segunda-feira, 28 de abril de 2014

Le(ã)o Jardim

 
 
 
Embora muita coisa tenha mudado nos estádios e nas redações, por vezes ocorre a oportunidade para treinadores e jornalistas se conhecerem e trocarem ideias sobre ludopédio.
Com Leonardo Jardim tive esse privilégio sobretudo quando o apanhei no Sp. Braga e graças ao meu amigo Carlos Oliveira, colaborador do Record em Aveiro e um dos poucos com lugar no helicóptero do treinador madeirense. Aliás, foi o próprio Carlos quem "inventou" o helicóptero, quando, numa das muitas tertúlias com Jardim, no tal cantinho que o treinador continua a ter num restaurante junto aos canais da ria de Aveiro, falou da guerra ultramarina e do facto de num heli de guerra só entrar quem é da nossa absoluta confiança.
Jardim tarimbou em clubes insulares e agarrou com as duas mãos a primeira oportunidade que teve para treinar no continente. No caso, no continente profundo, em Trás-os-Montes, onde orientou o Desportivo de Chaves, que guindou à 2.ª Liga, deixando a base da equipa que depois foi à final da Taça de Portugal. A caminho de Aveiro ainda passou por Barcelos mas alguma coisa correu mal com António Fiúsa. Em Aveiro, subiu de divisão e continuou para sair em janeiro quando estava a fazer uma grande campanha. Logo aí se disse que teria tudo acertado com o FC Porto mas acabou por ir para Braga, onde voltou a fazer um trabalho positivo, até que a corda partiu no jogo de forças com Salvador. Seguiu-se mais de meia época no Olympiakos e uma saída esquisita - mesmo assim, Jardim foi campeão grego, o que Fernando Santos não conseguiu, embora nunca tivesse treinado o crónico campeão grego da última década.
Jardim é um homem de poucas falas e poucos sorrisos, mesmo quando está entre amigos. É uma daquelas pessoas que parecem não estar cá mas que apanham tudo. De aí a sua gestão G.A.L.O., que até já apresentou em pública. A chamada gestão andando de um lado para o outro, que passa por chegar ao estádio duas horas antes do início do treinador e começar a andar de um lado para outro para falar com quem se vai encontrando, da mulher da limpeza ao goleador. E o mesmo no final do treino. Leonardo não é fã de gabinetes, o que é um estranho num país onde qualquer badameco com galões a primeira coisa que pede é um gabinete, um candeeiro de mesa e um secretária onde se podia jogar ping-pong, para além da cadeira ergonómica - o problema é que nem a cadeira garante tudo nem a mesa serve para o que devia servir.
Contou-me o Carlos que num dos primeiros treinos de Jardim em Aveiro aconteceu isto: mandou fechar a cadeado a porta de acesso ao relvado, de forma a não permitir que os dirigentes entrassem no relvado enquanto a equipa trabalhava. A mensagem foi imediatamente percebida.
Não sei o que fez entretanto Jardim na academia mas de certeza que já lá deixou a sua marca, ele que era o preferido de Antero Henrique - hoje tão criticado pelos suas opções como CEO (ainda não sei muito bem o que é isto) portista - para suceder a Vítor Pereira (que não gostava nada de o ver no camarote do Dragão).
Num ano apenas, Leonardo Jardim devolveu ao Sporting a mística, a crença e a qualidade. Este renascimento dos leões não é obra de Bruno de Carvalho. O presidente tem o seu mérito mas sem Jardim não haveria um Sporting remoçado e renovado.
Por isso, quando tanto se fala no prolongamento do contrato de Leonardo é ridículo dissertar sobre mais dez ouvinte mil euros na folha mensal. Leonardo Jardim vale o que pesa em ouro. É um galo com dentes de leão.
Uma fera que ferra mas também um homem simples e bom. Como poucos.
Gosto muito dele.
Post de Eugénio Queirós, aqui

«a viagem do Real Madrid para a Alemanha»

Alemanha: O melhor de dois mundos ao encontro do tetra

VENCER MUNDIAL FORA DA EUROPA É META ALEMÃ
 
Mesut Ozil é a figura dos germânicos.
Os jogadores de Bayern e Borussia Dortmund, finalistas da Champions em 2012/13, constituem a base da seleção alemã que aborda o Mundial como inequívoca candidata ao título. A final de Londres foi o culminar de um processo de transformação levado a cabo pela federação e pelos clubes germânicos após a humilhante derrota diante de Portugal (0-3) no Euro’2000.

 
Se é certo que a identidade da máquina vencedora em que Heynckes transformou o colosso de Munique parecia decalcada do futebol a todo o gás de Klopp, hegemónico dentro de portas em 2010/11 e 2011/12, a chegada de Guardiola metamorfoseou o modelo de jogo do Bayern sem perder o registo demolidor. A intensidade máxima, a pressão alta avassaladora, a enorme competência na organização e transição defensiva, e a capacidade para realizar contragolpes fulminantes caracterizam o Dortmund de Klopp e eram a imagem do Bayern de Heynckes. Com Guardiola, os bávaros arrumaram a cultura alemã, encontrando no culto da posse de bola e na reação agressiva à perda da mesma a melhor forma de impedir o venenoso contra-ataque rival. O catalão adiu ainda a importância da subida harmónica da linha defensiva em busca do fora-de-jogo, as permanentes trocas posicionais, a perfuração interior dos laterais, e a relevância da participação do guarda-redes-líbero na construção.

É este o legado que Löw receberá a caminho do Brasil. O sucesso poderá estar à distância da manutenção da fiabilidade que tornou a Mannschaft em candidata ao triunfo em grandes competições, e da perceção que poderá conciliar o melhor de dois mundos, o grande desafio para quem levou a seleção a três meias-finais – Mundial’2006 (como adjunto), Mundial’2010 e Euro’2012 – e a uma final perdida (Euro’2008).

A ESTRELA: Mesut Ozil

Tecnicamente assombroso, assume ações de condução e de desequilíbrio, em que tira partido da sua agilidade, mobilidade, velocidade e poder de drible, com a mesma facilidade com que abre ruturas nas defesas através de passes milimétricos, explorando a soberba leitura de jogo. Bom executante de lances de bola parada, o canhoto apresenta, mesmo preferindo o último passe, predicados como finalizador.

O TREINADOR: Joachim Löw

Assumiu, após o Mundial’2006, a sucessão de Klinsmann, de quem foi adjunto. Adepto do futebol tecnicista e ofensivo, procurou mudar o estilo da Mannschaft, mas a falta de títulos faz com que não seja consensual. Joga o seu futuro no Brasil.

Uma máquina de ataque

 
As recuperações de Khedira, Mario Gómez e Gündogan, jogadores que passaram grande parte da época lesionados, às quais se juntam vários infortúnios de menor gravidade, o mais recente com Klose, estão a dificultar as decisões de Joachim Löw, que já assumiu que o capitão Lahm será utilizado como médio-centro.

O 4x2x3x1, com variações para 4x3x3, é o sistema preferencial do selecionador, que conta com inúmeras soluções de grande qualidade e versatilidade do meio-campo para a frente, o que até abre a perspetiva da utilização de um falso “9” como Mario Götze ou Thomas Müller.

Verdadeira máquina de futebol ofensivo capaz de assumir um futebol apoiado objetivo, a Mannschaft também se revela demolidora no contragolpe e a aproveitar lances de bola parada laterais ou diretos. Os grandes desafios de Löw serão, além da difícil gestão de egos, conciliar o modelo alemão com o do Bayern de Guardiola, e melhorar a consistência de um sector defensivo pouco coeso e rotinado, capaz de cometer erros posicionais primários.
Rui Malheiro no jornal record

domingo, 27 de abril de 2014

Argélia: Raposas do deserto com sede de vitória

ARGELINOS NUNCA ATINGIRAM 2.ªFASE DE UM MUNDIAL
O efervescente Molinón, em Gijón, foi o palco da estreia da Argélia em fases finais do Mundial. Defrontar a emproada RFA, campeã europeia e favorita à conquista do troféu, afigurava-se como um debute ciclópico para as raposas do deserto. A resistência hercúlea e a superação do medo, fruto de uma boa organização defensiva e de um imenso espírito coletivo, abriram as asas de um sonho inverosímil que se começou a esboçar quando o endiabrado Djamel Zidane, tio de Zinedine, conduziu um contra-ataque e encontrou, com um passe de rutura, Belloumi. Schumacher negou-lhe o golo, mas o mágico Madjer, a 1.807 dias de assinar o calcanhar de Viena, endereçou a recarga para o fundo das redes.

Os alemães, que tinham gozado, dois dias antes, uma bela tarde de praia, ficaram atónitos. O tento do empate, pelo oportuno Rummenigge, sugeria a reviravolta, mas 23 toques na bola bastaram para Belloumi recolocar a Argélia em vantagem. Seguiram-se 23 minutos de sofrimento para selar o primeiro triunfo de uma seleção africana sobre uma europeia num Mundial, e só o indecoroso pacto de não-agressão austríaco-alemão na derradeira ronda obstou a que os argelinos, com 6 pontos em três jogos, atingissem a 2.ª fase.

Quatro anos depois, no México’1986, a Argélia tombou na fase inicial sem vitórias e sem fulgor, o que se repetiu em 2010, após um penoso hiato de 24 anos sem fases finais. O bósnio Halilhodzic assumiu o comando, em junho de 2011, de uma seleção desmoralizada e a carecer de renovação, o que foi o mote para a inclusão progressiva de franco-argelinos espalhados pelo futebol europeu. Se a participação na CAN’2013 roçou o desastre, o apuramento para a Copa mostrou uma seleção solidária, combativa e com uma vontade indómita de conquista.

Perigo nas bolas paradas

Vahid Halilhodzic tem apostado num 4x3x3 cauteloso, episodicamente desdobrável em 4x2x3x1, mas poderá ser obrigado a reajustar o sector defensivo, fruto do exercício inconstante de alguns titulares. O aproveitamento de bolas paradas laterais, direcionadas a Slimani, Bougherra e Medjani a partir de qualquer ponto do meio-campo ofensivo (Taïder, Ghoulam, Feghouli e Kadir são ótimos executantes), é a grande arma dos argelinos, venenosos a explorar contragolpes, em que solicitam a velocidade de Soudani, Feghouli ou Ghilas, e com argumentos razoáveis a praticar um futebol direto que tem Slimani como referência, em contraste com a previsibilidade que patenteiam quando são obrigados a assumir o jogo.

Ao nível defensivo são notórias as deficiências posicionais na saída para fora-de-jogo e a preencher o espaço entre a linha defensiva e intermediária. O sector mais recuado da seleção argelina sofre bastante em velocidade e agilidade, e o guardião M’Bolhi exibe lacunas nada congruentes com este patamar competitivo.

A estrela: Sofiane Feghouli

Halilhodzic defende que a estrela é o coletivo e, apesar do lugar-comum, tem alguma razão. Contudo, o futebol subversivo do instável médio-ala do Valencia cativa e é diferenciador. Destemido a assumir ações de condução e a promover desequilíbrios, alia velocidade, agilidade e aceleração à qualidade no drible. Exibe argumentos no capítulo das assistências e também predicados no remate com o pé direito.

Treinador: V. Halilhodzic

Melhor marcador, em 1983 e 1985, da Ligue 1, o ex-avançado bósnio tem um trajeto instável como treinador. Venceu a Taça dos Campeões Africanos pelo Raja (1997) e levou Costa do Marfim (2010) e a Argélia (2014) ao Mundial.
Rui Malheiro no jornal record

uma época de sonho!

Parabéns a Jorge Jesus e ao Benfica! tem mérito por tudo o que estão conseguindo esta época.
 
como se diz pelos meus lados, é necessário ter os 'ditos cujos' no lugar para ir ao dragão com pouquíssimos titulares e ser apurado para mais uma final de uma taça.
 
e, mais uma vez, jogando com 10 jogadores contra o FC Porto. num mês, é a segunda vez que 'arruma' com o FC Porto.
 
num ano, passou de besta a bestial - não para mim, que escrevi por diversas vezes que este treinador tinha que continuar para bem do Benfica.
 
no FC Porto, há que repensar bem tudo o que se passou no dragão esta época pela sua estrutura.


«onzes e sistemas oficiais de FC Porto e Benfica»

aguardando pelo FC Porto - Benfica

Coreia do Sul: Os meninos elétricos do grande líder Hong

"OITAVOS" SÃO A META PARA OS COREANOS
 
O apuramento sofrível para o Mundial, com a qualificação direta a ser afiançada atrás do Irão e por uma parca vantagem de um golo sobre o Usbequistão, fez ecoar os sinais de alarme e conduziu ao afastamento de Choi Kang-Hee, treinador controverso que criou fraturas no grupo e se envolveu em polémicas dispensáveis com Carlos Queiroz e a federação iraniana. Quando tudo apontava para que o sucessor fosse um técnico estrangeiro, Hong Myung-Bo aceitou colocar em causa o estatuto de herói nacional e arcou o desafio de reestruturar uma seleção em queda.

Jogador mais internacional de sempre da Coreia do Sul e primeiro asiático a disputar quatro fases finais sucessivas de Mundiais, Hong, um devoto da escola holandesa, esteve presente em dois dos grandes feitos do futebol sul-coreano: o 4.º lugar no Mundial’2002, onde era capitão e líder da equipa, e o bronze olímpico em Londres’2012, o seu maior êxito na curta carreira como técnico. Na apresentação como selecionador, Hong Myung-Bo transmitiu a sua ideia-chave: “uma equipa, um espírito, um objetivo”, alertando para que ninguém sentisse o lugar garantido e que seria necessário colocar os interesses do coletivo permanentemente à frente dos individuais.


A estreia na Taça Este-Asiática, concluída sem qualquer triunfo e com apenas um golo marcado em três jogos, foi dececionante, mas abriu espaço para encetar um inevitável processo de rejuvenescimento. Entre agosto de 2013 e março de 2014, os sul-coreanos disputaram 11 particulares – 5 vitórias, 1 empate, 5 derrotas –, utilizaram cinco dezenas de jogadores, e encontraram a equipa-base, bem diferente da que disputou o apuramento, para a Copa. O objetivo da 8.ª participação seguida num Mundial é alcançar a 2.ª fase, repetindo os feitos de 2002 e 2010.


Sempre ligados à corrente


O 4x2x3x1 é a casa de partida de Hong Myung-Bo, técnico com elasticidade para transformar o sistema, sem fazer substituições e recorrendo à versatilidade dos jogadores, em 4x4x2, 3x5x2 ou 3x4x3. O contragolpe é a grande arma dos elétricos sul-coreanos, muito incisivos a explorarem as desmarcações dos móveis Park e Son – capaz de protagonizar boas iniciativas individuais, sobretudo na sequência de diagonais – a partir de passes de rutura.


Além disso, a seleção asiática é uma equipa capaz de praticar um futebol apoiado, mesmo que se denotem carências de objetividade e precipitações típicas de quem tende a privilegiar a vertigem e a verticalidade, e que aproveita bem lances de bola parada laterais, por norma direcionados ao segundo poste.

Sagazes em ações de pressão, o que garante uma reação satisfatória à perda e à recuperação da bola, os diabos vermelhos denotam insuficiências defensivas, principalmente a nível posicional – erros nas saídas para fora-de-jogo – e no jogo aéreo – bola corrida ou parada.

A estrela: Son Heung-Min

Protagonista de um ótimo exercício no Bayer Leverkusen, clube que investiu 10 milhões de euros na sua aquisição, o extremo ou segundo avançado, de apenas 21 anos, é fortíssimo a explorar contra-ataques, ao juntar mobilidade, velocidade e aceleração a bons argumentos no drible, agilidade e agressividade. Com sentido de baliza e capaz de definir com os dois pés, tem registado progressos no último passe.

O treinador: Hong Myung-Bo

O lendário líbero, um dos melhores jogadores asiáticos de todos os tempos, assumiu, em junho de 2013, o comando da seleção, depois de dirigir os sub-20 e os sub-23, que conduziu a um histórico bronze olímpico em Londres’2012.
Rui Malheiro no jornal record

sábado, 26 de abril de 2014

Rússia: Reorganizar e italianizar com 2018 no horizonte

FORMAÇÃO DE CAPELLO SONHA CHEGAR AOS "QUARTOS"
 
 
O futebol da seleção russa, com Capello ao leme, perdeu espetacularidade e ganhou consistência defensiva, fruto de um aparente incremento tático e mental. O Brasil será o palco ideal para comprovar a metamorfose italo-russa e recuperar, a quatro anos do seu Mundial, o prestígio perdido.

“A cabeça é o motor da vitória, e não as pernas.” Foi esta a frase-chave da apresentação de Fabio Capello, em julho de 2012, como selecionador russo. A eliminação na fase de grupos do Euro’2012, onde a aposta do holandês Dick Advocaat num futebol de cariz ofensivo redundou num fracasso, tornava premente a necessidade de efetuar um intenso trabalho psicológico com um grupo de jogadores que acasala virtuosismo técnico com inconsistência tática e volubilidade mental.


Ausente de um Mundial desde a dececionante prestação em 2002, a Rússia, que apenas por uma vez – no Euro’2008 com Guus Hiddink – ultrapassou a 1.ª fase de uma grande competição internacional desde o desmembramento da União Soviética, iniciou um processo de reorganização e italianização, tornando-se menos espetacular e mais pragmática, o que se revelou determinante para afiançar a qualificação direta para o Brasil num grupo em que foi mais regular do que Portugal.


A base do sucesso foi o aproveitamento do fator casa, onde somou vitórias em todos os jogos, e o render da exuberância ofensiva face a uma crescente consistência defensiva – 5 golos sofridos em 10 jogos –, comprovando a sagacidade de Capello, que viu o seu vínculo contratual ser prolongado até 2018. O estratega italiano tem erigido, de forma pacífica e sem ímpetos revolucionários, um rejuvenescimento gradual da equipa, ainda muito presa à geração semifinalista no Euro’2008, apostando em jovens oriundos da seleção sub-23 – entre os quais se destacam Kokorin, Shatov, Smolov, Schennikov e Belyaev –, que deverão formar parte do núcleo duro no Mundial’2018, onde a Rússia, como anfitriã, pretende chegar longe. No Brasil, Capello aponta para os “quartos”, mas a passagem à 2.ª fase já será um sucesso.


TREINADOR: Fabio Capello


Alcançou o objetivo que lhe pediam: guiar a Rússia, doze anos depois, a uma fase final de um Mundial. Reforçou-o com a qualificação direta e a italianização do jogo de uma seleção mais jovem e menos anárquica. Já renovou até 2018.

A ESTRELA: Roman Shirokov

Protagonista de uma excelente primeira metade de época no Zenit, com 10 golos e 7 assistências em 19 jogos, incompatibilizou-se com Spalletti e rumou, em fevereiro, ao Krasnodar. Dotado de uma ótima visão de jogo e qualidade no passe, sobressai pela mobilidade e sagacidade na desmarcação, aparecendo com grande engenho em zona de finalização, onde explora o remate cirúrgico com o pé direito.

Compactos e agressivos

O 4x3x3 é o sistema preferencial de Fabio Capello, ainda que parta de um 4x1x4x1, já que os médios-alas são obrigados a trabalho defensivo, até porque com o treinador italiano a seleção russa tornou-se mais compacta, agressiva, pressionante e reativa à perda da bola.

Muito cómoda a praticar um futebol apoiado, ainda que com maior tendência para procurar progressões interiores, muitas vezes a um-dois toques, do que exteriores, o que conduz a um certo afunilamento do jogo, resolvido com a capacidade nos passes de rutura dos médios e os movimentos em diagonal dos extremos, perspicazes a aproveitar o trabalho de Kerzhakov a arrastar marcações, a seleção russa revela uma maior tendência para procurar os corredores em contragolpe, surgindo sempre um dos médios – Shirokov ou Faizulin – em zona de finalização.

A explorar, as debilidades do sector defensivo nos duelos aéreos em bola corrida e parada, e o espaço que se cria entre as linhas média e defensiva, tanto em organização como em transição defensiva.
Rui Malheiro no jornal record

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Que descansem em Paz!

o dia de hoje foi de tremenda tristeza para o futebol português, espanhol, europeu e mundial.
 
faleceram dois grandes senhores do futebol - Prof. Hernâni Gonçalves e Tito Vilanova.
 
os meus sinceros pêsames à família e amigos de ambos - que descansem em PAZ!



Eva Carneiro, a "portuguesa" de Gibraltar

TODA A VERDADE SOBRE A MISTERIOSA FISIOTERAPEUTA DO CHELSEA
 
Eva Carneiro entre Mourinho e Cech, na partida com o Atlético Madrid para a Champions.
Durante muito tempo a galáxia futebol esteve em suspenso. Quem era a bela fisioterapeuta do Chelsea, que a cada entrada em campo motivava cânticos nas bancadas e os olhares atentos de muitos homens? De Eva Carneiro se disse que era portuguesa, mais tarde que era filha de portugueses e, nos últimos tempos, que uma vez tinha passado férias em Portugal. A ligação ao nosso país foi ficando cada vez mais ténue até que toda a verdade sobre a fisioterapeuta dos blues foi revelada pela imprensa inglesa. Fique então a saber (quase) tudo sobre a mulher mais bela do Chelsea.

Nasceu em Gibraltar, filha de pai espanhol e mãe inglesa. Estudou Medicina na Universidade de Nottingham e desde cedo se destacou pelas excelentes notas que alcançava. Completou os estudos na Austrália e fez o doutoramento em Londres, onde se fixou definitivamente.

Médica dos blues começa a tornar-se uma figura sempre notada nos jogos dos londrinos
 
Depois de trabalhar no Instituto Médico Olímpico Britânico, com os atletas presentes nos Jogos Olímpicos de Pequim e com a seleção feminina de futebol inglesa, juntou-se ao Chelsea em 2009, como auxiliar do médico principal da formação blue. Em 2011, com a chegada de André Villas-Boas, foi convidada pelo português a juntar-se à primeira equipa e acedeu ao convite.

Mexicanos decisivos

Eva criou uma ligação forte ao futebol numa viagem ao México, durante o Mundial'1998 (disputado em França), onde juntamente com os adeptos da casa assistiu à competição, ganhando um "bichinho" que não mais largou, tornando-se "especialista" no desporto-rei.

É simpatizante do Real Madrid, mas desde que trabalha no Chelsea só tem olhos para os blues, até porque se a final da Champions ditar um Chelsea-Real Madrid, convém estar do lado de quem paga o ordenado.

Quando era jovem gostava de ballet e equitação, para além de dançar salsa e samba. A passagem pela Austrália fez com que ficasse fã do surf, que continua a praticar regularmente. "Passar um dia inteiro a surfar em boa companhia é a melhor coisa que pode haver", revelou numa das raras entrevistas à imprensa britânica.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

tudo em aberto...

...sim, acredito que esta eliminatória está em aberto para as duas equipas.
 
o Benfica, hoje, mesmo com algumas ausências de 'peso', fez o seu 'trabalho' - que era vencer!...
 
...pena o golo sofrido em casa,...mas, estou convencido, que o Benfica vai conseguir marcar em Turim e assegurar a final tão desejada...em Turim.

«onzes e sistemas oficiais de Benfica e Juventus»

«onzes e sistemas prováveis de Benfica e Juventus»


Um bicho de 3 cabeças

O SISTEMA TÁCTICO INVULGAR DA JUVENTUS PODE OBRIGAR JESUS A ALTERAR A DINÂMICA DO MEIO-CAMPO

Enzo será um dos protagonistas no embate de hoje

Como vai Jorge Jesus enfrentar o peculiar sistema da Juventus, uma das raríssimas equipas europeias de topo que ainda alinha em 3x5x2? Não por causa dos três defesas, as três cabeças da hidra piemontesa, mas pela força, organização e consistência do meio-campo.

Conta a lenda que Jorge Jesus conhece muito bem esta arte [ver pág. 4], uma vez que foi a atuar em 3x4x3 que se apresentou à alta-roda do futebol nacional, com o Felgueiras, há 18 anos. Com três defesas sim, mas com um sistema ofensivo diverso deste que o campeão italiano propõe e no qual a atividade de Pirlo faz toda a diferença.

Contra a Juventus, o meio-campo do Benfica pode asfixiar, por insuficiência numérica, e corre o risco de perder contundência no ataque, ao baixar um dos pontas-de-lança para equilibrar os números em parada e dar-se ao luxo de uma vigilância apertada ao maestro italiano.

No entanto, as dores de cabeça de Jesus não se resumem ao controlo do adversário, pois foram muito agravadas nos últimos dias com a perda sucessiva de Fejsa, Salvio e Gaitán, que poderiam fazer a diferença em várias situações específicas do jogo e cujas ausências têm reflexo na dinâmica do conjunto.

Ruben Amorim está recuperado, mas sem ritmo, embora pareça imprescindível perante as ausências. André Gomes está moralizado, mas claramente sem andamento para a exigência desta partida. André Almeida é mais consistente fisicamente, embora mais limitado na transição do jogo. E ainda falta alguém para atuar num dos flancos: Sulejmani à esquerda? Ivan Cavaleiro à direita com Markovic à esquerda? Rodrigo à esquerda com um terceiro homem no núcleo central do meio-campo?

Raramente um jogo esta época levantou tantas questões prévias e interrogações para Jesus responder de uma forma que não belisque o bom momento psicológico de uma equipa que acaba de se sagrar campeã. Apesar do desafio explícito de Luís Filipe Vieira, o Benfica não entra como favorito e até pode beneficiar de uma descuidada petulância de alguns jogadores italianos, Pirlo incluído, que terão avaliado superficialmente o valor real do adversário português.

MUITO PROVÁVEL

Enzo Pérez e Pirlo num duelo a encher o campo, decisivo para o jogo

As duas equipas marcarem golos, apesar dos cuidados defensivos do Benfica

Rodrigo em jogo de grande intensidade, tentando atrair o foco mediático

POUCO PROVÁVEL

Soluções para o meio-campo consigam colmatar a influência de Gaitán

Muitas situações de golo, exigindo uma elevada percentagem de eficácia

Resultado que deixe a eliminatória resolvida antes da 2.ª mão em Turim
João Querido Manha, aqui

«Bom dia mundo, o Benfica joga hoje»

quarta-feira, 23 de abril de 2014

excelente jogo em Madrid ( jogo em vídeo)

«onzes e sistemas oficiais de Real Madrid e Bayern de Munique»

Jorge Jesus deu a volta

NOTAS DO DIA
O presidente tomou a decisão, praticamente a solo e sem a solidariedade de grande parte da direção do clube e da administração da SAD: o treinador continuava, apesar das finais que disputou e não ganhou; de ter perdido o reconhecimento de muitos adeptos; e de a sua autoridade cair para níveis absolutamente comprometedores, na sequência do caso com o ponta-de-lança. Começou assim o trajeto do Benfica candidato à redenção, em condições muito particulares e difíceis.



Luís Filipe Vieira quis segurar Jorge Jesus, fazendo coerência à decisão de lhe renovar o contrato sugestionado por uma efervescente meia-final da Liga Europa, com o Fenerbahçe. Mas impôs as suas condições: o chefe técnico ficou obrigado a trabalhar com Cardozo, perante a contestação da bancada, desconfiada de quem se satisfazia por “chegar e ver”, mas a quem faltava a voracidade de querer também “vencer.” Jesus permaneceu para provar.



Não se pode dizer que, apesar do voto de confiança de Vieira, o treinador tenha começado bem a empreitada. Pelo contrário. O Benfica perdeu o jogo inicial do campeonato na Madeira e Jorge Jesus cometeu mesmo alguns erros na definição do elenco quando, forçado pela lesão de Salvio, escolheu Enzo Pérez para substituto – na tentativa de solucionar um problema à direita criou outro mais grave ao centro, onde o núcleo sérvio Fejsa-Matic não apresentava inteligência na construção do jogo.



Foi em quadro de crise que o treinador mostrou ter tirado consequências do desastre de 2013: afinou o discurso, moderou o comportamento grupal (embora ele próprio tenha fomentado um folclore muito peculiar, em Guimarães) e, mais importante, libertou-se dos seus dogmas, evidenciando capacidade para fazer autocrítica. Depois de o Benfica ter levado uma ensinadela do Paris Saint-Germain (0-3), em Paris, na Liga dos Campeões, Jorge Jesus reformou o seu ideário e foi devolvendo Enzo Pérez ao centro do terreno, onde passou a ser inamovível, independentemente de jogar com Fejsa, Matic, Ruben Amorim, André Almeida ou André Gomes.



A partir da capacidade de experimentar e corrigir o que estava errado, Jorge Jesus encarrileirou o Benfica em direção ao título. E se o presidente foi quem tomou “a decisão”, o treinador construiu a estratégia, em resposta ao desafio de refazer um caminho onde um ano antes houve sempre muita música para os ouvidos, mas nenhuma matéria. Encerrada a maratona do campeonato, falta agora o salto em altura das taças, nas quais não lhe basta tocar na fasquia para ganhar a glória.
António Varela no jornal record

quarta-feira, 16 de abril de 2014

vitória da raça e da união encarnada

É o fim de um ciclo no FC Porto, completamente humilhado hoje na Luz a jogar contra 10 e com 2 golos de vantagem na eliminatória. 
 
O Benfica provou que actualmente é a melhor equipa portuguesa - joga muito, um autêntico rolo compressor com um balneário unido e deliciando os amantes da bola com um futebol deveras espectacular. 
 
O Sporting, mesmo ganhando apenas 2 campeonatos nos últimos 30 anos, consegue ser segundo com todo o mérito na presente Liga Zon Sagres e vai no caminho certo da 'reabilitação'.

Discurso mais esclarecido da noite? O do treinador do FC Porto!

Culpados do que está acontecendo ao FC Porto?
A estrutura directiva que se está 'desmontando' aos poucos. Querem exemplos?

Quem mandou Fucile embora?

Quem mandou Rolando embora?

Quem mandou Otamendi embora?

Quem deixou Lucho sair a meio da época?
 
Porque é que a meio da época o 'grande chefe' das contas da SAD dos azuis e brancos foi embora?
Paulo Fonseca teve alguns erros?...

Sim, teve, mas não é o único culpado do que vem acontecendo ao FC Porto nos últimos 3 anos, onde, mesmo assim, ganhou 2 campeonatos com Vítor Pereira da maneira que todos nós conhecemos - mais demérito do Benfica que mérito do FC Porto em termos de jogo jogado.

«onzes e sistemas oficiais de Benfica e FC Porto»

segunda-feira, 14 de abril de 2014

domingo, 13 de abril de 2014

mais uma escuta do apito dourado...

...e, mais uma que eu realmente não tinha tido conhecimento.
 
enfim... isto era (?) uma verdadeira rebeldaria!...'chiça penico'?!...



  

Sporting rumo à Champions com entrada directa...


sábado, 12 de abril de 2014

o famoso guarda Abel vai voltar?!...

já há quem afirme à boca cheia que o famoso guarda Abel vai voltar para o staff portista, pelos vistos, ainda nesta época.
 
quem não se lembra das peripécias deste senhor no túnel das Antas?!...

há quem diga que o túnel da Luz também ficou conhecido pelo túnel das provocações a jogadores portistas, mas, mais recente - em 2010 - , e em que as imagens demonstraram muita gente de cabeça perdida.
 
para os mais jovens, aqui fica a foto do famoso guarda Abel,...e alguns vídeos em baixo, com o segundo destes vídeos, a ser a reportagem do célebre jogo que o Benfica 'carimbou' o título de 1991 no antigo estádio das Antas.


(a foto foi 'desviada' do facebook do próprio)




sexta-feira, 11 de abril de 2014

Benfica na final!



o sorteio da liga europa, ditou a poderosíssima Juventus como adversário do Benfica e, já há por aí muita 'gente' descontente'.

não entendo porquê, na minha opinião o Benfica chegará à final de Turim!...é o meu palpite...

e, antes 'apanhar' a Juventus agora, do que na final em sua casa num só jogo.

em dois jogos, a pressão estará sempre do lado dos italianos, querem jogar a final na própria casa e isso poderá ser fatal.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

«Jorge Jesus já tem novo clube»

pois é meus amigos?!..., o blogue futebol total está em condições de anunciar o próximo clube de JJ - é o Barcelona!..., está 'escrito no livro' ...
 
e, nada como uma bela foto para acompanhar esta 'afirmação!'
 
 

Chernobyl em Arouca





















Benfica e Sporting estão separados por 7 pontos quando estão 12 para disputar mas o Arouca decide receber em Aveiro o Benfica enquanto o Sporting defronta em casa o Gil Vicente.
 
Surpreendidos? Parece que poucos estão.
 
É absolutamente normal. Aliás, até se aconselha.
 
Fonte do SIS garantiu a BnA que Arouca está como Chernobyl.
 
Aliás, até nem é muito prudente realizar o jogo em Aveiro, a 50 quilómetros.
 
Seria muito mais prudente realizar o jogo no Algarve.
Post daqui

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Bélgica: Os diabos vermelhos de Wilmots a Wilmots

SELEÇÃO SENSAÇÃO ESPERA SURPREENDER NO BRASIL
 
Apontados como candidatos a revelação da prova, os diabos vermelhos ressurgem, após 12 anos de ausência, numa fase final de uma grande competição de seleções. Wilmots, elo de ligação entre 2002 e 2014, quer conduzir a geração de ouro belga ao sucesso sem abdicar de um futebol alegre e vistoso.

Estávamos a 17 de junho de 2002 e a cidade japonesa de Kobe acolhia o Brasil-Bélgica (2-0), sexto jogo dos oitavos-de-final do Mundial. Marc Wilmots, arguto a aproveitar um cruzamento venenoso de Peeters, superou Roque Júnior num duelo aéreo e colocou a bola à direita de um imóvel Marcos. O golo limpo do capitão, que ditaria uma merecida vantagem diante do futuro campeão, foi anulado pelo jamaicano Prendergast, num dos inúmeros equívocos arbitrais que macularam a competição.


Aquele fatídico minuto 36 assinalaria o princípio de um inesperado e angustiante ciclo de 12 anos sem a presença da seleção belga em fases finais de Mundiais e Europeus, apenas intervalado por um 4.º lugar nos Jogos Olímpicos de 2008, onde fulgiu uma geração que encabeça o atual núcleo duro dos diabos vermelhos.


Será a 17 de junho que a Bélgica retorna aos grandes palcos sob o comando técnico do ex-capitão Wilmots. O primeiro objetivo passa por vencer um grupo que, à semelhança de 2002, terá a Rússia, um representante asiático e um representante africano como rivais. Tudo isto, para cúmulo das ironias, no Brasil, que pretende voltar a sagrar-se, 12 anos depois, campeão mundial, recorrendo a Scolari, o último selecionador que alcançou tal feito. Para lá do infindo oceano de coincidências, os diabos carregam o peso de serem apontados como principais candidatos a revelação, depois de uma qualificação imaculada – 8 vitórias e 2 empates – e estimulada por um futebol gaiato, entretido e arrojado. Um peso que a história destas competições demonstra que é, quase sempre, um fardo.


Wilmots não teme a pressão, assume o papel de zebra, e demonstra uma confiança inabalável na geração de jogadores que conduz ao anunciar que alugou quartos em São Paulo até à final da competição.


TREINADOR: Marc Wilmots


Após quatro fases finais como jogador, quebrou, como técnico, o jejum de 12 anos da Bélgica em grandes competições. Combativo e vigoroso, o que lhe vale a alcunha de Touro, uniu um grupo desavindo e aposta num futebol atrativo.

ESTRELA: Eden Hazard

Utilizado, preferencialmente, a partir da ala esquerda, o mago belga do Chelsea concilia velocidade, aceleração e mobilidade com enorme criatividade, virtuosismo técnico e poder de drible, o que lhe permite criar inúmeros desequilíbrios no um para um. Inteligente a ler o jogo e arguto no passe, surge com facilidade em posições de finalização, revelando grande desenvoltura no remate com o pé direito.

Ferozes no contragolpe

O 4x3x3 é o sistema preferencial de Marc Wilmots, mas com elasticidade para se transformar, fruto do aparecimento de Fellaini ou Chadli nas costas de Lukaku, em 4x2x3x1, também utilizado como plano B quando sacrifica um dos médios para colocar Mirallas ou Mertens no tridente de apoio ao avançado.

Equipa confortável com bola, capaz de praticar um futebol apoiado, intercalando progressões interiores com exteriores, é contundente no contra-ataque, ao explorar a velocidade e mobilidade de De Bruyne, Hazard, Lukaku, Mirallas, Mertens ou Benteke a partir de passes de rutura, e no aproveitamento de bolas paradas laterais, onde a subida de Fellaini, Alderweireld, Verthongen ou Kompany se revela letal.

A utilização de quatro centrais no onze-base garante solidez na defesa do espaço interior, mas acaba por abrir brechas para o adversário explorar o jogo exterior, sendo também notórios os desequilíbrios em transição defensiva, inerentes aos problemas com mudança de atitude pós- pressão média-alta.
Rui Malheiro no jornal record