segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Os maus da fita

A COLUNA DA CRISTINA



São eles. Os árbitros. Os que de negro vestidos, ou quase sempre, trazem à luz as regras de um jogo que tem de se cumprir. Sempre apontados como culpados - para quem perde - acho-os desvalorizados.

Sinceramente. São homens de trabalho paralelo, que correm como os outros. Estão sozinhos num campo de confronto em que nem sempre são respeitados. Coitadas das mães que são tão chamadas ao jogo. Sempre nomeados como filhos da... Gostava de saber se algum deles já chorou numa dessas tardes ou noites mais difíceis. A propósito, pode um árbitro chorar? Já vimos jogadores, guarda-redes, treinadores, adeptos, todos num mar de lágrimas por vitórias ou derrotas.

Mas, por acaso, já viram algum árbitro chorar em campo? Ele, que entrou com um objetivo, que queria um bom jogo, que nunca pode deslizar. Ele, que tem de ver tudo o que se passa. Ele, que é como todos os outros: humano. E que no dia seguinte tem de regressar ao seu trabalho - seja advogado, engenheiro ou pedreiro. Que tem filhos, mulher e amigos. Que ganha menos do que todos os outros que estão no relvado. Não levanta os braços de emoção nem levanta a camisola quando um jogo lhe corre bem.

Coitadas das mães que são tão chamadas ao jogo

Como pode um árbitro festejar as suas vitórias? Onde chora quando um erro seu compromete um jogo? Talvez o faça, sim, como qualquer outro juiz. Talvez no momento em que abandona a sala. Longe das audiências. Cristina Ferreira no jornal record

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