sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Leão a jeito do Dragão

FC PORTO FINALIZA COM MAIS PROVEITO O TIPO DE LANCES EM QUE O SPORTING REVELA MAIOR FRAGILIDADE DEFENSIVA

Quaresma deve começar o jogo no banco.
Eis um choque de padrões. De um lado, o FC Porto que marcou 4 – Jackson (2), Óliver (1) e Aboubakar (1) – dos seus 16 golos na sequência de passes/cruzamentos atrasados, efetuados por Danilo, Brahimi, Adrián e Tello, que está também na origem do golo apontado em Lille por Herrera, na recarga a um primeiro remate de Jackson. Do outro lado, o Sporting que apenas sofreu golos (4) após remates desferidos na grande área, onde o FC Porto apontou 7 – Jackson (3), Brahimi (2), Rúben Neves e Aboubakar – dos seus 13 golos em bola corrida, acrescido do facto de 3 dos tentos sofridos pelos leões terem ocorrido após… passes/cruzamentos atrasados. A exploração desse tipo de ação é previsível por parte dos dragões, atendendo à capacidade de Danilo e Alex Sandro para buscarem a profundidade e ganharem a linha de fundo, ou a de Brahimi, Tello, Óliver, Quaresma e Quintero para resolverem equações através da matemática do drible mais passe ou cruzamento. Por isso, o Sporting deverá preocupar-se em não repetir erros do passado.

Atitude defensiva

Tudo começa na postura passiva dos defesas-centrais, com o coriáceo Sarr a demonstrar uma tremenda apatia na reação ao pouco expectável, prolongando-se no défice de cobertura da segunda linha – a dos médios – nos lances que dão origem aos golos: atrasada (Belenenses), deslocada (Benfica) e adiantada (Académica).

Se os livres diretos, no espaço entre o centro e a esquerda, já valeram 2 golos a Brahimi, exímio a atacar a direita do guarda-redes, num claro convite a que Maurício trave a sua tendência para recorrer a pequenas faltas nesse espaço, o FC Porto soma 4 golos na sequência de pontapés de canto, mesmo que nenhum tenha resultado do primeiro cruzamento.

Nos cantos

Há uma clara apetência pelos cantos atrasados, como também a perspicácia para atacar o adversário, quando este está a reposicionar-se, pelo corredor lateral em que o canto foi apontado. Outro aspeto preeminente nos golos portistas é a variação do centro de jogo, o que é uma das explicações para a pouca primazia das progressões pelo espaço interior. Cinco dos 13 golos apontados em bola corrida pelo FC Porto surgiram na sequência desse tipo de ação, em que um dos médios-interiores promove a variação de corredor através de passe longo, atacando o lado oposto/sentido contrário ao que o adversário exerce o movimento de basculação defensiva.

Nani aumenta capacidade do sporting no tiro exterior

O regresso de Nani, escoltado pelo alargar do espaço conferido a Slimani e João Mário, introduziu o aproveitamento de remates de fora da área na tipologia dos golos leoninos: 3 nos últimos dois jogos, contra zero nos quatro primeiros. A imprevisibilidade do extremo, sagaz a atacar o espaço interior no desenvolvimento de combinações com Adrien ou João Mário, ou a procurá-lo após iniciativas individuais, é crucial até pela facilidade com que define com os dois pés. A titularidade de João Mário garante a presença de um jogador sem medo de tomar (boas) decisões: inteligente a explorar as entrelinhas, atacando o espaço de um Casemiro que queima o paradigma do trinco draconiano, ou a assumir, em contra-ataque, a condução e combinações com Slimani, Nani ou Carrillo, o jovem médio tem uma excelente perceção das movimentações dos colegas, buscando a profundidade, ao centro ou nos corredores, através de passes de rutura. Por isso é, com apenas 135 minutos, o sportinguista com mais assistências para golo. Ainda sem qualquer golo na sequência de bolas paradas, diante de um FC Porto que apenas sofreu um de penálti, o Sporting guarda uma arma que lhe foi preciosa no início da época: os cruzamentos dos laterais, nomeadamente de Jefferson, arguto a cruzar ao segundo poste – em busca da antecipação de Carrillo ao lateral adversário –, mas a presença de Slimani afiança a melhor solução aérea no eixo do ataque.

Curiosidades à volta dos golos

» O período em que aconteceram mais golos nos 80 clássicos foi no primeiro quarto de hora das segundas partes (46), seguindo-se o segundo (45) e o terceiro (42) quarto de hora da primeira parte. O primeiro quarto de hora é o espaço em que acontecem menos golos (28).

» Os períodos em que o Sporting tem sido mais concretizador são o primeiro quarto de hora das partidas – 3 dos seus 9 golos – e o último quarto de hora da etapa complementar: 2, acrescido de 1 no período de compensação. No primeiro quarto de hora da segunda parte, os leões ainda não marcaram.

» O Sporting sofreu, em 2014/15, 4 golos. Dois surgiram após os 90 minutos, período em que o FC Porto marcou 1 dos seus 16 golos.

» O segundo quarto de hora da segunda parte – 5 dos seus 16 golos – é o período em que o FC Porto tem sido mais concretizador, seguindo-se o último quarto de hora: 3, acrescido de 1 nas compensações. No segundo quarto de hora da primeira parte, os dragões ainda não marcaram.
Rui Malheiro no jornal record

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