quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O choque do Lopetegui

CADERNO DE APONTAMENTOS


Agora sim, é caso para se dizer que, finalmente, o FC Porto funciona como equipa. Mérito de Julen Lopetegui, como é óbvio, que, depois de uma fase em que andou um pouco às aranhas, o que de certo modo se compreende atendendo à sua estreia numa nova realidade, parece ter encontrado um rumo, por onde tem vindo a desenvolver o seu trabalho profissional, que, até à data, tem dado bons frutos. Antes do mais, os dragões recuperaram valores essenciais da alta competição, como são os exemplos concretos de uma ordem, criteriosa, no terreno de jogo, a par de uma saudável tranquilidade na forma como elaboram o seu jogo, e ainda sem faltar atrevimento nas suas ações.

Para tal situação muito contribuiu o facto de Julen Lopetegui ter definido o seu onze, nos dias de hoje cada vez mais sólido e sem estar sujeito a grandes surpresas, afinal a rotatividade parece ter sido preterida nas suas preocupações, e o que é certo é que a equipa do FC Porto está, de facto, mais solidária e sobretudo voltou a ser aquilo que era, ou seja, uma equipa de hábitos. Por agora, há apenas duas posições com pequenas dúvidas ou, dizendo melhor, que não são assim tão indiscutíveis como as restantes; falamos, claro, de um dos lugares no eixo defensivo – embora Marcano ganhe terreno a Maicon – e do lado esquerdo do ataque em que Ricardo Quaresma perde vantagem para Tello. Duas gotas no oceano se atendermos ao que vinha sendo feito.

Mudança de atitude do treinador nas últimas semanas tem favorecido os interesses do clube

Esta mudança de atitude de Lopetegui tem favorecido os interesses do clube, que nas últimas semanas se apurou para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões – registo importante pelo lado desportivo mas sobretudo financeiro – e discute a liderança da Liga nacional, desta vez de uma forma mais firme. O tempo corre à feição do treinador basco, que nos próximos dois meses e meio ainda pode e deve ter uma gestão humana mais racional, atendendo ao facto de a principal prova da UEFA só voltar em fevereiro. Tempo, pois, indispensável para concentrar as energias no campeonato português, numa altura em que a liderança pode estar para breve. A não ser que Julen Lopetegui volte a fazer das suas, o que não seria de estranhar, embora se duvide.
Jorge Barbosa no jornal record

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