quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A Arte de Comunicar: o Treinador e o resultado!...

José Neto (Foto ASF)
ESPAÇO UNIVERSIDADE
A Arte de Comunicar: o Treinador e o resultado!... (artigo José Neto, 15)

José Neto

Agora que tem vindo à discussão a temática comunicacional (verbal, não verbal) e correspondentes respostas à priori e muitas vezes julgadas de forma nem sempre atestadas de rigor emergente, vou aproveitar a oportunidade para abordar este tema.

Qualquer mensagem para que atinja um objetivo de assertiva resposta deverá estar revestida de clareza, exposta de forma otimista e positiva e sem duplo significado, com uma intencionalidade operante cuja expressão verbal e não verbal tem de demonstrar coerência, devendo fazer a separação dos factos das opiniões, não conter segundas intenções, bem sintonizadas com objetivos positivos de conquista, sendo contudo dotada de abertura e flexibilidade.

No âmbito da exposição das ideias mestras numa comunicação, deve-se ter muita atenção às mensagens não verbais, como seja o contacto ocular, os acenos de cabeça, a postura corporal, e os gestos, muito especial do rosto e mãos; a distância inter corporal, o tom e ritmo de voz (não muito grave mas evitando a monocórdia); a expressão facial (o olhar e colocação dos lábios); o vestuário (procurar nas situações formais e não formais, o asseio) e o contacto físico.

Neste domínio, deteta-se facilmente quando um sorriso é verdadeiro, cujos músculos faciais (zigomáticos e orbiculares) mais ou menos se contraem. Outras micro expressões na face podem ser reveladoras de uma forte carga emotiva que poderá ocasionar contradição ou falsidade, e logo, desprezo e desatenção por quem escuta. Não são apenas os sorrisos que podem ser explorados neste domínio. Em algumas ocasiões as leituras das linhas do rosto podem ser um dado indiciador de medo e falsidade. Sacavém, A. (2014), refere que as emoções genuínas são reveladas de forma espontânea através da contração dos músculos da face e só depois se reage verbalmente. Tudo o que “cheira” a falsidade demora tempo a ser imitado, assemelhando-se a um filme em câmara lenta.

É evidente que tudo isto pode e deve ser testado, treinado, conduzindo a comunicação de forma estável e positiva, desde que o treinador consiga encontrar a calma, estabilidade e libertação das emoções que poderão ocasionar um desespero inoportuno.

Ainda a referir no que concerne às mensagens por parte do treinador, verbais ou não verbais e sua relação com as expressões faciais, deve haver uma congruência. Quando o comportamento verbal (palavras, expressões, afirmações ou negações, … ) não é congruente com o não verbal ( gestos, expressões faciais, …) a credibilidade do comunicador fica extraordinariamente afetada.

O autor referido, juntamente com Wezowski,P. (2014), anotam alguns gestos que podem atestar um maior grau de confiança, autenticidade e congruência no comunicador, neste caso no treinador:

Comunicar de pé com pernas cruzadas – revelador de um estado de maior confiança; Colocação das mãos em pirâmide (dedos que se tocam), alternando com o esfregar das mesmas, pode assumir um padrão de intencionalidade atencional elevado, carregado de um estímulo de confiança partilhada.

Sabe-se ainda que a colocação das mãos e braços, que, ao estarem estendidos ao longo do corpo e/ou colocados atrás das costas, podem indiciar domínio, confiança e presença e sendo muito comum, quando cruzados à frente do corpo, os resultados poderão apresentar-se perante um estado de grande expetativa, ou um estado de dúvida, insegurança e incerteza.

Estes são os gestos mais comuns, que se por um lado podem ajudar a ter um discurso movido pela autenticidade e coerência, por outro lado, ajudam a transformar uma realidade comunicacional como fonte mobilizadora para a potenciação do êxito a conseguir.

Tudo isto faz parte de uma contextualização teórica e conceptual e que na minha opinião poderá não ser validada em termos de personalização, pois cada caso estará sempre dependente de muitas condicionantes que fazem parte da identidade do treinador como comunicador e líder. Os fatores ambientais e emocionais, as experiências passadas, a idade, a cultura, a educação e formação do treinador, a importância do jogo em termos classificativos, o resultado no marcador, as situações de vida, etc, ocasionam situações que não podem ser julgadas como norma porque cada qual responde de acordo com a sua própria identidade.

Gostaria de não terminar esta temática sem vos confidenciar uma experiência no domínio de uma preparação comunicacional na obtenção de respostas que geraram sucesso:

- Em tempos idos, não muito distantes, a dez jornadas do final da época passada, uma equipa da 2ª Liga do futebol profissional, batia-se de forma desesperada pela fuga á descida de divisão e cujo treinador tinha sido um dos meus alunos do respetivo curso. A equipa encontrava-se em estágio e no dia seguinte ia realizar um jogo de elevada dificuldade, já que o adversário era um dos candidatos à subida e jogava em casa.

Solicitou-me o meu amigo treinador, já a horas mais próprias para estar em repouso, uma oportunidade de me deslocar ao hotel no sentido de proporcionar aos jogadores uma palestra motivacional capaz de criar um estado de alerta máximo para os aspetos atencionais a ter em conta para um resultado superior.

É evidente, por mais que “falasse” o coração envolto no desejo de acudir alguém que fazia e faz parte do meu tesouro institucional e humano, não aceitei o desafio. No entanto, nessa mesma noite via skipe organizamos o planeamento da palestra, evocando algumas das técnicas referidas, associando algumas mestrias vivenciadas por imagens de sucesso referentes aos padrões de vida dos seus jogadores.

No dia do jogo ensaiamos de forma repetida o que de mais significativo poderia ser revelado e munido deste código instrumental de ações combinadas, foi ministrada a respetiva palestra. Informou-me o treinador que nunca tal tinha sentido, uma energia magnética coletiva, como fonte propulsora de um entusiasmo que até parecia que se estava a anunciar o sucesso. Ele referiu-me uma frase que pelo significado que a mesma apresenta, vou evitar publicar, mas que é autenticamente arrebatadora…

Entretanto os jogadores deslocaram-se para o relvado, realizando uma planificação e ativação em “aquecimento” superiormente validado em equipas estruturadas para melhor atingir o sucesso. Não vou indicar os items que lhe deram sequência, no entanto posso já afirmar, e sem qualquer tipo de problema disposto a futura discussão, mais de 92% das equipas nacionais, o seu plano de “aquecimento” ou de preparação pré competitiva para o jogo, está completamente desfasado dos elementos que podem e devem ser objeto de intervenção, nomeadamente em equipas que acusam melhores razões para a obtenção do sucesso. 

Dada a importância desta minha afirmação devidamente assumida, voltarei em breve com a publicação de um trabalho referente a esta temática.

Falta contudo referir que a equipa em causa empatou esse jogo e nos restantes 9 jogos para terminar a época, os resultados foram sufragados com empates e vitórias, tendo alcançado no final, o meio da tabela classificativa. Das labaredas do infortúnio à docilidade da glória, um caminho iluminado pelas palavras, gestos e atitudes, revestidos por um crescer em humildade e perseverança do seu líder /treinador.

Mas há palavras gestos e atitudes … que se por um lado nos podem aproximar, iluminando os caminhos do sucesso, por outro lado podem resvalar para a mentira, para o fingimento, para a hipocrisia, quantas vezes apelando ao uso e abuso de uma linguagem rasca e truculenta, próxima da ordinarice, sendo muitas vezes servidas em “bandejas de prata”, acompanhadas de sorrisos que as curvas do rosto são incapazes de dissimular.

Porém, também há pessoas capazes de comunicar de forma notável, cultivando o significado do silêncio. Não o silêncio austero do desespero, mas envolto na expressão do esplendor que habita na ternura de um olhar profundo e continuado.

Também ainda existem palavras, gestos e atitudes que se podem transformar em notícias, notícias de paz e de generosidade onde se entronca uma honestidade de processos e em que ali, habita o homem e se venera o cidadão, sendo ele treinador, jogador, dirigente ou adepto.

Esta poderá ser mais uma das funções em que o tal G.I.C. (gabinete de inteligência competitiva), já referido anteriormente, pode e deve exercer.

Observar e qualificar o desempenho através da comunicação do treinador e exposição das suas mensagens e nas lideranças exercidas no decorrer do jogo, tendo em atenção a formulação e consecução dos objetivos de conquista.

José Neto
Metodólogo de Treino Desportivo
Mestre em Psicologia Desportiva
Doutorado em Ciências do Desporto/Futebol
Formador de Treinadores F.P.F. – U.E.F.A.
Docente Universitário

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Jesualdo Ferreira soma e segue!




Quem por aqui passa sabe que eu sempre tive uma enorme admiração pelo professor Jesualdo Ferreira, aliás, já aqui escrevi que na minha opinião está entre os melhores treinadores portugueses de todos os tempos. 

Depois de há poucas semanas ter vencido o campeonato do Egito, hoje, Jesualdo Ferreira venceu a taça daquele país frente ao maior rival do Zamalek - o Al Ahly. 
2-0 foi o resultado final. Dobradinha conquistada, mas ainda há mais para vencer!
Parabéns professor!!!


Aguardando pelo Sporting - Nacional

Vitória merecida do FC Porto...

...em especial pelo que fez na segunda parte. O Benfica ficou nos balneários ao intervalo depois de uma excelente primeira parte. 

Em baixo, uma excelente análise de Nuno Farinha (director adjunto) do jornal record.

Um mau árbitro num grande jogo
A ANÁLISE AO CLÁSSICO DO DRAGÃO





 Nenhuma análise a um jogo de futebol deveria começar pelo árbitro, mas quando as decisões têm tanto impacto no desenrolar dos acontecimentos talvez isso se possa justificar. Parece, claramente, ter sido o caso deste clássico. Primeira questão: há erros e erros. Há a dúvida razoável, o engano que se aceita, a má decisão que pode ser facilmente entendida. Neste FCPorto-Benfica, porém, Artur Soares Dias teve uma atuação incompreensível a vários níveis, mas em especial na ação disciplinar – onde acumulou uma série de erros. Há um lance, no entanto, que se destaca de todos os outros por ser demasiado flagrante: aquele em que Maxi Pereira, já com cartão amarelo, comete jogo perigoso numa disputa de bola com Jonas. Seria novo amarelo e o consequente vermelho. Pareceu demasiado óbvio ao primeiro olhar pela televisão. Na repetição, então, a certeza ficou consolidada. Soares Dias, em cima do lance, não precisava da TV para mostrar o cartão. Ficará sempre por saber o que teria sido este clássico – excelente clássico! – se o FCPorto tivesse jogado com menos um elemento a partir do minuto 52. Podia ter sido... tudo. Houve outros erros de Soares Dias? Sim, claro. Luisão, por exemplo, tocou em Aboubakar quando o camaronês se preparava para rodar e rematar à baliza. E também André Almeida e Maicon foram poupados a outros amarelos. Ou seja, um festival de grossas asneiras, mas a forte sensação de que houve, sobretudo, muita falta de coragem para fazer o que tinha de ser feito. Uma pena. 

 Espetáculo! 

O primeiro clássico da temporada não defraudou as expectativas, tendo mesmo sido – em vários
momentos – de uma extraordinária riqueza do ponto de vista tático. Rui Vitória acertou em cheio quando reforçou, ainda na flash interview, que a sua equipa tinha assinado uma exibição muito "personalizada". É mesmo essa a palavra mais adequada para classificar a forma como o campeão se exibiu ontem. Claramente um passo em frente no processo de crescimento do ‘Benfica de Rui Vitória’. Mesmo considerando a vitória das águias no terreno do FCPorto na última época, por 2-0, poucas vezes se viu a equipa encarnada, nos últimos anos, defrontar o seu rival e mostrar tanta coragem. Com bola nos últimos 30 metros, com a defesa subida e a mandar no jogo durante longos períodos. Ao intervalo, quando a Sport TV fazia o resumo da primeira parte, não havia para mostrar uma única imagem de perigo para a baliza de Júlio César. O que existia, até aí, eram duas grandes defesas de Casillas a cabeçadas de Mitroglou. Na segunda metade foi tudo diferente. Menos Benfica, mais FCPorto. Ficou a sensação de que Lopetegui tinha a equipa mais fresca, mesmo com menos tempo de recuperação após a jornada europeia. Aboubakar esteve perto de ser herói por duas vezes, mas o rei da noite acabaria por ser outro: André André, o menino que Rui Vitória ajudou a crescer em Guimarães. O destino tem destas coisas. 

 QUESTÕES LATERAIS 

 Titulares sem pré-temporada 

 A riqueza de soluções no plantel do FCPorto é indiscutível. Mas não deixa de ser curioso constatar, ainda assim, que jogadores que não fizeram a pré-época e que foram contratados no último dia de mercado – Layún e Corona – sejam já primeiras escolhas de Lopetegui. Para quem chegou há apenas três semanas a Portugal, a vida não lhes podia correr melhor. 

André Almeida foi só "meia surpresa" 

 Há jogadores assim: não servem para tudo, mas são indispensáveis nos grandes momentos. É evidente que André Almeida não é prioritário nos jogos em que, à partida, o Benfica tem grande ascendente e precisa mais de construir do que ‘desconstruir’. Mas – e já antes era assim – sempre que é preciso apelar ao rigor tático e à boa ocupação dos espaços, então aí está André a vestir a pele de Special One. Fiável. 

 O primeiro golo com Jardel 

 O Benfica sofreu ontem o primeiro golo desde que Jardel regressou (após lesão) para voltar a fazer dupla com Luisão. Foram 180 minutos ‘limpos’ frente a Belenenses e Astana e agora, no Dragão, mais 85 minutos diante do FCPorto. Lisandro não era o problema, longe disso, mas a realidade é que com Jardel a consistência defensiva salta para outro patamar. 

 NOTAS DE RODAPÉ 

5 André André, pois claro. Demorou algum tempo até se sentir confortável no jogo. Quando encontrou o espaço certo para manobrar, por volta dos 30 minutos, embalou para uma exibição quase perfeita. O golo foi a cereja no topo do bolo. 

4 Nélson Semedo passou com nota alta o grande teste, ainda por cima tendo do outro lado o histórico antecessor do lugar. Travou um duelo empolgante com Brahimi e não saiu a perder. Pelo contrário. Esteve uns furos acima de... Maxi Pereira. 

3 Casillas teve pouco para fazer, mas fez tudo bem. As duas defesas na primeira parte, a cabeçadas de Mitroglou, tiveram peso decisivo no desfecho do clássico. Está muito perto do nível que exibia quando era o melhor do Mundo. Notável.

2 Eliseu até teve uma atuação equilibrada. A mancha foi mesmo a participação no lance do golo. Há mérito de Varela na forma subtil como deixa a bola na frente de André André, mas Eliseu também não interpretou o lance da melhor forma... 

1 Maicon deveria ter dificuldade em explicar a um miúdo dos iniciados ou juvenis a razão de ser daquele lance tão tresloucado quanto desnecessário no final da primeira parte. O que passará pela cabeça de alguém para fazer aquela figura? 

Nuno Farinha no jornal record

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Um caso do Carrillo

Há coisas que, está visto, nem Jesus consegue resolver.
É o que está a acontecer com Carrillo, o peruano que anda há algum tempo por Alvalade num registo "que grande jogo fiz hoje depois de 3 sem fazer nenhum".
Ainda pensei que o sismo que aconteceu no Peru tivesse alguma coisa a ver com a fúria de Bruno de Carvalho, depois de mais uma tentativa gorada para convencer o avançado a renovar.
Mas não, foi apenas um simples movimento tectónico.
O que estamos agora a ver é que nem um treinador com quase plenos poderes, como é o caso de JJ, consegue impor-se quando os interesses do clube que representa não convergem com os do jogador e, sobretudo, do seu empresário.
Carrilo, como se sabe, já terá um compromisso com outro clube e pode ser um emblema português.
O Sporting, sabe-se também, já lhe ofereceu 2 milhões limpos por ano mas nem assim o convenceu, nem com um prémio extra de assinatura de idêntico valor. O que quer dizer que a outra proposta que Carrillo tem é superior.
Colocar o craque na prateleira é uma solução, digamos, natural. Mas só se partirmos do princípio que um jogador de futebol não é antes de tudo um profissional do ofício.
Podia o Sporting tirar ainda algo de Carrillo mesmo sabendo que o vai perder sem nada ganhar no fim da época? Podia mas os seus dirigentes não iam ficar bem na fotografia e todos sabemos como isso é importante para esta nova geração de dirigentes.
Podia Jesus tirar o melhor do peruano mesmo neste impasse? Disso não tenho a menor dúvida mas, está visto, os milagres estão caros e os deuses ainda não estão loucos.
 PS - Um dos nossos leitores tem razão: o sismo foi no Chile e não no Peru mas o epicentro confirma-se que foi em Alvalade.
Post de Eugénio Queirós, aqui

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pedro é desta Guerra

Só os distraídos perceberam agora que este Pedro gosta é de Guerras. No "Mercado" da CMTV já o artista tinha feito as suas peixeiradas, ao ponto de Jorge Coroado ter sido remetido do estúdio para a redação, não fossem as cenas eventualmente chocantes começarem mais cedo naquela estação...
Pedro Guerra cumpre a sua função: é um provocador. Que gera audiências, ao ponto de ter sido transferido para a TVI.
As nossas televisões não andam à procura de comentadores isentos ou que sejam capazes de descodificar o futebol. Não, querem mesmo este tipo de coisas, ou seja, tanques de...guerra.
Ora, todos sabemos que Pedro Guerra é diretor de conteúdos da BTV. Qual é o problema? Outros que andam pelos painéis também vêm de televisões de clubes, onde se assumem como não se assumem os piores dos fanáticos.
Ok, já sabemos, ninguém anda à procura de isenção mas apenas de barulho.
Nos tempos que correm o "spin" deixou de ser subtil, como nos velhos tempos, e entra sempre de chancas. E já é spin, é spam.
Quem não pode com os Guerras que andam aí, que mude de canal. Quem não tem mais nada que fazer, está à vontade. O espetáculo está longe de ser edificante mas pelo menos não temos de subir o volume da televisão, que no meu caso fica num silêncio absolutamente respeitador.
No fundo, prefiro sempre quem berra e se assume do que propriamente quem em registo melífluo nos vende o mesmo peixe estragado.
PS - Que fique bem claro que o aqui foi dito nada tem a ver com a atoarda do mesmo PG em relação a um alegado e já desmentido off de Jesus após a recente entrevista a "Record". Os nossos leitores não precisam da minha ajuda para perceber quem inventou a posta de pescada.
Post de Eugénio Queirós, aqui

Quase lá...

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Gaitán vale o que vale

"Estou aqui há cinco épocas e há seis que dizem que vou sair". É assim a vida de Gaitán. Por ser tão bom jogador, provavelmente o melhor da Liga, está sempre de saída, seja para o Manchester United, o PSG ou o Valencia. A Juventus, o Atlético Madrid ou o... Al Ahli. Mas continua no Benfica, com uma cláusula de rescisão de 35 milhões de euros.
É um exagero de linguagem dizer que ninguém pega no melhor "assistente" do campeonato português, um 10 que joga na esquerda, mas anda por todo o campo a desequilibar - agora a partir até de terrenos mais recuados -, mas ele vale o que vale. Na verdade, o mercado não aceita pagar por Gaitán os 35 milhões de euros que o Benfica exige para o libertar e ele também não está num clube qualquer, a fazer economias, para se ver obrigado a trocar Portugal por qualquer arábia. Por isso, vai ficando, a jogar bem e a resolver grandes problemas.
Para uma grande transferência, o valor de mercado de Gaitán tem de ser incrementado e isso só será conseguido mais rapidamente com a sua afirmação na seleção argentina. E o que tem sido a sua carreira internacional? Pré-convocatórias, jogos no banco, uns minutos de jogo aqui, outros ali. Na verdade, a afirmação de Gaitán tem-se resumido à competição interna, em Portugal. De resto, Ferguson fisgou-lhe uma vez uma assistência deliciosa para Cardozo, num Benfica-Manchester United... mas Ferguson já não é treinador e Gaitán ainda é e continuará a ser jogador do Benfica. Porque vale o que vale: muito em Portugal, menos do que o Benfica gostaria no grande mercado internacional.
António Varela, aqui