sábado, 6 de setembro de 2014

Análise da Albânia: Reforçados de fresco

RUI MALHEIRO DÁ CONTA DO ESTILO DE JOGO DOS ADVERSÁRIOS DE PORTUGAL

Cana é a grande figura dos albaneses.
Uma vitória diante da Albânia é tão conjeturável como crucial para a Seleção no arranque da qualificação para o Euro’2016. Mesmo assim, as águias poderão assumir um papel crucial – pelos pontos que roubarem – nas contas finais.


A Albânia apresenta-se como a seleção mais frágil do Grupo I, mas os tempos em que era bombo da festa já lá vão. O italiano De Biasi aceitou, em dezembro de 2011, o desafio de reformar o futebol albanês, incrementando a aposta em jovens kosovares que habitualmente eram desviados pela Suíça, obtendo, no apuramento para o Mundial’2014, 11 pontos em 10 jogos, o melhor registo de sempre em qualificações para grandes competições internacionais de seleções.


Zona de testes

Os particulares diante de Roménia (casa, 0-1), Hungria (fora, 0-1) e São Marino (fora, 3-0), realizados entre o final de maio e o início de junho, foram utilizados por Gianni de Biasi, devoto da disciplina tática férrea, para fazer inúmeras experiências, atestadas pela utilização de diferentes sistemas e pelo recurso à polivalência de jogadores como Cana, Lila e Agolli. A grande preocupação do italiano passou por consolidar o momento de organização defensiva, optando por um bloco médio ou médio-baixo diante da Roménia e da Hungria, adversários que marcaram o golo do triunfo ao minuto 82.

Golo madrugador

Marcar cedo será importante para a Seleção portuguesa obrigar a congénere albanesa a não se limitar a uma postura defensiva obstinada. Mesmo tratando-se de uma formação que mostra alguma eficácia a obstruir o corredor central, reforçada pela colocação de três unidades de contenção no sector intermediário, são evidentes as vulnerabilidades nos corredores laterais, onde a capacidade de desequilíbrio dos extremos e o apoio ofensivo oferecido pelos laterais portugueses, em busca da largura e da profundidade, poderá causar danos.

Marcação individuais

O recurso a uma marcação individual na defesa de bolas paradas laterais, ainda que com cobertura zonal ao primeiro poste, poderá ser um fator determinante a ser explorado pela Seleção Nacional, sobretudo se mostrar argúcia a atacar, através de bloqueios e movimentos de antecipação, o segundo poste. De referir que, por norma, a Albânia coloca um jogador a cada poste nos pontapés de canto: não revelam a melhor postura corporal e, em algumas situações, abandonam-no precipitadamente para atacar a bola.

Armas ofensivas

Face às dificuldades para se impor em ataque organizado, o momento mais fraco dos albaneses em virtude de um claro défice a nível da construção, o recurso ao contragolpe, em ações conduzidas pelos ala, ou o jogo direto para o(s) robusto(s) avançado(s), muitas vezes em busca de segundas bolas, são as principais armas ofensivas da Albânia. Muita atenção aos lances de bola parada laterais, em virtude da subida à área adversária de Cana e Mavraj – perigoso a atacar o segundo poste.

Os discípulos de Sousa

O capitão Cana, jogador da Lazio, é a principal referência, valendo-se do poderio no futebol aéreo, agressividade na antecipação e contundência no desarme para se impor no eixo da defesa ou como unidade mais recuada do meio-campo. Mas o estreante Taulant Xhaka, irmão mais velho do internacional suíço Granit Xhaka, e o acutilante médio-ofensivo Gashi, protagonista de um excelente arranque de época, geram expectativas. São pilares do Basileia de Paulo Sousa, líder na Suíça.

Italiano taticista

Habituado a utilizar o 4x4x2 clássico como sistema de referência, De Biasi percebeu onde aterrou e apostou, sobretudo nos jogos de grau de dificuldade mais elevado, num 4x5x1, ao qual deverá recorrer diante de Portugal, ou 4x2x3x1. Em desvantagem, o 4x4x2, juntando Salihi e Kapllani (ou Cikalleshi) na frente, será o seu plano B, impondo, face às dificuldades na construção, um jogo mais direto.
Rui Malheiro no jornal record

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