quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O trambolhão de Jorge Jesus

ENTRADA EM CAMPO

Está novamente adiado o projeto europeu do Benfica e desta vez a queda foi com estrondo. O regresso à primeira linha internacional só seria concretizado com a afirmação do clube a um nível razoável na Liga dos Campeões – o que, com Jorge Jesus, nunca aconteceu.

As duas finais da Liga Europa, ainda para mais no contexto em que atualmente a prova se disputa, não chegaram para devolver a glória de outros tempos. Essas duas campanhas foram muito meritórias e culminaram, aliás, em duas finais injustamente perdidas. O problema é que não serviram para dar forma ao sonho maior de Luís Filipe Vieira, que foi capaz de criar condições para que o Benfica tivesse nos últimos anos plantéis de qualidade talvez irrepetível. É evidente que uma final da Champions era um voo demasiado alto, mas Jesus deveria ter feito muito melhor. Tinha obrigação disso, aliás.

O trambolhão de ontem acabou por nem constituir grande surpresa. O Benfica foi na Rússia aquilo que tem sido esta época: uma equipa previsível e a forçar um estilo para o qual lhe faltam as peças certas. Não é a qualidade que está em causa. É, sim, a insistência numa ideia estafada e nalguns caprichos que já não fazem sentido.

Na Europa é quase impossível seguir em frente a jogar a este nível

Em Portugal, com mais ou menos dificuldade, dá para ir ganhando, mas na Europa é quase impossível seguir em frente a jogar a este nível. Jesus sai precocemente da Champions na época em que mais técnicos portugueses lá estão: Mourinho, Villas-Boas, Leonardo Jardim, Paulo Sousa e Marco Silva. Um deles (Mourinho) já qualificado e todos os outros ainda com boas hipóteses de chegarem aos oitavos-de-final.

As coisas correram tão mal a Jesus, que desta vez nem sobrou a Liga Europa. Terá mais tempo para preparar o ataque ao bicampeonato que o Benfica falha há 30 anos.
Artigo de Nuno Farinha no jornal record

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