sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Figo, Gonçalo Paciência e Jonathan

Luís Figo candidatou-se à presidência da FIFA. Em princípio, os portugueses deviam estar felizes com esta notícia. Mas nem por isso. As primeiras reações foram de imediato sintomáticas, recordando-se o epíteto de "pesetero" do antigo craque e o momento em que assinou por dois clubes, para já não falar no tal pequeno almoço com José Sócrates. Ora, Luís Figo foi simplesmente um dos 5 melhores jogadores portugueses de sempre. Depois de ter sido campeão do mundo de sub-20, comandou uma geração que colocou a seleção portuguesa entre as melhores, enquanto ia jogando em clubes de pequena dimensão, como foram os casos de Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão, onde nada ganhou. A pequenez e a mesquinhez do país mais não permite mas julgo que Figo, nesta candidatura lançada e suportada pela FPF e por alguns dos seus elementos, pode bem com isso. Boa sorte, Luís, pois não vai ser fácil tirar o suíço do poleiro.
Nasceu uma estrela no FC Porto. É filho de peixe e sabe jogar e marcar. Gonçalo, o filho mais velho de Domingos, um bom amigo aqui da casa, agora a atravessar uma fase infeliz da sua carreira de treinador, tem tudo para ser também ele um grande jogador de futebol. Para já fiquemo-nos com a felicidade que vimos estampada no seu rosto quando marcou o seu primeiro golo pela principal equipa do FC Porto. Vão sempre querer compara-lo ao pai mas Gonçalo já mostrou que é capaz de fazer o seu caminho, assim não seja este tapado por um colombiano ou brasileiro qualquer...
Jonathan parece que finalmente é jogador do Benfica. Compreende-se a necessidade de renovar a frota de pontas-de-lança. Lima deverá estar a fazer a sua última época na Luz e Jonas, cuja produtividade é inquestionável, não tem futuro certo. Rui Fonte é apenas uma esperança e Derley está a fazer número. O novo avançado parece ter um problema crónico na anca mas também Acosta quando chegou ao Sporting vinha com ciática e foi muito graças a ele que os leões terminaram uma penosa travessia do deserto.
Uma última nota para os blackouts em vigor no Sporting e no Sp. Braga. O primeiro resultou de uma trapalhada de BnC, que ainda está a aprender a ser presidente, o segundo foi decretado por Sérgio Conceição. Num caso e no outro estamos perante treinadores que gostam de esticar a corda e também perante presidentes que não gostam de a ver esticada por outros. Prossegue, pois, em silêncio este jogo da corda.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

«O campeonato animou»



Algum dia o Benfica teria de deixar de 'fazer golos', aconteceu ontem, em Paços de Ferreira, num dia que deixa muitos amargos de boca aos benfiquistas, sobretudo depois do que tinha acontecido com o FC Porto na véspera no caldeirão dos barreiros.
 
Tudo somado, foram 81 partidas sempre a marcar golos por uma equipa que voltou a ficar imóvel 1.022 dias depois. 
 
O campeonato agora é que vai 'animar'...e sempre que um dos candidatos perca pontos, a culpa será do treinador ou do árbitro.
São sempre estas duas personalidades (infelizmente) o alvo dos adeptos.
 
E, siga para 'bingo'...

sábado, 24 de janeiro de 2015

Pinto da Costa não tem vergonha?

PRESSÃO ALTA
 
 
Há pessoas que deviam estar proibidas de falar da arbitragem, e Pinto da Costa é uma delas. O presidente do FC Porto é o principal responsável por se falar mais de arbitragem do que de futebol em Portugal. O Apito Dourado não foi nem uma construção jornalística nem um devaneio anti-Porto. Foi uma realidade assente, no mínimo, por um magistério de influência sustentado por uma estratégia muito bem delineada pelo FC Porto “de Pinto da Costa”, que começou em Pedroto, passou pela AF Porto, teve extensões de carácter político e “acabou” no poder de persuasão do presidente portista.



É verdade que, esta época, o FC Porto não tem tido os favores da arbitragem. Ou, se se quiser, em linguagem mais pueril, não tem beneficiado dos erros de arbitragem. Mas, independentemente dos méritos associados à capacidade de resposta do FC Porto em construir plantéis competitivos na década de 90, ao mesmo tempo que o Benfica se afundava em contradições, Pinto da Costa e os seus sequazes tiraram muito partido do controlo conseguido sobre a arbitragem. Foram anos e anos, nas Antas, sem penáltis ou expulsões. Foram anos e anos em que a arbitragem se curvou perante a ameaça, a chantagem e o medo. Independentemente, repito, dos méritos achados nas equipas do FC Porto, os verdadeiros “exércitos” de mobilização portista e de adesão a uma estratégia de confronto.



O FC Porto foi beneficiado em Penafiel, mas não tanto como certas vozes apregoam. Entre os três golos apontados como irregulares, descortinei um que foi indiscutivelmente irregular. Os outros podem ter sido ou não, mas a televisão não nos dá imagens suficientemente claras para se poder formar uma opinião segura. Não alimento facções nem clientelas. Foi assim que vi e aquilo que vejo há-de sempre estar acima de qualquer interesse particular. Sem nenhuma reserva ou juízo de valor antecipado.



Em Braga, tivemos acima de tudo uma má arbitragem de Cosme Machado, que estragou o jogo.



Não é comum, ou melhor, não tem sido vulgar a existência de jogos com expulsões de jogadores do FC Porto. No encontro de Braga houve duas. Raríssimo ou inédito. Adianto desde já que, entre as quatro decisões mais arriscadas de Cosme Machado, o árbitro errou em três e o critério disciplinar foi muito – mas mesmo muito – discutível.



O FC Porto, esta época, tem sido mais prejudicado (Penafiel e Braga foram excepções), mas o que está aqui em causa é uma mudança de paradigma: o FC Porto, em caso de dúvida, vinha beneficiando de um critério excepcional de protecção, nas provas nacionais, e isso tem vindo a mudar, lentamente, com… Fernando Gomes na liderança da FPF.



Há sinais recentes de revolta e inconformismo por parte da “estrutura”, ex-superestrutura, portista. É bom não esquecer que, em razão de um certo aburguesamento (conquista de títulos quase sem oposição) e da convicção de que a “máquina”, só por si, em regime de piloto automático, chegava para as encomendas e para a fraca concorrência, a anteriormente tão elogiada “organização-Porto” começou a cometer demasiados erros e isso resultou numa época (2013/14) absolutamente atípica, a pior de todas (sem troféus conquistados) desde que Pinto da Costa subiu à presidência.



Sou a favor da ideia de que não se deve falar tanto de arbitragem, como acontece em Portugal. Acontece, porém, que o futebol português está longe de um estádio de regulação razoável e a arbitragem e o seu condicionamento dominaram a bola indígena durante anos a fio. O futebol português ainda não fez, totalmente, a digestão do Apito Dourado e dos seus Calabotes. A geração de Proença e as anteriores sabem do que estou a falar. O futebol português e a arbitragem só podem começar a fazer o seu caminho, sem amarras e desprovidos de comportamentos menos éticos, quando alguns dirigentes saírem de cena. Para esses, não há regeneração possível. Não vale a pena alimentar falsas esperanças. Foi demasiado escabroso o caminho para se achar que, de repente, tudo é um mar de rosas.


Há pessoas que deviam estar proibidas de falar de arbitragem e Pinto da Costa é uma delas


Aliás, o problema não está no FC Porto, no Benfica ou no Sporting. O problema está no sistema de organização da arbitragem que, ele próprio, recusa regenerar-se. A FIFA, a UEFA e o International Board (IB) revelam pouco interesse em olhar para a Arbitragem como um “braço” fundamental do futebol-indústria. A indústria só será credível quando os consumidores acharem credível a arbitragem. Enquanto isso não acontecer, ou por mobilização das Federações e das Ligas, ou por influência da FIFA, da UEFA e do IB, o território da arbitragem e o da sua alegada “independência” serão sempre disputados pelos clubes, nas suas zonas de influência.



Quer dizer: muito mal vai o futebol português quando se achar que a troca de maior influência, do FC Porto para o Benfica – e não chamo à colação o Sporting, porque não tem influência nenhuma –, resolve o problema. Enquanto se pensar assim, não vamos a lado nenhum.



NOTA – As nomeações desta jornada (Capela no Marítimo-FC Porto e Paixão no Paços-Benfica) dizem muito da natureza das “alterações sistémicas”…


JARDIM DAS ESTRELAS



As lágrimas de Helton



A exibição de Helton em Braga, depois de um ano sem competir, ficará na memória colectiva como umas das melhores de sempre. O FC Porto “uniu-se” para segurar o empate e há muito que não víamos , dentro do campo, uma manifestação de tanta solidariedade, “à Porto”. Sem um guarda-redes superinspirado não teria sido possível evitar a derrota. No final, a emoção de Helton compreende-se. Já lhe haviam sentenciado o fim da carreira. Helton não representa o futuro, mas ainda pode ser muito útil ao FC Porto. Helton é, de resto, um guarda-redes de bons valores.


O CACTO



Orgulho?



Deu jeito à estrutura do FCP o “esquecimento” (centenário) da FPF e de Fernando Gomes em relação a Pedroto e Pinto da Costa. Como dá jeito, neste momento, o desfavorecimento das arbitragens, nesta Liga em geral e, em Braga, na Taça da Liga. As queixas agora desencadeadas servem para amenizar o efeito ainda pouco visível do grande investimento realizado esta época no plantel portista, com Lopetegui e C.ª. Se não houver retorno desportivo, o FCP pode entrar num ciclo complicado. As excessivas manifestações de repúdio de Antero Henrique, ao intervalo do jogo de Braga, são um sinal. O discurso a uma voz (orgulho, orgulho, orgulho…) é o toque a reunir. O FCP precisa dessa “seiva” para se alimentar.
Rui Santos no jornal record


Pedro Proença, o melhor mas não o maior

Pedro Proença saiu pelo seu pé da função de árbitro mas não da arbitragem.
Já todos percebemos que vai continuar a ter uma palavra a dizer na arbitragem portuguesa.
Proença foi o melhor árbitro da sua geração, não terá sido o melhor árbitro português de sempre (Garrido tinha mais classe!) mas aceita-se que pense que sim. Na minha modesta opinião Jorge Sousa, 5 ou 6 anos mais novo, é melhor tecnicamente mas nunca teve o seu glamour.
O papel de Proença foi também importante na emancipação dos árbitros em relação aos outros poderes e também na reivindicação de direitos, que a obrigação é sempre a mesma: errar o menos possível.
O que lhe vai acontecer no futuro?
Para já vai tirocinar pela UEFA e pela FIFA, na minha opinião preparando a sua candidatura à presidência da FPF.
Proença sonha alto porque pode sonhar alto: tem uma carreira que fala por si, tem capacidades técnicas e é agregador. Ao contrário de muitos líderes de pacotilha que continuam a enganar tudo e todos, Pedro Proença é um líder por natureza. Um líder naturalmente egocêntrico mas razoável. Tem tudo para ser o que quiser no futebol português.
Mas neste novo caminho Proença terá de perceber que pode ser o melhor mas não é o maior. É muito importante interiorizar esta coisa simples. Não é uma questão de humildade mas de humanidade. Mais a mais, como se sabe, Pedro Proença não acertou sempre dentro do campo.
Eugénio Queirós, aqui

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

No fim passam os melhores...


 
A taça da Liga ainda 'animou' alguns adeptos no dia de hoje, mas no final da noite passaram os mais experientes.
 
O Sporting?
Desde o início que pouco quis com esta prova, Bruno Carvalho tinha 'avisado' que assim seria e, mesmo assim, arrisca-se ainda a ser apurado mesmo jogando com a segunda ou terceira equipa.
Basta ganhar o Vitória de Setúbal no jogo de Alvalade.
 
Quero ver é se caso cheguem às meias finais se encaram a sério ou não a prova com a equipa principal. Acho que os adeptos do Sporting não perdoariam Bruno Carvalho mais uma vez em tão pouco tempo, muito menos jogando com o rival da segunda circular o acesso à final.
 
Sinal + para Helton (ainda está aí para as curvas) e Gonçalo Paciência no jogo de hoje na pedreira, acho até que o filho de Domingos Paciência será o futuro ponta de lança da selecção nacional.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A inteligência

CANTO DIRETO


Na jornada em que, com exibições consistentes, o FC Porto continuou a ultrapassar problemas recentes e o Benfica mostrou já ter esquecido Enzo Pérez, o Sporting respondeu com o seu melhor desempenho dos últimos tempos, uma segunda parte de luxo contra o Rio Ave. E só uma superequipa leonina poderia ontem ter vencido os vilacondenses, um conjunto estruturado, sólido, bem dirigido e com um punhado de executantes que prometem largos voos.


A lição a tirar da atitude dos leões - feita de talento e velocidade, alegria e determinação - é a de que há tempestades que alcançam o que a bonança não permite. E se já aqui salientei o bom senso de Bruno de Carvalho ao impor a paz intramuros, quero hoje salientar a inteligência de Marco Silva, que aproveitou a força proporcionada pela solidariedade de jogadores e adeptos para apurar também os seus próprios conceitos.


Só um super-Sporting poderia ter ganho ontem


Teria o "outro" Marco, o "antigo", optado por Tobias Figueiredo em detrimento de Sarr? Teria dado tantas oportunidades a Tanaka? Ter-se-ia decidido já pela qualidade de Gauld? E por aí fora. Sair de momentos difíceis, reflectir e conseguir ficar mais forte é percorrer o caminho da sabedoria.


Deixo o parágrafo final para a cerimónia de entrega da Bola de Ouro e para a deceção que sofri - eu e seguramente muitos mais espectadores - com a vulgaridade de gente tão importante. Desde as "trombas" de Henry, que não disfarçou a incomodidade depois de ter expressado a sua preferência por Messi, ao discurso do premiado, que na hora em que ficou por cima foi incapaz de saudar os outros nomeados, a falta de grandeza foi chocante. Nem numa altura em que o Mundo atravessa uma fase tão perigosa, os multimilionários da bola se dedicam ao exercício do exemplo e da generosidade. É a inteligência a sair derrotada.
Alexandre Pais no jornal record

Figo? Prefere banana madeirense...

Benfica "em cruzeiro", a concorrência em apuros...

O facto da semana foi este: o Benfica voltou a ganhar e a concorrência direta ganhou com decisões contestáveis das equipas de arbitragem mas isso agora não interessa.
 
O campeão nacional continua a galgar etapas. Agora sem Enzo, o tal jogador nuclear. Mas, pelo vistos, mais uma vez Jorge Jesus conseguiu que a sua equipa continuasse equilibrada e com uma filosofia de jogo muito clara e simples.
 
Este Benfica não tem segredos e o facto de não ter segredos acaba por ser o segredo em si.
 
O FC Porto segue na cola mas pressionado pelos 6 pontos de atraso. O Sporting, por seu lado, também não descola mas os 10 pontos de atraso pesam e V. Guimarães e Sp. Braga não desistiram da corrida.
 
Obviamente, nesta guerra as duas equipas minhotas estão já a perder. Têm menos adeptos e não dispõem de paineleiros. Mas talvez lhes sirva de conforto o exemplo do Benfica, que tem resistido à erosão da cabala que lhe urdiram.
 
Porque dizer que Benfica, FC Porto e Sporting são eventualmente beneficiados por erros dos árbitros é a mesma coisa dizer que a galinha põe o ovo e não é o ovo que põe a galinha.
 
Mais uma jornada passou, falta toda uma 2.ª volta, mas já todos perceberam que há um grande desequilíbrio de forças entre as 18 equipas do campeonato.

 
Os "grandes" só vão perder pontos se passarem por um dia muito mau perante adversários em dias muito bons. E depois acertarão contas nos jogos entre si.

 
O campeonato está bom? Podia estar melhor mas foi o que se pôde arranjar. O que também se aplica às nossas vidinhas de pobres cercados cada vez mais pela máquina fiscal e por algum desamor pela vida.
 
Siga.

Eugénio Queirós, aqui

sábado, 17 de janeiro de 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O que tem Vítor Baía e Branco em comum?!...

...simples!, foram 'lançados' no FC Porto pelo treinador Quinito, em Guimarães.



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A prova dos nove

BILHAR GRANDE

 
Ainda falta muito campeonato, mas no mês de janeiro inicia-se a prova dos nove, sobretudo para os clubes médios e pequenos. Os enormes desgastes em plantéis reduzidos, agravados com lesões e castigos, e com os árbitros, por sistema, a beneficiar os maiores, levam a que se comece a desenhar, ou a confirmar, os fossos entre os mais débeis e os ocupantes tradicionais do meio da tabela. Com poucas surpresas. 


Para mim, a boa surpresa está em Belém. Lito Vidigal, treinador que aprecio, tem feito um belo trabalho no Belenenses e tem-se aguentado em óptima posição classificativa. Lisboa merece voltar a ter três grandes, para isso os azuis ainda têm muito a percorrer, mas o caminho faz-se caminhando e chegam bons sinais daquelas bandas. 


A grandeza de um clube está no número de adeptos, por essa razão o Vitória de Guimarães é, sem dúvida, o quarto grande. Começou bem o campeonato e chegou aqui nos lugares cimeiros da classificação. A prova dos nove está a ser dura para ele, as coisas são o que são e o real está a cair-lhe em cima, mas tem treinador e equipa para garantir lugar na Europa. Os seus fervorosos adeptos e a cidade merecem.


O Sporting de Braga nuns anos promete e noutros nem tanto. É um projeto que prometeu muito mas tem vindo a perder algum fulgor. É certo que Roma e Pavia não se fizeram num dia. Mas apesar dessa verdade, do Braga esperava-se mais ambição, mais consistência.


No fundo da tabela o Gil Vicente parece já ser um caso perdido em relação à manutenção na primeira divisão. Só um milagre o poderá salvar e quem faz milagres não mete golos.


O Benfica tem seis pontos de segurança mas a equipa do FC Porto é muito melhor


No topo da tabela os mesmos do costume, sobretudo o Benfica e o FC Porto. Acredito que os azuis e brancos ainda vão dar muita luta, embora os encarnados mantenham um nível exibicional muito interessante e tenham seis pontos de segurança, a equipa do FC Porto é bastante superior.


Quanto ao Sporting, resta-lhe lutar pelo terceiro lugar e garantir condições de acesso à Liga dos Campeões. E pode não ser empreitada nada fácil.
Alberto do Rosário no jornal record

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Impressionante...

...Cristiano Ronaldo voltou a ser eleito o melhor do mundo, os meus sinceros Parabéns!


Recordando o campeão português - 94/95 e 2004/2005

Depois de André Cruz, Tanaka?!...



Ao ver o golo de Tanaka ontem em Braga, lembrei-me do melhor defesa central que vi jogar ao vivo pelo Sporting - André Cruz.
Em dois anos e meio em Alvalade, foi campeão por duas vezes no Sporting, venceu uma Taça de Portugal e uma Supertaça. Vale a pena recordar esses tempos e este excelente jogador que na marcação de livres era 'mortífero':





Toni Kroos - um médio impressionante - vale a pena assistir a este vídeo

Toni Kroos - German clock from Football Hunting on Vimeo.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Mania das comparações

A COLUNA DA CRISTINA

 
Eusébio disse um dia que ficava triste quando o comparavam a Cristiano Ronaldo. Ronaldo respondeu para não ficar. Eusébio estaria sempre lá em cima. Como o melhor. Partiu há um ano e esta semana inaugurou-se a rua com o seu nome. O mínimo para um homem que foi falado em muitas ruas do Mundo. Numa altura em que o Mundo não estava tão perto. Ronaldo chega lá, agora, através de um clique.


O Pantera Negra quase que percorreu os caminhos das descobertas para lá chegar. O futebol era diferente, os adeptos diferentes, os dois são diferentes. Por isso, não entendo a mania das comparações. Porque se teima em fazer de um melhor do que outro. Muitos anos separam as técnicas de cada um. Muitos anos separam os recordes que atingiram. A grandeza de um e de outro tem a mesma dimensão.


Os de ontem falaram de Eusébio. Os de hoje falam de Ronaldo

Que interessa um ter mais do que outro? No pódio o primeiro lugar tem sempre a mesma altura. Suba-se ou não mais do que uma vez, o hino será sempre o mesmo. O de um país pequeno com dois tão grandes. Os de ontem falaram em Eusébio. Os de hoje falam de Ronaldo. E esperemos que os de amanhã também. Quando o seu nome se ouvir na cerimónia. Não é certo que isso aconteça. Porque no Mundo de hoje há outros jogos. Mudam-se os tempos......
 
 
 
 
 
 
Cristina Ferreira no jornal record

Parabéns Jorge Jesus!



Fiquei há poucos dias a saber que a defesa do Benfica é a segunda melhor dos 'grandes' campeonatos europeus, com 7 golos sofridos, só superada pela defesa do Bayern de Munique com 4 golos.
 
E, ainda há benfiquistas que dizem mal dos teus defesas e de ti...
 
Apesar de alguns criticarem a tua 'teimosia' e alguma 'gabarolice', és grande em quase todos os 'sentidos'.
 
Perdes jogadores todas as épocas, de há 2/3 anos a esta parte, também perdes a meio da época, mas, mesmo assim, eles não te valorizam.
 
Enfim, 'caga' neles e segue em frente. Quando se chegar ao final da época, quero ver em que situação estão os três grandes clubes portugueses.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Vieira arrisca "dar" Jesus ao FC Porto?

PRESSÃO ALTA


O Benfica está a aproximar-se, desportivamente e no âmbito da liderança técnica, de um fim de ciclo? A pergunta é legítima, porque Jorge Jesus termina o seu contrato daqui a pouco mais de cinco meses e o presidente Luís Filipe Vieira já veio afirmar, publicamente, que essa questão só voltará a ser abordada no final da época.


Quer queiram quer não, este timing de decisão revela que nem o presidente nem o treinador do Benfica têm a certeza sobre o que é melhor para ambas as partes. Da parte do presidente, há o objectivo de não adiar muito mais a questão da aposta na equipa principal de maior número de jogadores “fabricados” no Seixal. Numa recente entrevista, LFV falou mesmo de que “ter 4 ou 5 jovens na primeira equipa já será um salto significativo”. Considerando a constância da mensagem presidencial (“temos cada vez mais de contar com jogadores da formação nas nossas equipas profissionais”) e a profusão de trabalhos jornalísticos em relação a esta matéria, não se vê que o presidente do Benfica tenha margem de recuo.


Aliás, esse recuo nem é financeiramente possível, porque o caminho é reduzir o serviço da dívida e a redução do passivo já não pode ser apenas um objectivo panfletário mas uma exigência do ambiente económico-financeiro que rodeia as SAD e, concretamente, o Grupo Benfica, mesmo considerando o potencial da marca para gerar valor e receita. Acontece, porém, que a estrutura de custos é tão elevada que as receitas “ardem” com a mesma rapidez com que arde um pavio. E como já não há forma de maquilhar tão facilmente a realidade das contas (acabaram os financiamentos, as fáceis dilações e outras fórmulas artificiais de sustentar a dívida), a solução é abater nos custos. O Sporting já o fez; o FC Porto e o Benfica têm de o fazer, e estão a preparar-se para isso.


A sensação que se colhe – até pela declaração mais recente de Vieira sobre o assunto – é que o presidente do Benfica está confortável na gestão deste “dossier”. Confortável, por quê? Por achar que o futuro imediato do Benfica não fica comprometido sem Jesus ou porque considera que a procura por JJ não é uma ameaça real?


Não me parece, sinceramente, que Vieira tenha razões para se sentir confortável com a situação. Primeiro, porque – se é verdade que a luta pela conquista do título está cada vez mais delimitada – as raízes criadas por Jesus, na Luz, em termos de métodos e resultados, foram profundas. Muito profundas. Segundo, porque, mesmo sabendo que JJ só tem interesse em treinar num grande clube europeu, capaz de lhe colocar ao dispor alguns dos melhores jogadores a actuar na Europa, não é líquido que, em Portugal, não haja alternativas para além do Benfica.


Parece haver uma grande despreocupação de Luís Filipe Vieira em relação ao contrato de Jorge Jesus e que não está justificada


Vieira pode estar a jogar com o facto de, não havendo Benfica na Europa e estando Jesus, por isso, mais escondido, o interesse europeu nos serviços do treinador dos encarnados seja, em tese, menor. Vieira joga também com um argumento de grande peso: o presidente do Benfica sabe que, nestas condições, quem pode colocar Jesus no mercado externo é Jorge Mendes. Também por isso, e pela grande proximidade com Mendes, LFV está convicto do controlo da situação.


Há ainda um outro cenário, que é o de Vieira não confessar o seu cansaço por um treinador-não-permeável, muito cioso da sua autonomia desportiva. Quer dizer: o entendimento é cordial, mas Vieira precisa de ser reconhecido como o motor da transformação do Benfica, e ainda não é. Quem foi o motor da transformação do futebol do Benfica, nos últimos 6 anos, foi Jorge Jesus. E isso não é fácil de digerir.


Acontece, porém, que Vieira não deveria colocar o FC Porto fora de hipótese. É bom não esquecer a importância do desfecho desta época desportiva. Se o FC Porto voltar a perder o campeonato, Pinto da Costa e a SAD vão precisar de um argumento muito forte. E esse argumento pode ser JJ, como ficou claro na última visita ao Dragão...


NOTA 1 – A jornada deste fim-de-semana é muito importante para as contas finais do campeonato: Benfica-V. Guimarães (hoje) e Sp. Braga-Sporting (amanhã) são jogos aguardados com grande expectativa.


NOTA 2 – Considerando a notícia de que a FIFA excluiu a língua portuguesa da sua página oficial, com o encerramento do ciclo do Mundial no Brasil, é tempo de Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Jorge Mendes, Neymar e C.ª fazerem valer a sua influência e falarem em português sempre que forem solicitados, pela FIFA, a prestar declarações. Talvez seja a única forma de a FIFA valorizar o papel de algumas das figuras mais relevantes do futebol mundial. A UEFA também. Como eles dizem: “Respect!”


O CACTO


Porcariedade e hipocrisia


O ataque ao Charlie Hebdo é uma ameaça aos pilares da democracia, mas é também um sério aviso à vulnerabilidade das pessoas e das instituições, mesmo considerando a evolução da Humanidade desde os seus primórdios. Todas as palavras serão poucas para homenagear a liberdade. Todas as palavras serão poucas para condenar profundamente o terrorismo, o crime e todas as formas de violência. Todas as palavras serão poucas para rejeitar o fuzilamento das ideias, do pensamento, da cultura e da intelectualidade.


A protagonização da barbárie é preocupante. Mas mais preocupante são algumas vozes que se fazem ouvir por aí, neste tempo em que todos publicam, segundo as quais as capas e os cartoons publicados foram (maus) exemplos de provocações em excesso. Esta construção de que as ideias e as opiniões devem ser reprimidas representam um perigo efectivo. E isso atira-nos para a realidade portuguesa e para a fraquíssima tolerância que existe na relação entre os protagonistas do futebol português e o jornalismo desportivo.


Tenho lido apelos hipócritas à defesa da liberdade de expressão, feitos por pessoas que já censuraram, sem o mínimo pudor e vergonha. A precariedade do sector não o deve colocar num regime de... porcariedade. Os chamados “excessos” são a justificação para a exclusão. Foram esses alegados “excessos” que vitimaram a alma (imorredoura) do Charlie Hebdo. Cuidado com os falsos “libertadores”. Eles continuam aí.
Rui Santos no jornal record

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

«José Maria Pedroto - 30 anos de saudade!» - José Neto


 
Foi em Abril de 1981 que tudo aconteceu, já vai em 33 anos! “É o cavalo do tempo a galopar” como canta Miguel Torga, na sua Câmara Ardente! …

Era simples aluno do Instituto Superior de Educação Física do Porto e o convidado da Opção Futebol do 5º ano era, uma das figuras mais carismáticas do Futebol Português – José Maria Pedroto.

No período do debate, ousei formular a seguinte questão:
- Sr. Pedroto, qual a importância do jogo e as suas circunstâncias para a planificação do treino semanal duma equipa?

Surpreendeu-me ao perguntar o meu nome e ao convidar-me a visitar a sua “sala de aulas”, na altura o Vitória de Guimarães.

Imaginar-se-á a ansiedade que me acompanhou nessa deslocação. Tendo sido conduzido à presença do Sr. Pedroto, encontrei um treino “à porta fechada” entre o Vitória e o Gil Vicente, após o que fui convidado a entrar no seu gabinete.

Olhe, professor, diga-me lá: como funcionam as mitocôndrias? … e… que pensa dos treinos bidiários com um trabalho de força explosiva à tarde?… e… o que sabe sobre… Eu, ainda a preparar as respostas, fixei-me no seu olhar soberano e ao mesmo tempo paternal, e respondi:

- Desculpe, Sr. Pedroto, mas eu vim aqui procurar respostas para as minhas perguntas – aqui o senhor é que sabe! … ele esboçou um largo sorriso, acendeu um cigarro e agora numa voz mais pousada e terna disse-me:

- Ora pergunte lá o que pretende… e a noite entrou connosco numa conversa de Futebol, como jamais houvera tido! …
Carregado de dúvidas, algumas achegas, expectativas a reter e após esta primeira lição, imaginar-se-á a alegria que senti, quando me convidou a tomar um café no Velasquez, próximo da sua residência.

Ali, junto a uma coluna central, deu-me um lugar a seu lado e, depois de saborear mais uma tertúlia entre amigos (e eram tantos), convidou-me a acompanhá-lo até Guimarães, ao longo de cujo percurso a conversa se revelou crescentemente entusiasmante.

E os tempos iam passando, até que um dia quis surpreendê-lo. O Vitória jogava em Penafiel e eu “armado” de cronómetro e com base numa ficha criada para o efeito, fui registando - passes errados, ataques realizados, remates efectuados, (jogador, zona e tipo), percentagens relativas e absolutas, tempos de posse de bola, etc, etc.

Vim para casa e, no dia imediato historiei, de forma objectiva os dados do jogo, elaborei um histograma de barras (com lápis de cor) e procurei em 4 ou 5 páginas a análise mais elucidativa do jogo.

Na 3.ª feira seguinte, muito ansioso e expectante entreguei-lhe o material e ao mesmo tempo fiquei de olho na sua reacção. E eis-me que me saiu com esta:

- é pá… hoje o nosso treino vai valer por esta abordagem!… Morais, chama-me esses “meus meninos” ao balneário!…
Damas, Abreu, Romeu, Gregório Freixo, Festas, Tó Pedroto, Tó Zé, Flávio, Barrinha, Nivaldo, Tito… etc… todos convocados para uma reflexão imprevista, surpreendente e, à sua maneira anunciadora de novos processos.

- Agora vamos comparar estes dados com um jogo em casa e o próximo fora… diz-me! …

Aproximava-se a época 1982/83 e, num final de dia, abeirou-se de mim e lançou-me uma frase que me varreu a alma e que eu jamais poderei esquecer:

- Prof.- p’ro ano vai comigo p’ro Porto! …

E, num dia de Julho, transpus, pela primeira vez, a porta de acesso à sala onde estavam concentrados os técnicos e jogadores, tais como:

Zé Beto, Tibi, Fernando Gomes, Rodolfo, Jaime Pacheco, Sousa, João Pinto, Costa, Frasco, etc., e, logo mais um daqueles arranques à Pedroto que me fez estremecer novamente por dentro:

- Está aqui o homem que nos vai ajudar a ser Campeões! …
…eu?! …eu?! …, Sr. Pedroto, por amor de Deus, eu que nunca ganhei nada, eu venho aqui aprender a ser Campeão! Peço que me ensinem o caminho para todos sermos Campeões!

E foi assim o meu 1.º contacto com Pedroto, uma personalidade magnética e liderante no saber e no fazer. Ajudou-me a encontrar as respostas adequadas no tratamento do jogo para o treino e do treino para o jogo e o que dele emergia. Com o Pedroto fui convidado a observar o jogo e, a partir do mesmo, ensaiavam-se as notas explicativas para o rendimento do adivinhado sucesso por um treinador tão adiantado neste tempo da minha existência e a quem sempre devotarei a minha gratidão.
A seguir, com Artur Jorge e Tomislav Ivic, sendo aquele o que mais influência teve na aplicação do meu humilde conhecimento em termos de treino (atletas após lesão) e no treino personalizado para a optimização do rendimento, o F.C. PORTO vir-se-ia a constituir verdadeira cátedra da minha Universidade do fazer! …

Mas não esqueço o meu Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa - graças à sua anuência, um dia eu subi, em 1982/83, aquelas escadas e pude tocar o céu! …

Análise do Futebol Clube do Porto – (1982/83) – o lançamento de alicerces para GRANDES ÊXITOS do Futuro

“ Diz como jogas e eu te direi como deves treinar”! - era esta a filosofia de vida dum dos maiores treinadores de todos os tempos do Futebol Português. Anteriormente referenciado pela dinâmica de trabalho imposta, foi dos primeiros treinadores a constituir equipas técnicas com uma polivalência de funções, ultrapassando a generalidade conhecida pela existência dum Treinador Principal e um Treinador Adjunto, geralmente responsável pelo treino dos guarda-redes, no reconhecimento de que a complexidade do homem jogador reclamava intervenções diferenciadas.

As equipas técnicas do Pedroto eram geralmente constituídas por Técnico Principal, 1/2 Técnicos-adjuntos, Metodólogo de Treino e Técnico Observador e Análise de Jogo.
Pedroto, um técnico adiantado no tempo… uma personalidade inultrapassável na liderança dos saberes e fazeres, como disse. Foi na área da Observação e Análise do Jogo que propriamente iniciamos esta revolução em Portugal. Ajudou-me a encontrar a resposta da eficiência do tratamento do jogo para o treino, sendo este adaptado às circunstâncias e ensaiando notas explicativas para um rendimento do “adivinhado” sucesso.
No mapa correspondente à ficha de jogo (em média demorava 3 a 4 horas a tratar), alguns parâmetros assumiam prioridade de reflexão, tais como:

A Técnica ao serviço da excelência – estudo e análise do passe – o estatuto duma relação perfeita com base na comunicação gestual, dum todo ajustado às condicionantes do Jogo. Para Pedroto, no estudo e análise do passe, deveria ter-se em atenção:

- a observação da técnica utilizada e identificação do jogador e consequência.
- zona do terreno de jogo
- concentração de jogadores adversários
- condições atmosféricas e estado do terreno de jogo
- capacidade agressiva do opositor directo
- fundamental importância para a exigência de execução do último passe
- resultado no marcador.

Como nota de referência correspondente a este item, podemos salientar uma capacidade notável do passe, fazendo uma regressão para cerca de 50% do passe errado do início para o final da época, com maior incidência positiva no sector defensivo. Até se dizia que a equipa jogava de “olhos fechados”.

Outro dos parâmetros a merecer uma significativa importância, foi o estudo do remate – essa oportunidade que o jogador tinha de, correndo o risco, assumir a responsabilidade de finalizar uma jogada que teve um princípio e um meio, concluindo-a na obtenção do golo. A análise deste elemento, deveria fazer constar:

- referência do jogador rematador, tipo de remate efectuado e consequência
- zona de finalização
- característica da jogada que lhe antecedeu
- momento do jogo

Observações: – na avaliação deste elemento deveria constar o número de jogadas de ataque, no sentido de estudar a percentagem de eficácia da equipa (relativa – jogadas de ataque vs remates efectuados ou absoluta – remates realizados vs golos conseguidos).

Poderemos referir, ainda neste âmbito e a título de exemplo, que foi identificado um jogador que executou em 5 jogos 12 remates e apenas 1 golo e, nos 5 jogos seguintes, 18 remates e 8 golos.

Ainda uma referência especial à conquista da 1.ª bota de ouro por Fernando Gomes em 1982/83, efectuando um total de 162 remates e 36 golos, com a excelente média de 4,5 remates para a obtenção dum golo. Ainda a constatação de 88% de os golos terem sido obtidos em 5 zonas específicas no interior da área, sendo 50% com preparação, 25% sem preparação e 25% de cabeça.
A título de comparação, na conquista da 2.ª bota de ouro (1985/86), Fernando Gomes efectuou 151 remates e 39 golos, reduzindo a média para o valor excelente de 3,8 remates para a obtenção dum golo, sendo 50% dos totais efectuados numa única zona específica da área.

Um elemento de estudo sempre requerido era a Posse da Bola. A importância deste item para Pedroto era a constatação de que “quem é o dono da bola… é o dono do jogo”. Por isso a importância em referenciar este parâmetro na ficha de avaliação de jogo em cada 15 minutos, subdividindo o tempo de posse em cada 5 minutos. Entendia que:

- manter a posse da bola, seria manter a iniciativa do jogo, cansar o adversário, obrigando-o a jogar sob grande pressão psicológica e a entrar em crise de raciocínio.
- manter a posse da bola, implicava não apenas o domínio da mesma, mas, a elevada capacidade de protecção, condução e controle, criando as condições básicas mais favoráveis para a evolução do jogo, e, neste âmbito, o virtuosismo, a improvisação e a criatividade do jogador era uma mais valia para a confirmação deste princípio - e o F.C. Porto estava neste particular superiormente servido.

Como nota de referência, o facto de, num estudo correspondente a 1983/84, o tempo de posse de bola em relação aos adversários ter atingido o valor médio superior de 14 minutos e 22 segundos por jogo.

Outros elementos de reflexão por parte da liderança do Pedroto:

- A observação e análise do jogo como ponto de partida para o treino semanal. Daí a reunião de carácter técnico e reflexivo, com a presença de todos os jogadores (inclusive lesionados) e equipa técnica, antes do início do microciclo de treino semanal, no sentido de se avaliar de forma objectiva o comportamento individual e colectivo e construir as bases de orientação metodológica da semana, tendo em conta as competências também evidenciadas do próximo adversário, no sentido de preparar de forma bem explícita e documentada as melhores formas de o neutralizar.
- A importância da imprensa desportiva e diária referente á análise do jogo. Solicitou-me o Pedroto que avaliasse a qualidade informativa referente aos jogos realizados, classificando de 0 a 5 as críticas relatadas pelos jornalistas identificados, devendo ainda sublinhar a cores diferentes sobre o que entendesse ser verdade, mentira e digno de crítica.
- A importância da planificação do treino desportivo, preocupando-se com os factores onde se deveriam alicerçar a programação: material, locais de treino, potencial humano, condições socioeconómicas dos jogadores, calendário competitivo, testes, examinação médico-desportiva, etc., - sempre aberto a sugestões, à discussão das ideias, atribuindo e responsabilizando para as funções que pudessem conter segurança para obtenção de êxito.
- A importância na abordagem das competências psicológicas – controle da ansiedade, problemas de concentração, auto-confiança, confronto com a adversidade, motivação, espírito de equipa, etc., - hoje de tão flagrante evidência na investigação e, com poucas excepções, associadas ao treino, mereciam do Pedroto cuidado especial e muita reflexão.
Nos aspectos fundamentais da relação interpessoal Treinador/Jogador, como nos diz Martens (1987), alguns deles estavam contidos no seu discurso:
- as suas mensagens eram directas: ninguém tinha que saber por outro.
- assumia pessoalmente o que pretendia dizer.
- a mensagem verbal e não verbal procurava sempre ser congruente.
-a comunicação estava sempre sintonizada com a formulação de objectivos, desafiadores, mas realistas.
Formulava questões noite dentro, rompia conceitos, desafiava o erudito, encorajando sobretudo o intranquilo.
Para aqueles que entravam em desespero e agonia e se deixavam deprimir mais facilmente, usava compromissos de honra, sem um carácter crítico e depreciativo, raramente lhes apontando os erros de forma pública, bem de acordo com as orientações modernas da pedagogia.
Regra geral, chamava-os a sua casa, ao seu gabinete e confiava neles! …
Era assim mestre Pedroto. Pergunto, o que sobrou da sua doutrina?

Observação do jogo - qualificação do treino.

Coincidindo com a entrada de Pinto da Costa e José Maria Pedroto no F.C. Porto, a Imprensa Desportiva exibia títulos como estes:

- “observação geral de dados, recolha de factos observados de forma relacionada e inteligível, tratamento estatístico e reflexão do recolhido – desproblematização na construção de hipóteses explicativas, comparação dos níveis de rendimento e sua transferência para a metodologia de treino semanal”… (Jornal Porto, Jan. 1984).
- “poucos passes errados e mais tempo de posse de bola na base de clara supremacia do F.C. Porto” … “grande desnível de amplitude entre F.C. Porto e adversários” … “cada jogador é uma personalidade numa equipa que actua com base na multiplicidade e polivalência de funções” … “programação atenta, cuidada e científica no desenvolvimento de todo o treino” … (A Bola, 14 Fev. 1985).
- “campeão analisado no «laboratório» - menos remates, mais eficácia – equipa mais ofensiva, mais dinâmica , mais concretizadora”… (Jornal de Notícias, Maio 1985).
- “contribuir para a maximização do aproveitamento das mais importantes situações que influem no resultado final, objectivando-as, medindo-as, comparando-as para testar realidades, a partir da metodologia de treino criada, a arma dos Campeões!”… (revista Dragões, Dezembro, 1985).
- “F.C. Porto mais dinâmico, mais agressivo, mais eficaz e o seu modelo de jogo aproxima-se do «Futebol Total»”… (A Bola, 19 Abril 1986)
- “les plans du petit prof. observations extraordinaires sur le jeu de l´équipe. Simple originalité ou arme secret?… professeur Neto a inventé une methode pour chiffrer le football. Une méthode originale et dune saisissante precision, une base de travail pour le success… établir programme d´entraînement de la semaine en insistant sur les points faiblesmis en evidence”… (Revista France Football, 26. Maio 1987).
- “observações de caracterização de esforço em termos individuais, ou seja o espaço percorrido pelo jogador, a forma como o percorre, as intervenções técnicas que lhe estão inseridas num processo táctico estratégico, tendo em conta o jogo e o adversário”… (A Bola, 8 Out. 1987),…

E, com tudo isto, estava-se a anunciar as bases dum clube campeão, um futuro congregador de expectativas subjacentes às ideias do mestre Pedroto que me ajudou a encontrar as tais respostas da eficiência no tratamento do jogo para o treino, adaptado às circunstâncias que do mesmo fazia renascer. Observar e analisar o jogo, ensaiando notas explicativas para o rendimento, tendo o sucesso como limite ou talvez o princípio para a administração dum novo ciclo – eis a novidade.

As saudades do mestre foram aos poucos esmorecendo pela notável competência evidenciada pelo seu seguidor, o treinador – Artur Jorge. Da sua capacidade de liderança renascia um espírito de vitória que o mestre implantara, tendo, porém, acrescentado uma renovada força mobilizadora com base em novos parâmetros de análise, gerando, como vimos relatando, ainda mais eficácia na equipa e, numa promissora descodificação de competências entre os jogadores que dela faziam parte, criando e recriando uma cultura ganhadora, própria dum saber sustentado num fazer, ancorado nos êxitos que o clube ia alcançando, do qual a expressão máxima foi o primeiro título de Campeão Europeu em 1987.

Com abertura de mais um ciclo pós-Artur Jorge, ingressa como técnico do F.C. Porto Tomislav Ivic. Dotado de outros argumentos de carácter empírico, foi dando seguimento aos processos que ajudaram a explicar um continuado êxito.
Se, em termos de metodologia de treino, os avanços se tornaram significativos no que concerne às grandes exigências do jogo (mais distâncias percorridas pelos jogadores, maior intensidade e pressão no desenvolvimento de processos para a conquista dum resultado, etc.), também, ao nível do treinador, como gestor operacional para o rendimento, os níveis de exigência são a todo o momento colocados à prova.
No âmbito da planificação do treino desportivo, tem-se assistido, nestes últimos anos, a uma evolução extraordinária. Este trabalho de programação e planeamento é uma tarefa à qual a qualidade crítica e reflexiva dos metodólogos de treino jamais poderá ficar indiferente, quer no que se refere às condições infra-estruturais da prática desportiva e sua operacionalidade (zonas de treino), quer no que se refere à organização do departamento (gabinetes de trabalho, serviços, logística, etc.), …

Em relação ao treino, deverá o treinador preocupar-se na orientação e gestão das cargas bem como a sua operacionalidade; em relação à competição, submeter a uma apreciação crítica a sua calendarização; em relação aos jogadores, constituir dossiers individuais de diversas competências; em relação à equipa técnica, a gestão operacional das múltiplas funções; em relação à colaboração com outros especialistas, procurar um apoio pluridisciplinar nas diversas vertentes que conduzem ao sucesso, quer na área da fisiologia, como na medicina física e reabilitação, psicologia, biomecânica, estatística, nutricionismo, etc., cujo reportório se deve identificar com as exigências no cumprimento das tarefas (Neto, 2007).

Ontem como hoje, é prioritário, para sistematizar um ciclo de treino, conhecer todas as qualidades do jogador, para o que há evidente necessidade de as diagnosticar através dos esforços participativos no decorrer do treino e do jogo.

A observação e análise do jogo e do rendimento participativo por parte do jogador, matéria que, no início da década de 1980, começou a ser testada, a primeira vez em Portugal, por José Maria Pedroto, imediatamente seguida por outro treinador de sucesso Artur Jorge (o primeiro treinador português a sagrar-se Campeão Europeu), foi semente que floresceu e, em termos de alto rendimento, penso que, nos dias de hoje, não haverá clube que não utilize uma metodologia de avaliação e investigação para o rendimento.

A análise do jogo, referenciado como elemento de estudo, tem vindo a constituir-se, ao longo dos tempos, uma “ferramenta” indispensável para a orientação e gestão de competências. No sentido de confirmar estas tomadas de consciência crítica e até por um critério de inteira justiça, no que respeita a uma referência histórico-evolutiva dos trabalhos realizados em Portugal, será importante frisar os desenvolvidos por Malveiro (1983), autor que apresentou uma metodologia de observação para análise do jogo, fazendo apelo a um tratamento informático; Castelo (1986, 1994 e 1996) realizou as suas investigações sobre a caracterização do jogo de Futebol; Neto (1993), apresentou um trabalho intitulado “A Observação no Futebol”, onde descreveu a análise do jogo realizada nas épocas entre 1982 e 1988, ao serviço do F.C. Porto; Claudino (1993) elaborou um sistema de observação para aplicação nos jogos desportivos colectivos; Garganta (1997) fez um estudo da organização da fase ofensiva em equipas de alto rendimento; Maçãs (1997) elaborou um estudo sobre a identificação e caracterização do processo ofensivo em Selecções Nacionais de Futebol Júnior; Fernando Matos caracterizou a finalização nos campeonatos do mundo de Futebol sénior de 1998 e 2002. Relativamente à investigação na área do Futebol Feminino, Helena Costa (2005) foi pioneira, tendo caracterizado através da análise do jogo, todo o processo ofensivo da Selecção Alemã, campeã da Europa e do Mundo.

No estrangeiro, tomando como referência os estudos realizados por autores estrangeiros, apresentamos alguns exemplos: Olsen (1998) analisou as jogadas que conduziram ao golo nos jogos do campeonato Mundial do México 86; Mombaerts (1991) analisou os jogos do campeonato da Europa de 1998 e do Mundo 1990; Dufour (1993) analisou os golos do campeonato do Mundo de Itália 90; Luhtanen (1993) estudou a eficácia das acções ofensivas das equipas participantes no Mundial de Itália 90; Hughes (1996) que estudou os jogos do campeonato do Mundo de Itália 90, analisou as situações de golo e a sua relação com o número de posses de bola e de passes realizados por posse de bola; Gréhaigne (2001) analisou os jogos do campeonato do Mundo de 1986, estudando as sequências ofensivas terminadas em golo (Neto & Matos, 2008).

A observação e análise do jogo torna-se, então, um instrumento na avaliação e conhecimento do Futebol, tendo-se constituído como um dos aspectos mais importantes da maximização do rendimento, na procura dum saber mais sustentado para uma intervenção técnico-pedagógica mais adequada por parte do treinador.

Ao conhecermos as condições sobre as quais se desenvolvem as acções da competição, podemos estabelecer, de forma concreta e realística, um perfil de exigências ao qual os futebolistas necessitam de corresponder. No futebol, a construção do treino deverá decorrer da informação retirada do jogo, pelo que a caracterização da estrutura da actividade e a análise do conteúdo do jogo revelam uma importância e influência crescentes na estruturação e organização do treino (Costa, 2005).

Não obstante uma extraordinária evolução dos instrumentos de análise do jogo, desde os sistemas de notação manual, à combinação com o relato oral para ditafone, à utilização do computador para tratamento de dados ou seu registo simultâneo com voz, até à digitalização pelo uso de várias câmaras de vídeo - quanta mais valia repousava na sabedoria de uma simples pergunta levantada por um estudante de Desporto num final de curso em Maio de 1981 e que um Treinador (José Maria Pedroto), com o olhar no infinito abriu os horizontes onde ainda repousam notícias de sucesso, disparadas por elevadas expectativas que, de quando em vez, ainda fazem saltar alguns deuses adormecidos.

Nesse mesmo dia, compreendi melhor uma frase que tinha lido no Diário XI de Miguel Torga (p. 202): “Mesmo absurda, toda a esperança é sagrada”.

Nesta data em que se evocam os 30 anos de saudade pelo mestre Pedroto (também meu) , humildemente cultivo a minha memória evocando alguém que via o Futebol com os olhos do futuro. QUE DESCANSE EM PAZ!...
José Neto
Metodólogo de Treino Desportivo
Mestre Psicologia Desportiva
Doutor em Ciências do Desporto/Futebol
Formador/F.P.F. - U.E.F.A.
Docente Universitário

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A falácia da inflação de pontos do Benfica


Corre por aí a tese de que o Benfica tem uma liderança relativamente folgada porque tem sido beneficiado pelas arbitragens.
 
O argumento tem sido repetido nos painéis televisivos por paineleiros aparentemente tão independentes como a Madeira relativamente a Porto Santo.
 
Trata-se de uma falácia que está a ser vendido com o sentido de ter um efeito: condicionar o trabalho dos árbitros.
 
O chamado benefício do Benfica é igual ou quase igual ao benefício do FC Porto ou mesmo do Sporting.
 
Referir que um jogo podia ter um resultado diferente porque não foi assinalado um penálti ou porque um jogador foi expulso é tratar o futebol como ele não merece. Um jogo decide-se sobretudo pela qualidade de uma equipa e muito pela sua capacidade para aproveitar os pontos fracos do adversário.
 
O Benfica pode não ter uma equipa deslumbrante mas tem uma equipa. Tem um jogo bem estruturado, tem jogadas bem estudadas, tem automatismos e princípios que funcionam. No fundo, Jorge Jesus conseguiu pôr em prática a sua ideia de jogo, ao contrário de muitos idiotas que andam por aí a fazer do futebol uma ciência exata.
 
Vamos ver se esta falácia tem resultados práticos ou se o Benfica consegue ser mais forte que esta campanha que está a ser desenvolvida em várias frentes e especialmente por comentadores que nem no canal dos respetivos clubes teriam lugar.
Enquanto isso, mais uma vez se percebeu em Penafiel que só um clube em Portugal consegue encher estádios! Post de Eugénio Queirós, aqui








































Um post polémico!,... sem dúvida alguma. 

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

"Zéeduardismo" - o cancro do Sporting

PRESSÃO ALTA


O Sporting joga hoje com o Estoril e, considerando as notícias surgidas nos últimos dias, não é absurdo que o presidente do clube possa não querer que o Sporting conquiste mais uma vitória, só por considerar que desse modo pode ficar numa situação mais confortável para correr com o treinador que ele próprio contratou como uma solução de médio prazo e futuro?
A pergunta, também ela, parece absurda, à luz da mais elementar razoabilidade e sensatez, mas, no quadro de relações que se instalou em Alvalade, passou a fazer todo o sentido. Hoje, ao final da tarde, a mole imensa de adeptos e sócios do Sporting quer que a equipa vença o Estoril para manter acesa a esperança de no próximo ano poder competir novamente na Champions, mas pode caber na cabeça de alguém que, por razões de ego, tomadas de posição precipitadas e pouco amadurecidas ou seguidismo oportunista, haja pessoas bem colocadas no universo leonino a desejar que o Estoril ganhe, colocando em causa os objectivos desportivos, só para consolar o orgulho próprio e proclamar a vitória de um estúpido e infantil braço-de-ferro?

Volto à minha tese: Bruno de Carvalho contratou Marco Silva por quatro anos. Foi apenas a boa imagem do "menino bem comportado do Estoril" e dos resultados conseguidos na Amoreira que o levaram a optar pela proposta de um contrato de longa duração? No futebol profissional, ainda se cometem "erros" destes?!...


Bruno de Carvalho explicou o projecto desportivo a Marco Silva ou limitou-se a acreditar que as suas posições públicas levassem o treinador a entender e a aceitar (tacitamente) o projecto? Se não lhe explicou o projecto, fez mal. Se o explicou e se o treinador, depois de o aceitar, não o cumpriu, então o presidente teria de escolher a melhor oportunidade para colocar os pontos nos is e, eventualmente, criar as condições necessárias para cada qual seguir o seu caminho. Mas nunca, NUNCA, repito, a meio de uma temporada. A isto chama-se imaturidade, precipitação e não ter a noção exacta de que liderar não é decretar; liderar é tomar decisões firmes, depois de se analisarem e avaliarem todas as variáveis e os efeitos que essas decisões podem determinar. Sempre a pensar no superior interesse da instituição e não de agendas pessoais, mais ou menos encarniçadas.
Tudo o que se seguiu à forma como o presidente do Sporting criticou o desempenho da equipa em Guimarães (sublinho: não está em causa o conteúdo, isto é, a afirmação da insatisfação, mas a forma escolhida para o fazer) foi um descalabro. Daria um manifesto para explicar o que NÃO SE DEVE FAZER na gestão de uma equipa de futebol.


Mais ainda neste tempo moderno em que todos publicam (o efeito das redes sociais não pode ser nem desvalorizado nem hiperbolizado), as organizações têm de perceber que o valor da "coisa privada" é inultrapassável. Ao Sporting só falta publicar a que horas o presidente vai fazer xi-xi. Há aqui, também e claramente, um problema de comunicação.
Um problema de comunicação que ganha foros de ataque ao regime quando o presidente, através dos seus conselheiros, é o primeiro a confessar-se vítima de um ataque planeado do treinador - a cabeça de um polvo que quer ver Bruno de Carvalho picadinho como a cebola num refogado patrocinado pelos "agentes do mal", entre os quais devem estar a CIA, a KGB, o BCE, o Putin, a Merkl e os Simpson.
Este "Zéeduardismo", emanado nas últimas semanas, é de um ridículo atroz. Mas alguém acredita, num estado de relativa normalidade, que o Marco Silva, vindo do Estoril com uma imagem imaculada, exemplo de equilíbrio em quase todas as suas intervenções, seja o demónio, o anjo-diabo que a propaganda "zéeduardista" agora lhe quer pegar, à espera que as "redes sociais" mudem de opinião ou de uma reacção menos branda do próprio Marco Silva e que o possam conduzir ao despedimento?


Se Marco Silva recebesse Zé Eduardo, a seguir ter-se-ia de mostrar disponível para receber o Zé Colmeia, o Pateta e o Pato Donald...


Não percebe o "Zéeduardismo", certamente confortável com aquele que julga ser o apoio do seu presidente, que está a contribuir (como um cancro) para a desintegração do Sporting? Não lhe chega "servir o Sporting", do alto da sua magnificente "independência", através de rissóis e croquetes? Quando um presidente tem como principais conselheiros um talibã da TVI e um terrorista-de-um-canal-que-ninguém-vê está tudo dito. Onde está o crédito? Onde fica o Sporting no meio dos pastéis de massa tenra? Alguma vez o treinador Marco Silva tinha de aceitar sentar-se com o Zé Eduardo para discutir o presente e o futuro do futebol do Sporting? Mas... está tudo doido?! Se o Marco Silva caísse de uma escada dessas, a seguir ao Zé Eduardo tinha de se mostrar disponível para reunir-se com o Zé Colmeia, o Pateta e o Pato Donald!... Que absurdo!
Ainda me custa a acreditar que isto se esteja a passar num clube profissional de futebol. Parece coisa de cancros animados, perdão, de desenhos animados...

JARDIM DAS ESTRELAS


Ai... Jesus!


Em entrevista (?) de Ano Novo, Luís Filipe Vieira vem dizer que "conversa com Jesus sobre renovação é no final da época". Estranho. Para quem afirmava ter tanta vontade em ver JJ mais tempo no Benfica, e sabendo-se que a partir deste mês JJ fica livre para se comprometer com qualquer clube, sem que daí o Benfica retire qualquer vantagem financeira extra, não deixa de ser estranho esta aparente despreocupação. Ou será que, não tendo mais nada para oferecer, LFV não pode fazer outra coisa senão esperar pela decisão do treinador? Hoje as coisas são mais claras: é legítimo que JJ queira experimentar outros palcos para poder testar a sua ambição. LFV diz que, em Portugal, vai ser muito difícil investir em jogadores que custem mais de 6 a 8 M€. Certamente que JJ, como treinador de topo, quer treinar os melhores jogadores. E isso não é possível em Portugal. Só a ausência (improvável) de convites vai "agarrar" Jesus ao Benfica. Ele já fez tudo o que tinha a fazer no Benfica, e por maioria de razão se reconquistar o título de campeão nacional.


O CACTO


Iniciado Inácio


Com a revelação de José Eduardo que havia sido mandatado para falar com Marco Silva, em que posição fica Inácio no meio de todo este imbróglio? Na posição de... iniciado? Ou no papel de gestor de carreiras?!...
Rui Santos no jornal record