segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A remuneração do Conselho de Administração

Foi uma das questões mais debatidas desde a saída do R&C de 2013-14: os salários do Conselho de Administração da SAD, numa época em que só foi conquistado um título (a Supertaça) e que terminou com o maior prejuízo da história da FC Porto SAD.

O salário fixo de Pinto da Costa:
oito vezes menos que Jorge Jesu
s
Recordando: em 2012-13, o FC Porto foi tricampeão, sem qualquer derrota na época em questão; foi aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões; venceu mais uma Supertaça (o terceiro mais importante troféu do calendário nacional, na medida em que só chega a disputar a Supertaça quem ganha um dos outros dois mais importantes - Campeonato ou Taça de Portugal); terminou a época com um lucro de 20,3M€ na SAD. Em 2012-13, houve uma remuneração fixa de 1,12M€, além de 896 mil euros em gratificações.

Já em 2013-14, época com apenas uma Supertaça conquistada, um desolador 3º lugar no Campeonato, uma campanha europeia para esquecer (tanto na Champions como na Liga Europa) e derrotas com o Benfica na Taça da Liga e na Taça de Portugal, além do maior prejuízo da história da SAD (40M,7€). O Conselho de Administração da SAD recebeu, por esta época, 1,401.5M€ de remuneração fixa, além de 896 mil euros em gratificações.

Que Pinto da Costa, o presidente mais titulado da história do futebol mundial, tenha uma remuneração fixa bruta anual que é um oitavo do que recebe Jorge Jesus, não choca. Aliás, choca: devia receber bem mais. O questionável é um aumento do salário fixo de 30% quando comparado com as épocas desportivas anteriores (e financeiras - estamos a falar de uma diferença de 60M€ entre um exercício e outro, independentemente de 2013-14 não incluir as mais-valias necessárias), ainda que em 2013-14 tenha reforçado a sua posição de acionista. 

Reinaldo Teles, Adelino Caldeira e Angelino Ferreira também tiveram um aumento base de 19,5%, sendo que no caso do ex-responsável pela pasta financeira a remuneração ficou-se pelos 225,5 mil euros, pois foi substituído por Fernando Gomes, que recebeu 82 mil euros por 4 meses de trabalho. A remuneração de Antero Henrique não é revelada, por não pertencer ao CA.

Recuando a 2011-12, época de campeonato e Supertaça, a remuneração fixa foi a mesma de 2012-13: 1,12M€. Em 2010-11, o mesmo: 1,12M€. O que reforça a questão: porquê o aumento da remuneração fixa naquela que foi a pior época financeira da história da SAD e uma das piores a nível desportivo?

De realçar que em 2013-14, entre remuneração fixa e variável, a administração recebeu 2,297.5M€. Em 2010-11, época de Campeonato sem derrotas, Supertaça, Taça de Portugal e Liga Europa, o pagamento foi de 3,08M€, a grande parte em variáveis (e bem merecidas). Uma diferença que se explica pelo sistema na altura aplicável.

Ser campeão nacional dava direito a 75% de prémio sobre o salário bruto. Ser 2º ou 3º classificado valia 50% de bónus (se o objectivo assumido é ser campeão, e se se prepara uma época para isso, não faria sentido o 2º ou 3º lugar dar direito a remuneração variável - daí que o CA tenha renunciado a este direito desde 2008). Ganhar a Liga Europa dava direito a 100% de variável e a Champions a 120%. Estas variáveis deixaram de ser aplicáveis e a SAD informou que já não prevê prémios anuais predefinidos.

Sobra a questão: quais os benefícios de se renunciar aos prémios anuais predefinidos se numa época de 40,7M€ de prejuízo, sem objectivos desportivos cumpridos, consegue haver aumentos salariais entre 19,5% e 30% na remuneração fixa e as gratificações não sofrem alterações?

Que todo o Conselho de Administração do FC Porto - e se for preciso também Lopetegui - não chegue a ganhar tanto como Jorge Jesus, até justifica o aumento. Mas se houve um aumento em 2013-14 quando nada o justificava - nem o contexto financeiro, nem o desportivo -, que os juros sejam aplicados em 2014-15. Em títulos e na recuperação financeira e do prestígio europeu, claro.
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