sexta-feira, 24 de junho de 2016

A PRÓXIMA FINAL



A prestação de Portugal na fase de grupos do Euro’2016 não foi a melhor. Apesar de termos apresentado um futebol superior, a verdade é que não conseguimos vencer nenhum dos adversários que defrontámos. Das 16 seleções que seguiram em frente, somos mesmo a única que o conseguiu fazer sem ter uma vitória alcançada. 

Portugal partiu com a legítima ambição de chegar longe na prova. Era o favorito do seu grupo. Mas lidou mal com a irreverência e transcendência dos adversários, pouco habituados a estas andanças, mas extremamente motivados em brilhar e aproveitar ao máximo a oportunidade. Neste momento, o importante é estarmos nos oitavos-de-final e é nisso que nos devemos focar.

Agora vem aí o mata-mata com a Croácia e há que mudar o chip. Importa tentar não repetir os erros anteriores, reforçar o coletivo e encarar a eliminatória com pragmatismo. Acima de tudo, será necessário um jogo mais solidário e intenso entre sectores, assim como pontaria afinada. Vamos encontrar uma equipa muito forte, bem organizada, que trata bem a bola e está recheada de jogadores de qualidade como Modric, Rakitic ou Perisic, entre outros, com experiência nas principais equipas da Europa. A vitória sobre a Espanha serve de aviso. 

O facto de defrontarmos uma equipa que gosta de ter a bola poderá ser um bom sinal, na medida em que isso poderá significar mais espaços para o jogo português e maior dinâmica nas transições ofensivas. Por outro lado, o comportamento defensivo da equipa nacional terá de ser outro. A Seleção terá de criar uma maior pressão sobre o portador da bola e evitar que surjam ocasiões de perigo nas costas da nossa defesa. Teremos de ser uma equipa equilibrada em todos os momentos do jogo.

Os croatas terão mais um dia de descanso do que os portugueses. Por esse motivo, talvez Fernando Santos venha a pensar em refrescar o meio-campo, o sector do terreno que parece evidenciar maior desgaste. E quem sabe se o modelo que terminou o jogo com a Hungria, com William, Danilo, Renato Sanches e João Mário não se tratou de um pequeno teste para a partida seguinte.

Positivo

Não foi do modo mais esclarecedor, mas o primeiro objetivo da Seleção está atingido: os oitavos-de-final. E agora que vêm as finais, Cristiano Ronaldo voltou aos golos. Estamos vivos.

Negativo

Por mais razões que assistam ao jogador, que as terá, o episódio do microfone não é digno de um capitão da Seleção. É dentro de campo que Ronaldo dá a melhor resposta.
António Oliveira no Jornal Record

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