sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A Taliscada do baiano



O Benfica - Rio Ave não foi um jogo de grande espectacularidade, mas mesmo assim, teve momentos de algum bom futebol.
 
Este Rio Ave é uma equipa com um contra ataque 'bem trabalhado', até poderia ter empatado o jogo num lance em que o árbitro assistente, mesmo mal posicionado, conseguiu ver e, bem!, que o atacante vila condense estava ligeiramente adiantado.
Acertou em cheio!, da próxima, não sei se terá mesma sorte porque o 'lance é milimétrico'.
 
O Benfica venceu por 1-0 com um excelente golo de...Talisca, quem haveria de ser?!..., enfim, venceu o mais forte e aquele que controlou melhor o jogo.
 
Seguem-se amanhã o 'escaldante' Vitória de Guimarães - Sporting e o FC Porto - Nacional.


Aguardando pelo jogo do Glorioso!

«Talisca na posição de Matic»




Em 'conversa' no início da época com o meu amigo João Almeida, dei a minha opinião em relação a Talisca.
Pelas características deste jovem jogador brasileiro, parecia-me que JJ poderia fazer dele um 'novo' Matic e pô-lo a jogar na posição '6'. Nas primeira impressões, até via nele um pouco de Ramires, mas não tão bom nas alas. Este menino adapta-se melhor a 'terrenos' interiores...
Mas, não foi isso que aconteceu!,...por razões diversas, Talisca teve de jogar como 2º avançado e, a nível interno, foi mesmo uma boa surpresa. Basta ver os golos que o jovem brasileiro já apontou.
 
Tudo indica que com a titularidade de Jonas para fazer dupla com Lima, JJ irá fazê-lo recuar no terreno e adaptar Enzo à posição 6, a posição 4 de Jesus.
Ou será que vão jogar lado a lado num meio campo à zona?!...
Gostava de ver Talisca a jogar pela frente dos centrais e por trás de Enzo.
Hoje, pressinto que ainda não vai ser assim, mas que Talisca vai recuar, lá isso vai. A ver vamos no que isto vai dar...

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

«O Rei faz anos»

Parabéns ao 'maior' de todos os tempos!, na minha opinião, claro está!...
 
 

'54 primaveras' e ainda corre 'atrás da bola'..., e também com as 'botas da puma' que sempre lhe ficaram bem (observem um excelente passe ao minuto 3:21).

Um 'Vitória de Guimarães' - Sporting de outros tempos

...e o Sporting sagrar-se-ia campeão nacional 18 anos depois, poucos meses mais tarde.



O sonho francês

Agora que os meus escritos sobre futebol são menos reguls, cá fica um texto escrito expressamente para a revista 360 da FPF (muito boa, por sinal, a revista, não a minha prosa), a que se deu o título "Contas por saldar em França" mas que também podiam ser qualquer coisa como "Diabos levem os franceses" ou "Um dia dou cabo de ti, bête noire":
"Busco as minhas primeiras memórias da seleção num rádio portátil, roufenho, adoro esta palavra, roufenho, a que melhor traduz o som de fundo que nos traziam os relatadores da rádio, especialistas de bola em palavra corrida tal como me tornei mais tarde. Vinha cá jogar a Polónia, às velhas Antas, e trazia o Lato, herói de 74 dois anos antes, explicava-me o Flávio, meu irmão, percebi mais tarde que o tal Lato era careca, quando careca já estava de saber que a bola me encantava, Pedroto a treinar, Freitas a titular na defesa, acho que chovia, o Lato marcou e outro polaco qualquer também, perdemos dois a zero no tempo em que perder em casa com a Polónia era normal.
 
Lembro-me depois de outros golos na rádio, como os do Alberto, negão de Cabo Verde que foi do Benfica e do Belenenses, marcou dois seguidos ele que era lateral, à Áustria de certeza, acho que também à Escócia, e mais aquele jogo incrível lá na Escócia, na volta, em que tudo o Bento agarrou, num zero a zero que os jornais celebraram mais, no dia seguinte, que uma qualquer vitória dos dias de hoje, era bom empatar na Escócia, que o Portugal dos pequeninos apenas recuperava de uma década agitada e via regressar ambições desportivas desaparecidas com o fim da carreira de Eusébio na Minicopa.
 
Chegou 84, ou antes 83, que a magia de Chalana e Jordão começou no penálti falso no Estádio da Luz frente à União Soviética, início de uma nova verdade em que já era permitido pedir para sonhar, como Torres fez dois anos depois de termos tocado o céu da Europa, em França, a ganhar naquele prolongamento maldito, de ilusão e lágrimas, em que Domergue e Platini tornaram inúteis os saltos eufóricos que dei pela casa após a carambola do Jordão.
 
Afinal, não só era possível ter Portugal numa fase final como até conseguíamos jogar ao nível da Alemanha, da Espanha, da França, eu pensava que não. E veio Saltillo, a revolta no México, a rábula dos jogadores proscritos e um regresso à cauda da Europa, antes do milagre de Queiroz, dos meninos de Queiroz que levaram as quinas de volta aos palcos grandes e de onde não mais saímos, até hoje, exceção feita ao dia em que o francês Batta, sem coragem nem vergonha, expulsou Rui Costa por única vez na carreira e nos tirou o Mundial dos emigrantes, era outra vez em França.
 
Não mais faltámos desde então, vimos Portugal jogar como nunca em 2000 mas perder de novo uma meia final, aos pés de França e na mão disfarçada de Abel Xavier, e cair sem honra nem glória mais dois anos passados, no Oriente, depois da fase final mais mal preparada de sempre. Em 2004, a redenção, num país que corri em programas televisivos diários, bandeiras por todo lado, a geração de ouro misturada com o melhor Porto de Mourinho, uma grande equipa que tinha de ter ganho mas não ganhou, coisa de fado talvez.
 
Mais dois anos e novas maratonas televisivas na Alemanha, junto de emigrantes e de muitos que migravam por dois ou três dias para confirmar in loco que agora éramos dos melhores do mundo, éramos mesmo, e até estivemos quase na final planetária, não aparecesse a bête noire do costume. Começava o reino de Ronaldo mas despedia-se a melhor geração desde 66: cumprimos os mínimos em 2008 e 2010, sonhámos, com alma e rigor de novo, em 2012 mas 2014 provou que há outro caminho para começar. A próxima meta merece ser inspiradora, de novo a França.
 
Vai acontecer lá chegar e lá chegados, antecipo o desejo, que apareçam de novo os franceses que há uma história diferente para escrever, e contas antigas para saldar, por Chalana e Jordão, por Figo e Rui Costa. E por nós, adeptos da equipa de todos, que andámos há uns anos a sonhar com isso."
Texto de Carlos Daniel na sua página do Facebook
Título meu

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

E siga para bingo...

Desde já, pedir desculpas aos leitores por esta ausência de três dias sem 'posts diários', mas a vida nem sempre é como nós queremos.





































Novidades do mundo da bola neste país á beira mar plantado é que são poucas, a mais relevante foi a primeira derrota do Benfica para o campeonato,...nada que não se estivesse à espera a partir do momento que JJ disse que era um 'jogo da champions'.
 
Mais uma vez, um jogo com muitos casos de arbitragem, nem vou pelos penalties (nem sempre são concretizados em golo os que são assinalados), mas os encarnados tem razão de queixa em duas expulsões perdoadas aos bracarenses por Marco Ferreira.
Aos 7/8 minutos, Aderlan Santos tem de ser expulso, e aos 78 minutos Rúben Micael também deveria ter levado guia de marcha. Claro que o jogo era outro!...não estou a ver o Benfica perder três pontos se, pelo menos, Aderlan Santos tivesse sido expulso. O Benfica já ganhava por 1-0 e a partir daí geria o jogo como bem entendesse.
 
Mas, é o que temos, o Benfica também já foi beneficiado esta época, agora, chegou a vez de ser prejudicado. É pena que assim seja, mas é o que temos.
 
O que fica para a 'história', é que o Benfica não jogou a 'ponta de um corno' e perdeu três preciosos pontos.

sábado, 25 de outubro de 2014

Pereira Cristóvão e Sporting passam entre os pingos da chuva



A justiça desportiva deu olimpicamente por encerrado o caso Pereira Cristóvão.
Conforme presumo que devem estar lembrados, o ex-dirigente do Sporting armou uma espécie de cilada ao árbitro assistente José Cardinal, mandando depositar dinheiro na sua conta. O árbitro do Porto estava atento. A PJ entrou na pista do ex-funcionário e o caso deu brado na comunicação social. Os meses passaram, PPC até teve tempo para escrever um livro e eis que o Conselho de Disciplina da FPF põe agora uma pedra sobre o assunto, suspendendo quem já não está em funções por 15 meses e multando o Sporting em dois mil euros. Curiosamente o mesmo valor do tal depósito...
Não sei como vai terminar este caso na justiça comum (mas suspeito). A verdade é que desportivamente é um caso finito. Clube e ex-dirigente foram punidos por colocarem em causa a capacidade e a competência de um elemento de uma equipa de arbitragem!
Como tudo isto é de facto para rir, tanto PPC como o Sporting estão descontentes com a decisão e prometem recorrer!
Post de Eugénio Queirós, aqui

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Os trabalhos de Duque

ENTRADA EM CAMPO
Terminada (ou pelo menos interrompida) a indignação leonina pela escolha de Luís Duque para presidente da Liga, é altura de encarar a “eleição” como facto consumado e aceitar como bons todos os contributos (incluindo os do Sporting) que ajudem a “salvar” a Liga e a melhorar o futebol português.


É neste contexto que Luís Duque terá de cumprir uma missão complexa e difícil, mas que se apoia num amplo consenso (muito raro na história dos processos eleitorais da bola indígena) e que, nesse sentido, lhe permite sentir-se confortável para poder focar-se no essencial.


Há menos de três anos, Fernando Gomes deixou a Liga saudável e dinâmica com 5,5 milhões de euros em depósitos a prazo. No mandato de Mário Figueiredo, a Liga perdeu patrocinadores, desacreditou-se e deixou de ter o financiamento necessário à organização das competições ou, pelo menos, a correr sérios riscos de as não conseguir realizar como testemunha a recente ameaça de greve dos árbitros que se queixam de não terem as contas em dia.


A missão do futuro presidente da Liga não pode ser contra ninguém


Luís Duque tem conhecimento e experiência do meio e, para já, enfrenta três desafios. Primeiro: pacificar as relações entre direção e clubes e restantes parceiros, nomeadamente os árbitros. Segundo: fazer a revisão estatutária de acordo com o novo enquadramento da Liga. Terceiro: restabelecer relações comerciais que permitam fluxos financeiros que sustentem a organização das provas.


Mesmo que a sua escolha seja interpretada como uma afronta à direção do Sporting, a missão de Duque não pode ser contra ninguém e, no atual estado em que a Liga se encontra, manda o bom senso que haja um compromisso absoluto que possa devolver-lhe a credibilidade que em tempos teve.
António Magalhães no jornal record

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A opinião é unânime em relação ao penalty contra o Sporting

Sporting também já perde (e mal) nos descontos...















Tanta vez já 'falei' neste blogue sobre como entendo/analiso os erros de arbitragem e a sua influência directa nos resultados. Ontem, ficou exemplificado.
 
Um penalty mal assinalado (como é possível?,...ainda por cima, o assistente mais perto do lance?!...) nos descontos do jogo Schalke - Sporting e...golo dos alemães.
Isto sim, é um erro com clara influência directa no resultado porque não havia mais tempo para jogar. 4-3 para o Schalke e três pontos que ficaram na Alemanha.
 
Não me recordo de tamanha injustiça nos últimos tempos num jogo de futebol envolvendo os clubes portugueses. Se os benfiquistas já estavam 'vacinados' como perder nos descontos, os sportinguistas não!, muito menos da maneira que foi.
 
Não há muitas mais palavras..., apenas uma enorme revolta.

P.S. Para 'casos' como o de ontem, esse senhor auxiliar teria de ser castigado pela UEFA.
Não quero acreditar que tenha sido um 'pingo' de suor que lhe caiu na vista naquele momento.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

José Maria Pedroto nunca pode ser esquecido!



Se hoje fosse vivo, José Maria Pedroto completaria a linda idade de 86 anos. Infelizmente faleceu cedo, aos 57 anos ( 07 Janeiro de 1985), vítima de doença prolongada.
 
Foi com ele que o FC Porto voltou a ganhar um campeonato 19 anos depois, e também foi com ele e com Jorge Nuno Pinto da Costa na presidência dos azuis e brancos, que o FC Porto começou a 'quebrar' a hegemonia do Benfica, que até então predominava no futebol português...
 
Lembram-se da tal frase do 'Zé do boné'?!,...como era conhecido José Maria Pedroto?!...
Eu ajudo:
“Quando o autocarro do FC Porto atravessa a Ponte Arrábida (para jogar em Lisboa) já vai a perder por 1-0″
 
O mestre Pedroto não chegou a vencer nenhuma prova europeia com o FC Porto, mas preparou o caminho para dois anos e uns meses após o seu falecimento, o FC Porto vencer a sua primeira grande prova europeia - a taça dos campeões europeus com Artur Jorge ao 'leme', que, aliás, também foi seu adjunto no início da sua carreira como treinador de futebol.
 
Não me esqueço de Pedroto, e o futebol português também não se deveria esquecer!
Obrigado Senhor Pedroto!,...por tudo o que deu ao futebol português!!!

A História de um Título - 19 anos depois a "explosão da vitória":



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O CLUBE DO CORAÇÃO DE CABO-VERDE

 
A SELECÇÃO NACIONAL JÁ É O CLUBE DE CORAÇÃO DE TODOS OS CABO-VERDIANOS 
 
Cabo-Verde. 2014.
Dois jogos com Moçambique e o apuramento. Todos os amantes da bola já começam a acreditar a sério na nossa selecção se alguma dúvida houvesse. Sempre fui um defensor acérrimo desde a primeira hora que todos os jogadores que desde que sejam cabo-verdianos e legitimados para defenderem as cores nacionais, serem chamados a equipa de todos nós. Se recuar um pouco atrás, na minha qualidade de analista, um dos meus maiores críticos era o meu saudoso e falecido pai, porque eu defendia que os jogadores não residentes seriam os primeiros a terem essa soberana oportunidade de representarem Cabo Verde nas competições internacionais, pois, eram eles que tinham outro sistema de treinamento outra experiência e outra classe, enfim em todos os aspectos devido a falta de um trabalho de base aqui em Cabo Verde, era melhores e mereciam essa chamada, e a brincar, já lá vão vinte e dois anos, depois do falecimento desse meu ente querido.
 
         A equipa de todos nós, começou o seu percurso há uns anos a esta parte e é de elementar justiça enumerar esses grandes obreiros, os técnicos Alexandre Alhinho que subiu muitos degraus no ranking da FIFA, Oscar Duarte conquista da Taça Amílcar Cabral, João de Deus, Lúcio Antunes, pois, esses técnicos apostaram forte em jogadores que actuam nos clubes estrangeiros, até chegar ao técnico Rui Águas o actual selecionador cabo-verdiano, que encontrou uma equipa formada e com aspirações, e, que naturalmente, vai tentar introduzir o seu cunho pessoal o que é legítimo.
        
Mas temos que ter bem presente que hoje a selecção de Cabo Verde é muito respeitada e conceituada no seio da comunidade futebolística internacional, porque os nossos jogadores actuam hoje, alguns, em equipas de renome internacional.
         É de elementar justiça relembrar, que no ano que fomos a CAN em 2013, houve várias equipas que participaram nas competições europeias, portanto, tinham nas suas fileiras jogadores cabo-verdianos e que fazem parte dos eleitos de Rui Águas, casos concretos de Ryan, Heldon, Nivaldo, Stopira, Zé Luís entre outros.
        
 
 
O TALENTO DO FUTEBOLISTA CRIOULO
 
Estou em crer que nunca ninguém duvidou da potencialidade do futebolista crioulo, mas talvez faltava na altura o trabalho de base que hoje vem dando os seus frutos, principalmente, a nível de observações constantes de valores que grassam por este mundo fora. Temos selecções mais jovens ( sub-17, sub-19 ) onde podemos encontrar jogadores com grandes potencialidades, e, podem funcionar como viveiros da selecção principal.
         De igual modo, hoje o jogador cabo-verdiano, é visto com outros olhos, mas nunca esquecendo que outrora tivemos grande valores, mas que optaram por representar Portugal, caso concreto para não ter de ferir susceptibilidades esquecendo de algum, o nosso malogrado Carlos Alhinho que deixou o mundo dos vivos de uma forma abrupta e prematura.
         Hoje o próprio jogador cabo-verdiano, principalmente, depois da nossa presença na CAN de 2013 na África do Sul, acredita mais em si e joga com o objectivo primário no seu clube para representar as cores nacionais. Aliás, a posição que ocupamos actualmente nos ranking da CAF e da FIFA têm contribuído para que o jogador cabo-verdiano tenha orgulho pessoal em defender as cores nacionais.
         Também esse nome de Tubarões Azuis que se convencionou chamar a selecção nacional caiu bem no seio dos desportistas cabo-verdianos aqui no país quer na diáspora, porque todos sabem que somos um arquipélago rodeado de mar e consequentemente de tubarões.
        
Ninguém tem dúvidas que a Federação Cabo-Verdiana de Futebol, vai fazendo o seu trabalho de casa e os frutos são visíveis, apesar do tal percalço que aconteceu na altura das eliminatórias do mundial no Brasil com a exclusão da equipa nacional, erro administrativo, o que mexeu muito com o ego dos cabo-verdianos, pois, pela carreira em termos desportivos convém lembrar que vencemos na Tunísia por duas bolas a zero, e, depois perdemos surpreendentemente na secretaria. 
         O povo cabo-verdiano tem demonstrado um grande espírito de reconhecimento e prova inequívoca disso são manifestações de carinho e de conforto que os jogadores têm sentido nos jogos disputados em casa e não só. A empatia do público para com a selecção já se tornou arrepiante e comovente, obrigando o Rui Águas a dizer que paixão para a selecção nacional é como se um clube de coração se tratasse. Antigamente diga em abono da verdade, a nossa selecção participava só para fazer número, mas hoje participa para ganhar e tem criado vários problemas aos adversários que a partida são considerados favoritos. Nem mesmo os mais optimistas acreditavam que Cabo Verde chegava em Tunes e calasse um estádio literalmente cheio.
         Se continuarmos com a mesma política de recrutamento para os jogadores potencialmente convocáveis, vamos ter sem sombra de dúvidas um futuro risonho e assumir a nível da lusofonia um papel de habituais apurados nas competições internacionais, particularmente na prova continental Copa África das Nações.
Como não é proibido sonhar, estou em crer que por este andar e pela performance agora demonstrada pelo jogador cabo-verdiano que um dia estaremos num Campeonato do Mundo. Difícil sim. Muito difícil mas não impossível, para que, um dia este sonho de todos os cabo-verdianos se torne realidade.
 
 
 
O FUTURO DA SELECÇÃO E DE TODO O FUTEBOL DE CABO-VERDE
 
         Portanto, o futebol de Cabo Verde está no bom caminho e se continuarmos com a mesma humildade e com o mesmo querer vamos ter um futuro risonho, pois, todos os treinadores do GRUPO F assumem e sem rodeios e sem bluff, que o combinado nacional cabo-verdiano é a melhor equipa do grupo.
Motivo de orgulho para qualquer cabo-verdiano, pois, há uns anos a esta parte, todos pensavam precisamente ao contrário, que o Cabo Verde era o bombo da festa. Mas com a nossa entrada de novo na CAN por direito próprio depois dessa brilhante vitória frente ao Moçambique e a duas jornadas do fim das eliminatórias para a CAN 2015 em Marrocos demos mais um salto qualitativo no ranking da CAF e da FIFA. E apesar de ambas as equipas conseguirem os nove pontos, Cabo Verde está melhor nesse mini campeonato, e, por isso, estamos orgulhosos nessa grande montra do futebol africano em Janeiro do próximo ano.
        
Se continuarmos a apostar forte como tem acontecido até aqui convocar os melhores jogadores para a selecção, sem compadrios e melhorarmos o figurino dos nossos campeonatos regionais e nacionais, para que, os jogadores residentes tenham as suas oportunidades depende apenas deles, estou em crer que esse tal leque de recrutamento será ainda maior e os nossos treinadores terão maiores probabilidades para se valorizarem, com as várias formações que são ministradas pelos organismos internacionais CAF e FIFA, tenho a certeza absoluta que os técnicos nacionais irão competir com os muitos estrangeiros que já manifestaram interesse em treinar a selecção nacional. Antigamente imaginava-se que um técnico estrangeiro teria ambições de treinar a selecção cabo-verdiana de futebol? Agora perguntem se hoje em dia não é um cargo apetecível? Isso acontece simplesmente, por causa do trabalho realizado até aqui.
         Vou deixar aqui claro, tenham cuidado com essa nossa nova fornalha de jogadores cabo-verdianos, pois, o medo e receio acabaram-se, e querem elevar bem alto o nome de CABO VERDE.
           O grande desafio de Cabo Verde é neste momento, será manter esse nível futebolístico, para que, o nosso campo de recrutamento de valores seja ainda maior e todos os jogadores nascidos em Cabo Verde ou filhos de cabo-verdianos que vivem no estrangeiro e que tenha qualidade futebolística suficiente, se sinta orgulho de representar as coras nacionais.
 
 
 
OS JOGADORES DO SONHO
 
Ninguém tem dúvidas que neste momento Cabo Verde tem um naipe de jogadores de elevada qualidade técnica.
            Depois de Lúcio Antunes que foi treinar em Angola o novo seleccionador nacional Rui Águas não fugiu muito as escolhas do anterior técnico, fruto de evitar muitas mexidas e alterar por completo os princípios já estabelecidos e que tantas provas benéficas deram no passado recente.
            Por exemplo tirando a saída do capitão Nando por vontade própria deixando as convocatórias ainda em grande forma, ficaram de fora nesses últimos jogos com Moçambique KAI e RYAN por lesão, tendo o técnico nacional recorrido a outras escolhas que resultaram em pleno devido ao espirito que vigora neste momento seio do combinado crioulo.
           
Vozinha- É o guarda-redes de elevada categoria e veio transmitir estabilidade aos seus colegas do sector e não, fruto da sua calma e serenidade fechou a sete chaves as redes nacionais.
           
Jeffrey- Foi uma agradável surpresa. Muito certinho a atacar, melhor a defender e deu maior profundidade ao futebol de Cabo Verde, porque para além de ter fechado o seu sector, deu um grande apoio ao Odair Fortes do lado direito. Uma boa aposta de Rui Águas, portanto, não vai ser muito fácil Carlitos recuperar o lugar que ele sempre se assumiu como titular, por direito próprio. Vê que ele tem noção do espaço que lhe foi atribuído e que escola holandesa o que lhe ajudou bastante. Uma exibição muito certinha.
           
GêGê- Quem o conhece como eu, dos tempos do seu Boavista da Praia, hoje esse jovem valor é um verdadeiro patrão do sector mais recuado e um parceiro fiel e leal quer ao KAI ou Varela. Parabéns ao Marítimo pela forma como contribuiu para valorização desse central cabo- verdiano.
           
Varela- Parceiro ideal de GêGê pelo seu sentido posicional e pela sua voluntariedade, anulando por completo os vários avançados que vi actuar estrangeiros aqui em Cabo Verde, que o diga Reginaldo avançado moçambicano.
           
Nivaldo- Um defesa extremo, melhor a atacar do que a defender mas uma peça fundamental da nossa selecção quando a equipa parte para o ataque. Desce muito bem pelo seu corredor e confia nos companheiros que lhe apoiam em caso de um possível contra-ataque do adversário.
           
Nuno Rocha- Outro valor seguro desta selecção, pois, a sua entrada no jogo contra o Zâmbia demonstrou que de facto, no seio desse combinado há valores que são opções válidas. Muito inteligente, bom sentido posicional, inteligente a jogar fruto de uma grande visão que ele tem do jogo globalmente, pois, para mim é um 8 nato.  Outra aposta ganha pelo cliente luso.
           
Calú- Todos os técnicos no futebol moderno gostam de ter um jogador com essas características, pois, é um trabalhador incansável durante os noventa minutos. Sério, implacável e matar o jogo do adversário, sentido posicional notável, fazendo lembrar muito o William Carvalho, portanto, um 6 de elevada categoria e o tampão dos contra-ataques dos adversários.
           
Babanco- A jogar como o nº 10 a secção de Cabo Verde ganha um armador de jogo excelente, fruto da sua visão e classe em meter as bolas a 30 metros. O capitão perde muito quando joga nas zonas laterais e perde uma das suas virtudes e que é de servir muleta a ponta de lança, pois, Cabo Verde joga com um claro 4-3-3. Contra Moçambique aqui em Cabo Verde o pendor ofensivo que o técnico queria imprimir na dinâmica da equipa foi superiormente interpretado por Babanco.
           
Odair Fortes- Muito forte no jogo de um contra um e levou sempre a melhor a Miro e desgastou o lado esquerdo da equipa moçambicana, fazendo um bom jogo, principalmente, durante a primeira parte e largos da segunda, pois, participa activamente nos movimentos ofensivos e defensivos da equipa.
           
Djaninny- Há jogadores mal amados. Ele é um deles. Tem bons pés, cobre bem a bola e obriga os defesas centrais a ficarem lá atrás, mas desperdiça muitas oportunidades de golo e como sabemos a imagem de marca de um ponta de lança são os golos daí ser substituído na hora h, quando o público começou a assobiá-lo.
           
Zé Luís- Como os cabo-verdianos acompanham o campeonato português com muito entusiasmo e pela sua forma actual, e, sendo um dos bons pontas de lança neste momento do futebol português, a sua não entrada de início causou uma certa surpresa. Logo que ele se levantou do banco de suplentes notou-se a empatia que ele tem neste momento com os amantas de bola cá em Cabo Verde, pois, muito aplaudido, e com a sua entrada a frente de ataque ganhou outra dinâmica porque ele desmarca-se muito bem e conseguiu desmantelar a bem organizada defesa moçambicana superiormente comandada por Mexer. Os minutos que esteve em campo e pelo jogo realizado frente a Zâmbia que até marcou um grande golo, acredito salvo opinião contrária acho que ele merecia a titularidade, mas a respeitámos a opção do técnico da equipa cabo-verdiana.
           
Heldon- O abono de família da equipa, tem a estrelinha da sorte e entrou bem no jogo porque o público já chamava o seu nome havia algum tempo. Quem o conhece sabe que ele tem andado um pouco triste, cabisbaixo talvez por causa da sua situação no Sporting Clube de Portugal. Mas Deus protege os bons filhos e o salense mais uma vez foi o herói da qualificação e ele provou que quer lutar para um lugar na equipa leonina apesar da forte concorrência com Nani como cabeça de cartaz e também ele perdeu a titularidade na equipa nacional, o que vem complicar mais o seu estado anímico e psicológico. Neste momento ele deve estar feliz, pois, aqui em Cabo Verde é um herói, pois, estamos qualificados para a CAN.         
           
 Kuka- A atravessar um bom momento de forma no Estoril, todos esperavam dele um bom jogo e fez, mas pareceu-me muito ansioso e perdendo muito em fintas desnecessárias, deixando as vezes a equipa muito balanceada no ataque e mais exposta para o contra-ataque da equipa adversária. Está mais adulto e a sua classe é indesmentível, pois, o conheço desde os tempos do Bairro e sabia que ele nasceu para ser jogadores de futebol. Bom jogo e substituído na altura própria para as palmas.
           
Garry Rodrigues- Esteve muito bem no primeiro jogo com a Zâmbia, mas perdia também muitas bolas daí a opção de Rui Águas em colocar KUKA em campo, jogou pouco minutos, entrou para queimar alguns segundos.
           
Os outros jogadores que não saíram do banco, são opções, pois, esta equipa cabo-verdiana vale pelo seu todo. Mas Kevin se jogar Vozinha terá pela frente um concorrente de peso.
 
O SISTEMA TÁCTICO
 
            Rui Águas continua a apostar em casa no seu 4-3-3, e, isso tem dado bons resultados, com Babanco ( 10 ) como o grande dinamizador do jogo do combinado crioulo, com Calú a ser o pronto socorro muito bem ladeado por Nuno Rocha, dando alguma liberdade aos laterais, principalmente, ao Nivaldo.  A dupla GEGE e Varela ou KAI são intransponíveis e na frente as várias mudanças de flancos dos extremos têm confundido os adversários.
            Cabo Verde está com uma boa selecção e pode fazer de novo figura na CAN, apesar de Moçambique não ter sido no jogo aqui em Cabo Verde um verdadeiro teste, pois, não rematou durante os noventa minutos uma bola a baliza de Vozinha que foi um mero espectador durante o tempo de jogo.
 
Desde Cabo-Verde, texto de Lulu Cardoso da Silva, jornalista cabo-verdiano
        
 
 

«O convite a Luís Duque é uma afronta ao Sporting»



António Boronha (Em exclusivo para a Cortina Verde)

«O convite a Luís Duque é uma afronta ao Sporting»

A notícia lida há pouco no 'Público' de que Luís Duque é a escolha dos clubes para presidir à Liga que organiza o futebol profissional português não só me espanta como me envergonha. Para além de ser uma afronta clara ao Sporting - já tentada com o convite a Godinho Lopes - revela o que há de pior no dirigismo nacional: uma aliança contra natura entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, os mandantes, com um serventuário ao serviço dos seus interesses. É óbvio que isto, esta 'aliança', não só vai acabar mal como vai durar pouco tempo. Ninguém serve a dois amos em simultâneo mesmo que no caso o serventuário seja um contorcionista de reconhecida capacidade.
 
Enfim, ir buscar para um cargo de topo no futebol luso uma personalidade que nunca revelou nada como dirigente a não ser mostrar-se um exímio gastador dos dinheiros do seu clube e um "trampolineiro" em matéria de cumprimento das regras fiscais não me surpreende. Só me envergonha. Para juntar um duque a uma cena triste basta, agora, convidarem o Fernando Seara para presidir à Assembleia Geral da Liga.

Por António Boronha (Ex: Vice-Presidente da FPF)
através  da página do facebook - Cortina Verde

sábado, 18 de outubro de 2014

Sporting elimina Rotação F.C.




















É injusto começar este post a falar da rotação do treinador do FC Porto, já o disse várias que isto não lembra ao diabo?!...
vamos ver já de seguida, se o rotação de JJ também não surpreende os benfiquistas.
 
Adiante, o jogo que eu vi:
 
Um Sporting a entrar melhor no jogo, ainda não estava decorrido um minuto de jogo e já Nani tinha avisado ao que vinha - um remate ao poste e mais tarde marcou o segundo golo dos leões.
 
Um Sporting a controlar o jogo, com 3 homens no miolo do terreno (William Carvalho, Adrien e João Mário, por vezes, até bem coladinho nas costas de Montero) contra 2 homens do FC Porto (Herrera e Casemiro) que hoje iniciou o jogo em 4-4-2. Três é sempre mais que dois.
 
Mais uma invenção de Lopetegui?!...
Provavelmente, mas, nada de dramas, não foi por aqui, porque esta equipa azul e branca nem tem processos definidos nem sistema com rotinas de jogo.
 
É verdade, dois meses e pouco de época oficial e a vergonha continua para os portistas que já começam a perder a cabeça com esta 'armada espanhola'.
Dá dó ver Jackson Martinez sozinho lá na frente, sem apoio, tendo de recuar muitas vezes no terreno para ter bola. E, Quaresma? Está visto que ainda não é alternativa para o espanhol. Alguma vez será?
 
Para terminar, este Sporting, com este treinador e, com este sistema de jogo 'enraizado', vai dar muito que falar.
 
Hoje, a prova ficou à vista - muito crer, muita raça, muita troca de bola, muita vontade de fazer melhor e...acabou o jogo no dragão ao som dos olés dos seus adeptos.
 
Temos Sporting, pelo menos para 'consumo interno'!
Parabéns a todos os sportinguistas!
 

«Onzes e sistemas oficiais de FC Porto e Sporting»

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Assuntos quentes da semana

VISÃO DE JOGO
1 - Igual a si próprio, Jorge Jesus deu uma interessante entrevista a Record, onde pudemos testemunhar mais uma vez a enorme paixão que o técnico tem pelo futebol. Percebemos que Talisca é o seu próximo diamante por lapidar, que ainda não é certo quem será o seu guarda-redes titular, e que o Benfica está a alterar a forma de jogar para lá do 4x4x2. O futebol não é uma ciência exata e há que encontrar novos caminhos para vencer.

Jesus diz que é um técnico formador e não olha a nacionalidades. Totalmente de acordo. São vários os jogadores que o treinador já ajudou a lançar para a ribalta. É certo que tem tido alguma relutância em apostar em jovens da formação encarnada, por entender que ainda não estão preparados, e aí poderá ter cometido algumas injustiças (Bernardo Silva).

No entanto, numa equipa em que a exigência é ganhar, o foco passa por apostar nos melhores. E qualquer benfiquista preferirá ser campeão, mesmo que tal seja conseguido apenas com jogadores estrangeiros. Quanto à ideia de que os benfiquistas vibram mais com vitórias em campeonatos do com uma Champions, isso já parece menos provável.

Já sobre uma eventual obrigação de utilizar cinco/seis portugueses nos clubes, a perda de competitividade seria inevitável, como diz Jorge Jesus. Tendo em conta que os melhores jogadores nacionais acabam por sair, as equipas ficariam mais fracas. Mais interessante seria a adoção de critérios de admissão para jogadores extracomunitários, com padrões de qualidade definidos, para que os nossos jovens não fossem ultrapassados por atletas de nível inferior.


Mais interessante seria a adoção de critérios de admissão de jogadores extracomunitários

2 - Cristiano Ronaldo voltou a salvar a Seleção, num dia em que Ricardo Carvalho fez um jogo impressionante, Tiago comandou as tropas, Danny criou várias jogadas de perigo e Ricardo Quaresma desencantou um cruzamento com selo de golo. Pode até ter sido uma efémera coincidência, mas está claro que a equipa nacional subiu de rendimento e que estes jogadores podem ajudar a fazer uma transição tranquila com a gradual entrada de novos elementos, sem que isso comprometa os resultados desportivos.

Fernando Santos quer dar mais liberdade a Cristiano Ronaldo no ataque, e daí a aposta em dois avançados. A ideia faz todo o sentido, mas faltará, no meu entender, encontrar o parceiro certo na frente. Nani e Danny são dois excelentes jogadores, mas falta-lhes aquele instinto matador e podem fazer mais e melhor por outras zonas do terreno. Entre as porcas e parafusos que a Seleção vai ter que apertar, uma delas está aqui: um companheiro ideal para CR7 no ataque. Uma outra questão será rever o posicionamento dos defesas-laterais.

3 - É uma pena que, numa fase tão precoce da Taça de Portugal, pelo menos um dos três grandes vá ficar de fora. A festa da Taça passa muito pelo encontro dos grandes com equipas mais pequenas, proporcionando o jogo de uma vida a muitos jogadores de divisões inferiores e a possibilidade de estes tombarem um gigante. Quis o sorteio que FC Porto e Sporting se defrontassem no Dragão, num jogo onde, tal como disse Quaresma, “a motivação supera o cansaço” dos internacionais que estiveram ao serviço das seleções.

Esperemos que a chuva dos últimos dias tenha apagado o rastilho das declarações incendiárias, e despropositadas, que vieram de Alvalade. O protagonismo deve ser dado aos jogadores e seus treinadores, e tanto leões como dragões têm estrelas talentosas que podem fazer a diferença com golos e bom futebol. Num sábado à tarde, o clássico de amanhã será certamente um programa em cheio para seguir.

O CRAQUE

Excelente achado

A par dos ponta-de-lança, a posição de lateral-esquerdo tem sido das mais difíceis de colmatar nas seleções portuguesas. Raphael Guerreiro, um luso-francês de 20 anos, que já leva 43 jogos na liga francesa, todos como titular, surgiu em excelente plano na equipa sub-21 e promete ser, muito em breve, uma alternativa válida a Fábio Coentrão. Com a velocidade como arma principal, é um jogador eficaz na defesa e integra bem as jogadas ofensivas da sua equipa. Um jovem com enorme margem de progressão.

A JOGADA

Futuro risonho

Rui Jorge e a Seleção sub-21 estão de parabéns. Cumprir o apuramento para o Europeu só com vitórias é um feito extraordinário. Portugal tem aqui uma excelente geração de jogadores, das melhores das últimas décadas, à qual importa dar o devido acompanhamento, para não se cometer erros de um passado recente. Estamos a falar de um naipe de quase 40 futebolistas de qualidade, com capacidade para evoluir ao mais alto nível. As equipas B ajudaram a dar maior rodagem e ritmo competitivo a estes jovens de futuro risonho. Mas há muito mérito de Rui Jorge, que aproveitou a matéria-prima.

A DÚVIDA

Bernardo Silva merecia mais

Ao ver as atuações de Bernardo Silva nos jogos com a Holanda, custa a acreditar que este tenha jogado apenas 21 minutos pela equipa principal do Benfica. É certo que o plantel da época passada tinha imensa qualidade, com várias opções para o seu lugar, o que forçou à sua utilização no Benfica B. Mas arrisco dizer que este jogador teria lugar no atual grupo encarnado. Um criativo veloz, com técnica elevada para criar desequilíbrios, que sabe jogar nas alas e não receia arriscar na hora de rematar. Leonardo Jardim não hesitou em apostar nele no Monaco. Por que não vingou no Benfica?
António Oliveira no jornal record

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Borat de Carvalho



Aqui, no Cazaquistão à beira do Atlântico plantado, é sempre possível confundir uma bandeira com uma banheira.
A nossa bandeira, com a sua esfera armilar, já tem uns anitos e a malta já não sabe bem como foi imaginada.
Fique-se a saber, portanto, que o verde completa a tralha e o vermelho está no batente.
 
Esta bandeira é filha da República e mandou para o arquivo a bandeira cruzada azul e branca que vinha desde os tempos do filho de Dona Teresa. O que continua a dar muito jeito sobretudo ao presidente do Sporting, que aqui há uns tempos apanhei a sugerir aos seus apaniguados a retirada do vermelho. Vá lá que não se meteu nem com a esfera armilar nem com o escudo.
BdC é um animador. Já fazia falta. Até ver, foi capaz da enorme proeza de provocar um período de tréguas entre FC Porto e Benfica. Ao mesmo tempo que nos permitiu recordar as origens do pano nacional.
Vamos ver se BdC sai com o escalpe completo do Dragão. O que é pouco provável pois o guarda Abel já está reformado e um dos antigos capangas agora é bruxo. E, como todos sabemos, não é para todos semear ventos e colher tempestades.
Post de Eugénio Queirós, aqui

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O dia de hoje foi bom demais para o futebol português...



Esta terça-feira foi excelente para o futebol português, primeiro, os sub-21 de Rui Jorge, Pauleta & Companhia,... conseguiram o apuramento para o europeu da categoria no próximo ano na República Checa.
 
Depois, a selecção principal, que conseguiu uma vitória ao 'cair do pano' na Dinamarca, onde não ganhávamos há 37 anos, salvo erro.
 
Primeiro jogo oficial de Fernando Santos, com um golo no último minuto pelo 'suspeito do costume' - CR7. Ok, a bola ainda 'toca' de 'raspão' na cabeça de um adversário, mas, que se 'lixe' - 3 pontos já 'cá cantam'.
 
Como diz o Engenheiro Fernando Santos, ainda falta 'apertar' algumas 'porcas e parafusos', mas façam um favor, em especial, os 'ditos paineleiros' da bola:
Esclareçam os telespectadores que este sistema de jogo não é 4-4-2 losango coisa nenhuma.
Isto é um 4-3-3 sem extremos puros encostados à linha, sem ponta de lança, mas com três avançados.
Quando Portugal perde a posse de bola, um deles (Danny ou Nani, porque CR7 fica quase sempre na frente) vem atrás do primeiro ou único trinco adversário para evitar a construção de jogo do adversário.
E, aí sim, sem posse de bola e quando fecham os espaços que abriram (a tão falada táctica) o desenho fica bonitinho e lá está essa 'coisa' parecida com o losango de que tanto falam.

«Onzes e sistemas oficiais de Dinamarca e Portugal»

«Onze e sistema provável de Portugal para o jogo de hoje»

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Fernando Santos: «Estou satisfeito mas não é o mais importante»

Selecionador aborda suspensão do castigo

 
Fernando Santos reagiu com tranquilidade à suspensão do castigo decretada pelo TAS, que permite ao selecionador nacional sentar-se no banco frente à Dinamarca.

"Naturalmente estou satisfeito mas não é o mais importante nem significativo. O que interessa é o que os jogadores fazem dentro de campo, eles é que jogam. A minha confiança é plena, mesmo se eu não estivesse", frisou em conferência de imprensa.

O treinador preferiu concentrar atenções no encontro de Copenhaga: "É um jogo muito importante, perante uma equipa muito forte e os jogadores estão empenhados, concentrados e vão dar tudo. O resto deixa-me satisfeito e vamos deixar isso correr com os nossos advogados. É muito mais importante falar do jogo de amanhã".

sábado, 11 de outubro de 2014

«A grande entrevista de Jorge Jesus ao Jornal Record»

 

«Festa no Marquês é a coisa mais bonita»
NA PRIMEIRA GRANDE ENTREVISTA DA ÉPOCA, O TREINADOR EXPLICA O QUE ESPERA DO NOVO BENFICA
 
A entrevista estava agendada para as 12 horas de quinta-feira, mas Jorge Jesus só surgiu perante os jornalistas de Record pouco antes das 13h30. O treino no Seixal prolongou-se, apesar de não estar a trabalhar com todo o grupo, devido aos jogadores que se encontram ao serviço de várias seleções. A primeira reação foi de espanto, perante o aparato de câmaras e luzes. Explicamos que a conversa será gravada em vídeo para posterior reprodução nos programas “Hora Record” (hoje, a partir das 14h30 na CM TV) e no “Especial CM Jorge Jesus”, a ir para o ar no mesmo canal, esta noite, pouco antes das 23 horas, com Paulo Futre e António Magalhães (diretor de Record) em estúdio, para comentar aquilo que o treinador do Benfica disse. Depois de cumprimentar os presentes na sala, entre os quais uma equipa da BTV, senta-se, olha para o relógio e, em jeito de brincadeira, diz que em vez de almoço vamos é jantar. Com efeito, a mesa estava marcada no O Barbas-Catedral, na Costa de Caparica, para as duas da tarde. Seria uma missão impossível...

Entra na conversa de forma descontraída, abordando a pré-época algo atribulada, não esconde a surpresa por um arranque tão bom na 1.ª Liga e aceita explicar, jogador a jogador, as suas opções, quer no momento de formar o plantel quer na escolha da equipa.

Começa a surpreender quando fala nas inovações que está a introduzir no estilo do Benfica, passa pelo tema que mais gosta, a evolução do jogo, e aí sentimos que está em casa. Falar de futebol é a “praia” dele. “Sou um apaixonado pelo futebol.”


A primeira vez que coloca na voz um tom mais exaltado é quando aborda a questão do aproveitamento dos jovens da formação. Saem-lhe da boca nomes e números de negócios. Por contraste, o único momento em que revela hesitação e responde com um tom de resignação surge após ser confrontado com o desejo de ir para o estrangeiro, por sentir que em Portugal dificilmente ganhará a Liga dos Campeões.

Uma hora e 20 minutos depois, Ricardo Lemos (assessor de imprensa) avisa que a entrevista chegou ao fim. À terceira tentativa lá conseguiu colocar o ponto final numa conversa que parecia ter começado há instantes. Era hora de seguir para o almoço. Prejudicado ficava o trabalho do Miguel Barreira, sem tempo para realizar a sessão fotográfica pretendida. Tentaria, junto à praia, obter mais um ou outro “boneco”.

Quando chegamos ao restaurante já o António Magalhães nos aguarda. Anastácio, o homem que naquele estabelecimento serve Jesus há muitos anos, conhecendo-lhe todos os gostos, começa o desfile de iguarias, entre lulas, camarões e “cadelinhas” antes de chegar o misto de peixes grelhados, para acabar com as uvas e tangerinas que o técnico não dispensa. Não resiste ao “pijama” de doces, mas recusa o café. Aliás, nunca o bebe.

O Miguel Barreira consegue mais umas fotografias, Jesus fica a conhecer um pequeno cão chamado Talisca e quando damos por nós já a tarde se despede. A luminosidade é escassa, mas o mar ainda está repleto de surfistas. “Quem é que não gosta de uma praia destas?”, pergunta Jorge Jesus a olhar o mar.

«Não esperava ter esta vantagem para FC Porto e Sporting»
ASSUME QUE SE IMAGINA DE VOLTA AO MARQUÊS EM MAIO PARA FESTEJAR O TÍTULO
 
RECORD – Esperava ter, nesta altura, uma vantagem de 4 pontos para o 2.º classificado? Há mérito do Benfica ou demérito dos adversários, neste caso concreto o FC Porto?

JORGE JESUS – Não, não esperava à 7.ª jornada ter esta vantagem para o FC Porto e Sporting. Porquê? Perdemos jogadores e os dois rivais reforçaram-se muito bem. É mérito nosso, em 7 jogos só empatámos um. Agora, não é determinante. É um ciclo, são 7 jornadas nas quais estivemos melhores do que os rivais. É bom, estamos mais moralizados, confiantes, mas não se ganham campeonatos à 7.ª jornada. Os jogadores do FC Porto dizem que 4 pontos não são nada, os do Sporting que 6 pontos não são nada e eu também penso que, nesta altura, não são nada.

R – Mas habitualmente, nesta fase, o Benfica estava atrás e agora corre à frente. Isso permite uma melhor gestão da prova, ou não?

JJ – Só tem uma vantagem: quem corre à frente pode gerir melhor. Nunca se pode perder, mas quando se está de baixo para cima a parte psicológica pesa mais, porque não se pode perder pontos. De resto, não tem vantagem nenhuma.

R – Imagina-se em maio numa festa igual à do ano passado no Marquês?

JJ – Claro que sim, estamos a trabalhar para isso. Para viver essa manifestação de identidade, de paixão de sentimento. Só quem já esteve lá duas vezes é que sabe. Até nos emocionamos só de nos lembrarmos disso. É a coisa mais bonita! Qual é a prova em Portugal que provoca essa paixão? Estou convencido que se um dia o Benfica fosse campeão europeu não teria 300/400 mil pessoas no Marquês. Só o campeonato nacional leva a isso.

R – O Sporting é mais candidato esta época do que há um ano?

JJ – É! É mais candidato, tem mais equipa. Os grandes jogadores não saíram, só saiu o Rojo. Os jogadores que ficaram estão melhores porque têm mais um ano de trabalho. As ideias da equipa não mudaram muito. Pode haver algumas ‘nuances’, porque o Leonardo e o Marco são treinadores diferentes, pode haver algum pormenor que ainda não descodifiquei, mas não me parece que existam grandes diferenças. Depois, o Nani veio dar uma grande qualidade à equipa do Sporting, é um excelente jogador, de nível muito alto. Há bons e grandes jogadores e o Nani é um grande jogador. Um bom jogador é aquele que joga bem e o grande é aquele que joga bem e coloca os outros a jogar bem, que é o caso do Nani. Isto para além do Slimani ser mais jogador, do Carrillo ser mais jogador...

R – Os três empates consecutivos do FC Porto surpreenderam-no?

Quando saio da minha área restrita não vou discutir com árbitros ou adversários. Às vezes nem sei onde estou!

JJ – No futebol nada me surpreende e o campeonato português, ao contrário do que todos dizem, é muito competitivo. Não valorizamos o nosso campeonato. Uma das coisas que me dá muito orgulho quando vou ao Fórum de treinadores de elite da UEFA – e não é por eu ir, que já é o 6.º ano e se calhar para o ano já não vou! – é quando passam o top ten dos clubes e campeonatos da UEFA. Dos mais competitivos, Portugal é o 4.º! À frente só estão Inglaterra, Espanha e Alemanha. E isto não acontece porque eles são malucos, mas porque as equipas portuguesas fazem pontuação para merecer aquilo. E outro motivo de grande orgulho é quando vejo o Benfica em 5.º no ranking das melhores equipas da Europa. O campeonato português ter esta qualidade deve-se à pontuação que as equipas fazem quando jogam com as estrangeiras. Mas há aí uns malucos que querem inventar e quando eles quiserem avançar com quotas de jogadores, o nosso campeonato vai estar ao nível da Turquia, da Grécia, da Bélgica, da Holanda, da Rússia. E na Rússia eles têm dinheiro para comprar jogadores de 50 milhões, nós vamos ter é para comprar jogadores de 50 tostões. O que quero dizer com isto? Quando decidirem que em Portugal terão de jogar 5/6 portugueses e os restantes serem estrangeiros, esqueçam. A competitividade de equipas como Benfica, FC Porto, Sporting, Marítimo, das equipas que vão à Europa, passa para a 3.ª divisão. Porque os melhores jogadores portugueses vão continuar a sair e vamos ter, nessas equipas, os portugueses que não são opção para clubes estrangeiros. E depois como não teremos capacidade de fazer a prospeção que hoje fazemos, as nossas equipas vão cair.

R – Voltando ao FC Porto... Há, ou não, uma surpresa neste arranque? E que análise faz à forma como o treinador, Lopetegui, se tem queixado das arbitragens?

JJ – Não direi que exista surpresa. Os treinadores portugueses, em termos de conhecimento de estratégia e técnica, são muito fortes, são dos melhores do Mundo. Quando estou junto dos melhores digo-lhe isso, e vejo o que eles sabem e o que nós sabemos e dá-me um grande gozo. Já estive do outro lado, com jogadores de menor nomeada, e só através de um equilíbrio muito forte é possível fazer com que seja muito difícil a equipas como o Benfica e Sporting ganharem. Isto acontece pela qualidade tática dos treinadores portugueses. Surpresa? Para mim não. O FC Porto fez aquisições, na maioria, de equipas de nível e não desconhecidas. São jogadores já com uma afirmação muito boa. O treinador veio para um campeonato que se calhar desconhecia. Agora, o que acho é que se o treinador entende que a equipa está a ser prejudicada, que fale! Como eu falo. Tem o direito a ter opinião. Agora o “parece-me que é, mas não é”, “o árbitro também pode errar”... isso é que não é nada! Tem de se definir e depois estar sujeito às críticas como eu estou. Os homens da política ensinaram-nos a estar em cima do muro, a ser politicamente corretos. Isto não entra em mim, nem como cidadão nem como treinador. Não gosto de pessoas que sejam politicamente corretas. É ou não é! Isto é que é ter personalidade e caráter.

R – Bruno de Carvalho afirmou recentemente que Jorge Jesus pode sair quando quer da área técnica que ninguém lhe diz nada...

JJ – É uma opinião, mas quando saio da minha área restrita não vou discutir com adversários, nem com árbitros. Faço-o sempre no intuito de estar mais próximo de um jogador meu. Claro que tenho de ter as mesmas regras e não posso ter privilégios. Mas, às vezes, nem sei onde estou! Não o faço com intencionalidade.


«Wenger perguntou-me como conseguia este equilíbrio»
 REVELA ELOGIOS DO TÉCNICO FRANCÊS

 
R – Está preparado para perder Enzo Pérez em janeiro?

JJ – Estou preparado para perder todos os jogadores. É verdade que nunca perdemos tantos como este ano. O Benfica perdeu oito jogadores que foram para outros clubes, mais o Fejsa e o Ruben Amorim [lesionados]. Fala-se muito, mas daquele onze que normalmente jogava, o Benfica perdeu sete jogadores: Oblak, Garay, Siqueira, Matic em janeiro e depois Fejsa; Markovic – o Salvio estava lesionado e não jogava – Rodrigo e Cardozo, dois avançados que juntos faziam 30-40 golos por época. Não é fácil! O Arsène Wenger quando esteve comigo perguntou-me como conseguia que o Benfica tivesse este equilíbrio. Além de ficarem alguns, os jogadores que vêm têm qualidade e alguns já conseguem trabalhar atrás dos que estão cá e, assim, os processos tornam-se mais fáceis. E a verdade é que os sabemos escolher. Não todos, porque também falhamos, mas a formação e prospeção do Benfica está muito bem trabalhada.

R – Nesse sentido pode dizer-se que Sílvio, Sulejmani, Fejsa e Ruben Amorim podem ser reforços em janeiro?

JJ – Se recuperarem penso que sim, principalmente Fejsa e Ruben, porque são dois jogadores para uma posição específica onde só há o Cris e o Samaris. Para os lugares do Sílvio e do Sulejmani já há mais opções, mas são jogadores que podem acrescentar qualidade ao plantel.

«Ainda não cheguei ao meu limite como treinador»
 ABORDA RENOVAÇÃO DO CONTRATO
 
 
 
R – Jorge Jesus é um treinador de recordes. É o que está há mais tempo no Benfica; foi o primeiro a vencer as quatro provas nacionais; é o técnico com mais vitórias (196) na história do clube e está a um de ser aquele com mais títulos, podendo alcançar Otto Glória. São recordes que acabam quando? Há vida para Jorge Jesus no Benfica para além de junho de 2015?

JJ – No futebol há sempre vida...

R – No Benfica?

JJ – No Benfica e fora. Sou um apaixonado pelo futebol, a minha paixão, a minha vida é o futebol. No Braga, no Amora, no Belenenses, no Benfica e se tiver de sair será assim noutro clube.

R – Luís Filipe Vieira afirmou que tinha em cima da mesa o contrato de renovação e que dependia de Jorge Jesus assiná-lo. Pensa passar pela SAD para renovar ou faz isso depender de ser, ou não, campeão?

JJ – Não... no futebol tudo muda de um dia para o outro. Não me iludo. Sei a profissão que escolhi. E lá vou eu falar da mala, mas quando digo que a minha tem de estar sempre à porta, é porque um treinador tem de ter a noção que é assim, que a mala tem de estar sempre à porta. Porque, a qualquer momento, o futebol muda. O nosso selecionador Paulo Bento fez uma carreira de recuperação e de apuramento brilhante e em dois jogos tudo mudou, e hoje já não é selecionador. Isso acontece com qualquer treinador e há que estar preparado para isso.

R – Já tem a Supertaça conquistada este ano e assumiu que o objetivo é o bicampeonato. Se o alcançar, não poderá ser um impulso para querer algo mais com o Benfica?

JJ – Ainda não cheguei ao meu limite como treinador! O bicampeonato é importante porque há 31 anos que o Benfica não o ganha, e é importante para mim porque nunca ganhei dois campeonatos seguidos. Mas isto não acaba aqui. Em Portugal, felizmente, ganhei tudo. Não em números, nunca ganhei 10 campeonatos, nem 5 taças... mas em títulos já ganhei tudo.

R – Mas gostava de ir a uma final da Liga dos Campeões?

JJ – Claro que sim, por isso é que disse que em Portugal já ganhei tudo, mas como treinador ainda me falta conquistar outras coisas.
 
«Enquanto Artur estiver bem os outros terão de esperar»
EXIBIÇÃO FRENTE AO AROUCA ALTEROU AS CONTAS NA BALIZA
 
R – Acredita que Júlio César vai ser um guarda-redes muito presente na equipa ao longo da época?

JJ – Se ele não tiver mais problemas físicos, acredito que sim. No tempo que se treinou connosco mostrou toda a sua qualidade técnica. É um guarda-redes super-rápido na baliza. Tecnicamente muito evoluído com os pés. Não cai para a bola, voa para a bola. É um excelente guarda-redes. Agora, se vamos conseguir extrair todas essas qualidades dele... se ele não tiver outros problemas físicos, não tenho dúvidas nenhumas que sim. Mas sobre essa questão não tenho certezas.

R – Enquanto ele não está apto, sente-se confortável com o Artur na baliza?

JJ – Estou confortável com o Artur...

R – (Interrompemos)... Tantos elogios a um guarda-redes no final de um jogo ganho por 4-0, parece uma necessidade de moralizar alguém que pode estar mais frágil...

JJ – É verdade que não há jogadores iguais, mas estou confortável com o Artur. Dizemos que não há titulares, mas é verdade que jogam mais uns que outros. Em todas as equipas do Mundo. Temos quatro guarda-redes e não são iguais. A diferença de valor de uns para os outros existe, mas confio no Paulo [Lopes], no [Bruno] Varela, no Artur e no Júlio César. A questão do Artur coloca-se porque houve um jogo em que ele não esteve bem e os guarda-redes são mais sacrificados quando falham. Um avançado pode falhar golos ou passes e não é tão apontado. Não faço favores a nenhum jogador, mas é verdade que o Artur, frente ao Arouca, sacou duas ou três bolas de golo. É a mesma coisa que ter feito golos e tive de lhe dar os parabéns. Mas no dia em que não fizer as coisas bem...

R – Sente-se ou não mais confortável com Júlio César na baliza?

JJ – Não, eles vão dizer-me durante a semana quem é o melhor. O Júlio foi para a baliza porque o Artur não esteve tão bem no jogo com o Sporting. Como não podia jogar na Champions, tinha de optar entre o Varela e o Júlio. Fui obrigado a fazer essa escolha. Agora o Artur voltou, porque o Júlio estava lesionado, fez um excelente jogo com o Arouca e os outros vão ter de esperar enquanto ele se mantiver bem.
 
«Se contratarmos por 20/30 milhões dificilmente iremos falhar»
TODAS AS EXPLICAÇÕES PARA UMA PRÉ-TEMPORADA ATRIBULADA
 
R – Para quem estava de fora, a pré-temporada pareceu atribulada. Esperava, depois disso, começar tão bem a época?

JJ – É verdade que estamos melhor do que eu pensava, face aos jogadores que saíram. Não pela pré-época, porque nesse aspeto sabia bem o que havia para fazer e optei por uma metodologia de treino diferente dos outros anos. Muitos dos jogadores que conheciam as nossas ideias não fizeram a pré-época e chamei vários da equipa B para avaliar todas as suas capacidades, bem como as dos futebolistas novos que tinham chegado ao clube. Sabia que em termos de resultados não ia ser positivo, mas naquilo que me interessava, que era obter um conhecimento mais rápido de todos, foi importante. Comecei a fazer a triagem a partir daí.

R – Os jovens da equipa B e os reforços jogaram mais do que seria de esperar, porque vários jogadores estavam no Mundial do Brasil ou lesionados...

JJ – Sim, isso também obrigou a acelerar este processo. Podia dizer que tive essa facilidade. Apesar dos resultados, estava tranquilo. Quando sabes o que estás a fazer, estás sempre confiante. Volto a dizer que o futebol não é uma ciência exata, mas é uma ciência para quem treina. A metodologia não é igual para todos os treinadores e muita gente pensa que para se fazer uma grande temporada tem de fazer-se uma grande pré-época. Mentira, isso é tudo errado. A pré-época só é importante para se começar bem a temporada. Mais nada.

R – Quais os jogadores da equipa B que na altura pretendia conhecer melhor?

JJ – O Dawidowicz, o João Teixeira, Cancelo, Victor Andrade, Bernardo, Ivan, Lindelöf e Bruno Varela.

R – Colocá-los a jogar tanto, sem o apoio do “núcleo duro” da equipa, que estava ausente, não podia prejudicá-los, até em função dos resultados obtidos?

JJ – Não, acho que até beneficiaram com isso. Quando se faz um torneio como fizemos em Londres [Emirates Cup], com Valencia e Arsenal, meter os miúdos a competir com tanta intensidade, frente a jogadores com aquela qualidade, dá para perceber a que nível é que eles e os outros estão para as exigências desportivas do Benfica. Aí é que está o segredo. Isso deu-me logo para perceber. Aliás, já sabia do nível deles, mas quis confirmar na prática.

R – Victor Andrade, um dos miúdos que referiu, foi cobiçado pelo Barcelona, veio para o Benfica e está na equipa B. Tem valor para fazer parte da equipa principal no futuro?

Júlio César foi considerado uma ou duas vezes o melhor do Mundo e aos 35 anos não é velho

JJ – O Victor Andrade é um jovem brasileiro de 18 anos. Os portugueses com essa idade estão em formação, como ele, ainda num nível de aprendizagem que encerra muitas dificuldades. O Victor Andrade está a experimentar os mesmos problemas que um jovem português quando sai dos juniores. Mas se os nossos têm essas dificuldades, ele ainda tem mais, porque os treinadores portugueses são melhores que os brasileiros a trabalhar em termos táticos. Tem que se lhe dar tempo. A formação de um jovem demora o seu tempo. Normalmente demora três a quatro anos, mas há exceções. Foi o que aconteceu com o André Gomes. Demorou dois/três anos a atingir o patamar de exigência que o Benfica teve na última época.

R – A integração do André Gomes foi sempre gradual, e feita na presença do “núcleo duro”. Jogadores como César ou Benito foram obrigados a grande desgaste na pré-temporada porque não havia outros. Não terão saído prejudicados desse processo?

JJ – Eles não foram prejudicados. A equipa é que podia ter ficado, porque não tivemos na pré-época segundas soluções para dar descanso a alguns desses jogadores que competiram de dois em dois dias. Mas para mim, em termos de ganhar um conhecimento mais rápido sobre os jogadores que queria para formar o plantel, foi melhor.

Tínhamos alvos definidos, mas quando não há capacidade financeira, normalmente não se contrata a primeira opção

R – Casos como os do Djavan, Luís Filipe e Candeias. Foram más contratações?

JJ – Não. Vamos ver, quando se escolhe um jogador há vários critérios. A qualidade do atleta mas também o aspeto financeiro. Se pudermos contratar jogadores de 20, 30 ou 40 milhões dificilmente falhamos. Mas mesmo assim também podemos falhar. Agora, quando se tem de contratar em campeonatos pouco conhecidos, de equipas em que esses mesmos jogadores estão praticamente a aparecer, vai-se no risco. Porque é preciso ir naquele momento, se demorarmos tempo pode perder-se a hipótese. Umas vezes consegue-se acertar, mas há outras em que se falha. Mas o importante é ter a consciência que aquele jogador tem o nível para fazer parte das exigências do Benfica. Depois, aqui a trabalhar com ele, vimos se na realidade é assim ou não. Porque há componentes que não são conhecidas. Podes conhecer a componente física ou técnica, mas não conheces a psicológica porque nunca trabalhaste com ele. E isso é muito importante. Também desconheces a formação tática desse jogador. Só se começa a conhecer esse lado quando se trabalha com ele. Como coloco essas exigências num nível muito alto, a alguns jogadores que chegam temos de dar tempo, temos de os colocar noutros clubes para se adaptarem, para crescerem. Fazemo-lo porque acreditamos neles, acreditamos que depois podem voltar ao Benfica.

R – Em que momento da pré-temporada toma consciência que vai ter de apostar em alguns suplentes do ano anterior, e com isso passar a ter uma segunda linha mais fragilizada?

JJ – Nunca pensei nisso, porque eu, o presidente e o Rui tínhamos, nessa altura, uma estratégia para o mercado. Sabíamos que ainda precisávamos de contratar entre dois e quatro jogadores, mas queríamos fazê-lo mesmo no limite do prazo. Não nos queríamos precipitar e aceitámos arriscar até ao último dia. Foi assim que chegámos ao Samaris, ao Cristante, ao Júlio César e ao Jonas. Jogámos nesse limite do risco.

R – Esses jogadores eram alvos definidos ou foram oportunidades de mercado?

Meter os miúdos a competir com tanta intensidade dá para perceber a que nível é que eles estão

JJ – Tínhamos alvos definidos, mas quando não tens capacidade financeira, normalmente nunca consegues contratar a tua primeira opção. Quando dás por ela já se vai na quarta ou na quinta opção.

R – Uma dessas opções no fecho do mercado foi Júlio César. Na questão dos guarda-redes ficou a ideia de ter existido algum descontrolo na gestão das escolhas. Até Karnezis chegou a estar em Lisboa e não assinou...

JJ – O Júlio César esteve sempre na lista das prioridades. Já no ano passado pensámos nele, só que não houve capacidade financeira para o adquirir. Este ano houve essa possibilidade e avançámos. O currículo do Júlio não deixa dúvidas a ninguém. Foi considerado uma ou duas vezes como o melhor guarda-redes do Mundo e com 35 anos não é velho. Em Itália e Inglaterra há guarda-redes com 38 e 39 anos, portanto ainda tem muitos anos para poder ser útil a qualquer equipa.

R – Mas este arranque dele no Benfica está a ser marcado por problemas físicos...

JJ – Quando decidimos contratá-lo, o nosso departamento médico fez-lhe um cadastro clínico que não apresentou nada fora do normal. O que está a acontecer é consequência disto: quando acabou o Campeonato do Mundo entrou completamente em férias, “abancou”, como se costuma dizer. Nunca mais fez nada em termos de treino. E as exigências que tivemos com ele foram demasiado rápidas face ao momento físico em que se encontrava. Começou a sentir alguns problemas e esperemos que agora, com esta paragem, possamos dar-lhe algum suporte físico para não voltar a ter os mesmos problemas. Porque a qualidade técnica está lá, ninguém tenha dúvidas.

«Talisca fez-me logo lembrar o Rivaldo»
BRASILEIRO CAUSOU BOA IMPRESSÃO NA PRIMEIRA OBSERVAÇÃO REALIZADA
 
R – Em que posição pensa que Talisca pode vir a fixar-se no futuro? Como avançado, no lugar de Enzo Pérez ou em outra...

JJ – O Talisca vai ser um número 10 ou um 8. A posição dele no futuro será essa, tem umas condições atléticas em que até pode jogar como avançado. É curioso que li no Record uma crónica em que se escreveu que o Talisca era parecido com o Rivaldo. É uma analogia muito bem feita. As características do Talisca, física e tecnicamente, são muito idênticas às que o Rivaldo tinha. Aliás, foi por isso que pedi que o fossem buscar. Assim que vi este miúdo lembrei-me logo do Rivaldo. Pode fazer posição de primeiro avançado, de número 11, de número 8 e de número 9. Comigo pode fazer quatro posições, com os outros não sei...

R – E são essas características do Talisca que pensa gerir jogo a jogo, em função dos adversários? Ou será melhor fixá-lo numa posição para facilitar o processo de integração?

Pode fazer posição de primeiro avançado, de número 11, de número 8 e de número 9

JJ – Ele vai ser gerido naquilo que for melhor para a equipa. Se entender que a equipa precisa dele como primeiro ou segundo avançado, será aí que jogará. Quando entender que a equipa precisa dele como 11, será aí que jogará e se entender, como entendi frente ao Arouca, que deve jogar na posição do Enzo, jogará aí. Será sempre em função daquilo que for melhor para a equipa, não para ele.

R – Outro jogador que está a ser treinado para jogar no lugar de Enzo é Pizzi, que já entrou frente ao Arouca...

JJ – Exatamente. Mas o Pizzi é um jogador completamente diferente do Enzo e do Talisca. Dos três, o Talisca é o goleador, por isso é que já tem 6 golos. Os outros são mais organizadores. O Talisca chega mais ao golo. São três jogadores diferentes, mas que podem fazer várias posições.

R – O Talisca ainda está a fazer algum tipo de trabalho específico de fortalecimento muscular?

JJ – Não, isso parou. Agora está a fazer um trabalho específico mais de componente tática.

«Adaptação de Samaris e Cristante tem sido difícil pela minha exigência»
TÉCNICO E O PROBLEMA NA POSIÇÃO 6
 
R – André Almeida pode ser boa opção para jogar na posição 6 (ou 4 como prefere)?

JJ – Pode. O André Almeida foi alternativa quando tivemos Fejsa e Ruben Amorim lesionados. Se alguém o conhece bem sou eu. Fomos, quando estávamos no Belenenses, buscá-lo aos juniores do Alverca. Ele começa a formação como médio-ala, como 7. Nos juniores do Belenenses passa a médio-defensivo e nos seniores, quando eu já não estava lá, começa a ser utilizado como lateral-direito. Ele tem conhecimento de várias posições e isso ajudou-o a crescer como jogador. Faz muito bem a posição 6. Tem alguma dificuldade no passe, e naquela posição tem de ser um jogador de passe fácil, mas tem algumas coisas melhores que os outros. No entanto, para essa posição contratámos o Samaris e o Cristante e serão eles a discutir o lugar. Mas se tiver de recorrer ao André Almeida, recorro e ficarei tranquilo.

R – Como tem sido o processo de adaptação de Samaris e Cristante à posição 6?

JJ – Tem sido difícil porque é o posicionamento em que exijo maior conhecimento tático do jogo. Exijo ao jogador dessa posição o que os outros não sabem exigir, por isso é que saem daqui para os grandes clubes do estrangeiro. Chegam lá e até dizem como é que é. Quando chegam aqui, jogam nessa posição e não sabem nada dela. Não sabem, vamos lá ver, porque a minha ideia é diferente, a minha exigência é outra, e por isso demora mais tempo a perceber. O Cristante e o Samaris ainda estão muito longe, em termos defensivos, daquilo que o Ruben Amorim faz, que o Fejsa ou o Matic faziam. Bom, o Javi, quando chegou ao Benfica, não sabia nada, como também não sabia o Matic.

R – Acredita que ambos conseguirão atingir esse patamar de exigência?

Matic teve maior facilidade por estar um ano a jogar atrás do Javi. Esta época perdemos todos os médios-defensivos

JJ – Claro que sim, só que o Matic, por exemplo, teve uma maior facilidade, por estar uma época a jogar atrás do Javi. Este ano perdemos todos os médios-defensivos: o Matic transferido, Fejsa e Ruben lesionados. Ficámos sem uma referência para os que estavam a chegar e assim é mais difícil trabalhar.

R – Cristante não seria um bom 8?

JJ – Para mim nunca o seria. Não tem velocidade para ser um 8, seria sempre um médio de contenção. Pode fazer as duas posições, tal como o Samaris, mas onde pode vir a render mais é a 6.

R – Falava, em relação ao André Almeida, na questão da necessidade do passe fácil. Ora, nos jogos da Liga dos Campeões os passes falhados nessa zona foram muitos e frente ao Zenit estiveram na origem dos golos contrários. Não pensou alterar a saída de bola, com lançamentos longos por exemplo?

JJ – Temos uma ideia de jogo e não temos de mudá-la só porque se trata da Champions, apesar de nessa competição se ter de mudar muita coisa. A propósito disso, acho piada ao facto de dizerem que este ano estou a ignorar a Champions. Não é por acaso que no ranking da UEFA, por força dos jogos da Champions e da Liga Europa, o Benfica é a quinta equipa. Porquê? Porque ao longo destes cinco anos tem obtido resultados para estar nessa posição. Mais pela Liga Europa, é verdade, mas também fomos aos quartos-de-final da Champions. Hoje o Benfica quando joga nas provas da UEFA os nossos adversários dizem: vamos defrontar uma das melhores equipas da Europa. Um finalista da Liga Europa. Isto não é por acaso.

«Ideia de que não aposto em jovens é errada»
A QUESTÃO DA FORMAÇÃO
 
 
R – Jorge Jesus é um treinador criticado pela escassa aposta em jovens da formação...

JJ – Essa é uma ideia completamente errada. Como não aposto? O que é a formação? São os jogadores que só estão no Benfica? Para mim não! Formar é trabalhar jovens, sejam eles portugueses, chineses, brasileiros... Tem 18, 19 anos? É formação. Markovic tinha 18 anos, vendido por 30 milhões [ndr: foi vendido por 25 milhões]; André Gomes, 20 anos, vendido por não sei quantos milhões; Rodrigo, vendido por não sei quantos milhões; Oblak, 20 anos, vendido por não sei quantos milhões. Digam-me um treinador no Mundo que faça isto! Isto é formação. Agora se é chinês, português isso não me interessa. Formo jogadores e não nacionalidades.

R – Então o que falta para aparecerem mais jogadores da formação do Benfica na equipa principal?

JJ – Claro que os mais jovens não têm os mesmos conhecimentos de jogo que os jogadores mais experientes. As exigências de um patamar para o outro são grandes, mas há jogadores que não sentem tanto essa dificuldade. O Markovic não a sentiu, tal como o Talisca, o André Gomes ou o André Almeida. Não se esqueçam que fui buscar o André Gomes e o André Almeida à equipa B. Demoraram dois anos, sempre a jogar, quer na Champions quer na Liga, até chegarem à Seleção. O André Almeida foi internacional, tal como André Gomes, que até foi transferido. E o Valencia não o comprou por aquilo que o viu jogar nos treinos, mas sim nas provas europeias e na Liga portuguesa. A evolução deles em dois anos foi um processo muito rápido. Normalmente demoraria três ou quatro anos.

«Apelo do estrangeiro pelo sonho de vencer a Champions»
TRABALHAR FORA PARA CUMPRIR UMA AMBIÇÃO
 
R – Ainda tem o sonho de ganhar a Champions pelo Benfica? Ou é nesse ponto que sente o apelo de ir para o estrangeiro, para a tentar conquistar?

JJ – É... em Portugal é difícil. No Benfica até nem era muito difícil, mas há outros valores que se levantam. Para irmos a uma final da Champions é preciso estar três anos num clube que financeiramente possa comprar e não vender. Nesse espaço de tempo constrói-se uma equipa para ir a uma final da Liga dos Campeões. Em Portugal não há essa hipótese. Os clubes portugueses têm de vender todos os anos. Imaginemos que nestes seis anos o Benfica, em três, não teria vendido. Esse leque dava-me capacidade para ir a uma final da Champions. Mas em Portugal somos vendedores e temos de perceber isto. Todos os países olham para Portugal como o país que melhor forma e vende. Seria bom se todas as áreas conseguissem acompanhar esta qualidade do dirigente, jogador, treinador e agentes desportivos, como jornalistas e adeptos. Todos ajudam a formar esta qualidade.

R – Pelas suas palavras depreende-se que um clube português dificilmente vencerá a Champions nos próximos anos. É por isso que não está a dar mais importância à competição? Pelo menos acusam-no disso...

JJ – Não estamos a ignorar a Champions, só que o primeiro jogo não nos correu bem, no segundo jogo o adversário tinha um conhecimento muito profundo da nossa equipa e fez 45 minutos muito fortes. Na Champions, jogamos com equipas ao nosso nível ou acima do nosso nível. Portanto, umas vezes vamos ter capacidade e noutras não, porque os outros são melhores. É a realidade.

«Paulo Bento precipitou-se na renovação; Fernando Santos foi a melhor opção»
UM OLHAR SOBRE A SELECÇÃO NO DIA DA ESTREIA DO NOVO SELECIONADOR
 
 
R – Fernando Santos vai estrear-se à frente da Seleção. É, nesta altura, a melhor opção?

JJ – Acho que sim, é a melhor opção. Claro que havia outros treinadores com essa capacidade, mas ele vem de uma seleção [Grécia] que esteve no Campeonato do Mundo, não estava a trabalhar e é um treinador que conhece muito bem o futebol português. Penso que se juntaram aqui vários fatores. Temos jogadores com muita qualidade. Penso que o Paulo foi muito atrás de opiniões públicas ou das exigências de renovação.

R – Foi precipitado?

JJ – Foi! Acho que se precipitou. O Fernando não está a fazer nada disso, está a escolher os melhores para poder ser apurado para o Campeonato da Europa e era o que o Paulo tinha de ter feito. Foi muito atrás de exigências não sei de quem, que o prejudicaram.

«André Gomes vai ser um grande jogador»
CONFESSA ADMIRAÇÃO PELO MÉDIO DO VALENCIA
 
R – André Gomes está a ser um dos grandes protagonistas da Liga espanhola. Surpreende-o?

JJ – Falei com o André e disse-lhe: “Vais embora no teu melhor ano, andei dois anos a ensinar-te e este já tens mais conhecimento das coisas.” Vocês não imaginam o que trabalhei ou trabalho com os jogadores individualmente para terem outras performances de evolução, técnica e física. O que ensino não vem nos livros. Não estou a dizer que sou melhor do que os outros, ensino é à minha maneira. E sei que não é igual à dos outros. O que ensinei ao André, recuperações, saber correr atrás da bola e do jogador... é muito complexo. Também tem a ver com o jogador e o André é superinteligente. Isto é como na escola, há uns que andam vários anos para tirar o 12.º ano, outros não, fazem-no em pouco tempo. Está a subir cada vez mais e vai ser um grande jogador como segundo médio.

R – No momento de forma em que estava Enzo Pérez na época passada, era difícil André Gomes tirar-lhe o lugar...

JJ – Era, claro que sim! O Enzo estava numa superforma. O conhecimento não é o mesmo, o André também aprendeu muito com o Enzo. O André Almeida e o André Gomes têm uma facilidade que outros jovens da formação não têm. Com 19 anos um tinha 1,87 m e outro 1,84 m. E há muitos jogadores que têm muita qualidade técnica mas não têm capacidade atlética para corresponderem naquele momento. Por isso é que o processo foi mais rápido. O Cristante, por exemplo, pode ser igual, porque tem 19 anos e 1,88 m, ou seja, fisicamente já é um homem.

«Melhor amigo é o servidor que tenho em casa»
JOGADORES SEM SEGREDOS
 
 
R – O icoach é uma espécie de melhor amigo?

JJ – A aplicação? Não. O melhor amigo é o servidor que tenho em casa, só preciso saber qual o clube do jogador, o nome e que no país onde joga existam transmissões televisivas. É assim que os conheço na China. Se no Afeganistão existirem jogos e derem jogos na televisão, também os vejo.

«Pizzi ainda é frágil defensivamente»
JOGADOR TEM DADO BONS SINAIS NOS TREINOS
 
 
R – Frente ao Arouca estreou-se o Lisandro a titular, o Pizzi foi utilizado e o Nélson Oliveira esteve a fazer exercícios de aquecimento. Sinal que estão a ficar mais próximos daquilo que pretende deles...

JJ – Claro que sim. O tempo de treino vai dando aos novos jogadores uma melhor noção daquilo que são as ideias de jogo do Benfica. Também é verdade que neste jogo com o Arouca o Pizzi entrou no melhor momento da equipa. Estávamos a ganhar, havia mais espaço e isso torna o jogo mais fácil. Ele tem dado bons sinais ao longo da semana e o treinador tem de basear-se naquilo que é o trabalho semanal dos atletas, esse é o primeiro fator para a escolha. O Pizzi reúne algumas qualidades, mas defensivamente ainda é frágil. Acreditamos que ele vai conseguir chegar lá.

«Nélson Oliveira pediu-me para ficar»
 REVELAÇÃO FEITA PELO TREINADOR ENCARNADO
 
 
R – O que se pode esperar de Bebé, Jara e Nélson Oliveira?

JJ – O Tiago, que é o Bebé, nunca teve formação. Aparece tarde no futebol. Foi para Inglaterra, onde nunca jogou, e perdeu muito tempo, na minha opinião, no crescimento como jogador. Vem para Portugal, joga no Rio Ave, depois faz um campeonato interessante no Paços. Foi quando vimos que ele tinha algumas qualidades interessantes para ser um jogador de futuro no Benfica. O processo de evolução do Tiago é igual ao do Talisca, do Matic, do André Gomes, todos esses jogadores jovens. Para aquilo que é a minha exigência... ainda é pouco. O Nélson, bom, não há muitos avançados em Portugal para a Seleção. É dos poucos que está numa idade em que pode projetar-se. O Nélson saiu das minhas mãos há três anos e... fez um mea culpa. Pediu-me por tudo para trabalhar comigo este ano, para continuar a ajudá-lo no crescimento. Depois é preciso perceber que ele andou a jogar um ano lesionado em França. Aqui curou-se completamente. O departamento clínico do Benfica, que é espetacular, pô-lo clinicamente apto. Agora vai ter de apanhar o comboio. Não é fácil. Tenho Derley, Lima, Jonas, Franco (Jara) e também ele para lutar, normalmente, por dois lugares. Três ficam à espera, mas há muita competição, muitas provas, e o Benfica vai precisar de todos os jogadores, como aconteceu no ano passado. Ele já esteve no banco, foi um bom sinal e de certeza que este ano fará jogos no Benfica.

«Gosto de ver jiu-jitsu mas vale tudo»
FILHOS PRATICAM MODALIDADE
 
 
R – Teve dois filhos ligados ao râguebi e agora estão virados para as artes marciais. Já viu algum combate deles?

JJ – O meu filho mais velho é mestre de jiu-jitsu, teve uma lesão muito grave e foi operado. O mais novo seguiu as pisadas do irmão. Nasceram para a luta. Gosto de ver, mas é muito agressiva, vale tudo.

R – Conseguia vê-los lutar em competição?

JJ – Eles não seguiram uma carreira profissional, isso não é um meio de vida deles, é só um meio desportivo que eles adoram. Um é professor e o outro está a estudar para ser arquiteto.

O QUE É:

"O jiu-jitsu é considerado a base de vários combates e não pode ser considerado uma arte marcial isolada, mas sim um conjunto de artes marciais japonesas. Foi, aliás, no Japão que teve o seu desenvolvimento, nas escolas de Samurais, não havendo certezas em relação ao seu aparecimento.

Tem como técnicas principais os golpes de alavancas, torções, imobilizações e pressões para derrubar o adversário. Foi criado para que, nos campos de batalha, ou numa situação de adversidade, um samurai pudesse , sem espadas ou lanças, defender-se de forma eficiente.

No jiu-jitsu usa-se a força própria e a do adversário, o que permite que um oponente, mesmo que fisicamente mais pequeno, possa vencer. No chão, com técnicas de estrangulamento e pressão sobre articulações é possível fazer com que o adversário desista da luta, fazendo-o desmaiar, quebrando-lhe uma articulação."

«Evolução do futebol passa pela mudança de sistemas»
 MAIS UMA IDEIA...DIFERENTE
 
R – Derley, Jonas e Talisca. Nenhum destes jogadores dá à equipa aquilo que o Rodrigo dava. São diferentes. Com isso, a ideia do jogo ofensivo do Benfica alterou-se. As mudanças estão a dar os resultados pretendidos?

JJ – São jogadores com características diferentes do Rodrigo. Essa abordagem está bem feita em função da ideia de jogo do Benfica. O Derley e o Jonas são muito parecidos, são jogadores mais de posição, de atuar entre os centrais. O Lima era isso quando chegou ao Benfica, depois é que se tornou mais móvel e assim continuará a ser. O jogador nasce com aquilo que nasce e o treinador tem de percebê-lo. Mas os jogadores, a maioria deles, têm de adaptar-se às minhas ideias e fazer aquilo que quero. Para mim não é um problema porque mudo essa ideia de jogo.

R – Era aí que queríamos chegar. Essa alteração já é visível...

Derley e Jonas são jogadores mais de posição. O Lima era isso, depois é que se tornou mais móvel

JJ – Sim, já é visível. Jogámos na Alemanha, frente ao Bayer e, dá-me até um certo gozo, quem fez a análise do jogo disse que o Benfica tinha jogado com o sistema habitual de dois avançados o que é mentira. Jogámos em 4x3x3, mas como coloquei um jogador [Talisca], que normalmente é avançado, a fazer outras coisas, já não tiveram capacidade de observação.

R – Isso significa que o sistema de jogo do Benfica pode vir a ser alterado para 4x3x3?

JJ – O Benfica comigo nunca teve um sistema definido. Claro que há um mais visível, quando jogo com dois avançados. Já disse isto no fórum da UEFA na Suíça: a evolução do futebol será cada vez mais como a das outras modalidades coletivas, ou seja, durante um jogo entras com um sistema, mudas para outro e se depois tiveres de voltar a alterar para um terceiro, também o fazes. Esta vai ser a evolução do futebol, mas o Benfica já faz isto há muitos anos, anda à frente há muito tempo.

R – Há um ano, com Rodrigo e Lima, a equipa tinha a movimentação horizontal dos avançados e ambos faziam muitos golos. Com Talisca, que é mais vertical, de entrada no espaço central, o Lima não estará a ser “prejudicado”?

JJ – Não, porque só mudei essa ideia de jogo no ano passado. O Benfica nos quatro anos anteriores jogou sempre com um avançado de referência na área e outro de maior mobilidade. Só quando tirei o Cardozo da equipa, há um ano, é que mudei o posicionamento dos avançados. Mas há jogos em que mantenho a mesma ideia, tem muito a ver com a estratégia para cada desafio, com o tipo de adversário. Para mim não há um sistema. As pessoas falam muito em 4x4x2, 4x3x3, 5x3x2, seja o que for. Não há um sistema perfeito, não há o melhor, há é aquele que cada treinador considera melhor para ele. O sistema é a base de tudo. Mas quem faz a diferença é quem sabe trabalhar em cima do sistema que escolher.

«Os meus filhos dão-me cada 'abada’ na PlayStation...»
 NEM ASSIM GANHOU AO BENFICA
 
 
R – Uma vez, após um jogo, disse que ganhar ao Benfica só na PlayStation. Já alguma vez foi campeão no PES ou no FIFA?

JJ – Não jogo isso. Nem gosto. Os meus filhos às vezes jogam e dão-me cada “abada”... É tudo muito diferente da realidade.

R – Jorge Jesus arriscou muito para ser futebolista, mas acabou por encaminhar os seus filhos para tirarem cursos superiores...

JJ – Não se trata de querer ou não estudar. Um miúdo que jogue no Benfica, Sporting ou FC Porto é praticamente semiprofissional. E não consegue ter o equilíbrio de estudar, porque trabalham todos os dias de manhã. O que me acontecia era que quando ia estudar estava cansado, com sono. Há uns que conseguem, mas são espertos, são aqueles que dizem “aqui não vou chegar lá, vou agarrar-me aos livros”.

R – Teve a preocupação de aconselhá-los a seguirem outro caminho...

JJ – Porque não tinham jeito nenhum para jogar futebol. Os pais, normalmente, fazem dos filhos um totoloto, porque gostavam que dessem jogadores. Eu vi logo que não tinham jeito nenhum e disse-lhes para procurarem outra modalidade, onde pudessem jogar mais vezes, que fosse interessante socialmente e onde soubessem o que é responsabilidade. E foram ambos para o râguebi, modalidade que praticaram durante muitos anos.

«Bimby? A panela de pressão onde se mete tudo»
GOSTAVA DE SABER COZINHAR PARA AMIGOS
 
 
R – Sabe o que é uma Bimby?

JJ – A Bíblia?

R – Já vimos que não cozinha...

JJ – Ah! A panela de pressão onde se mete tudo! Ouço a minha mulher falar nisso, agora não sei fazer um ovo estrelado. Nunca o fiz na vida. Não sei fazer um bife. Gostava de saber cozinhar, de ter o prazer de o fazer para os amigos. Mas não sei. Tive uma mãezinha que se visse um filho a lavar um prato de sopa, dizia logo: sai daí filho, que isso não é para ti. É verdade...

«Escolhia Di María para não sair»
 
 SELEÇÃO DE TRANSFERÊNCIAS ENTRE EX-JOGADORES
 
 
R – Agora um exercício: dos jogadores vendidos na era Jorge Jesus, há um que não sairia do Benfica. Quem seria?

JJ – Uma pergunta inteligente e que nunca me fizeram. Eles são tantos que até posso esquecer-me de algum...

R – Record ajuda numa seleção: Oblak, Ramires, Garay, David Luiz, Coentrão, Javi, Matic, Witsel, Markovic, Di María, Rodrigo e Cardozo...

JJ – Aquele que é mais difícil reunir características como a técnica, velocidade, o facto de ser um miúdo espetacular no dia a dia a trabalhar... se calhar vou ser injusto, mas digo o Di María.

R – E agora a pergunta ao contrário: há algum dos contratados que tenha saído com Jorge Jesus a pensar que podia ter chegado mais longe? Algum deixou um sentimento de frustração?

JJ – Por falta de espaço? Alan Kardec. É o melhor avançado do Brasil, neste momento!

R – O que falhou?

JJ – Não falhou nada no Kardec. Quando fomos buscá-lo ao Brasil tinha 18 anos e apanha Aimar, Saviola, Cardozo, Rodrigo em grandes momentos do Benfica. Ele foi crescendo connosco. Precisava de tempo. E tanto assim é que foi vendido por 4 milhões de euros e custou um milhão, um milhão meio.

Fonte: Jornal Record