sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Colômbia: A maldição de Pelé, o Nostradamus falhado

FALCÃO É DÚVIDA PARA A PROVA DO BRASIL

A história da maldição de Edson Arantes do Nascimento tem 20 anos. Os colombianos rejubilavam com a qualificação para o Mundial’1994, sem derrotas e com direito a atropelamento à Argentina (5-0) num emudecido Monumental de Núñez, e inebriavam-se com a confiança inabalável de que o futebol temporizado por Valderrama e esticado por Rincón, Asprilla ou Valencia convertia a Tricolor de Maturana na favorita ao título, ideia corroborada por Pelé. O desastrado Mundial, com o último lugar do grupo, transformou o brasileiro no Nostradamus do futebol.

A praga alastrou-se a cada vaticínio sobre os Mundiais seguintes, o que levou a que os colombianos desferissem, assim que caucionaram o passaporte para o Brasil, uma campanha viral para que Pelé não voltasse a considerar a sua seleção favorita. Poucos minutos antes de Falcão se lesionar com gravidade, o Rei reagiu à provocação com votos de boa sorte. Num ápice, surgiram as teses absurdas da ligação entre os dois acontecimentos, passando para segundo plano o busílis da questão. Claro que a eventual baixa do goleador torna os cafeteros menos fortes, mas mesmo com El Tigre apto dificilmente entrarão na luta pelo cetro.

Ausente de fases finais desde 1998, a Colômbia encontrou o seu rumo ao escolher José Pékerman, tricampeão mundial de juniores pela Argentina, para selecionador, algo bem visível ao garantir a qualificação, a dois pontos da Argentina e com a defesa menos batida da Conmebol. O sucesso de Falcão, James, Jackson, Guarín, Armero, Cuadrado, Zapata, Zúñiga ou Ibarbo na Europa, a afirmação internacional do futebol jovem colombiano, e a perceção que as histórias de maldições não são mais do que desculpas para justificar maus resultados são outros fatores que auxiliam a compreender as diferenças entre 1994 e 2014.

Um país à espera de Falcão

Adepto de um 4x4x2 à sul-americana, Pékerman tem recorrido ao 4x4x2 losango e, episodicamente, ao 4x2x3x1 como sistemas alternativos. Um dos trunfos dos cafeteros tem sido a solidez do sector defensivo, apesar da pouca fiabilidade de Perea e Yepes, os centrais mais utilizados na qualificação, e a propensão ofensiva dos laterais: Armero é incisivo a oferecer largura ao jogo tricolor. Por isso, a ação da dupla de médios Aguilar-Sánchez, dois equilibradores, assume papel capital, mas há aspetos a rever na transição defensiva e na marcação individual nos cantos.

Exímios a explorar transições ofensivas e a aproveitar bolas paradas laterais, conciliam a qualidade de passe e cruzamento de James com a capacidade de desmarcação e definição dos avançados, adindo o poder aéreo dos centrais. Se o decisivo Falcão não recuperar, Jackson poderá ter a sua oportunidade, mas Bacca, Muriel e Ibarbo são nomes a ter em conta.

A estrela: Falcão

Talhado para clubes e campeonatos de topo, El Tigre é um profissional do golo, exímio no futebol aéreo e capaz de definir, dentro ou fora da área, com os dois pés. Muito oportuno, sagaz a desmarcar-se e tremendo na antecipação, uma lesão inoportuna pode afastá-lo do Brasil, o que será uma baixa significativa para os cafeteros. Segue-se uma luta contra o tempo com a entrega inexcedível que o distingue.

Treinador: José Pekerman

Colocado por mais do que uma vez na rota do Sporting, o argentino tricampeão mundial de sub-20 destaca-se pelo profissionalismo, capacidade organizativa e por saber retirar de cada jogador o seu melhor em benefício do coletivo, mantendo sempre aberta a porta do diálogo.
Rui Malheiro no jornal record

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Montero em definitivo em Alvalade e com cláusula de 60 milhões

Fredy Montero é, a partir de hoje, jogador em definitivo e na totalidade do Sporting. Os leões, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), informam que exerceram o direito de opção de compra de 100 por cento dos direitos do avançado.
Fredy Montero
2013/2014
20 Jogos   1735 Minutos
16   4   0   02x

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Além do comunicado enviado à CMVM os leões sublinham no seu site oficial o timing da operação, que representa o reconhecimento do valor do goleador da Colômbia, que tem agora contrato com o clube verde e branco até 2018 e uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.

No total, e analisando os valores em dólares que os leões apresentam no referido comunicado, Montero custou dois milhões, setecentos e cinquenta mil dólares, pouco mais de dois milhões de euros, valor que se divide em duas partes: um milhão quinhentos e cinquenta mil dólares pagos na compra em definitivo dos direitos do jogador e um milhão e duzentos mil dólares, que representam o valor já pago pelo empréstimo do jogador.

Comunicado à CMVM na íntegra:
«COMUNICADO

Nos termos e para efeitos do cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 al. a) do Código dos Valores Mobiliários, a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD, vem informar que exerceu hoje o direito de opção para a aquisição definitiva de 100% dos direitos federativos e económicos do jogador Fredy Montero, pelo montante de USD 1 550 000 (um
milhão quinhentos e cinquenta mil dólares) o qual acresce ao montante do empréstimo já pago à MLS no valor de USD 1.200 000 (um milhão e duzentos mil dólares).
Mais se informa que a MLS poderá ainda ter direito a receber montantes variáveis de até USD 1 750 000 (um milhão setecentos e cinquenta mil dólares) dependentes da performance desportiva do jogador e desta Sociedade.
O Jogador Fredy Montero celebrou contrato de trabalho desportivo até 30 de Junho de 2018, tendo
a cláusula de rescisão sido fixada em € 60.000.000 (sessenta milhões de euros).
Lisboa, 30 de Janeiro de 2014
O Conselho de Administração»
daqui

aproxima-se mais um fim de semana futebolístico

Novo fôlego na 2.ª volta

VISÃO DE JOGO

Geraram fortes expectativas à chegada, mas ao fim de meia época ainda não conseguiram afirmar-se nos seus clubes. Por razões distintas, vários reforços dos clubes da 1.ª Liga estão a ter dificuldades em mostrar rendimento. Eis algumas das desilusões do presente campeonato, que ainda podem vir a dar que falar pela positiva.

Visto como o sucessor de Aimar no Benfica, pelo talento e quantia investida, o sérvio Djuricic não conseguiu superar a forte concorrência no plantel encarnado. Iniciou a época a titular, mas raramente voltou a ser opção, contando apenas 191 minutos de jogo na Liga, praticamente o mesmo tempo de utilização do compatriota Sulejmani. Ambos podem vir a ser trunfos importantes para Jorge Jesus, na ponta final da temporada.

Depois da época brilhante que realizou em Paços de Ferreira, onde apontou 8 golos e muitos mais deu a marcar, o médio Vítor Silva ainda não exibiu o mesmo perfume em Alvalade. Talvez tenha sentido o peso da camisola do Sporting; não se assumiu até agora como maestro. E o mesmo se poderá dizer de Gerson Magrão, jogador com passagens por Feyenoord, Cruzeiro, Santos e Dínamo Kiev que, para já, apenas jogou 82 minutos na Liga.

Por força do investimento realizado, no Dragão as atenções recaem nos mexicanos Reyes e Herrera. Se, no caso do central, a juventude e a concorrência de Mangala, Otamendi e Maicon ajudam a explicar a menor utilização, permitindo uma preparação a médio prazo, já o centro-campista sentiu dificuldades de adaptação à Europa. Tido como sucessor de João Moutinho, Herrera é um jogador diferente do português, um transportador de bola com faro pelo golo, que precisará de mais tempo para se habituar a um futebol mais rápido e evoluído taticamente.

Peça importante no V. Guimarães no ano anterior, que lhe valeu uma transferência para o FC Porto, o médio Tiago Rodrigues, agora emprestado ao clube vimaranense, não está a ter o mesmo rendimento em termos individuais, tendo sido titular apenas por seis vezes, esperando melhor sorte na segunda volta. Também por empréstimo está Bruno Lopes no Estoril. O avançado brasileiro marcou golos no Japão, mas jogou pouco em Portugal. O poker na Taça de Portugal frente ao Leixões serve de aperitivo para um jogador que ainda poderá vir a render mais.

Em Braga, a chegada de Salvador Agra, um extremo rápido e criador de desequilíbrios, prometia fazer furor, mas o jogador raramente foi utilizado e rumou agora para a Académica, onde espera ser mais utilizado. Igualmente sem sorte tem estado Hugo Vieira. O avançado tem tido poucas oportunidades e os golos que marcou em Barcelos não lhe têm aparecido.

Joeano chegou esta época a Vila do Conde. O veterano avançado foi um dos principais responsáveis pela subida do Arouca à 1. ª Liga, com 27 golos. O Rio Ave apostou na sua veia goleadora, mas até agora só marcou dois golos e raramente é opção. Por seu lado, o Gil Vicente apostou em Bruno Moraes e Cláudio Pitbull, dois jogadores com história no futebol nacional, mas as lesões dos brasileiros têm limitado a equipa, motivo que também tem impedido Miguel Rosa (Belenenses) e Carlão (P. Ferreira) de se destacarem.

Nem sempre a chegada de um jogador a um novo clube corre da melhor maneira. No entanto, muitos destes jogadores ainda vão a tempo de mostrar que a entrada com o pé esquerdo foi apenas um acidente de percurso. A qualidade vem sempre ao de cima, pelo que, quando a oportunidade chegar, alguns destes atletas ainda se vão tornar peças cruciais nas suas equipas.

O CRAQUE

Crescimento de Varela

A melhor época de Silvestre Varela no FC Porto ocorreu em 2010/11. Nessa temporada apontou 13 golos e concorria por um lugar nas alas com jogadores como Hulk, James, Cristian Rodríguez, Mariano e Ukra. É um daqueles jogadores que dá ideia de se transcender quanto melhor for a companhia ao seu lado. A chegada de Ricardo Quaresma ao Dragão coincide com o melhor período de Varela. Os 4 golos apontados em 2014, em igual número de jogos, indiciam uma boa ponta final de temporada para o internacional português.

A JOGADA

A prata da casa

Um estudo coloca o Sporting entre os clubes formadores que mais apostam em jogadores da sua escola e que mais atletas fornecem para as ligas europeias. Neste último item também aparece o FC Porto no top 20, dado que ajuda a quebrar um mito: há boa formação em Portugal para além do Sporting. O aproveitamento que se dá à mesma é que tem diferido. E aqui podemos juntar Benfica, Braga, Belenenses, V. Guimarães ou V. Setúbal, como outros clubes com tradição nos seus escalões jovens. Nem todos serão estrelas de topo, mas há bons jogadores a quem só falta uma oportunidade para mostrar valor.

A DÚVIDA

O problema das comissões

Entre as propostas de alterações à legislação desportiva apresentadas pelo Sporting encontra-se a redefinição do papel dos empresários, de modo a existir maior controlo e limites nos ganhos com comissões. A ideia é positiva, mas poderá ter dificuldades de aprovação, já que a atividade dos agentes é regulada pela FIFA. O tema das comissões tem gerado polémica, sendo a transferência de Neymar para o Barcelona o último episódio de um mercado cada vez mais selvagem. Terão as autoridades do futebol, portuguesas e internacionais, vontade de mudar esta realidade?
António Oliveira no jornal record

Insólito: Árbitro prescinde de cartão amarelo utilizando apenas o vermelho

INSÓLITO: num jogo 'duro' no campeonato argentino, o árbitro decidiu entregar o cartão amarelo ao 4º árbitro e avisou que a partir daí só utilizava o vermelho. E, cumpriu!...
 
 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mapuata, quando o Barça e Zubizarreta caíram no Restelo

Mapuata, quando o Barça e Zubizarreta caíram no Restelo
DESTINO: 80's é uma nova rubrica do Maisfutebol: recupera personagens e memórias dessa década marcante do futebol. Viagens carregadas de nostalgia e saudosismo, sempre com bom humor e imagens inesquecíveis. DESTINO: 80's.
MAPUATA: BELENENSES, 1986 a 1988

A Torre do Restelo na década 80 era de ébano e chamava-se Richard Mapuata. Ponta-de-lança poderoso, autor de 21 golos no campeonato nacional entre 1986 e 1988.

«No balneário eu era o Matateu», atira ao Maisfutebol, nos primeiros minutos de uma conversa que saltita entre o francês e o português, foge à marcação do jornalista e termina quase sempre num pedido de Mapuata: «envie os meus cumprimentos à malta toda do Restelo».

Aos 48 anos, Mapuata é diretor comercial de uma empresa de telecomunicações na cidade de Lyon, França. «E também treino uma equipa da IV Divisão», acrescenta o antigo goleador belenense, nascido no antigo Zaire.

Mapuata tem saudades «do sol, do peixe e das cervejinhas ao fim da tarde». Tem saudades «do maluco do Jorge Martins» e do «grande capitão Zé António». Tem saudades «do Mladenov, um craque dos pés à cabeça» e das «conversas com Djão».

«Tenho saudades do Belenenses e de Portugal», resume. «Foi o senhor Henri Depireux a levar-me para Lisboa. Ele tinha sido colega de equipa do presidente do meu clube no Zaire e quando me viu nem queria acreditar. Em África ninguém vai conhecê-lo. O Mapuata vem comigo para Portugal».

E Mapuata foi. O Belenenses, importa recordar, lutava olhos nos olhos com os três grandes e cumprimentava com familiaridade as provas da UEFA. «No campeonato fomos sextos em 86/87 e terceiros no ano seguinte», sublinha Mapuata. Tudo certo, as perguntas param e o avançado fala, fala, fala.

«No Restelo vou ter de te marcar um golo»

16 de setembro de 1987, Camp Nou. De um lado, o Barcelona de Zubizarreta, Schuster, Lineker e Carrasco. Do outro, o Belenenses de Richard Mapuata, treinado já por Marinho Peres. Até aos 87 minutos, tudo controlado. «Estava zero a zero e o Barça aflito», ri-se Mapuata.

Num ápice, dois golos [Moratalla e Victor Muñoz]. «Acabei esse jogo a chorar. O Zubizarreta veio ter comigo, abraçou-me e eu disse-lhe: no Restelo vou ter de te marcar um golo». Assim foi.

Caros leitores, o Barcelona caiu no Estádio do Restelo. Seguiu em frente na Taça UEFA, sim, mas perdeu e sofreu até ao derradeiro instante. Mapuata, naturalmente, cumpriu a promessa feita ao histórico guarda-redes catalão.

«O Mladenov ganhou uma bola na esquerda, entrou na área e fez-me um passe perfeito. Eu corri uns bons 30 metros e só tive de encostar. No final o Zubizarreta quis trocar de camisola comigo e disse-me a rir que um golo não fazia mal nenhum».

«Sabe que nunca marquei ao FC Porto?»

Mapuata não era um jogador qualquer. Pernas longas, musculadas, imponente no ar, viciado no remate e nas balizas opostas. «Eu acho que só o Fernando Gomes e o Madjer eram melhores do que eu nessa altura», declara, em tom amistoso.

«Foi por isso que o Benfica me quis. Mas o Marinho Peres estragou tudo». Mapuata trava e nós também. Não queremos interromper-lhe o discurso. «O meu amigo Depireux foi embora por uma estupidez e o Marinho Peres mudou muita coisa. Trouxe vários jogadores [Baidek, Zé Mário, Chiquinho Conde] e eu passei a jogar menos vezes».

No final da segunda época, Mapuata saiu do Belenenses. Jogou na Bélgica, na Suíça e radicou-se no país helvético. Tem uma família de desportistas e há alguns anos mudou-se para França.

«Um dos meus filhos, o Cedric (Makiadi), joga no Werder Bremen e os outros são basquetebolistas». Mapuata está bem, estável e feliz. Continua apaixonado pelo Belenenses e pelas «coisas boas da vida lisboeta».

Sábado, vai ver o clássico, sim o clássico, contra o FC Porto na televisão. «Às 18 horas? E temos hipóteses? Sabe que nunca marquei ao Porto?»

Um golo de Mapuata ao Sporting:

daqui

Campeonato Nacional 1997-1998

Solução é inverter o triângulo invertido

O OLHEIRO

A aposta de Paulo Fonseca no 4x2x3x1 como sistema preferencial colocou em causa o papel de Lucho no FC Porto. Depois de atuar como 10 e 8, percebeu que era cada vez mais um problema para o técnico e não estava preparado para arrogar um papel secundário. Legítimo para um craque que sempre foi solução. Poderia continuar a sê-lo, se o técnico portista não tivesse rompido com um 4x3x3 vencedor em busca de um cunho pessoal, até ao momento com exibições a roçar o sofrível.

O papel do 8 no FC Porto de Fonseca permanece nebuloso. Abonar um maior equilíbrio defensivo só faz sentido em jogos de grau de dificuldade mais elevado, até porque a formação de um duplo-pivô cria um fosso em relação ao médio-ofensivo e torna a equipa mais vulnerável em transição defensiva. Fernando, por sua vez, sente-se mais confortável a atuar sozinho à frente do sector recuado, assumindo-se como absolutamente crucial fechar a porta à sua saída.

A necessidade de transformar o 8 num condutor, desequilibrador e definidor de jogadas, conduziu à perda da titularidade de um instável Defour, demasiado preocupado em assegurar presença no Mundial. Josué, capaz de acrescentar um suplemento de alma típico de quem cresceu no topo sul das Antas, e Herrera, um acelerador de jogo que demora a adaptar-se, são mais talhados para o papel de interiores em 4x3x3, ao lado de Carlos Eduardo, médio que conquistou com mérito o seu espaço como 10, mas que poderá ser mais útil como médio-interior, alargando o seu raio de ação. Quintero, que faz jus ao número que enverga, desespera por mais minutos de utilização, até porque continua a deixar água na boca dos adeptos.

O recurso ao mercado, salvo um negócio de exceção, parece posto de parte. A chegada de Quaresma, capaz de oferecer largura à ala direita e pouco dado a trabalho defensivo, restringe o papel do contestado Danilo. Médio-centro nuclear num Santos vitorioso, será o jogador com o perfil mais indicado para cumprir o que Fonseca pretende para a posição 8. Como lateral, em momento ofensivo, destaca-se pelos movimentos interiores, tanto a esticar o jogo e a promover desequilíbrios como a oferecer passes de rutura ou a procurar finalizações. A nível defensivo, garante a mesma qualidade de desarme de Defour, e, apesar de menos tático e cerebral, é claramente superior na antecipação, na disponibilidade física e na velocidade que imprime às suas ações.

NO MERCADO

Janmaat (Feyenoord) - 4,5-6 milhões de euros

Presença regular na seleção holandesa e forte candidato a marcar presença no Mundial’2014, é um lateral-direito, de 24 anos, de grande propensão ofensiva, aliando velocidade, disponibilidade física e capacidade de desmarcação a atributos no passe e nos cruzamentos. Melhor no desarme do que na antecipação, tem ganho mais consistência na defesa de posições interiores.

Rebic (Fiorentina) - 4-6 milhões de euros

Internacional A croata, de 20 anos, comparado no seu país a Cristiano Ronaldo, está sem espaço na Fiorentina, o que possibilita um empréstimo. Utilizado a partir da ala esquerda, explora diagonais ao conciliar velocidade, mobilidade e aceleração a poder físico e atributos no drible. Muito potente, desequilibrador e astuto a desmarcar-se, exibe um remate forte de pé direito.

Imoh (Standard Liège) - 4-6 milhões de euros

Avançado nigeriano, de 20 anos, capaz de atuar como referência ofensiva ou unidade móvel de ataque, exibe velocidade, poder de aceleração, capacidade de desmarcação e espontaneidade no remate. Muito ágil, oportuno e astuto a antecipar-se, define com o pé direito ou através do jogo aéreo. Tem registado progressos no último passe.

O OLHEIRO RECOMENDA: BerishaO bombardeiro de Halmstad no trilho de Ibra

Melhor marcador do Mundial Sub-17, foi decisivo, ao apontar 7 golos em 7 jogos, para o 3.º lugar alcançado pela seleção sueca. Rotulado de “novo Ibrahimovic”, ainda é prematuro erigir comparações, até porque ainda não se estreou pela equipa principal do Halmstads BK, isto apesar dos 12 tentos anotados em 20 partidas pela formação Sub-19. Pujante do ponto de vista físico, sem perder agilidade e perspicácia na desmarcação, o avançado-centro de origem albanesa-kosovar, talhado para ser referência ofensiva num 4x3x3 ou num 4x2x3x1, destaca-se pelo sentido de oportunidade, agressividade a atacar o espaço e facilidade para definir, a um-dois toques, dentro da área: privilegia finalizações com o pé esquerdo e através do jogo aéreo, mas o pé direito não é cego. Apesar de demonstrar qualidade a jogar de costas para a baliza, deve ganhar maior consistência no passe e na leitura do jogo.

Com propostas de clubes ingleses e italianos, dá sinais de maturidade ao não acusar urgência em dar o salto, até porque demonstrou interesse, depois de rejeitar testes no Man. United e Arsenal, em prosseguir carreira num clube onde possa ser opção regular.
Rui Malheiro no jornal record

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Espírito Desportivo - seja humano

Austrália: Sopram os primeiros ventos de mudança

OBJETIVO DE RENOVAR, PONTUAR E NÃO SER HUMILHADA

O germânico Holger Osieck, antigo chefe do departamento técnico da FIFA, foi nomeado selecionador australiano após o Mundial’2010. O arranque do projeto de quatro anos, com uma série de vitórias e a chegada à final da Taça da Ásia’2011, foi promissor, mas a aproximação da grande prova internacional trouxe sinais de contestação crescente e de desgaste no relacionamento com jogadores e imprensa.

A um apuramento direto bem mais sofrido do que seria expectável, fruto de derrotas inexplicáveis diante de Omã e Jordânia, sucedeu-se a participação medíocre na Taça Este–Asiática e duas goleadas humilhantes, ambas por 6-0, em particulares com Brasil e França. As prestações indigentes fizeram soar o alarme e acarretaram a destituição de Osieck, rendido por Ange Postecoglou, greco-australiano com um trajeto de sucesso na liga local, depois de desfeito o sonho do regresso de Hiddink, que guiou os socceroos aos “oitavos” do Mundial’2006.

A missão de Postecoglou, a quem foi oferecido um contrato de cinco anos, é preparar a Taça da Ásia’2015, em que a Austrália é a anfitriã, e o Mundial’2018, promovendo um rejuvenescimento profundo do lote de jogadores, tarefa difícil face à ausência de jovens talentos com dimensão internacional e à estagnação da equipa suportada pelos resistentes de 2006. O Mundial’2014 será, acima de tudo, zona de testes para o novo técnico, que dá sinais de poder chamar mais jogadores da A-League, mas que tem de ser inteligente a gerir o papel dos veteranos Neill, atualmente desempregado, e Tim Cahill, a figura da seleção. O fim da carreira internacional do guardião Schwarzer e a lesão grave do ala Kruse – eleito melhor jogador australiano em 2013 – adensam o grau de dificuldade, mas a esperança é muito reduzida face à presença num grupo com Espanha, Holanda e Chile.

A ESTRELA: Tim Cahill

Aos 34 anos, vive uma pré-reforma dourada no New York Red Bulls. Antiga estrela de Everton e Millwall, ainda é a referência dos socceroos, mesmo já não tendo o fulgor de 2006 e 2010. Jogador de equipa, atua como avançado ou médio-ofensivo e distingue-se pela perspicácia na desmarcação, agressividade e sentido de oportunidade. Cabeceador exímio, Tim Tim possui um remate forte com o pé direito.

TREINADOR: Ange Postecoglou

Técnico mais titulado na Austrália, abraça desafio de elevado grau de dificuldade: reconstruir uma seleção em ruínas e espremer ao máximo o potencial de jovens inexperientes como Rogic, Oar, Leckie, Ryan, Davidson, Duke ou Juric. O projeto a longo prazo confere-lhe estabilidade.

Renovar é necessário

Acostumado a orientar clubes que lutam por títulos, Postecoglou, adepto de um futebol de posse e extremamente pressionante, terá de passar do papel de dominante a dominado.

Habitualmente fiel ao 4x3x3, tendo como sistemas opcionais o 3x4x3 e o 3x3x4, o seu primeiro jogo à frente dos socceroos deixou indícios de uma aposta num 4x5x1, capaz de desdobrar-se ofensivamente num 4x2x1x3 ou 4x2x3x1. Com uma defesa pouco ágil e demasiado permeável em velocidade, procurará formar um bloco baixo para ter consistência na organização e transição defensiva, momentos em que a equipa denota muitas insuficiências. A nível ofensivo, as transições são chave, explorando a velocidade e mobilidade das unidades mais avançadas através de passes de rutura. Em desvantagem, Kennedy e Cahill, dois exímios cabeceadores, poderão propiciar o futebol direto e um maior aproveitamento de bolas paradas laterais.
Rui Malheiro no jornal record

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Os erros no caso do atraso

NOTAS DO DIA

Tem-se dito muita coisa errada acerca da polémica em torno do atraso no início do FC Porto-Marítimo da Taça da Liga. Tudo se resolveria num futebol onde a entidade organizadora fosse verdadeiramente profissional e onde não houvesse a tentação permanente pela prevaricação só porque sim, pela vontade de mostrar que somos mais espertos do que os outros e que os podemos enganar. Mas infelizmente não é isso que temos.


Primeiro erro: que três minutos são uma margem mínima, que mesmo que comecem à mesma hora ninguém garante que os jogos acabem em simultâneo e que não se devia sequer discutir o assunto. Não é verdade. Três minutos não são um detalhe e a prova disso é que foi nesses três minutos que o FC Porto fez o golo da qualificação. E se assim fosse, então mais valia tirar do regulamento a obrigatoriedade de os jogos começarem à mesma hora: se a ideia é enganar a lei, para que serve a lei?


Segundo erro:que foi por causa desse atraso que o Sporting foi eliminado. Não é verdade. OFC Porto ganhou o jogo de forma limpa, marcou os golos que tinha de marcar dentro do tempo de jogo e sem ajuda do árbitro: o penálti sobre Ghilas é bem assinalado e, se o golo de Varela ao Penafiel era fora-de-jogo, também o Sporting foi poupado a um penálti no jogo com o Marítimo. O Sporting só pode queixar-se de já não ter tido possibilidade de reagir ao terceiro golo portista, porque já estava no balneário, mas isso ninguém lhe garantia mesmo que os jogos começassem ao mesmo tempo, tão tardio foi o golo portista. O que também vem esvaziar os argumentos a favor da inteligência no atraso do jogo. Se foi um estratagema propositado, só servirá de argumento a gabarolas em conversas de café também elas condenadas a evoluir.


Terceiro erro:que o Sporting pode ser reintegrado na competição ou que, por isso lhe ser impossível, mais lhe valia ficar calado. Não são verdade. É evidente que o dolo no atraso nunca pode ser provado e que há sempre mil e uma razões às quais atribuir este incumprimento: um guarda-redes que não sabia das luvas, um médio que se sentiu mal... Só que ir daí a achar que por isso os leões não deviam queixar-se já é abusar da boa vontade daqueles a quem Paulo Fonseca chamaria “anjinhos”. Porque se estes casos existem é porque muita gente se cala perante eles. Ora, não se calando, Bruno de Carvalho também precisa de saber onde parar. Ameaçar jogar a próxima edição com juniores é um radicalismo inconveniente. A Taça da Liga, para o Sporting, é passado, mas também pode ser futuro. Além de que os juniores não fizeram mal a ninguém.
António Tadeia no jornal record

Campeonato Nacional 1996 - 1997

Chile: Futebol de ataque dá asas a um sonho rubro

SAMPAOLI COMANDA UM CONJUNTO QUE ENTUSIASMA

A seleção chilena promete futebol ofensivo, espetáculo e golos, muitos golos, nas duas balizas. Sampaoli, um bielsista convicto, comanda um conjunto que entusiasma e nem o sorteio que coloca a campeã e vice-campeã mundial no seu caminho faz esmorecer o sonho rubro de chegar longe no Mundial do Brasil

O ano de 2007 marcou uma viragem no futebol chileno. O 3.º lugar no Mundial Sub-20 fez brotar uma geração de ouro, em que Alexis Sánchez e Vidal arrogam o papel de protagonistas, sendo bem secundados por Isla, Medel, Carmona e Toselli. Foram eles que formaram a base da seleção que chegou a encantar, sob o comando de Marcelo Bielsa, no Mundial’2010, e procuram agora, a caminho do zénite das suas carreiras, ser bem-sucedidos no Brasil.

Dececionante na Copa América’2011 e protagonista de um princípio de qualificação instável, o que ditou a destituição de Bichi Borghi, o Chile encontrou em Jorge Sampaoli a solução para os seus problemas. O argentino, com 16 pontos em 21 possíveis, carimbou a passagem da Roja ao Mundial, acrescentando um triunfo, em Londres, diante da Inglaterra (2-0), e empates frente a Espanha (2-2) e Brasil (2-2). Bielsista convicto, Don Sampa conservou a aposta no grupo que não conseguiu identificar-se com Borghi, alterando a forma de trabalhar: exigiu intensidade máxima nos treinos e nos jogos; impôs um sistema e um modelo de jogo que maximizassem as qualidades dos jogadores, não abdicando dos princípios marcadamente ofensivos.

Num ápice, tudo mudou. O espírito coletivo ressurgiu, a qualidade exibicional cresceu e os resultados apareceram. Nem o sorteio adverso, que coloca os chilenos no grupo da campeã e da vice-campeã mundial, faz esmorecer o entusiasmo dos adeptos, que sonham alto. Sampaoli, mais comedido, sabe que o sucesso passa pelo triunfo na estreia, diante da Austrália, o que permitirá gerir a vantagem pontual sobre pelo menos um dos rivais diretos. Os mano a mano diante de Espanha e Holanda – num curioso confronto entre as correntes europeia e sul-americana do futebol moderno – prometem ser dos mais estimulantes da 1.ª fase.

TREINADOR: JORGE SAMPAOLI

Técnico argentino pouco conhecido no seu país, passou por Peru, Equador e Chile, onde brilhou na Universidad de Chile. Chegou a ser apelidado de louco, incompreendido, suicida e desavergonhado. A sua ideia de jogo é inspirada em Bielsa: atacar desde o início e ser protagonista.

A ESTRELA: ARTURO VIDAL

De fenómeno Punk transformou-se em Rei Arturo, o Gladiador, um dos médios mais completos e versáteis do futebol mundial. Unidade nuclear da Juventus, destaca-se pela disponibilidade física, audácia, agressividade e qualidade exímia no desarme, como também pela sua capacidade para conduzir, distribuir e finalizar jogadas ofensivas, explorando o remate de pé direito e a sagacidade na desmarcação.

Grande paixão pelo risco

Fiel a um estilo de jogo ofensivo e ao gosto pelo risco, Sampaoli tem no 3x3x1x3 o sistema de eleição. A ausência de um matador em boa forma e a necessidade de mais equilíbrio levaram à opção pelo 3x4x1x2, ficando o 3x3x1x3 e o 4x3x1x2 como alternativas. Fortíssimos a explorar as transições ofensivas, tirando partido da velocidade, poder de desmarcação e capacidade de desequilíbrio de Alexis e Vargas, os rojos sentem-se confortáveis a fazer a bola circular, muitas vezes em triangulações, e a explorar o jogo exterior através de Isla e Mena, sempre com Vidal a aparecer em zonas de remate.

A utilização de três defesas, agravada com a adaptação de Medel (1,72) a central, deixa a equipa muito exposta, em bola corrida ou parada, no futebol aéreo, e também às saídas em construção desde trás. A transição defensiva, fruto da aposta numa pressão média-alta/alta, e a reação à contra-transição exigem mais trabalho.
Rui Malheiro no jornal record

domingo, 26 de janeiro de 2014

Campeonato Nacional 1995-1996

Sporting na vanguarda

PRESSÃO ALTA

Talvez não haja ainda a noção do que se está a passar no futebol em Portugal, mas a verdade é que o sistema sobre o qual assentou a organização da bola indígena nas últimas décadas está a mudar. Por isso, há nervosismo. Por isso, estão a ficar muito bem delineadas as fronteiras entre aqueles que querem manter o “status quo” – porque beneficiaram com ele – e os que, cansados de serem gozados e roubados, pretendem novo paradigma.

É um caminho árduo e difícil porque, por exemplo, na arbitragem, o modelo que (des)regula o futebol, desde que se transformou em “indústria”, tem o alto patrocínio da FIFA e da UEFA, cujos organismos tornaram as federações (de cada país) suas escravas. A FPF, por isso, faz pouco, a não ser “manter as aparências”.

O Benfica deu o pontapé de saída. O desmantelamento do sistema, tal e qual como se aguentou durante anos, começou com o convencimento – da parte de Luís Filipe Vieira – de que o Benfica teria de aproveitar a sua enorme “força social” para se afastar dos mecanismos que estiveram na base da edificação de um “novo império”. Durante os primeiros anos da sua presidência, Vieira estava convencido da “amizade segura” de Joaquim Oliveira, quiçá a figura com maior responsabilidade na consolidação de um sistema que alavancou as vitórias do FC Porto. Teve de se sentir enganado e prejudicado muitas vezes para aceitar a constatação. E foi por isso, através desta sumária razão, que nasceu a Benfica TV e a vontade de não continuar a promover um determinado poder, através das renovações contratuais com a PPTV/Olivedesportos.

Este passo correspondeu ao momento da “revolução” e é bom que se tenha a noção da importância histórica desta decisão, porque foi ela que permitiu o (actual) PREC futebolístico.

Como em todas as revoluções, há sempre um tempo de avaliação dos danos. Vivemos esse tempo. Joaquim Oliveira sofreu um grande revés, perdeu parte significativa do poder, mas – apesar de nada ser como dantes – continua activo e a tentar fazer valer as suas influências.

Não é por acaso que Joaquim Oliveira e Pinto da Costa sempre se mantiveram juntos e unidos e não é por acaso que o “FC Porto de Pinto da Costa” nunca se envolveu em nada de substancial que permitisse a evolução da indústria do futebol em Portugal.

O que se está a passar com a Liga de Mário Figueiredo, e a pressão da sua destituição como presidente, é a prova de que essas influências ainda se fazem sentir. Principalmente junto daqueles que beneficiaram, durante anos, dessas influências. É bom ter a noção de que a sobrevivência de uma esmagadora maioria dos chamados “clubes profissionais” fez-se através das verbas relativas aos direitos televisivos e a pagamentos adiantados (cerca de 70% das equipas que participam na principal prova do futebol português estão dependentes do dinheiro das transmissões televisivas). Com isso condicionaram-se decisões e muitos tiveram de se remeter ao silêncio. Foi assim que o famigerado “sistema” se manteve intacto durante anos e anos.

O presidente da FPF está a evidenciar um sentido táctico notável. Joga em todos os tabuleiros. Guindou-se a uma posição de relevo com o alto patrocínio de Joaquim Oliveira e, agora, chegado aonde queria, falta-lhe dar a estocada final: acabar com a Liga. Acabar com a Liga (e com a visão reformista de Mário Figueiredo) é a manifestação e a consolidação de um poder e, ao mesmo tempo, a vingança de alguns dos seus apoiantes.

Estamos, pois, em pleno PREC e o contributo dado, agora, pelo Sporting, com um conjunto de reformas que visam transformar a face do futebol em Portugal, sempre muito pouco atreito à mudança, enquadram-se nesse movimento de transformação.

A arbitragem é o sector mais sensível e aquele em que vai ser mais difícil mexer. Veja-se a reacção de Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, ao pacote de medidas apresentadas por Bruno de Carvalho: “Ideias do Sporting não melhoram nada”.

Percebe-se a afirmação: Vítor Pereira tem, hoje, um poder no futebol português que mais ninguém tem: gerir as nomeações a seu bel-prazer. Sem ter de se justificar. Sem ter de explicar critérios. Nada.

É neste sentido que, não deixando de criticar os excessos, às vezes próximos de fórmulas antigas, saúdo o papel vanguardista de Bruno Carvalho. Algumas das suas propostas não são novas, mas é bom que faça valer a sua força para tentar tirar o futebol português do marasmo. Mas, ao comprar uma “guerra”, terá de estar vigilante...

JARDIM DAS ESTRELAS - *****

... E em Portugal?

A demissão de Sandro Rosell da presidência do Barcelona, justificada pelas ameaças que ele e a família vinham sendo sujeitos desde que foi tornado público o facto de alegadamente se ter apropriado de uma quantia muito significativa relacionada com a transferência de Neymar para o clube da Catalunha, vem lançar luz sobre as operações de transferência dos jogadores de futebol e a falta de transparência dos respectivos movimentos financeiros. Tudo começou com uma queixa de um sócio em tribunal e o acolhimento de um juiz.

Este é o nó górdio do futebol-indústria. A presunção de inocência existe, mas esta é uma temática que precisaria de mais e melhor investigação... também em Portugal.

O CACTO

“Fiuzada”

O presidente do Gil Vicente, António Fiúsa, começou por se confessar indignado com o facto de não ter sido informado oficialmente da marcação do jogo com o Benfica, da Taça da Liga, para o Estádio do Restelo. Tinha razão. Protestou. Entretanto, recebeu um pedido de desculpas por parte do Benfica e acalmou. Sabia, certamente, o presidente gilista que o regulamento da Taça da Liga (artigo 9, ponto 7) lhe conferia a possibilidade de jogar no seu estádio. Não o fez, porquê? Não seriam apenas vantagens? Perdeu a razão, sobretudo porque não soube defender os interesses do clube a que preside.
Rui Santos no jornal record

sábado, 25 de janeiro de 2014

Miklos Fehér: há 10 anos, no relvado de Guimarães, caía e apagava o último sorriso

Acordar, olhar para o calendário e pensar: já lá vão 10 anos... Não há adepto, treinador, jogador, jornalista, árbitro, dirigente que, ao rever as imagens da trágica morte de Miki Feher, não solte um arrepio, não encharque os olhos, não suspire!

De repente, acontece algo que ninguém estava à espera e do qual eu nunca tinha ouvido falar, sequer
Fernando Aguiar
 A televisão mostrou, primeiro, um estorvo do húngaro ao lançamento de um adversário, depois, um cartão amarelo do árbitro, a seguir um sorriso, aquele inesquecível sorriso completado com uma mão a soltar o cabelo loiro, humedecido por suor e chuva fria. Tudo normal, até ao estranho amparo do tronco com as mãos nos joelhos... Cansaço? Talvez. Mas não, o estrondo que se seguiu ditou a queda fatal, com o cabelo loiro a ser atirado violentamente ao solo. Os jogadores acudiram, Sokota deslizou-o para uma posição lateralizada, enquanto outros chamavam desesperadamente os intervenientes médicos. O estádio assobia, pensando tratar-se de anti-jogo do adversário, pela curta vantagem, mas logo sustém a respiração ao ver Tiago com as mãos na cabeça, Miguel ajoelhado e de rosto tapado, Simão impotente. Miklos Fehér, Miklos Fehér!! Cantou-se a uma só voz, surgiu um laivo de esperança, Argel pediu apoio, as vozes multiplicaram-se... Mas tudo foi insuficiente. Inacreditavelmente para os seguidores de um futebol muito raro nestas coisas, Fehér não voltaria a acordar...

Fehér não era um jogador de top mundial, não era um jogador de top do campeonato português, nem sequer era um titular no Benfica, como não tinha sido no FC Porto. Era, quando muito, uma promessa do futebol húngaro e do campeonato nacional. Mas a vertente futebolística não é chamada ao caso. Fehér tornou-se um símbolo, não apenas do Benfica ou da Hungria, mas de Portugal e do futebol.

25 de janeiro, noite em Guimarães, frio e chuva brindavam um intenso, mas mal jogado, Vitória SC x Benfica. Fehér estava a jogar pouco,
vinha de apenas uma participação nos anteriores quatro desafios para o campeonato, só que Nuno Gomes não pôde ir a jogo e, face ao nulo, o avançado foi a primeira opção de Camacho, entrando ao minuto 58 para o lugar de João Pereira.

A vitória haveria de chegar em cima do minuto 90, contra a equipa vitoriana (que, na altura, era treinada por Jorge Jesus), através de um golo de outra opção vinda do banco de suplentes: Fernando Aguiar.

«Todos os anos, por esta altura, passa-me sempre a mesma coisa pela cabeça: marcar o golo e logo a seguir o Miklos cair para o lado. Logo na hora tive aquele feeling de que algo estava mesmo muito mal», referiu, ao iniciar a conversa com o zerozero.pt, relativamente a um tema que mostrou recordar com lucidez.

«Nunca estamos à espera de uma coisa destas. Era um jogo numa noite fria e de chuva e acontece algo que ninguém estava à espera e de que eu nunca tinha ouvido falar, sequer. Foi trágico, pois estávamos a fazer aquilo que fazemos sempre, que é jogar futebol», considerou.

O desespero foi visível, no estádio e na televisão, mas prolongou-se pelas horas seguintes, numa apreensão lógica de quem sentia o palpitar de uma catástrofe a chegar. Angústia, medo, ansiedade, pânico e um balneário rasgado por gritantes ruídos de... silêncio.

«Quando chegámos ao balneário imperou o silêncio, no máximo havia os que abraçavam outros. Ali só queríamos tomar banho rapidamente para irmos para o hospital, embora soubéssemos que a situação era muito negra e muito grave», explicou Fernando Aguiar, nesta entrevista ao zerozero.pt.




Tragédia que fortaleceu união, mas que não sai da memória

Fernando Aguiar ainda joga futebol. Ou melhor, tinha parado em 2009, no Gondomar, mas regressou este ano para representar o Pedrouços, aos 41 anos. Fehér continua presente...

«Confesso que, a partir daí, fiquei um bocado abalado, com medo que alguma coisa me acontecesse, estava sempre com a mão na pulsação. Ainda hoje, quando há um treino mais forçado, acabo a pensar nisso e a controlar a respiração para me certificar que está tudo bem comigo», confessou.



Adeptos encarnados uniram-se após morte de Fehér ©João Matos
 
Naquela altura, a equipa já via o FC Porto de Mourinho destacado na frente do campeonato, uma formação que, resto, viria a sagrar-se campeã europeia. Porém, faltava a Taça de Portugal e, no Jamor, Benfica e FC Porto discutiram o troféu. Fyssas e Simão Sabrosa fizeram os golos da vitória por 2x1, que serviu não apenas para o regresso à conquista de títulos, mas também para homenagear o camisola 29, que tinha deixado um grupo «ainda mais unido».

«Éramos um grupo forte e amigo, mas aquilo tornou-nos ainda mais unidos e queríamos ganhar alguma coisa para simbolizar aquela época. Acabámos por ganhar a Taça de Portugal e a união foi realmente enorme, tanto que ainda hoje falo frequentemente com muitos dos meus colegas da altura», considerou o médio luso-canadiano.

Fehér, o reservado, estava a aparecer

Somava 24 anos e meio (faria 25 em julho) e tinha chegado a Portugal muito cedo, para o FC Porto. Chegou a comemorar o Penta, só que esteve noutras paragens (Salgueiros e SC Braga) para ter mais oportunidades e acabou por sair dos dragões em litígio.

Seguiu-se o ingresso no Benfica e uma época e meia de águia ao peito. Na primeira, tinha feito
quatro golos em 18 jogos, na segunda já levava mais um jogo disputado e o mesmo número de golos, o último dos quais contra os belgas do La Louvière (1x0), no Estádio do Bessa, em jogo da Taça UEFA.


Miki Fehér
SuperLiga 2003/2004
13 Jogos   448 Minutos
3   1   0   02x

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O espaço ia sendo trilhado a pulso, por causa da forte concorrência, mas Miklos Fehér conseguiria a afirmação, segundo a convicção de Fernando Aguiar: «O Fehér tinha uma concorrência bastante forte. O Sokota estava muito bem naquela altura, muito forte e agressivo, a quem não era fácil tirar o lugar. O Nuno Gomes era um excelente avançado. Contudo, o Fehér era novo e estava a aparecer, não tenho dúvidas de que seria um avançado que se iria afirmar no futebol português».

E, para além do jogador, que pessoa se perdeu? «Não era uma pessoa de muita conversa. Era muito reservado e gostava de estar no seu cantinho. Apesar de gostar de entrar nas brincadeiras, não era uma pessoa extrovertida, mas toda a gente gostava dele».

​A vida de Miklos levou um pontapé de surpresa, que enganou toda a gente, naquela fatídica noite
. Existem os passes, os cruzamentos, os dribles, os desarmes, os golos e tudo no futebol parece ter um efeito de sucesso e também uma fórmula que contrarie a lógica. Tudo, menos a morte, porque nisso também o futebol é pequenino...

Até sempre, Miklos Fehér!

«Manuel Fernandes ataca Pinto Costa»

Lucho deixa o FC Porto

lucho estava convocado para a partida desta tarde com o Marítimo, a contar para a Taça da Liga.
 
Lucho Gonzalez não é mais jogador do FC Porto, deixando o clube azul e branco na reabertura do mercado, avançou esta tarde a RTP1. O médio argentino ruma ao campeonato do Catar, onde o espera um contrato de um ano e dois meses a troco de 4,5 milhões de euros.
 
o campeonato português fica mais pobre...
 
 

«Já lancei 28 jogadores da equipa B»

ADMITE QUE IMATURIDADE TEM CUSTADO PONTOS
Imaturidade tem custado muitos pontos ao Marítimo, mas o técnico acredita na qualidade do grupo, que tem forte contributo da bandeira do clube...

RECORD – A época tem sido difícil para si, com um plantel muito jovem. É preciso coragem do treinador para assumir este risco?

Pedro Martins – É preciso coragem e conhecer a realidade do clube. Ter a noção que, neste momento, o Marítimo não é o mesmo de há 15 ou 20 anos, onde existia saúde financeira e havia a possibilidade de contratar jogadores de grande qualidade. Hoje as coisas são diferentes, porque financeiramente não é fácil acompanhar outros mercados emergentes, como a Rússia, o Chipre ou a Roménia. Mas também porque o Marítimo é agora um clube formador. É essa a sua grande bandeira e trabalha nessa perspetiva. Com visão, rigor e de forma a potenciar os seus ativos.

R – Isso tem custos a nível de resultados imediatos...

PM – Este ano é uma realidade e nós temos explicações. Até hoje temos tido bons resultados, mas houve uma debandada nas últimas três épocas de jogadores de grande qualidade, para bons clubes. Estou a falar do Roberto Sousa, Rafael Miranda, Peçanha, Marquinho, Benachour, Roberge, o próprio Salin – que agora voltou –, João Guilherme ou Olberdam. São jogadores que nos dariam uma grande capacidade e permitiriam que os mais jovens crescessem de outra forma. Com este tipo de jogadores, é evidente que estaríamos noutra posição. Mas o mercado exigiu que não conseguíssemos segurar estas mais-valias. Era incomportável.

Se eu achasse que esta equipa não tinha valor, não estaria a colocar objetivos que não conseguiria

R – Quantos jogadores lançou da equipa B?

PM – Desde o momento em que estou aqui, já lancei 28 jogadores da equipa B. E chegamos a esta fase onde temos muita juventude e não encontrámos ainda o ponto de equilíbrio. Esta equipa tem qualidade, volto a afirmar, e o futuro vai dar-me razão. Dou como exemplo os guarda-redes, que são todos jovens. Chegou agora o Salin, mas a aposta entre o Sá e o Welligton foi sempre nesse sentido. Os centrais eram praticamente da equipa B, pois subiram três, e têm necessidade de crescimento. Temos ainda como exemplo o Alex [Soares], que praticamente não jogou na equipa B, mas como há esta visão e pela forma como entendo o futebol, acredito muito que ele vai ser o jogador que pretendemos. E ele já o demonstrou. Está numa fase menos boa, que é característica da juventude. Se olharmos a esta juventude toda e à aposta que fizemos – porque o mercado não nos permitia mais –, também temos uma boa rede de prospeção, mas não conseguimos chegar onde pretendemos. O nosso mercado virou-se para atletas como o Danilo Pereira ou o Theo Weeks, que continuam na mesma a ser jovens. O próprio Derley e o Rodrigo Lindoso vieram de uma 3.ª Divisão brasileira, que é completamente diferente. O Derley felizmente conseguiu adaptar-se rapidamente, mas o Rodrigo não.

R – Além do Salin, esta equipa não precisa de mais experiência?

PM – Nós precisamos, mas também acredito que estamos muito próximo da nossa estabilidade. As coisas não se fazem de um dia para o outro. É preciso trabalho e é nesse sentido que temos feito. Por isso, nesta fase em que os resultados não são os desejados, se o próprio presidente Carlos Pereira não tivesse esta visão e esta forma de pensar, provavelmente eu já não estaria aqui hoje. Ele de facto tem sido coerente, mostrando toda a tranquilidade e acredita no trabalho desenvolvido. Não só meu, como de toda a estrutura que está por detrás. Acredito que vamos entrar num novo ciclo e ainda havemos de ter uma palavra a dizer. A equipa tem dado sinais de evolução.

R – O que quis dizer com a frase: ou vou à Europa ou demito-me?

PM – Foi uma frase. Normalmente, a imprensa gosta sempre da questão se eu continuo ou não. Já ouvi muita gente dizer que eu e o presidente não estamos sintonia e não tem nada a ver. O que eu simplesmente disse foi que esse era um objetivo que nós traçámos, sabendo que era muito difícil e ambicioso. Na minha perspetiva, não é uma forma de pressionar os atletas, antes pelo contrário, mas uma forma de os fazer ver que este é o caminho. Pressão vão ter sempre, como acontece a quem quer andar a este nível. É evidente que o Marítimo exige mais do que outros e o nosso orçamento, comparativamente a equipas da parte baixa da tabela, é exatamente o mesmo, se calhar inferior. Não estou arrependido por o ter dito e voltaria a fazê-lo, porque assim obriga o atleta a sair da sua zona de conforto e estar a evoluir num processo que achamos ter capacidade para o fazer. Se eu achasse que esta equipa não tinha valor ou qualidade, obviamente que não estaria a colocar objetivos aos quais não conseguiria chegar. Como assumo as minhas responsabilidades e sou um treinador responsável e ambicioso, simplesmente disse que a partir do momento em que não conseguirmos os nossos objetivos, a minha carta estará em cima da mesa. Porque eu sou uma pessoa séria.

R – Ainda acredita na Europa?

PM – Acredito. O campeonato vai a meio, já houve aqui muitas trocas e situações de alguma volatilidade, e acredito que, se a equipa conseguir duas ou três vitórias consecutivas, volta a estar nos seus lugares. Temos de continuar a trabalhar e sermos persistentes e perseverantes. Temos de entender que a nossa prestação tem sido fruto de alguma imaturidade. A equipa esteve em muitos jogos a ganhar e perdeu pontos.

«Vamos serenar e estancar os golos sofridos»

R – Trinta golos sofridos são um número significativo em 16 jogos na 1.ª Liga. O problema está só na defesa, ou na forma como a equipa defende?

PM – Repare: estou aqui há quatro anos, e se alguma vez era elogiado, era pela forma como a equipa se apresentava, pois era muito coesa em todos os momentos. O trabalho é exatamente o mesmo, mas volto a frisar que em muitos momentos não conseguimos dominar as fases do jogo. Isso é que tem sido extremamente negativo este ano. Mas quando nós dominarmos tudo isso, tenho a certeza que a equipa vai serenar e estancar os golos que temos sofrido. No entanto, fruto também da nossa irreverência e juventude, é um facto que nós somos um dos ataques mais realizadores – salvo erro o quinto melhor.
 
«Heldon é o extremo que tem mais valor em Portugal»
ESPERAVA RENDIMENTO SUPERIOR DE ALGUNS ELEMENTOS
Pedro Martins destaca evolução de Heldon: "Tem registo impressionante", considera...

R – Esperava mais de alguns jogadores, como Márcio Rozário, Sami, Danilo Dias ou o próprio Artur?

PM – Claro que sim, e não o escondo. Estaria à espera de mais dos mais experientes, como estaria à espera que a equipa tivesse mais pontos. Mas também devo frisar que temos um jogador como o Heldon, que transitou comigo e fez este caminho desde a equipa B – ele que no Fátima era suplente – e neste momento é, provavelmente, o extremo com mais valor do futebol português. Porque um extremo, não sendo de equipa grande e tendo 9 golos, é de facto um registo impressionante. E demonstra bem a evolução que teve. O Derley também merece realce. Entre os quatro melhores marcadores da Liga estão um Montero e um Jackson, contratados com valores completamente distintos, bem como dois jogadores nossos.

R – Um dos que não cumpriu as expectativas foi o Rodrigo Lindoso. Um jogador com cartel no Brasil, mas que não se impôs no ritmo europeu?

PM – Não se adaptou. O Rodrigo tecnicamente é um jogador muito evoluído e nunca tive dúvidas, pois vi muitos jogos. Curiosamente, ao ver tantos jogos dele descobrimos o Derley. Nessa altura, o Suk ainda não estava vendido e até lhe posso contar uma história curiosa: quando o presidente veio dizer-me que tínhamos de rentabilizar o ativo que era o Suk e perguntou como é que íamos resolver o problema, respondi-lhe: “Esteja à vontade, porque já temos o Derley”. Tenho a certeza que nos vai dar aquilo que pretendemos. Já o Rodrigo era um jogador de quem esperávamos imenso, mas nunca se conseguiu adaptar à intensidade do futebol português e europeu, nem conseguiu entender o jogo que queremos.

R – Agora chegou o Fransérgio. É um 6 ou um 8?

PM – É um 6-8. Gosta mais de jogar a 8, mas é adaptável a outra posição. Devo frisar, fruto mais uma vez das nossas limitações, que tínhamos dito que precisávamos de um jogador experiente, mas não há no mercado, pelo menos de acordo com aquilo que podíamos pagar. O Fransérgio é um jogador jovem, que vai ter de evoluir e de crescer. Primeiro, já está há mais de um mês sem se treinar e competir, pelo que vai ter esse trabalho extra. Vai ter esse tempo de adaptação ao futebol português e também de crescer como atleta. Não está formatado e precisa do seu tempo.

R – É um jogador que chega bem à área e remata forte?

PM – É uma característica. Mas tem de trabalhar intensidades, porque no Brasil é diferente. Agora, é um jogador que faz uma boa leitura de jogo e tem um pontapé forte.

«Amar e Edivândio vão ter a sua oportunidade»

R – O grosso do plantel veio da equipa B. Podem vir mais? Amar ou Edivândio, por exemplo, vão ter uma oportunidade?

PM – Edivândio, Amar, Kukula... Claro que acredito neles. O Amar muito brevemente vai subir e fazer o seu trajeto, pois é um jogador que estamos a equacionar para transitar para a equipa A. Houve jogadores que subiram e desceram e não conseguiram apanhar o comboio, mas felizmente o Edivândio este ano está a fazer uma época bem melhor. E com este crescimento vai voltar a ter a sua oportunidade. Jogadores com as características do Edivândio há muito poucos.
 
«Com Barreiros pronto o clube vai crescer»
MAIOR APOIO E MOTIVAÇÃO PARA OS JOGADORES
"Se calhar, o Marítimo não cresceu mais devido às suas infraestruturas, que não são as ideais para o crescimento", admite...

R – As obras dos Barreiros podem recomeçar finalmente em fevereiro. É importante para o clube ter a obra pronta, para ter outro ambiente?

PM – Claro que sim. Ainda agora fizemos dois jogos fora e a atmosfera é completamente diferente. Não tenho dúvidas que, com o Estádio dos Barreiros pronto, o próprio clube vai crescer imenso, pois vamos ter mais gente a ver os jogos, há uma maior pressão sobre o adversário e maior motivação para o atleta. Se calhar, o Marítimo não cresceu mais devido às suas infraestruturas, que não são as ideais para o crescimento.

R – Vê-se no futuro a dirigir o Marítimo no novo estádio, numa prova europeia?

PM – Tenho esse sonho. Gosto muito do clube, do projeto, que é desgastante mas altamente aliciante. Tenho uma boa relação com o presidente e toda a estrutura tem-me dado todo o apoio. Mesmo nestes momentos difíceis, senti sempre uma enorme lealdade das pessoas que estão a trabalhar comigo e ainda sinto que há uma grande empatia entre mim e a massa associativa.

R – O presidente disse que contava consigo até final da época. Vai dar continuidade a este projeto mais alguns anos, ou pode dar o salto para outro patamar?

PM – Não sei. O meu foco nesta altura é potenciar estes jovens e levá-los a um nível que sei que podem atingir. Essa é a minha obrigação, bem como lutar pelos objetivos ambiciosos que traçámos. Se conseguimos ou não, no futuro falaremos.
Através do jornal record