domingo, 22 de novembro de 2015

1,2,3 diga lá outra vez...



Um cumprimento especial os meus amigos, em especial, àqueles amigos benfiquistas que estavam doidos para ver Jorge Jesus sair do Benfica pela porta dos fundos.
 
Hoje, devem chorar ranho e cabelo depois do que assistiram ontem em Alvalade. Foi a terceira 'espetada' no glorioso em três jogos. 1,2,3 aguenta aí Vieira, Rui Gomes da Silva e João Gabriel. Agora, tenham vergonha, nem falem de arbitragens, porque aquilo ontem teve momentos que mais parecia um 'massacre', tal era as oportunidades perdidas pelo Sporting.
 
 
Nem mereciam ir a prolongamento. Parabéns aos meus amigos sportinguistas pela passagem aos 1/8 final da taça de portugal!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ponham os olhos na FPF

Enquanto os nossos principais clubes se perdem em guerras de túneis e softwares, as seleções nacionais seguem tranquilamente os respetivos caminhos.
Esta semana estive em Arouca para ver o Portugal-Albânia em sub-21. O primeiro jogo da seleção na vetusta vila de Arouca.
A população local correspondeu enchendo o estádio e a equipa de Rui Jorge respondeu com mais uma boa exibição.
Fiquei impressionado com este miúdo, o nosso capitão, Bruno Fernandes de seu nome, formado no Pasteleira e no Boavista. Um médio de enormíssima qualidade que já foi fisgado pela Udinese.
Mais uma vez pude também comprovar a excelência das organizações federativas.
A FPF mudou muito desde a chegada de Fernando Gomes e Tiago Craveiro, vindos diretamente da Liga, que muito perdeu com isso e não sei se algum dia irá conseguir recuperar. Mas há outro nome que tem de ser chamado para esta história: Hermínio Loureiro, atual vice-presidente da FPF e membro da direção da Liga. O seu dedo foi muito influente no espetáculo popular que vimos em Arouca, onde não faltou mesmo um grupo de cheerleaders muito peculiar...
A FPF não inventou propriamente a pólvora, apenas deixou de ser uma instituição onde se acolitavam amigos e se satisfaziam interesses. Tem uma gestão com visão. Pensa sempre um passo à frente.
Por isso, na manhã desta sexta-feira os jovens de Arouca tiveram direito a um merecido prémio.
 
 
Isto não é para quem quer - é apenas para quem sabe fazer.
Post de Eugénio Queirós, aqui

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

André André: Viagem ao mundo do «motor do Porto»

Ora aqui fica uma excelente reportagem do site zerozero sobre um dos melhores médios portugueses da actualidade.
O pai já era um jogador de excelência, o melhor 'trinco' português que eu vi jogar ao vivo!...
Ok, o Paulo Sousa e o Costinha também o eram, mas o André enchia-me as medidas pela garra e determinação que deixava em campo.


© ZEROZERO.PT - VÍTOR PARENTE
Cativado desde cedo pelo azul e branco, cores que ainda menino começou a ver no pai - quando António André enchia o meio-campo do FC Porto, naquela equipa que tinha também Madjer, Semedo e Jaime Magalhães, entre outros - o paraíso da Antas prendeu-lhe o olhar. Eram as primeiras memórias do pequeno André sobre um FC Porto de passo firme. Hoje, é ele que vai dando firmeza ao meio-campo e mostrando que, afinal, isto do futebol é mesmo coisa de estar no sangue e na alma. Esta é a sua história.
Quando naquele dia 26 de agosto de 1989 nasceu o pequeno André, longe estavam os portistas de imaginar que anos mais tarde voltariam a ter um médio de nome André; com os mesmos genes a pautar o ritmo do seu meio-campo, com o mesmo perfume de André pai, o eterno carregador de pianos das Antas.

Filho de um dragão

Mas a vida (e o relvado que foca o nosso olhar) é mesmo assim e reserva estas surpresas. Aos 26 anos, André André herdou do pai muito mais que o sentimento portista. Dele também foi buscar a confiança para pegar no jogo e gerir ritmos.


André André na festa do Penta ©FC Porto/Adoptarfama
André André começou no Varzim, aos oito de idade, e chegaria ao FC Porto dez anos depois, aos 18, para cumprir o segundo ano de juniores, por empréstimo do emblema da Póvoa. No fim da época, acabou por regressar ao Varzim. Na estrada do futebol, Porto não era destino, naquela altura. Regressou, pois, à Póvoa, onde foi quase sempre (para não dizer sempre) feliz.

A intensidade que ia dando ao jogo dos poveiros despertou a cobiça do Deportivo e, em 2010, foi para a Corunha. Vestia de azul e branco, sim, mas não eram as listas verticais, com aquele dragão ao peito, que aprendera a ver no corpo do pai. Três jogos depois pela formação secundária do clube do Riazor, regressou à sua Póvoa, num clube que militava, então, na II Divisão B.
Na Póvoa "linda" e debaixo do "sol dos poveiros" esteve até que Rui Vitória, então treinador do Vitória de Guimarães, lhe abriu as portas do D. Afonso Henriques. A cidade berço embalou-o para o topo, aquele que lhe parecia destinado, como nos contou Luís Neto, jogador do Zenit, e seu amigo de sempre.


Neto e André André juntos na seleção ©FPF/Francisco Paraíso
«Naturalmente, quem conhece o André, sabia era uma questão de tempo. Só peca por tardia», explicou-nos o internacional português, desde a Rússia.

«Já desde o tempo que joguei com ele que sabia que ia longe. Claro que às vezes isso não acontece, mas o André... [pausa] o André tem uma personalidade forte, é muito trabalhador e merece.»
Neto não esconde ao zerozero.pt que «é sempre difícil falar do André», mas a conversa continua. «Ele tem o espírito da equipa onde está. Está onde sempre quis.»

André André: «Ser Porto? É dar tudo dentro do campo e ter uma vontade única de vencer»

André André joga e faz jogar. Queima linhas de passe, dá intensidade ao jogo, pauta o ritmo e marca golos. Nada que surpreenda Luís Neto. «É o motor do Porto. Gira tudo em volta dele. Sente-se realizado», analisa o internacional português, destacando que André André «não vai ficar por aqui».
No Pim-Pam-Pum do futebol, nem sempre filho de jogador dá jogador. No caso da família André deu. 


André André com o pai ©FC Porto/Adoptarfama
 
António André chegou ao FC Porto com 26 anos. O filho tinha 25 quando foi oficializado como reforço dos azuis e brancos, na última janela de transferências.

O pai fez 11 temporadas de alto nível. Agora é a vez do «carequinha», nome como Luís Neto o trata de forma carinhosa. «Ele não leva a mal por eu revelar [risos] mas ele vai ser sempre o meu carequinha [risos]», disse ao zerozero.pt o internacional português, deixando a sua opinião à nossa pergunta: André André é uma cópia do pai ou nem por isso?
«Acho que já se distanciou dessa comparação», disse-nos Luís Neto. Mas André André sentiu desde miúdo o peso de ser filho de quem é? «Sinceramente, nunca senti que ele se sentisse influenciado pela carreira do pai. Tem enorme orgulho pelo que o pai foi no FC Porto mas sempre quis ser ele próprio. Vai ser sempre difícil fugir às comparações, claro, e nem ele quer negar os laços familiares [risos]. Mas ele leva isso com normalidade.»


André André depois de marcar o golo da vitória sobre o Benfica ©Rogério Ferreira
Rapaz apreciador de recato e de boas conversas com família e amigos de sempre, convive agora com a exposição mediática de um jogador de topo europeu, num clube com tradição interna mas também no Velho Continente. Nada que mude a personalidade «forte» docarequinha. «Falo com ele muitas vezes, como um qualquer amigo faz com outro. Tudo normal», referiu Luís Neto, profundamente «feliz» por ver o amigo triunfar. «A nossa amizade é isto. Estou muito feliz por ver que está a conquistar tudo que merece.»

O pai André chegou a dizer, em declarações ao Porto Canal, que André André «pensa rápido» e isso é uma «qualidade que o jogador moderno deve ter». O atual camisola 20 portista, que prefere dar autógrafos do que falar, pensou rapidamente em chegar ao topo mas demorou até lá chegar. Agora, já lá está e fica a ideia de que esta história não acaba por aqui...
 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O génio faz sempre parte da solução

DE PÉ PARA PÉ
Há muita rua naquele futebol de mentira e picardia, aceleração e travagem, instinto e saber; nele concentram-se os traços do malandro comprometido com a causa e que, na hora certa, é capaz da solução personalizada que, afinal, esteve sempre no seu horizonte. Jonas é hoje um craque maduro orientado por sonhos da adolescência e pelo estilo depurado de quem sobreviveu em menino com a bola nos pés.


É um mago que gera simpatia pelo estilo e resolve todos os problemas ao contrário do que sugere, de tal forma que, muitas vezes, até os companheiros se perdem. No início dos anos 90, ao serviço do Boavista, Manuel José dizia a João Vieira Pinto, então com 20 anos, que não podia apenas tomar decisões: tinha de anunciá-las com a subtileza de um gesto ou de um olhar cúmplice, sob risco de ninguém o entender. "Pensas dois ou três segundos à frente e isso pode ser uma dificuldade acrescida para nós", explicava um dos treinadores mais titulados da história do futebol português.


Jonas é um dos melhores jogadores da Liga e uma referência do Benfica, ao serviço de quem apontou 39 golos em pouco mais de um ano. O seu perfil futebolístico remete para um modelo de jogo em posse e ataque posicional, preferencialmente num sistema de 4x4x2 (e não em 4x3x3); se a máquina emperra por qualquer motivo, a solução não é abdicar de um génio em nome da tática mas adaptá-la à melhor forma de potenciar a prestação de um dos expoentes máximos da equipa.


Jonas não se realiza na solidão de lutas inglórias com os defesas nem satisfaz a geometria do passe longo; precisa de alguém próximo para consolidar o rendilhado das criações inverosímeis porque os deslocamentos mais amplos e constantes danificam-lhe o instinto goleador. E isso é roubar-lhe armas com que exerce na área: onde o tempo passa num estalar de dedos, introduz pausas sem fim; na zona que potencia a ansiedade, a ele baixam as pulsações.



Jonas é uma espécie de reserva espiritual de um futebol que nos foge por entre os dedos





Por todos os motivos, Jonas é um avançado com argumentos para ser letal na zona de finalização, porque os efeitos do seu jogo imaginativo e concreto podem ser devastadores: um simples drible pode criar um latifúndio; os contactos físicos multiplicam as faltas, os cartões e estimulam agitação que também conta para desestabilizar. Em certos contextos tem de ocupar terrenos mais recuados, ocupando espaços importantes para o equilíbrio da equipa. Sente-se menos à vontade, porque se afasta da baliza e fica obrigado a viver segundo códigos de conduta mais rígidos que os espíritos livres e inventivos têm dificuldade em cumprir – longe da área precisa de cumprir regras, fazendo o que deve e não o que sente. Mas nada justifica pô-lo em causa ao primeiro grão na engrenagem. De resto, a facilidade com que a recriminação atinge estrelas como Jonas suscita desde logo uma revolta: que raio de desporto é este em que os melhores são postos em causa e os funcionários, como há milhares por aí, são defendidos com unhas e dentes?


Os artistas têm por hábito escandalizar os espíritos mais tacanhos; põem a nu os preconceitos de algumas considerações e suscitam a discussão se merecem liberdade para dar largas ao talento ou se devem seguir o rebanho e serem iguais aos outros. É uma ideia peregrina considerar que uma das razões para o parcial insucesso do Benfica em 2015/16 é um dos seus maiores expoentes; que a máquina tem andado aos solavancos pela presença de um dos seus dois jogadores de nível mundial (o outro é Gaitán). Jonas é uma espécie de reserva espiritual de um futebol que nos foge entre os dedos. Em vez de ser protegido como génio manietado num conjunto que não dá saída ao seu futebol de vistas largas, há quem exija a sua cabeça como responsável por muito do que o Benfica não tem conseguido fazer. É preciso ter lata! Ou ser ignorante. Ou as duas coisas ao mesmo tempo.


 


As várias soluções de Fabiano Soares


O Estoril deu notável demonstração de qualidade na visita ao líder da Liga


Fabiano Soares surpreendeu pela estratégia em Alvalade. O treinador brasileiro recusou-se a especular, assumiu que estava ali para discutir a vitória e jogou de igual para igual com o poderoso Sporting. Foi arrojado sem ser suicida; ambicioso sem ser arrogante; arriscado sem ser inconsciente. Defendeu a integridade da equipa, valorizou os seus jogadores e mostrou que há futebol em Portugal para lá dos grandes.


 


Ruiz já justifica aposta leonina


No Sporting de Jorge Jesus as peças começam a encaixar e a fazer sentido


Bryan Ruiz foi o reforço de reconhecimento mais demorado. Como extremo não dá profundidade pelo flanco e talvez por pisar terrenos mais interiores tenha suscitado mais dúvidas. Aos poucos tem convencido adeptos e comentadores do talento que possui, porque a técnica assombrosa permite-lhe fazer tudo bem – a bola sai sempre melhorada dos seus pés. Está a justificar a convicta aposta na sua contratação.


 


CR7 já admite o fim da linha


O que já conseguiu em meia dúzia de épocas no Bernabéu é inacreditável


Ronaldo verbalizou por fim a evidência que outros já tinham detetado: pode estar no fim a passagem pelo Real Madrid, ao qual deu os melhores anos da carreira. Em Chamartin, CR7 entrou na história como goleador máximo do clube; tornou-se um dos melhores de sempre e bateu os recordes do clube mais ganhador da história do futebol. Mais incrível ainda é perceber que tanto parece não ter sido suficiente.
Rui Dias no jornal record