quarta-feira, 25 de março de 2015

Fernando Gomes explica treino fechado no Jamor

Adeptos acompanharam treino à distância

O treino desta quarta-feira da Seleção Nacional, realizado à porta fechada no Estádio Nacional, ficou marcado pela contestação de alguns adeptos que pretendiam assistir à sessão.


Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, explicou que o procedimento obedeceu a critérios previamente definidos para a salvaguarda dos interesses da equipa.


«Há planos de preparação estabelecidos e relativamente ao aspeto competitivo há momentos em que há a possibilidade de os adeptos assistirem a treinos e outros em que não o devem fazer, por questões de treino tático», referiu, salientando, contudo, o trabalho desenvolvido pela Federação «no sentido de aproximar os adeptos da Seleção».


Porém, e tendo em conta a proximidade da receção à Sérvia, lembrou Fernando Gomes que era importante «salvaguardar a componente desportiva» na antecâmara de um «jogo decisivo» para Portugal na caminhada rumo ao Europeu de 2016.

terça-feira, 24 de março de 2015

Foi assim que a Espanha venceu o mundial 2010 (vídeo)

Balneário da selecção espanhola momentos antes do último jogo:
 
 
 
Documentário completo:
 

E foi assim que Portugal chegou às meias finais do mundial

Recordar é viver e é sempre bom recordar. Foi como demonstra o vídeo em baixo que a selecção nacional se apurou para as meias finais do mundial 2006.


segunda-feira, 23 de março de 2015

As contas fazem-se no fim

ENTRADA EM CAMPO
O Sporting alcançou uma das vitórias mais dilatadas no campeonato desta época e voltou a ganhar o direito a sonhar depois de uma jornada em que conseguiu recuperar 2 pontos ao 2.º classificado e distanciar-se 9 do 4.º, cavando um fosso que lhe garante tranquilidade.

Foi, pois, uma jornada verdadeiramente leonina coroada com quatro golos, o que acontece pela quinta vez esta temporada em jogos da Liga. Uma lição de eficácia dada pela equipa de Marco Silva que noutros momentos lamentou não ter sido tão certeiro na finalização. Desta vez, aproveitou o que o jogo lhe deu e o que conseguiu construir, juntando o útil ao agradável: uma goleada e uma boa exibição. Acresce que Slimani e Nani bateram recordes pessoais. Enfim, o leão teve boas razões para sorrir.

Terminado o jogo, Marco Silva recorreu a uma frase lapidar: as contas fazem-se no fim. Pode ser uma evidência, mas a verdade é que nem sempre é tida em conta. Ainda hoje, benfiquistas e portistas estarão a remoer os pontos que ficaram em Vila do Conde e na Madeira. No futebol, nada se pode dar por garantido. Mas também os leões, a cada jornada que os seus eternos rivais escorregam, devem pensar em todos aqueles jogos em que, por causa disto ou daquilo, perderam "pontos fáceis". Com eles, certamente hoje alimentariam mais ilusões do que aquelas que legitimamente ainda têm.

Uma jornada verdadeiramente leonina abre espaço ao sonho

O campeonato agora vai de férias. É tempo da Seleção entrar em cena e cumprir um jogo que é determinante para o apuramento. Hoje ficaremos a saber se será apenas contra a Sérvia que não teremos selecionador no banco. Dificilmente, o castigo será tão brando. O pior é se o tribunal mantém os oito jogos de castigo. Será possível Santos resistir a uma sentença tão cruel e pesada?
António Magalhães no jornal record

sexta-feira, 20 de março de 2015

Missão quase impossível para o FC Porto...

...mas, no futebol já vi muita coisa acontecer.
Aqui fica uma excelente final entre estas duas equipas, um dos jogos de futebol que mais me 'encheu as medidas'.
 
 

quinta-feira, 19 de março de 2015

José Mourinho out


José Mourinho, ao ser eliminado na Liga dos Campeões pelo PSG, parece que tudo desabou. O sonho de vencer, de novo, a Liga dos Campeões, prova madrasta nos últimos anos, para José Mourinho, quer no Real Madrid quer no Chelsea.

Por outro lado, tem o estigma que quando sai de uma equipa ela vence, a seguir, a Liga dos Campeões, assim aconteceu no Chelsea e depois no Real Madrid.

No Chelsea nunca foi campeão europeu, apesar de vencer o Campeonato Inglês, Taça da Liga e Taça de Inglaterra. Mourinho, no Real Madrid, tentou a "Décima" Liga dos Campeões, mas quem ficou com ela foi Carlo Ancelotti.

José Mourinho já não é o que era, apesar de continuar no topo. Está mais velho, repete muitos processos, conhecidos pelos seus adversários e com a idade arrisca menos. É menos inovador, faz menos mexidas na equipa, às vezes, parece que adormece no banco.

Já tenho saudades de ver Mourinho alterar o rumo de um jogo com as suas famosas substituições. Está mais previsível e contido. No banco, a sua raiva e atitudes explosivas desapareceram. Passaram para as conferências de imprensa, o seu efeito, não é imediato, permite serem analisadas pelos seus adversários e funcionam muitas vezes como ricochete.

No campeonato, se falhar, tem sempre hipótese de corrigir, todavia, numa prova de eliminatória e de confronto - em dois jogos - tem falhado principalmente na Liga dos Campeões.

A obsessão de a vencer, tira-lhe audácia e discernimento procurando controlar tudo, mas acabando por ser controlado pelo seu próprio controlo.

José Mourinho já não precisa de se impor, como se este estivesse no início da sua carreira. Está num patamar, próximo do Olimpo, é dos melhores treinadores do Mundo, e ficará na história do futebol moderno. Só lhe falta ter currículo a nível de selecção. Quanto ao resto não tem que provar nada a ninguém, só a ele próprio.

Por vezes, para não dizer quase sempre, envereda pelo caminho do cinismo e pela provocação, não há volta a dar-lhe.

Todavia esse caminho, na maioria das vezes, pode virar-se contra nós. Foi o caso da sua eliminação, perante PSG de Laurent Blanc .

A imprensa inglesa caiu-lhe em cima (Carragher e Sounnes, ex - jogadores do Liverpool e outros) parecendo hienas famintas a comer a carcaça. Nas redes sociais foi cruxificado e responsabilizado da derrota perante o PSG. Parecia um linchamento.

Foi surpreendente, pois em Inglaterra os ingleses sempre respeitaram o seu trabalho e admiraram, tolerando a sua maneira de ser.

Mourinho está a ficar com a fama que, «o fim, justifica sempre os meios, tudo vale para vencer».

No Campeonato Inglês está bem encaminhado e já venceu a Taça da Liga, mas sabe a pouco. O Chelsea está deprimido e triste.

Mourinho, se bem o conheço, está morto que acabe a época, para começar de novo, a planificar a tentativa, mais uma, de conquistar a Liga dos Campeões.

Porém tem que mudar de estilo e de postura, dentro e fora do campo. Dentro do campo: os seus jogadores têm que ser menos tacticistas e controladores, e mais, criativos e impulsivos. Fora do campo: mais sereno e menos provocador.

Quando perde aguenta com as consequências. Verdade seja dita porque é bom e causa muita inveja, mas também, porque está constantemente a questionar e a pôr em causa os outros.

Deve virar-se mais para a sua equipa e para ele próprio e, deixar de dar palpites sobre os outros.

Vencer e títulos sempre foi uma combinação perfeita para as provocações de Mourinho. O pior é quando perde… 
Joaquim Jorge, no jornal record

terça-feira, 17 de março de 2015

Nem um nem outro são flor que se cheire

...em relação a Rui Pedro Soares já todos sabemos como funciona esse 'ex-boy' de Sócrates.

Em relação a Lito Vidigal, o Belenenses não fica a perder..., refiro-me claro, aos aspectos que vão mais além do treinador em si, que, diga-se de passagem e para meu espanto, estava a realizar um bom trabalho em Belém!
Mas um treinador não é só no campo, como diz Manuel Sérgio - para saber de futebol, é preciso saber mais do que futebol!
E o substituto de Lito Vidigal vai surpreender, foi uma excelente escolha!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Paineleirices

Entre os nossos painéns de paineleiros - neologismo criado por Alfredo Farinha, um dos primeiros a exercer este sacerdócio -, alguns destacam-se particularmente. Destaco os seguintes:
- Manuel Serrão, um cromo dos antigos, histrionicamente imbatível, por vezes muito assertivo no humor, fanático q.b. mas também crítico quando é preciso pôr o dedo na ferida que mais lhe dói. Cenograficamente avantajado, é ajudado pelo seu vozeirão e marca a diferença não apenas pela resistência neste tipo de ambiente, onde a pior doença é o desgaste de imagem.
- Eduardo Barroso, uma forma interessante de apreciar o lado popular da alta burguesia lisboeta, toldado pelo fanatismo, com maus fígados mas bom coração, mas nem sempre muito coerente, perdendo elan quando quer dar uma cravo e outra na ferradura. Projeta a imagem de um leão a 100 por cento algo conformado com o seu destino.
- Rui Gomes da Silva, também vice-presidente do Benfica mas nem por isso incapaz de ter voz própria e não apenas a do dono, contundente e muitas vezes indelicado, com aquele ar de boneco gozão, assumindo o papel de provocador máximo num painel, na SIC, onde ninguém lhe dá luta.
Qualquer um deles não depende do futebol. O Manel foi jornalista e é hoje um bem sucedido empresário associado à área dos eventos e das confeções. Eduardo é um reputado cirurgião e o Rui patrão de um importante escritório de advogados.
O facto de não dependerem do futebol não faz, porém, com que não sejam dependentes do futebol falado. Não propriamente dos cachets que recebem mas da exposição na qual se viciaram.
Nenhum deles é especialmente nocivo, pelo contrário, cumprem bem o papel de entertainers.
O que é surpreendente é que quem vive e depende do futebol se sinta na necessidade de, aqui e ali, reagir ao show off destes paineleiros, sem perceber um jogo de futebol não se decide num serão televisivo e, mais importante, mordendo facilmente o isco que é atirado.
Mas é um pecado que não é singular. O povo da bola também se assume como pato e faz dos paineleiros aquilo que eles não são mas que cada vez mais sonham ser - e com razões que o justificam.
Post de Eugénio Queirós, aqui

Duplas improváveis

VISÃO DE JOGO

Em ponto de rebuçado. Assim se pode definir o atual momento de forma da equipa do FC Porto, a atravessar a sua melhor fase e a confirmar o potencial que todos previam que o seu plantel poderia ter. Uma equipa dominadora e rápida, que gosta de ter a bola, pressiona alto e gere cada vez melhor os momentos do jogo. Há um mérito inegável de Lopetegui neste processo de crescimento.

Uma das maiores surpresas da equipa azul e branca acaba por ser a afirmação da dupla de centrais Maicon e Marcano. Quando todos pensavam que a dúvida estava em saber qual o parceiro ideal de Indi no centro da defesa, eis que "um duo M&M" surge em força e mostra estabilidade e segurança. Nos últimos 8 jogos, o FC Porto sofreu apenas 1 golo (em Basileia), e tal muito se deveu ao equilíbrio que esta dupla veio trazer ao processo defensivo, a par do crescimento que Casemiro está a exibir.

Pode parecer estranho perante o domínio que os portistas têm exibido face aos seus adversários. Mas esta equipa evidencia-se de forma exemplar na forma como defende. Sempre que perde a bola, o tempo de reação é imediato e a tentativa de recuperar o esférico surge rapidamente com um bloco pressionante muito alto. É um FC Porto que não deixa o adversário respirar.

Por seu lado, o Benfica, que também revela bom comportamento defensivo em comparação com outros anos, está a mostrar uma enorme veia goleadora. Nos últimos 7 jogos, a equipa apontou 22 golos, o que confere uma média superior a 3 tentos por partida. Este acerto nas balizas em muito se deve à dupla Lima e Jonas, que, com 5 e 6 golos, respetivamente, apontaram 50% dos golos encarnados neste período.

Com a afirmação imediata de Talisca no início da temporada, dificilmente se poderia imaginar que Lima e Jonas tivessem muitas oportunidades para jogar juntos. No entanto, o recuo no terreno de Talisca e a constante produção dos experientes avançados brasileiros acabou por determinar esta "sociedade dos golos". Jonas já apontou 19 tentos em 24 partidas, um registo ao nível dos grandes matadores, ainda mais numa época de estreia em que arrancou como suplente. Já Lima, depois de um início menos produtivo, encontrou o caminho das balizas e já é o segundo melhor marcador da Liga, podendo aproximar-se do topo, uma vez que Jackson está lesionado.

Os dois candidatos ao título nacional acabam por ter histórias de sucesso nestas pequenas sociedades

As vitórias recentes dos dois concorrentes ao título português acabam assim por ter nestas pequenas sociedades histórias de sucesso pela complementaridade dos jogadores e pela boa resposta que estão a dar dentro de campo.

Eporque falamos de duplas, não deixa de ser surpreendente a escolha do Estoril para a sucessão de José Couceiro no comando técnico do Estoril. Hugo Leal e Fabiano Soares são os novos técnicos canarinhos e fica a curiosidade de saber qual será a prestação da equipa através desta fórmula pouco habitual no futebol português, mas que deu bons resultados, por exemplo, no Lanús da Argentina, com os irmãos Gustavo e Guillermo Schelotto (onde ainda se mantêm), ou na seleção da Suécia com Lars Lagerback e Tommy Söderberg entre 2000 e 2004.

Nota: Na final da Liga Europa de 2011, entre FC Porto e Braga, alinharam 7 portugueses (3 portistas e 4 bracarenses) nos onzes iniciais. O presidente da UEFA foi lesto em criticar a falta de jogadores nacionais em ambos os lados. Agora que viu o PSG bater o Chelsea na Champions com apenas um jogador francês, diz que é "uma equipa programada para vencer a competição" e que jogos destes "geram diversão". São assim as opiniões de Michel Platini, para o lado em que está virado…

O craque – Finalmente Tello

Ainda no início da época referi que Cristian Tello poderia ser um dos jogadores mais determinantes deste campeonato. Para isso necessitava de melhorar três dimensões do seu futebol: ser mais intenso ao longo dos 90 minutos de jogo, dar mais apoio aos colegas e definir melhor os lances em zona de remate. A evolução é notória e o espanhol tem sido decisivo nos últimos jogos e um quebra-cabeças para os adversários por força da sua velocidade e capacidade de execução. É um talento que ainda pode render mais.  

A jogada – Académica mudou o chip

Paulo Sérgio nunca conseguiu contrariar a “alergia” que a sua Académica tinha às vitórias. Sem resultados acabou por ceder o lugar a um homem da casa, José Viterbo. E em 3 jogos, o novo técnico da Briosa já conquistou 7 pontos, ajudando a equipa a respirar um pouco melhor na atual classificação. Viterbo conseguiu trazer maior força anímica a um grupo que tinha os índices motivacionais em baixo. Os valores e a mística do clube falaram mais alto. A luta pela sobrevivência na Liga continua, mas os indícios são positivos.

A dúvida – O apagamento de Capel

Diego Capel é um dos jogadores mais bem pagos do plantel do Sporting. Mas a sua utilização esta época está longe de corresponder a um jogador com o seu estatuto. O espanhol apenas foi titular uma vez em jogos da Liga e conta com uma média de utilização de 17 minutos por jornada. Com a chegada de Nani e as afirmações de Carrillo e Carlos Mané, Capel tornou-se a derradeira opção para as faixas ofensivas. O extremo perdeu claramente espaço. Estará o seu ciclo de leão ao peito perto de terminar?
António Oliveira no jornal record

quinta-feira, 5 de março de 2015

A ordem natural das coisas

Ora aqui vos deixo a última crónica de Miguel Sousa Tavares no jornal «A Bola».
Como podem reparar, o 'amor' ao seu clube faz com estas crónicas de MST sejam amadas por uns e odiadas por outros.
 
Miguel Sousa Tavares 
OPINIÃO
A ordem natural das coisas
MIGUEL SOUSA TAVARES
10:31 - 03-03-2015
Mais um ‘clássico’ no Dragão sem quaisquer incidentes: ninguém recebe como o FC Porto 1 - Olhando o FC Porto-Sporting (23.ª jornada da Liga) de forma tão abrangente e desapaixonada quanto possível:

O ambiente

Zero absoluto de pré-provocações vindas dos lados do FC Porto antes do jogo; zero de incidentes, dentro ou fora do estádio, provocados por adeptos seus; zero de clima de guerra civil fomentado pelas suas claques. Mais uma vez (quantas já serão de seguida - dez, vinte?), o FC Porto recebeu no Dragão um dos seus dois principais rivais e o clássico decorreu sem qualquer incidente da sua responsabilidade. Aliás, isto passa-se no Dragão e fora dele. Os adeptos portistas não se organizam em colunas de ‘camisas negras’ ou em secções de lançadores de tochas sobre os adeptos adversários, a sua direcção não se desprestigia em comunicados arruaceiros nem organiza emboscadas de túnel ou chuveiros às escuras sobre os adversários, e os seus atletas e técnicos vivem os jogos como coisa normal. Não seria altura de os moralistas de serviço o reconhecerem? Há muito tempo, propus um troféu de fair-play (que bem podia ser atribuído por A BOLA), que, no final da época e através das votações jogo a jogo dos jornalistas de serviço, elegesse o clube cujos dirigentes, atletas, técnicos e adeptos mais se tivessem destacado pelo seu civismo, desportivismo e capacidade de bem receber os adversários. Eu sei que muito dificilmente o FC Porto poderia ganhar tal troféu - seria a negação pública de trinta anos de ‘verdades’ estabelecidas. Mas o essencial talvez nem fosse distinguir os mais civilizados, mas sim expor os menos recomendáveis. Julgo que seria verdadeiramente profilático.


O jogo

Foi, consensualmente, um jogo de sentido único. Foram 3, podiam ter sido 5. Bastaria que Herrera fosse um pouco mais dotado de técnica individual, que Quaresma tivesse tido um pouco mais de calma na hora de definir e que o árbitro fosse um pouco mais dotado de várias coisas.
 

O FC Porto

Traumatizado pelas recordações do jogo da Taça - em que de nada lhe serviram a posse de bola, o domínio e a superioridade de ocasiões de golo - o FC Porto entrou a medo, gastando 20 minutos naquelas desesperantes e às vezes arrepiantes trocas de bola lá atrás, até ser despertado pelos assobios vindos da bancada, daquele que é o mais exigente público de futebol em Portugal. Depois, quando percebeu que tinha pela frente um leãozinho, marcou o primeiro e, a partir daí, eu respirei fundo porque percebi que a vitória não nos escaparia. Não foi um jogo fabuloso dos portistas, mas foi (como em Basileia) impressionante de atitude dominadora, de pressão sobre o adversário e de afirmação de superioridade. Três grandes golos, todos construídos da mesma maneira, e mais uns quantos por marcar. Danilo e Marcano (cada vez mais sólido), Evandro e Rui Neves, e, como sempre, o fantástico Jackson Martínez, foram (além de Tello, claro) as estrelas da companhia. Pena Óliver estar magoado e pena que Brahimi nunca mais regresse do seu surpreendente ‘desaparecimento’, algures em novembro passado. Agora, vem o Braga e depois o Basileia, fechando um ciclo terrível de cinco jogos de tudo ou nada. Se esses dois obstáculos forem ultrapassados, haverá um novo horizonte pela frente.


O Sporting

Na hora da vitória clara, não sinto qualquer instinto de humilhar o vencido. O Sporting apresentou-se notavelmente cansado pelo jogo contra os alemães - tal como o FC Porto se apresentara no jogo da Taça, que pagou com a eliminação. A diferença é que Marco Silva não tem mais ninguém a quem recorrer, enquanto que Lopetégui preferiu então utilizar sete ou oito jogadores que tinham chegado na véspera de jogos das selecções, deixando no banco jogadores repousados, como Quaresma, Evandro, Quintero ou Rui Neves - que tanto jeito teriam dado anteontem a Marco Silva! Mesmo assim, esperava-se mais do Sporting: o ataque não existiu (nem um remate na baliza ou um cruzamento perigoso!), a sua jovem defesa foi desmantelada pelos golpes de génio de Jackson e Tello, e o meio-campo, mesmo tendo sido o último sector a desabar, fê-lo com estrondo. O que falta da época vai decidir-se no duplo confronto com o Braga, para a Taça e Liga. No Dragão, o Sporting confirmou aquilo que o senso-comum sabe e que só um excesso de paixão ou de cegueira permite não ver: que está exprimido até ao limite e mais não pode dar. A luta no topo é desigual para o Sporting. Não há milagres.


Cristian Tello

Ao vê-lo jogar pela primeira vez, percebeu-se que estava ali um potencial grande jogador, que precisava de ser ensinado - em especial a definir os lances de golo que a sua velocidade e técnica criam. E Lopetegui tem sabido fazê-lo, tão bem que infelizmente não acredito que o Barcelona o deixe ficar pelo Dragão além do final desta época. Tello tem, de facto, uma velocidade incomum, mas isso não basta para fazer um grande jogador: é preciso também saber quando e por onde se corre e saber fazê-lo com a bola controlada à sua frente. Anteontem, Tello foi magistral nos arranques, no controle de bola e nas diagonais que definiu para o solicitarem. E a isso acrescentou aquilo que é uma proeza que eu nunca tinha visto: em três ocasiões em que se isolou frente ao guarda-redes, concluiu com três remates indefensáveis.


O árbitro

Como sistematicamente nos vem acontecendo, tivemos uma arbitragem tendenciosa e hostil, quer na interpretação dos lances duvidosos, quer na chocante dualidade de critério disciplinar. É bem verdade que os verdadeiros vencedores têm de estar preparados para ultrapassar os percalços da arbitragem, o problema é quando eles funcionam sempre contra nós e sempre a favor de outros. Artur Soares Dias, o inesquecível árbitro que nos fez perder o jogo da Luz na época passada, foi igual àquilo a que já estamos habituado nele. E é com isto que temos de viver...

2 - Eu não vi, mas consta que o Benfica fez finalmente um bom jogo e obteve uma vitória sem factores estranhos. Fonte da goleada sobre o Estoril, Jorge Jesus perguntou, em tom irónico, se a expulsão de um adversário quando já havia 5-0 também seria utilizada para justificar a vitória do Benfica. Não, essa não, mister. Mas a do jogo da primeira volta no Estoril, quando havia 2-2, mais as que sucederam nuns quantos jogos, aí já a coisa tem que se lhe diga...Ou será que não percebe a diferença?

3 Aqui há umas semanas, escrevi sobre a intenção camarária de perdoar ao Benfica 50% de taxas devidas por construção (os outros 50% já são perdoados automaticamente, por se tratar de uma ‘instituição de utilidade pública’). A CML veio depois publicar um comunicado de página inteira nos jornais, desmentindo tal intenção e remetendo a decisão final para a Assembleia Municipal. O comunicado era um modelo de hipocrisia política notável, falando num valor de 1,9 milhões quando o que está em causa são 4,6, e ‘esquecendo-se’ de dizer que a vereação da Câmara já aprovara a isenção total (contrariando, aliás, o parecer dos serviços camarários), só tendo decidido enviar o processo à AM depois de a coisa começar a ganhar contornos escandalosos. Foi graças à denúncia da Arqª Helena Roseta - que pôs o interesse público à frente do interesse politico/clubístico - que se confirmou o que estava em causa, assim evitando acusações levianas de mentira ou má-fé a quem, como eu, escrevera o contrário.

4 - Espero bem que o Chaves consiga sustentar-se na sua caminhada rumo ao regresso ao topo do futebol profissional português. Meter de novo Trás-os-Montes no mapa do futebol primodivisionário faz mais pela tão apregoada descentralização do que inúmeras conferências, palestras ou discursos. E, além do mais, têm um belo estádio e um campo com as dimensões adequadas à 1ª Liga, o que é coisa rara.
Miguel Sousa Tavares no jornal «A Bola»
 
 

terça-feira, 3 de março de 2015

Sporting entrou derrotado no Dragão


Vitória incontestável do FC Porto pelos números certos e nunca naquela de "podíamos ter marcado mais golos".
 
O Sporting entrou derrotado no Dragão. Bastava ouvir um bocadinho a Sporting TV, com adeptos leoninos a afirmar que preferiam a vitória do FC Porto na perspetiva de o FC Porto manter a pressão sobre o Benfica.
 
Por falar em televisões de clubes, no final do jogo o Porto Canal deu-me conta de 3 penáltis que ficaram por marcar para o FC Porto. Não concordo. Acho que foram 5!
 
Quanto ao jogo, acho que quase todos viram.
 
Foi a noite de Tello.
Três golos iguais, a explorar a lentidão de Tobias Figueiredo - cujo estado de graça chegou ao fim - e a falta de rotina de Jonathan. Ainda andei á procura do Jefferson na bancada mas não o vi.
 
Tem o Sporting agora o Sp. Braga à perna. A luta pelo 3º lugar vai ser acesa.
 
Quanto à luta pelo título, o FC Porto continua dependente de uma escorregadela do Benfica até ao encontro na Luz. Mas a pressão continua toda do lado dos azuis e brancos, sobretudo nesta deslocação a Braga.
 
O campeonato continua vivo lá em cima e lá por baixo.
 
Pode ter não a qualidade que todos desejamos mas está com pica e isso já é bom.