sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Rio Ave: caxineiros pela graça de Deus



Santos Graça, etnógrafo dos meados do século XX, consagrou a cultura poveira sob o epiteto "poveirinhos pela graça de Deus". A Póvoa de Varzim é a grande cidade onde se encontra um porto de pesca partilhado também por caxineiros. As Caxinas, hoje a freguesia vila-condense com maior densidade populacional, emergiram em meados do século XIX, quando para ali, e também para a Poça da Barca, se transferiram pescadores poveiros empurrados pelo crescimento urbano.
O grosso dos adeptos do Rio Ave é formado por caxineiros. Vila do Conde é um concelho grande mas são as Caxinas que dão cor ao clube. Foram os caxineiros, pois, os mais efusivos na festa de apuramento para a fase de grupos da Liga Europa.
Um prémio para um clube gerido com tino por António da Silva Campos - e também pelos seus antecessores, sempre sob a supervisão do antigo e futuro presidente da câmara de Vila do Conde, Mário de Almeida -, treinado por um homem ponderado e que sabe do ofício e dirigido no terreno pelo meu bom amigo Miguel Ribeiro (um dos protagonistas desta foto). Um clube que esta época foi reforçadíssimo com a entrada de Marco Carvalho, um puto que conheci nas lides, que acompanhei no seu exórdio como diretor de comunicação do Sp. Braga e que já aqui elogiei pela forma como utiliza as ferramentas disponíveis para divulgar a imagem do clube que representa.



Nas pessoas do Marco e do Miguel aqui ficam os meus parabéns para um clube de que gosto muito e que, acredito, não vai estar na Liga Europa apenas para cumprir calendário. Quem tem a graça de Deus, e o Ukra, assim pode confiar.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

«Sogra de Pinto da Costa foi ao Dragão ver o FC Porto se apurar»



É caso para dizer: uma estreia na tribuna de honra que deu sorte ao FC Porto.
Sem dúvida, um excelente apuramento perante os franceses do Lille.

O futebol português está de parabéns, temos três equipas na fase de grupos da champions league.

Ver todas as fotos, aqui

EXCLUSIVO: Fernanda Pinto da Costa leva a mãe ao Dragão


O FC Porto carimbou na terça-feira a passagem para a fase de grupos da Liga dos Campeões, num jogo marcado pela harmonia no relvado e também no camarote presidencial.
Com o futebol novamente no trilho do sucesso, Jorge Nuno Pinto da Costa também atravessa um bom momento pessoal ao lado da mulher, Fernanda, com os filhos, Joana e Alexandre, sempre por perto. No último encontro, Fernanda Pinto da Costa estava particularmente feliz, pois contou com a companhia da mãe, Raquel França, que veio passar uns dias a Portugal. Mais uma vez, a elegância e simpatia da primeira-dama portista foram muito elogiadas por quem com ela se cruzou em mais uma noite de glória no Dragão.
O FC Porto qualificou-se pela 19ª vez para a fase de grupos da Liga dos Campeões em futebol, ao vencer em casa os franceses do Lille por 2-0, em encontro da segunda mão do “play-off”.
daqui

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Trocas e baldrocas que poderão a todos prejudicar

 
A janela de transferências do verão aproxima-se do fim e o nervoso miudinho dos treinadores vai aumentando, tanto pelo receio de perderem jogadores-chave como perante a perspetiva de verem goradas as negociações por potenciais reforços.

Mas não são só os jogadores que são negociados, também os treinadores recebem a atenção de outros clubes, sobretudo quando terminam uma temporada acima das expectativas. Mas o sucesso num clube nunca serve de garantia que isso se repetirá noutro. No universo lusitano, assistimos a algumas trocas de treinadores que ainda não convenceram ninguém de que o sucesso anterior se virá a repetir e que mais valia deixar tudo como estava.

Do Sporting saiu Leonardo Jardim e entrou Marco Silva. O madeirense rumou ao futebol francês, para orientar os novos-ricos do Mónaco, enquanto que Marco Silva, após duas temporadas brilhantes à frente do Estoril, foi ocupar o lugar vago de Jardim. Por seu lado, José Couceiro, depois de uma boa prestação ao serviço do V. Setúbal, deixou o lugar devido a uma profunda alteração estrutural do clube sadino, indo ocupar o lugar de Marco Silva como timoneiro dos canarinhos. Estas três mudanças ainda não trouxeram, para já, quaisquer resultados práticos aos seus novos clubes.

Leonardo Jardim

Leonardo Jardim levou, acima das mais optimistas previsões, um Sporting a sangrar a um honroso segundo lugar, na temporada transata. O trabalho de Jardim foi tão bom, tendo em conta os modestos recursos, que chamou a atenção dos menos modestos dirigentes do Monaco e acabou por ficar apenas um ano em Alvalade. Rumou ao principado para liderar um equipa que pretende crescer, ajudando no processo a potenciar os enormes investimentos em jogadores como Radamel Falcão, João Moutinho ou James Rodríguez. Já perdeu o colombiano, entretanto contratado pelo Real Madrid e tem aquele que é considerado o melhor avançado do Mundo (Falcão) em constante assédio pelos maiores clubes da Europa. Mas antes de o perder, perdeu os dois primeiros jogos da Liga francesa, em casa frente ao Lorient (1-2), seguindo-se uma copiosa derrota em Bordéus (4-1). À terceira jornada lá surgiu a primeira vitória, em Nantes (0-1), numa altura em que os todos os sinais de alarme já apitavam nas hostes monegascas. Num clube onde o dinheiro abunda, Jardim está a trabalhar sem rede. Só tem o seu talento como garantia, se não conseguir pô-lo em prática, não ficará muito tempo a conviver com as estrelas do reino encantado de Grace Kelly.

Marco Silva

Para substituir Leonardo Jardim veio Marco Silva, o mais novo e inexperiente treinador dos três. É aquele que teve um começo, se não deslumbrante, foi pelo menos mais positivo. Empatou na jornada inaugural, em Coimbra, e ganhou em Alvalade ao modesto Arouca pela margem mínima, através de um golo marcado no último lance do desafio, livrando-se assim in extremis de mais um desaire. Depois de duas temporadas brilhantes ao serviço do Estoril, durante as quais levou o clube da linha a resultados desportivos inéditos, Marco Silva ainda não convenceu os mais exigentes adeptos leoninos, os quais receiam ter em mãos mais um caso "Paulo Fonseca", o jovem treinador portista que não correspondeu às expectativas, conduzindo os dragões a uma época para esquecer. Marco Silva tem muito para pedalar, sobretudo porque o seu melhor ativo, William Carvalho, está sob permanente assédio externo e não parece ter equipa que possa brilhar na exigente Liga dos Campeões, competição em que o jovem treinador tem zero experiência. Uma vitória no dérbi que se avizinha poderá ser o combustível que Marco Silva precisa para encarar o futuro próximo aos comandos dos leões.

José Couceiro

Para o lugar de Marco Silva veio José Couceiro, um treinador experiente mas com resultados desportivos modestos. Também já treinou o Sporting e o Porto, mas numa situação extrema de apaga-fogos após o despedimento de colegas treinadores. Os adeptos do Estoril, embora saibam que Couceiro não tem tarefa fácil ao substituir um "homem da casa" - Marco Silva esteve 7 anos no Estoril - a sua presença começa já a agitar de nervosismo as bancadas do António Coimbra da Mota, sobretudo após o empate com o Arouca e a derrota humilhante, em casa, frente ao Rio Ave (1-5). Couceiro vai mantendo a auto-confiança, dizendo que foi-lhe pedido que "fizesse o melhor possível em ano de transição", mas dificilmente deverá tornar uma equipa de ilustres desconhecidos no adversário temível que era quando o Estoril tinha Marco Silva aos comandos.

Não deverá demorar muito tempo até se definir o futuro destes três treinadores que vivem neste momento sob o olhar atento de dirigentes e adeptos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Até que o Rui Santos estava a ter razão...

...no que afirmava sobre os investimentos do Benfica de um ano para o outro.
 
Mas, no meu ponto de vista, o que se passou foi o culminar de situações anteriores, ou melhor dizendo, de programas anteriores onde a 'coisa' já vinha acesa em demasia.
Verdade seja dita, o Rui Santos desta vez teve alguém que o pôs no seu devido lugar.
 
Se não fosse ontem António Simões, seria noutro dia Rodolfo Reis - na minha opinião, o melhor comentador de futebol afecto ao FC Porto.
o pior?, aquele 'gajo' da CMTV afecto ao Benfica - o tal 'gajo' da cabeça grande que não entendo como 'anda' nesta lides.



 
simões por sovideospolemicos

sábado, 23 de agosto de 2014

Quaresma não tem lugar na organização de Lopetegui



Por muito que nos custe vivemos num mundo hierarquizado.
 
Podem argumentar que o desporto da moda no mundo do trabalho é o team building mas a verdade é que tudo continua a funcionar como funciona há muitos anos, ou seja, há sempre uma hierarquia para respeitar, digamos, uma organização.
 
Tal como as formigas, de que se distinguem por ter uma menor capacidade de trabalho mas uma significativa maior inteligência, os homens são gregários e a ilusão de harmonia apenas se consegue através do uso de fórmulas básicas.
 
Na parte que me toca demorei um bocadinho a perceber que não ia lá apenas com as minhas ideias e antes de tal acontecer bati muitas vezes contra o muro. Podemos não gostar mas é com isto que temos de viver. Ricardo Quaresma ainda não percebeu que é assim. Lopetegui foi rápido a apontar-lhe o caminho.
 
Já aqui tinha dito, a propósito do jogo de estreia do FC Porto no campeonato, que o RQ 7 trazia caos à organização do FCP de Lopetegui.
 
Em Lille ficamos a saber que é um pouco mais que isso. Ricardo ferve em pouca água e precisa de perceber que nem o CR7 é insubstituível - quando acabar, outro ídolo se levantará.
 
Acho que ainda há margem de manobra para Quaresma permanecer no FC Porto mas também acredito que mais tarde ou mais cedo a corda vai voltar a partir.
 
Também no futebol a organização e o coletivo prevalecem sobre a personalidade e o criativo. Os fenómenos de genialidade são episódicos e muitas vezes estão mal identificados.

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Bem-vindo Nani!

É sempre bom quando vemos regressar ao futebol português (neste caso, ao Sporting) um dos nossos melhores jogadores de futebol. Bem-vindo Nani!


domingo, 17 de agosto de 2014

Foi o jogo possível...



O Benfica desta vez iniciou um campeonato a vencer na primeira jornada, 2-0 ao Paços de Ferreira.
 
Não foi um jogo sempre bem jogado, mas deu para ver que o modelo de jogo da época passada continua lá e algumas rotinas também.
Houve períodos de jogo de grande espectacularidade com trocas de bola constantes e com boa posse da mesma, controlando o jogo da maneira que acharam melhor.
 
Poucos aspectos me preocupam nesta equipa encarnada, mas existem alguns:
 
Jardel não é central para substituir Garay e Lima necessita urgentemente de Derley ou outro avançado ao seu lado.
Caso Enzo não continue, Talisca deve recuar (o 'homem nas costas' de Lima não rende tanto como quando recua para o miolo do meio-campo) e, aí sim, vamos ver quem pode fazer dupla com Lima.
Gostei de Eliseu, falta alguns acertos tácticos mas ele chega lá.
 
Em relação ao Paços de Ferreira pouco há a dizer, fizeram o jogo possível e, ficou-se a saber que Paulo Fonseca também gosta do 4-4-2 como sistema táctico para o seu modelo de jogo.

«onzes e sistemas prováveis de Benfica e Paços de Ferreira»

sábado, 16 de agosto de 2014

Nada o fazia prever...



...o empate do Sporting em Coimbra, depois do que se passou até ao intervalo.

Um Sporting que entrou com tudo, jogando um excelente futebol e criando oportunidades de golo em número suficiente para chegar ao 'dito' intervalo com mais do que um golo de vantagem.

Depois, a seguir ao intervalo, foi outro jogo!, a Académica equilibrou e William Carvalho foi expulso.
Daí em diante, deu mais Académica e os homens da briosa chegaram ao empate já no tempo de compensação com todo o merecimento. Foi pena Carrillo (um dos melhores em campo) ter aliviado tão mal 'aquela' bola para a zona de morte e do colega Paulo Oliveira também não ter feito melhor, mas a Académica pelo que fez na segunda parte merecia o empate.
Paulo Sérgio (que já muito aqui critiquei) está muito melhor treinador, os anos vão passando e ele melhorando. Só os burros não aprendem.

O futebol é isto, simples, só se ganha marcando mais golos, hoje, foi um golo para cada lado e deu empate. O resto é conversa para boi dormir...

«onzes e sistemas prováveis de Académica e Sporting»

FC Porto cumpriu com o planeado...



No primeiro jogo oficial da época, o FC Porto cumpriu com o planeado pelo seu 'novo' treinador - vitória por 2-0 ao Marítimo e a conquista dos três pontos.

Foi este o FC Porto que vi:

1) Com um plantel em reconstrução, foi positivo verificar que no sector defensivo as únicas duas mudanças relativamente ao núcleo duro da época passada tiveram aproveitamento satisfatório.
Fabiano não comprometeu, embora me pareça que o guarda redes espanhol será o titular.
Martins Indi teve pormenores de grande jogador, já o tínhamos verificado no último mundial ao serviço da laranja mecânica.
Neste momento na defesa, este FC Porto é a equipa mais forte dos 'três grandes'.

2) No sector intermédio é que já houve mais mudanças e foi com enorme satisfação que observei o jogo do 'menino' de 17 anos - Rúben Neves. E, logo com um golo na estreia.
Mais uns meses a titular, com esta prestação e está lançada a confusão entre os meus amigos portistas e sportinguistas.
Quem será o 6 de Paulo Bento na selecção? Ele ou William Carvalho? A discussão no facebook promete.
Oliver Torres?! Hum,...será que vem aí um 'novo' Deco?
Condições para crescer, ele tem, mas já é um excelente jogador para a liga portuguesa.
Neste sector, o único que se manteve da época passada foi Herrera - não gostei da prestação no jogo de ontem, mas nem sempre se pode agradar a todos.

3) No ataque, uma única alteração, entrada de Brahimi para a esquerda e, mais um reforço que gostei.

Este FC Porto ainda tem muito trabalho pela frente, se bem que, o mais urgente neste momento é trabalhar as saídas rápidas para o ataque.
Foi visível por diversas vezes que Quaresma por um flanco e Brahimi por outro, tiveram que esperar para chegar mais alguém à área adversária - só lá estava Jackson Martinez e por vezes também se 'atrasava'...nem sempre houve 'condições' para cruzamentos de 'primeira'.
Mas, atenção, um modelo de jogo e rotinas consolidadas não se conquistam de um momento para o outro...há muito 'caminho' pela frente e este plantel está em reconstrução.
 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

«Aguardando pelo início do campeonato»

«onzes e sistemas prováveis de FC Porto e Marítimo»

Tem hoje início mais um campeonato da I Liga, FC Porto e Marítimo dão o pontapé de saída.
 
Aqui ficam os onzes e sistemas prováveis de ambas as equipas:



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A saída de Defour. E a transferência de Mangala foi (ainda!) melhor do que o esperado!

Defour não foi uma má contratação do FC Porto, foi uma contratação que não funcionou. 6 milhões de euros por um médio internacional belga, capitão do Standard, que era uma paixão antiga de Alex Ferguson e que já se perfilava como sucessor de Moutinho. Tinha tudo para dar certo. Na altura, não há-de ter havido muita gente insatisfeita com o negócio, uma vez que a transferência até saiu mais barata do que o expectável, fruto de ser negociada nos mesmos moldes e ao mesmo tempo que Mangala.

A melhor solução
Jogou a médio defensivo, a 8 e a extremo, mas sem nunca passar o campo da utilidade. Infelizmente, não era tão bom jogador como os adeptos esperavam. Nem é tão bom jogador como ele próprio pensa, motivo pelo qual sempre reagiu mal ao estatuto de suplente (na cabeça dele, uma coisa seria ser suplente de um dos melhores médios do mundo, Moutinho, outra seria ser suplente de um ex-Estoril ou ex-Paços de Ferreira). Esteve para sair em janeiro, mas ficou devido à saída de Lucho. Acaba por sair na altura necessária, no negócio possível.

Os 6 milhões de euros comunicados à CMVM dizem respeito à totalidade do negócio. A SAD só tinha 56,67% do passe, sendo que já tinha recebido 2,35 milhões por uma alienação de 33%. Há também 10% da receita líquida que tinham sido atribuídos à Robi Plus há 3 anos - situação ainda aplicável? Será que sim? Vamos aguardar.

Resta desejar boa sorte a Defour, cuja saída é também uma boa notícia para a folha salarial (pesava excessivamente na relação custo/rendimento) e para a harmonia num plantel onde vários internacionais vão ter que saber (também) conviver com o banco. Defour mostrou que, para ele, o «eu» é mais importante que o «nós». Jogadores assim dificilmente serão felizes no FC Porto e, sobretudo, recordados.

Jackson Martínez e a escolha de palavras

Luiz Henrique Pompeo vai receber «5% do valor líquido resultante da transferência a título definitivo dos direitos de inscrição desportiva» de Jackson Martínez. Foi este o comunicado do FC Porto à CMVM. Repare-se que não fala de «uma futura transferência», nem de «uma eventual transferência». Referem-se diretamente ao valor líquido «da transferência».

Jogador de cabeça
lavada. E o resto?
O empresário brasileiro apresentou-se no início do ano como representante de Jackson, substituindo Luís Manuel Manso. Não arranjou propostas para transferências (só Atlético e Valência se chegaram à frente e não foi através dele) e agora... lucra. Que mais jogadores agencia ele? 

Os 5% não advêm da renovação, mas sim da transferência. Se a parcela a receber de 5% fosse parte do acordo de renovação, teria certamente que ser anunciada assim que a renovação de Jackson tivesse sido comunicada à CMVM. Não é o caso, portanto é já a pensar «na» transferência, esperando-se apenas que este valor seja deduzido dos encargos quando o negócio se concretizar - outra coisa não seria aceitável por um jogador que tinha contrato.

Infelizmente, é uma péssima escolha de palavras (se é que foi apenas isso) da SAD, ao atribuir 5% «da transferência» de Jackson (novamente, não de uma possível, nem de uma eventual, mas sim «da transferência»), dar um negócio como certo numa altura em que o jogador renovou e está motivadíssimo para a nova época, com a braçadeira e no topo da folha salarial do clube. Para já, há uma época inteira para lutar por 5 objectivos colectivos, sendo Jackson parte essencial desse plano. Depois de tantos pedidos para que o jogador se focasse no que se passa dentro de campo e deixasse de pensar numa transferência, seria bom que quem rodeia Jackson também começasse a pensar mais no jogador e menos no activo.

Mangala, a maior notícia de todas
Subitamente, fez-se luz na imprensa desportiva, generalista e económica. Já é sabido há meses que o passe de Mangala era dado como garantia num empréstimo bancário do BES, tanto que abordámos esse tema há dois meses e também no mês passado. Nunca nenhum jornal se lembrou de pegar no tema, mas de repente publicações que nem sabem a diferença entre transferências e mais-valias falam fluentemente sobre o BES e o FC Porto.

Mangala, a cada dia
um negócio melhor
Porque o BES está na ordem do dia, talvez seja altura de trocar de protagonista, para variar. Dá um certo jeito, sobretudo quando a crise do BES vai ser novamente invocada para a saída de mais um para o Valência. Mesmo ignorando por completo a hipótese de renegociação. Mas então esperem lá: não é que o negócio do Mangala foi ainda melhor do que pensávamos!?

Quem diz que os 30 milhões de Mangala foram direitinhos para o BES consegue fazer do negócio ainda melhor do que já era: então o Manchester City pagou 30 milhões a pronto a um clube português??? É inédito em toda a história do futebol nacional. 30 milhões a entrarem de uma vez numa SAD de um clube português!? Oh amigos, a verdadeira notícia está aqui!

Afinal, o negócio ainda é melhor do que pensava: 30 milhões (ou 30,5, para ser mais claro) a bater de uma só vez na SAD. Uma vez mais, o FC Porto consolida o estatuto de clube que melhor vende em todo o mundo. E desta vez, não foi ninguém do FC Porto a dizê-lo, mas sim os inúmeros jornais e comentadores que «anunciaram» que o City pagou Mangala a pronto. Obrigado, porque desta não sabia!

PS1: Confirma-se que David Bruno foi inscrito na Liga dos Campeões, conforme tinha sido especulado aqui. Está no FC Porto desde os 9 anos e só esteve uma época emprestado ao Trofense. Tendo em conta que Victor Garcia não pertence ao FC Porto, pode vir a ser um lateral-revelação ou servirá apenas para fazer número?

PS2: «Casemiro é bom, mas não é 6». «Clasie é bom, mas não é 6». «[Inserir nome de jogador apontado ao FC Porto] é bom, mas não é um 6». Uma ideia: quando chegam à conclusão que se não é 6, é porque Lopetegui não quer um 6?
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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

E foi uma vitória muito suada...

...a de ontem, do Benfica no primeiro jogo oficial da época frente ao Rio Ave.
Mas, como diz 'outro', o que conta são os títulos e este é mais um para os homens da luz.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

«Está farta do mercado de transferências»

Óscar Cardozo não marcou golos em 122 jogos pelo Benfica



Acho engraçado os 'orgasmos' que por aí andam com saudades de Óscar Cardozo.
 
Dizem 'eles', que, Tacuara Cardozo marcou 171 golos em 293 jogos e foi um dos melhores pontas de lança que passou pelo futebol português.
 
Eu, também, vou 'entrar na brincadeira, com números - Cardozo esteve 122 jogos sem marcar um único golo numa equipa que luta por títulos como é o caso do Benfica, uma das melhores equipas europeias em toda a sua história. Comparem com Jardel e outros mais e depois falamos.
 
P.S. E, nem vale a pena saber o porquê deste ponta de lança nunca ter dito uma frase em português para a comunicação social deste país em 7 anos que cá esteve,...enfim, não é o único!!!

sábado, 2 de agosto de 2014

Clubes vão inchar até... arrebentar

PRESSÃO ALTA

A queda do império Espírito Santo é um bom ponto de partida para entendermos a lógica de funcionamento das “famílias” que colonizaram Portugal como um país incapaz de se mover para além do espartilho. Quantos portugueses, pertencentes à casta de uma certa “intelligentzia” nacional, não eram amigos (com e sem aspas), compadres ou meramente dependentes de uma ala espírito-santense? Entre esses portugueses, dos que habitam no centro ou na periferia da classe política, nos grandes escritórios de advogados, na comunicação social, em importantes nichos empresariais, e também nos clubes de futebol, quantos escaparam à tutela? Quantos não beneficiaram de financiamentos excepcionais ou de favores impagáveis?


Foi preciso Portugal rebentar do processo de engorda artificial, alimentado anos a fio e não poder disfarçar mais os sinais comprometedores de bancarrota, para a verdade se revelar de uma forma brutal. As imparidades e as engenharias do sistema bancário fazem parte dos mesmos traços sintomatológicos que contaminam as organizações e as lançam em direcção do colapso. Já se percebeu há muito que o busílis está na natureza da regulação. A regulação (ou a falta dela) é o grande tema deste século. Durante muito tempo, beneficiam sempre os mesmos mas há um momento em que todos pagamos a factura.


A tolerância perante o crime coloca em causa todo o sistema social. No futebol também é assim. Estamos a falar, afinal, das lógicas de fortes corporações, que não admitem – até ao limite do imaginável – o tolhimento das suas dinâmicas. O denominador comum: abuso de certas práticas e rejeição da regulação.


O sistema bancário, em parte, também é responsável pelo estado a que o futebol chegou. Também é responsável pela desconformidade da gestão nos clubes, antes e depois do advento das SAD. Alimentaram a megalomania e o desperdício – e contribuíram para a exaustão financeira do tecido clubístico em contraponto com a engorda de certos protagonistas. Em casos emblemáticos, a gestão dos clubes/SAD já se confundia com a gestão dos próprios bancos. Com intromissões várias. O Sporting esteve à beira do colapso e encontra-se numa situação difícil de reverter. O Benfica e o FC Porto, mesmo com muitas vendas, refugiam-se no argumento do “passivo gerível”. Gerível até quando?


E aos pequenos cabe o papel de “bombos da festa”, amarrados de pés e mãos.


Apesar de todos os sinais de alarme, agravados com o fim do ciclo do financiamento bancário, continuámos a assistir – neste tempo de preparação da época 2014/15 – à exibição dos mesmos caprichos sistémicos. É inacreditável como o Benfica conseguiu desmantelar a equipa que se sagrou campeã nacional e se mostra disponível para contratar, contratar, contratar, quando se percebe que alguns dos contratados não mostram qualidade superior a jovens jogadores portugueses que tardam a encontrar espaço no futebol dos encarnados.


É também difícil de compreender que o FC Porto, em vez de desmantelar ou reequacionar os mecanismos internos na área das transferências de jogadores, tenha “entregue” o futebol a um treinador espanhol de créditos pouco firmados (Julen Lopetegui), mesmo que isso tenha correspondência num certo virar de agulha em relação às habituais dinâmicas de intermediação.


Até o Sporting, o primeiro “grande” a fazer marcha-atrás relativamente ao emagrecimento da estrutura de custos, parece duvidar da vocação de clube formador e foi “pescar” fora do contexto das suas “águas territoriais”.


Parece-me claro que, por este andar, é uma questão de tempo: vai acontecer aos clubes aquilo que já aconteceu a alguns bancos. De tanto inchar, vão acabar por rebentar. E vão rebentar porque estão agarrados à droga que se consome na orgia das transferências...


É neste ambiente que se enquadra a crise que se instalou na Liga. Não é uma crise da Liga, atribuível a este ou àquele presidente. É uma crise institucional do futebol português. É uma crise que revela a escassez de argumentos. É uma crise que denuncia o umbiguismo dos protagonistas. É uma crise que demonstra que esta e outras corporações estão no limite da sua capacidade de resposta. É o paradigma que está em causa. Faliu. As intenções de os clubes (“grandes”) se sentarem à mesa não é nada porque o bloqueio prossegue. Talvez seja importante reflectir nas palavras de Carlos D. Pereira, presidente da AG da Liga: “Quem não quiser entrar no sistema e na roleta deles, quando puser o pé no risco vai imediatamente para o assador.”


Só queria perceber entretanto como é que bons ordenados de administradores dão para vidas tão faustosas. E aqui estamos de volta aos interesses da corporação, aos silêncios, às ameaças e às (teatralizadas) indignações.


Ai arrebenta, arrebenta...


O JARDIM DAS ESTRELAS - ****


Para quê?


A Selecção de Sub-19 perdeu a final do Europeu com a Alemanha, adversário claramente superior, mas fez uma boa campanha e apurou-se para o Mundial. Mantém-se a lógica: Portugal tem bons jovens jogadores mas os bons jogadores são obrigados a emigrar, na falta de oportunidades e na ausência de uma política que os proteja. Siga-se o caso de João Teixeira, no Benfica... Vale a pena ser talento em Portugal?... Que interessa ser ‘revelação’ se depois o caminho está todo minado, propiciando a exclusão?...


O CACTO


"Bad" Dier


Com apenas 20 anos de idade, Eric Dier é um daqueles jogadores que não engana. Tem um grande potencial e uma boa margem de progressão. Concordo que um clube ou uma SAD não podem ficar reféns de jogadores e empresários ou outro tipo de intermediários. O Sporting tem, no entanto, uma longa história de jogadores jovens mal rentabilizados e se é verdade que, lapalicianamente, 5M€-são-5M€, também é verdade que este é um dos tais jogadores que poderia render muito mais dinheiro aos cofres leoninos. Nem o Sporting nem nenhum outro clube devem submeter-se a desenlaces destes, sob pena de colocarem em causa a natureza da gestão desportiva e financeira das suas organizações. Dier é muito melhor do que Maurício e, a menos que esteja muito enganado, Maurício nunca será vendido por um preço semelhante...


Um mau exemplo, a vários níveis. Um ‘bad’ Dier.
Rui Santos no jornal record