sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Os trabalhos de Duque

ENTRADA EM CAMPO
Terminada (ou pelo menos interrompida) a indignação leonina pela escolha de Luís Duque para presidente da Liga, é altura de encarar a “eleição” como facto consumado e aceitar como bons todos os contributos (incluindo os do Sporting) que ajudem a “salvar” a Liga e a melhorar o futebol português.


É neste contexto que Luís Duque terá de cumprir uma missão complexa e difícil, mas que se apoia num amplo consenso (muito raro na história dos processos eleitorais da bola indígena) e que, nesse sentido, lhe permite sentir-se confortável para poder focar-se no essencial.


Há menos de três anos, Fernando Gomes deixou a Liga saudável e dinâmica com 5,5 milhões de euros em depósitos a prazo. No mandato de Mário Figueiredo, a Liga perdeu patrocinadores, desacreditou-se e deixou de ter o financiamento necessário à organização das competições ou, pelo menos, a correr sérios riscos de as não conseguir realizar como testemunha a recente ameaça de greve dos árbitros que se queixam de não terem as contas em dia.


A missão do futuro presidente da Liga não pode ser contra ninguém


Luís Duque tem conhecimento e experiência do meio e, para já, enfrenta três desafios. Primeiro: pacificar as relações entre direção e clubes e restantes parceiros, nomeadamente os árbitros. Segundo: fazer a revisão estatutária de acordo com o novo enquadramento da Liga. Terceiro: restabelecer relações comerciais que permitam fluxos financeiros que sustentem a organização das provas.


Mesmo que a sua escolha seja interpretada como uma afronta à direção do Sporting, a missão de Duque não pode ser contra ninguém e, no atual estado em que a Liga se encontra, manda o bom senso que haja um compromisso absoluto que possa devolver-lhe a credibilidade que em tempos teve.
António Magalhães no jornal record

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