segunda-feira, 20 de junho de 2016

QUARTA HÁ ECLIPSE DA TRETA


Não é coincidência, é uma maneira de ser: quando vemos um jogador da Seleção a disponibilizar-se para estar com os adeptos, dar autógrafos, fazer selfies e distribuir sorrisos, há para aí 90 por cento de probabilidades de que esse voluntário seja Pepe. Ontem, num dia que não terá sido propriamente feliz, lá estava ele, o brasileiro, disponível e solidário com a nossa gente, que tornou sua.

Já foi assim que conquistou o madridismo, após uma ou duas épocas em que atitudes menos positivas dentro de campo fizeram dele um nome maldito. Recuperou com a classe futebolística, a entrega ao emblema, o apoio aos companheiros – e o exemplo em que se transformou. Quando os merengues marcam um golo, há para aí 90 por cento de probabilidades de ser ele, Pepe, o primeiro a chegar junto do marcador para o abraçar.

Compreendendo a deceção provocada pelos dois empates, custa ver concentrada em Pepe – como em Moutinho ou em Cristiano, em Cristiano, calcule-se! – tanta descarga de críticas absurdas, que balançam entre a ingratidão e a maldade. Não sairei inocente dessa estupidez, também gosto de assobiar quando perco.

Esperei sempre, e escrevi-o andava a euforia no ar, grandes dificuldades no Europeu. Mas não tendo a certeza do próprio, de que Fernando Santos seja recebido em festa, em Lisboa, a 11 de julho, sei que depois de amanhã teremos a melhor exibição da Seleção no Euro, o regresso de Cristiano aos golos e o milagre do eclipse da crítica da treta. Se confiámos antes, acreditemos agora, pois há para aí 90% de probabilidades de ganharmos. Para os 10% que faltam, conto com Király – e com o seu pijama e o seu reumático. O tempo é de fé.
Alexandre Pais no Jornal Record

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