiral de acusações e ofensas uma reação enérgica e concertada. Mea culpa. A disputa clubística é sempre bem-vinda porque faz parte da competição e da história do desporto. Mas quando se chega ao insulto e à ameaça, então é preciso fazer alguma coisa. O silêncio e a indiferença podem não ser suficientes.

A Liga tem nos seus regulamentos normas disciplinares que justificam a instauração de inquéritos e processos que podem calar quem ‘diz mal’ dos árbitros, por exemplo, e até podem silenciar quem apenas quer ‘dizer bem’ seja do que for. Nada impede porém que persista o discurso de guerrilha. Por isso se impõe uma atitude profilática quanto mais não seja para chamar à razão aqueles que mantêm aceso o fogo do conflito.

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, esteve presente numa iniciativa relacionada precisamente com a promoção do respeito e do fair play: o cartão branco. Um movimento louvável que já foi lançado na época passada. Disse o governante que "os valores éticos assumem preocupação de grande importância". Ora o que se passa neste momento entre os rivais da capital já não vai lá com um simples cartão. É preciso hastear a bandeira branca. E com toda a urgência.
António Magalhães no Jornal Record


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