terça-feira, 26 de agosto de 2014

Trocas e baldrocas que poderão a todos prejudicar

 
A janela de transferências do verão aproxima-se do fim e o nervoso miudinho dos treinadores vai aumentando, tanto pelo receio de perderem jogadores-chave como perante a perspetiva de verem goradas as negociações por potenciais reforços.

Mas não são só os jogadores que são negociados, também os treinadores recebem a atenção de outros clubes, sobretudo quando terminam uma temporada acima das expectativas. Mas o sucesso num clube nunca serve de garantia que isso se repetirá noutro. No universo lusitano, assistimos a algumas trocas de treinadores que ainda não convenceram ninguém de que o sucesso anterior se virá a repetir e que mais valia deixar tudo como estava.

Do Sporting saiu Leonardo Jardim e entrou Marco Silva. O madeirense rumou ao futebol francês, para orientar os novos-ricos do Mónaco, enquanto que Marco Silva, após duas temporadas brilhantes à frente do Estoril, foi ocupar o lugar vago de Jardim. Por seu lado, José Couceiro, depois de uma boa prestação ao serviço do V. Setúbal, deixou o lugar devido a uma profunda alteração estrutural do clube sadino, indo ocupar o lugar de Marco Silva como timoneiro dos canarinhos. Estas três mudanças ainda não trouxeram, para já, quaisquer resultados práticos aos seus novos clubes.

Leonardo Jardim

Leonardo Jardim levou, acima das mais optimistas previsões, um Sporting a sangrar a um honroso segundo lugar, na temporada transata. O trabalho de Jardim foi tão bom, tendo em conta os modestos recursos, que chamou a atenção dos menos modestos dirigentes do Monaco e acabou por ficar apenas um ano em Alvalade. Rumou ao principado para liderar um equipa que pretende crescer, ajudando no processo a potenciar os enormes investimentos em jogadores como Radamel Falcão, João Moutinho ou James Rodríguez. Já perdeu o colombiano, entretanto contratado pelo Real Madrid e tem aquele que é considerado o melhor avançado do Mundo (Falcão) em constante assédio pelos maiores clubes da Europa. Mas antes de o perder, perdeu os dois primeiros jogos da Liga francesa, em casa frente ao Lorient (1-2), seguindo-se uma copiosa derrota em Bordéus (4-1). À terceira jornada lá surgiu a primeira vitória, em Nantes (0-1), numa altura em que os todos os sinais de alarme já apitavam nas hostes monegascas. Num clube onde o dinheiro abunda, Jardim está a trabalhar sem rede. Só tem o seu talento como garantia, se não conseguir pô-lo em prática, não ficará muito tempo a conviver com as estrelas do reino encantado de Grace Kelly.

Marco Silva

Para substituir Leonardo Jardim veio Marco Silva, o mais novo e inexperiente treinador dos três. É aquele que teve um começo, se não deslumbrante, foi pelo menos mais positivo. Empatou na jornada inaugural, em Coimbra, e ganhou em Alvalade ao modesto Arouca pela margem mínima, através de um golo marcado no último lance do desafio, livrando-se assim in extremis de mais um desaire. Depois de duas temporadas brilhantes ao serviço do Estoril, durante as quais levou o clube da linha a resultados desportivos inéditos, Marco Silva ainda não convenceu os mais exigentes adeptos leoninos, os quais receiam ter em mãos mais um caso "Paulo Fonseca", o jovem treinador portista que não correspondeu às expectativas, conduzindo os dragões a uma época para esquecer. Marco Silva tem muito para pedalar, sobretudo porque o seu melhor ativo, William Carvalho, está sob permanente assédio externo e não parece ter equipa que possa brilhar na exigente Liga dos Campeões, competição em que o jovem treinador tem zero experiência. Uma vitória no dérbi que se avizinha poderá ser o combustível que Marco Silva precisa para encarar o futuro próximo aos comandos dos leões.

José Couceiro

Para o lugar de Marco Silva veio José Couceiro, um treinador experiente mas com resultados desportivos modestos. Também já treinou o Sporting e o Porto, mas numa situação extrema de apaga-fogos após o despedimento de colegas treinadores. Os adeptos do Estoril, embora saibam que Couceiro não tem tarefa fácil ao substituir um "homem da casa" - Marco Silva esteve 7 anos no Estoril - a sua presença começa já a agitar de nervosismo as bancadas do António Coimbra da Mota, sobretudo após o empate com o Arouca e a derrota humilhante, em casa, frente ao Rio Ave (1-5). Couceiro vai mantendo a auto-confiança, dizendo que foi-lhe pedido que "fizesse o melhor possível em ano de transição", mas dificilmente deverá tornar uma equipa de ilustres desconhecidos no adversário temível que era quando o Estoril tinha Marco Silva aos comandos.

Não deverá demorar muito tempo até se definir o futuro destes três treinadores que vivem neste momento sob o olhar atento de dirigentes e adeptos.

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