sábado, 13 de dezembro de 2014

Escândalo?! Se era o FC Porto...

PRESSÃO ALTA

Bem sei que as atenções já estão viradas para o FC Porto-Benfica e que o “caso” tende a esvaziar-se, como acontece com quase todas as polémicas no futebol português, mas nem as audições de Ricardo Salgado, José Maria Ricciardi e Queiroz Pereira, no Parlamento, nem os rescaldos que se vão realizar do prélio no Dragão na próxima semana devem contribuir para abafar os efeitos da não utilização de Deyverson e Miguel Rosa, jogadores do Belenenses, na ronda passada, no Estádio da Luz. Não há outra forma de adjectivar o que aconteceu: um escândalo e uma séria ameaça (continuada) à Verdade Desportiva, se não se aproveitar (mais) este mau exemplo para se colocar alguma ordem na “casa” (desgovernada) do futebol português!

Um escândalo, porquê? Porque os jogadores estavam e estão vinculados sob contrato ao Belenenses e porque a “opção de recompra” pode configurar um empréstimo encapotado. Um escândalo, porque os jogadores não se achavam lesionados e vinham sendo, como ainda são, as pedras de maior eficácia da equipa de Lito Vidigal. O presidente da SAD do Belenenses, Rui Pedro Soares, arriscou-se a ficar em xeque perante a massa associativa do clube, mas aqui está um exemplo, entre muitos outros, que quem detém o controlo de uma SAD pode fazer aquilo que bem lhe aprouver. Os adeptos podem levar tarjas para as bancadas (“RPS és uma vergonha!”), mas não se passa nada, a indignidade está fomentada e os resultados, nesta ou noutras situações similares, são homologados. O clube pode piar (como piou), mas tem de piar baixinho, porque baixinha é a sua representatividade na SAD.

Não há nada que favoreça a postura da SAD do Belenenses nesta matéria. Nunca saberemos o que aconteceria se os dois jogadores alinhassem, mas não é aceitável, à luz de nenhum princípio, que um máximo responsável pelo futebol de uma instituição concorra para que essa equipa não se apresente na máxima força. Rui Pedro Soares, ao apressar-se a desmentir qualquer tipo de envolvimento do Benfica, fez-me lembrar Pinto Monteiro quando tentou justificar-se perante a notícia do almoço, no Aviz, com José Sócrates: era por causa de um livro, senhores!

Rui Pedro Soares, ao apressar-se a desmentir qualquer tipo de envolvimento do Benfica, fez-me lembrar Pinto Monteiro quando tentou justificar-se perante a notícia do almoço, no Aviz, com José Sócrates: era por causa de um livro, senhores!

Não é claro que Rui Pedro Soares e, já agora, Tiago Ribeiro, do Estoril, figuras benquistas pelas “forças vivas” do futebol, são dois dirigentes talhados especialmente para o(s) negócio(s)? Já todos percebemos – não precisam de nos atirar poeira para os olhos – que o Benfica funcionou como banco. Proporcionou liquidez à SAD do Belenenses, ficando com o direito de preferência sobre um conjunto de “activos” azuis e, naqueles dois casos, com o direito de recompra. Estes “arranjos” são um tiro fulminante nas integridade das provas. O Belenenses aceitou perder a dignidade para aumentar a liquidez. Pode falar-se de um mecanismo de sobrevivência, mas se os clubes mais frágeis desportiva e financeiramente começarem a ceder perante este expediente e se os menos frágeis se sentirem compensados com a “jogada”, os campeonatos passam a ser, literalmente, uma fraude.

O Benfica também não pode tirar o cavalinho da chuva, como se nada tivesse a ver com o assunto. O Benfica e Vieira querem Verdade Desportiva em todas as circunstâncias ou querem a verdade desportiva da qual tiram benefício? No passado, o FC Porto protagonizou alguma situações similares mal explicadas, embora com empréstimos formais. Todas elas, no passado, criticadas pelo Benfica. O regulamento de competições da Liga impede acordos, concretamente no seu artigo n.º 52 (cedência de utilização temporária): “Nas situações de cedência de utilização temporária de um jogador por parte do clube a que se mostre contratualmente vinculado a um outro clube, são nulas e de nenhum efeito quaisquer cláusulas, ainda que estabelecidas ou acordadas entre as partes intervenientes, e nomeadamente entre clube cedente e clube cessionário que, por qualquer forma, visem limitar, condicionar ou onerar a livre utilização do jogador em causa por parte de clube cessionário na vigência do período de cedência temporária”.

Se este caso ostensivo que envolveu Deyverson e Miguel Rosa tivesse envolvido, directa ou indirectamente, o FC Porto, o que não se teria dito?!... Seria importante que o FC Porto e Pinto da Costa fossem guardiões da Verdade Desportiva? Sem dúvida! Mas... não sendo, também não são hipócritas. E se isso não protege as competições, pelo menos marca uma diferença.

O novel presidente da Liga, Luís Duque, “sugeriu” uma participação e ela foi ontem “anunciada”. Uma coisa é certa: num país em que as Federações e as Ligas não andassem a fazer-de-conta, no sentido da protecção da integridade do futebol, isto não ficava assim...

JARDIM DAS ESTRELAS (5)

FC Porto-Benfica-tudo em jogo

O jogo de amanhã no Dragão é mais do que um “clássico”. O Benfica tem alguma margem de manobra (o empate, em tese, seria bom), mas o FC Porto sabe que uma vitória significa anular a vantagem dos encarnados e só isso é uma grande motivação para o resto da prova. Lopetegui parece mais adaptado e já não mexe tanto numa equipa com muitas soluções (bom trabalho da SAD e do novo treinador no pós-2013/14).

O Benfica tenta tirar partido da “escola Jesus”: as soluções deste plantel não são tão boas, mas a forma como a equipa interpreta os princípios “chipados” pelo treinador corresponde a um argumento forte. O FC Porto é favorito, mas, nestes jogos, o favoritismo vale o que vale. Não é só a parte desportiva que está em jogo. São as relações institucionais. É o primeiro “clássico”, desde há muitos anos, que se realiza em ambiente de concórdia. E... depois do jogo de amanhã, como será?...

O CACTO

A mentira

Não está na “ordem do dia”, mas é preciso começar a perceber a megalomania, a utopia e a mentira: 13 clubes da 1.ª Liga (72,2% do total), ao cabo do primeiro terço do campeonato, não conseguem meter em média mais de 3.005 espectadores nos respectivos estádios, nos jogos do campeonato. A quem interessa este futebol profissional sobredimensionado? Só se for à Dona Falência.
Rui Santos no jornal record

3 comentários:

71460_5/8 disse...

De todos os jogadores "emprestados" com opção de recompra só os do Belenenses é que não jogam contra o Benfica... e isto de um clube com um presidente de SAD que é um dragão de ouro...

Anos a fio com casos polémicos mas só passa a "escândalo que não pode ser esquecido" quando envolve o Benfica... lol

Anónimo disse...

Só por ignorância, vigarice ou burrice é que se fala num caso de jogadores que são do Belenenses, como estando emprestados (e antes que falem o Arouca,por exemplo têm jogadores na mesma situação e que jogam sempre contra o benfica)... Só por ignorância, vigarice ou burrice é que não se fala em Kleber do Estoril...
o Rui Santos já mostrou ser vigarista e o seu ódio ao Benfica, e os outros???

Perfeito Correia disse...

Não sei como é possível a um tipo sério fazer um post inteiro com as baboseiras, as mentiras, a filha-da-putice de um anão como o asqueroso rui santos!
Viva o Benfica!