sexta-feira, 24 de julho de 2015

Ainda o divórcio do ano

João Bonzinho 
OPINIÃO
Ainda o divórcio do ano
JOÃO BONZINHO
09:39 - 24-07-2015
Talvez hoje 
se compreenda melhor
como Vieira e Jesus
queriam este desfecho
mas nenhum queria 
ser responsável por ele 

O presidente do Benfica insiste que Jorge Jesus só não ficou na Luz porque não quis. Verdadeira e abertamente ainda não ouvimos o que pensa Jesus sobre o assunto. Mas nas entrelinhas do pouco que já se pronunciou podemos perceber que, naturalmente, discorda do ponto de vista de Vieira.

Ou seja, Vieira diz que Jesus teria ficado no Benfica se quisesse, Jesus deixa perceber que não ficou por não se sentir desejado. Vieira diz que esteve seis meses à espera de Jesus e Jesus dirá que esteve seis meses à espera de Vieira. Podem ambos estar a falar verdade, porque a verdade de um não tem necessariamente de desmentir a verdade do outro. 

A questão é que só Vieira e Jesus sabem em rigor o que conversaram no célebre encontro do primeiro dia de junho onde supostamente a corda partiu. Sem o sabermos, nunca saberemos... a última verdade!

Se Vieira e Jesus continuarem a dizer o que já disseram, pouca conclusão pode a opinião pública tirar. Ou, na melhor das hipóteses, toma o seu partido. Há os que seguem Vieira por considerarem que Jesus devia ter feito mais para se manter no Benfica, há os que seguem Jesus pela convicção de que se Vieira quisesse mesmo teria ficado com o treinador.

No fundo, a contorvérsia é simples e compreensível e o tema persistirá e promete continuar na ordem do dia pelo menos até a bola começar a rolar. Porque Jorge Jesus se tornou verdadeiramente uma estrela no futebol português e move, também por isso, paixões e críticas, e porque Filipe Vieira é o líder do maior clube português.

E ainda porque Benfica e Jesus pareciam destinados um ao outro por mais um par de anos e ninguém supunha que Jesus pudesse trocar apenas de lado na Segunda Circular.

Assumindo a leitura relativamente especulativa de alguns indícios, a verdade é que parece hoje um pouco mais claro que Vieira não terá feito muito para continuar com Jesus; do mesmo modo que Jesus pode realmente não ter feito muito para continuar com Vieira.

Vieira não quereria continuar com Jesus mas também não quereria, por razões óbvias, que Jesus continuasse em Portugal, fazendo talvez contas apenas à hipótese-FC Porto por não acreditar que Jesus pudesse ir para o Sporting; e talvez Jesus não quisesse assim tanto continuar com Vieira, querendo, contudo, continuar num grande em Portugal.

No fundo, talvez se possa concluir que queriam as duas partes este desfecho mas nenhuma delas queria ficar responsável por ele. Bem vistas as coisas, talvez Vieira e Jesus pensassem ter mais a ganhar do que a perder com este divórcio.

Vieira, por um lado, porque poderia partir para o ciclo que há muitos meses parecia desejar, com o treinador que já tinha escolhido e com a redução de investimento que já tinha decidido.

Jesus, por outro, porque sabia que saindo agora sairia a ganhar, como procuram todos os treinadores sair de todos os lugares, e porque tinha agora a oportunidade de pegar no Sporting que tão depressa poderia não voltar a ter.

Resumindo: tinha (e tem) Vieira todo o direito de querer pôr fim ao ciclo de seis anos com Jesus (embora não o direito, de todo, apesar das razões óbvias mas ilegítimas, de o querer empurrar para o estrangeiro), e tinha Jesus o direito de querer deixar o Benfica como campeão.

Imagine-se, aliás, o que se diria se Jesus ficasse no Benfica e dentro de um ano perdesse tudo?! Provavelmente, dir-se-ia o mesmo que se disse de Paulo Bento quando Paulo Bento - como ele próprio reconheceu - acabou por estar em Alvalade... quatro meses a mais!, numa clara alusão ao insucesso e ao clima instável e perturbado daquela última época nos leões depois de tão bom trabalho com tão pouco.

Ora a verdade é que Jorge Jesus deixou o Benfica como qualquer treinador gosta de deixar um clube: a ganhar, na mó de cima, sendo desejado e não despedido, como um campeão e não como um derrotado.

Não sei se seria agora ou daqui a cinco anos, o que sei é que Jesus saiu como devia sair depois do que fez no Benfica.

Era muito ingrato que pudesse um dia sair porque perdeu e porque ninguém o queria. E nesse sentido, terá Jesus de ficar eternamente grato a Vieira por Vieira não ter deixado há dois anos que isso lhe acontecesse. Então, Vieira foi realmente um líder, um presidente à altura do Benfica, um autêntico comandante!

Não deixa de o ser agora por ter ficado sem Jesus. Aconteça esta época o que acontecer jamais os benfiquistas poderão esquecer o peso e a verdadeira dimensão do trabalho de Filipe Vieira, independentemente dos erros que possa cometer, das opções que possa tomar ou das decisões que possa assumir.

Julgo mesmo que o Benfica nunca terá um grave problema por perder um treinador. 

Mas teria agora um problena grave se perdesse o presidente.

Sem dúvida!


PS - Repito que talvez o tema deixe de ser tão falado quando a bola começar a rolar. Ou talvez não!
João Bonzinho no jornal «A Bola»

domingo, 19 de julho de 2015

FC Porto On Tour

«Faltou os berros de Jorge Jesus»


...ontem, no primeiro jogo particular do Benfica, já se deu pela falta dos 'berros de JJ' junto aos ouvidos de alguns meninos.
'Berros' é maneira de falar, vocês sabem do que falo!...
 
Eu até tomei dois cafés mas adormeci ao ver 'aquela lástima' de jogo. Poderão dizer: - é jogo de pré época e blá, blá, blá...ok, até admito, mas falta de atitude é algo que não se compra nos supermercados.

Enfim...mais vale apreciar coisas bonitas num domingo de verão...

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Boas notícias para Jesus

ENTRADA EM CAMPO

Depois de duas perdas traumáticas, que levaram o técnico a olhar para o defeso de outra forma - Ewerton e William Carvalho -, eis que a SAD do Sporting consegue dois reforços para Jorge Jesus: Teo Gutierrez e Naldo. O colombiano a primeira escolha do treinador para o ataque, o que obrigou Bruno de Carvalho a abrir os cordões à bolsa, o segundo já longe disso, mas ainda assim um dos centrais brasileiros indicados pelo homem que o leão foi resgatar ao rival da Luz para ser campeão.


Longe de ter o plantel completo e com duas lesões que o impedem de apresentar o melhor onze, Jesus segue para a África do Sul mais descansado. Teo não deve seguir viagem, mas em Lisboa trabalhará já o físico conforme as ideias de Jesus e estando em plena temporada, o colombiano precisará apenas de ganhar rotinas para se integrar no ataque leonino.


Tendo já nas fileiras Slimani, Montero e Tanaka, vendo chegar Teo e seguindo no mercado à procura de mais um ponta, parece claro que um dos homens da frente sairá. Mais, dificilmente o Sporting contratará apenas 3 a 5 jogadores. É conhecido o apetite voraz do treinador por reforços e como na Luz eles chegavam em catadupa. Terá de ser o presidente a travar esta ambição desmedida. Sob pena de se cometerem erros já vistos.


Teo Gutierrez e Naldo são dois reforços pedidos pelo técnico. Eis o novo Sporting


Facto é que a política de contratações do Sporting mudou. Chega experiência. Há menos apostas arriscadas e até agora não chegou nenhum flop como Rabia ou Shikabala. Gasta-se, talvez por isso, mais dinheiro. Mas se a ideia é ser campeão só assim essa meta poderá tornar-se realidade. Acertar neste mercado faria toda a diferença. Veja-se a época passada. Bruno de Carvalho e Jesus têm a palavra. São eles hoje os homens do futebol em Alvalade. Ou seja, 2015/16 será à imagem deles. Bernardo Ribeiro no Jornal record

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Carlos Manuel, uma das unhas de Jorge Gonçalves

10 de Julho de 1988. A lista de futebolistas que jogaram por Benfica e Sporting ao longo da história é extensa.

 
Ao todo, 27 nomes. Um deles é o de Carlos Manuel, o famoso número 6.
 
Nas nove épocas pelo Benfica, entre 1979 e 1988, ganha 11 títulos e marca 58 golos em 320 jogos.
Mas a rebelião em Saltillo, durante o Mundial-86, afasta-o da selecção nacional e, mais tarde, do Benfica.
 
Em Dezembro de 1987, aventura-se pelo Sion (Suíça), antes de voltar a casa. Mas não ao Benfica.
Assina, sim pelo Sporting. É uma das unhas de Jorge Gonçalves.
 
“Neste Sporting, não há líderes nem patrões”, desabafa o reforço leonino aquando da sua apresentação em Alvalade, onde permanece dois anos, com um total de seis golos em 56 jogos.
 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Casillas: "Finalmente vou comer uma francesinha!»

Como é seu apanágio, BnA conseguiu mais uma vez antecipar a entrevista que se impunha.
- Iker, buenos dias.
- Olá Geninho.
- Hoje estás nas capas de todos os jornais portugueses.
-...e aqui também.
- O que te passou pela cabeça para escolheres o FC Porto?
- Olha, encontrei o Manel Serrão aqui nas Portas do Sol, fomos comer umas tapas e fiquei impressionado não só com o apetite do homem mas também com o que me contou sobre a cidade do Porto.
- O que te contou o Manel...
- Antes ou depois das tapas?
- Antes.
- Disse-me que a cidade deu o nome do seu aeroporto a um político que morreu num desastre de avião, que o seu prato típico é à base de vísceras e que há macacos na Ribeira.
- Do FC Porto não te falou?
- Claro, hombre. Mandou mesmo cumprimentos para o Lopetegui.
- O Lopetegui também falou contigo?
- Sim, claro. Ele adora o Porto e o Antero Henrique.
- O que pesou mais na tua decisão?
- O facto de o Lopetegui ter falado comigo com uma grande pedra em cada mão e rodeado por 5 tipos encapuçados.
- Vens para tirar o lugar ao Helton?
- Jamais. Nem sei tocar bateria.
- Ligaste ao Mourinho ou ao Sérgio Ramos?
- Liguei ao Sérgio pois o Zé estava sem rede. Como esteve sempre que esteve aqui em Madrid.
- Qual é a tua "ilusion" neste desafio?
- Provar finalmente uma francesinha.
- Sporting e Benfica não te seduziam?
- Não ia dar pica. Detesto o Bairro Alto e pagam-se portagens nas pontes.
- O que diz a Sara disto tudo?
- Ficou muito feliz pois adora a Praia do Aterro. Fomos lá duas vezes com o Cristiano.
- Há alguma possibilidade de a vermos no Porto Canal?
- Tens de perguntar ao Juca Magalhães se quer trocar o cozinheiro das tardes.
- Acho que não se importa... Mas é capaz de ser chato aqui para a rapaziada da redação, que não perde um episódio.
- Bem, tenho de fazer a mala.
- Só mais uma pergunta, ok?
- Bota.
- O que te disse Pinto da Costa?
- Sempre em frente!
Eugénio Queirós no seu blogue - Bola na área

sábado, 4 de julho de 2015

Hoje há calendário 2015/16

ENTRADA EM CAMPO
Hoje é dia de sorteio. Ficaremos a conhecer os calendários das competições profissionais. Os treinadores não dão relevo público à ordem pela qual vão enfrentar os adversários, escudando-se na frase estafada "temos que jogar com todos, por isso não interessa quando". Nada mais errado. Os campeonatos só se ganham na primavera, mas muitos já foram perdidos antes de chegar o inverno. Mesmo que em dezembro ninguém admita que está fora da corrida (quando, na verdade, está...).



Os anos mais recentes mostraram bem como a calendarização dos jogos pode ser determinante para o desenrolar da prova. Fosse por ter um FC Porto-Benfica ou Benfica-FC Porto com a meta à vista, fosse por colocar clássicos e dérbis "entalados" entre eliminatórias importantíssimas das provas europeias. Jorge Jesus (Benfica) perdeu assim em 2012/13; Julen Lopetegui (FC Porto) assim perdeu em 2014/15.


Os campeonatos só se ganham na primavera, mas perdem-se no inverno


Na temporada que se inicia em agosto próximo, com o "fator Jesus" a prometer desequilibrar (ou equilibrar, se preferirem) as coisas, o arranque da competição terá importância ainda maior. Pontos perdidos nos primeiros quatro ou cinco desafios serão capitalizados de forma especial por quem ganhar vantagem. Haverá euforia. E haverá depressão.



Os restos mortais de Eusébio da Silva Ferreira estão desde ontem em repouso eterno no local reservado aos mais importantes entre os grandes deste país, o Panteão. A decisão só podia ser esta. Os politicos seguiram, e bem, a vontade da esmagadora maioria dos cidadãos. Só quem vive desligado da vida real ou é um fundamentalista anti-futebol consegue discutir o tema levantando a dúvida sobre se é ou não merecido. Eusébio teve/tem dimensão universal. Por muito que isso custe a alguns.
José Ribeiro no jornal record