quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dez anos de Vieira: o reinado mais longo na história encarnada

Quando a 26 de outubro de 2012 Luís Filipe Vieira confirmou o quarto mandato como presidente do Sport Lisboa e Benfica, o livro histórico do clube da Luz ganhava uma certeza quase absoluta: Vieira passaria a ser o presidente com maior longevidade como líder dos destinos de um dos maiores clubes de Portugal e do Mundo.
O lisboeta, de 64 anos, cumpre hoje uma década enquanto presidente do Benfica, suplantando o reinado de Bento Mântua, que liderou o emblema da águia durante nove anos, entre 1917 e 1926. Dez anos de Vieira que, na verdade, assumiu funções na Luz em 2001, então como diretor desportivo na direção de Manuel Vilarinho, que no ano zero do novo milénio tinha derrotado João Vale e Azevedo numa das eleições mais concorridas de sempre na história encarnada.
Primeiro mandato – de 2003 a 2006
Os primeiros três anos de Luís Filipe Vieira enquanto presidente do Benfica foram, curiosamente, os mais importantes em termos de títulos no futebol. Se em 2003/2004 viu as águias erguerem a Taça de Portugal frente ao FC Porto de José Mourinho e futuro campeão europeu (2x1), no ano seguinte deu à Luz o título nacional que escapava há 11 anos. Numa “era” ainda sem Taça da Liga, o Benfica de Vieira iria conquistar a Supertaça Cândido de Oliveira no verão de 2005, no Algarve, frente ao Vitória de Setúbal, conquistando os três troféus internos no espaço de duas épocas desportivas.
©Carlos Alberto Costa
No entanto, o primeiro mandato de Luís Filipe Vieira não ficou marcado apenas pelo sucesso desportivo, especialmente num clube que vinha de uma enorme travessia no deserto. A morte de Miklos Fehér e Bruno Baião, em 2004, entristeceram a história benfiquista e em particular o líder encarnado. Sobretudo o falecimento do avançado húngaro, numa noite chuvosa de janeiro em Guimarães, deixou marcas profundas em Vieira, um dos principais responsáveis pela contratação do então jogador de 25 anos.

Seria também no primeiro mandato que Luís Filipe Vieira presidiria a inauguração do novo Estádio da Luz; um projeto idealizado e executado em tempo recorde para ser palco da final do Europeu de 2004. O Benfica foi o último dos três maiores clubes portugueses a avançar para a construção de um novo recinto e Vieira foi um dos principais impulsionadores.
Segundo mandato – de 2006 a 2009
Luís Filipe Vieira sempre defendeu que os primeiros dois mandatos visavam a reconstrução da credibilidade e a modernização do clube como bases para o sucesso desportivo e é certo que Vieira recuperou um clube desorganizado e obsoleto face às exigências do futebol moderno. A nível desportivo, o segundo triénio quedou-se pela conquista de uma Taça da Liga, em 2008/2009, que antecedeu a entrada em cena de Jorge Jesus, o homem de confiança de Vieira para os mandatos que se seguiram.
No entanto, 2006 foi também o ano em que Vieira inaugurou o Caixa Futebol Campus, no Seixal, depois de quase três anos com «a casa às costas». O Benfica estava, finalmente, em pé de igualdade com FC Porto e Sporting em termos de infraestruturas e Vieira avançava, definitivamente, para a grande promessa do mandato desportivo. Mas os grandes feitos da direção de Vieira continuavam a ocorrer fora das quatro linhas e em 2007 o Benfica era oficialmente reconhecido pelo Guiness como o “Maior Clube de futebol do Mundo”, em virtude do número de sócios. Embora longe dos 300 mil ambicionados por Vieira – que chegou mesmo a dizer que se demitia se não os alcançasse -, as águias chegavam ao topo da lista, onde ainda permanece.
Terceiro mandato – de 2009 a 2012
Parco em conquistas no futebol, especialmente no segundo mandato, o Benfica liderado por Vieira entrava numa “era” de grandes ambições. O presidente que tinha reconstruído as fundações do clube prometia um Benfica à altura dos seus desígnios e os sonhos foram pintados de ambição. E com a chegada de Jorge Jesus para assumir a equipa, tudo começou com tremenda ilusão. O Benfica seria campeão nacional no final da época de 2009/2010 e juntaria a isso a Taça da Liga com um triunfo sempre saboroso sobre o grande rival FC Porto, por 3x0. O plano de Vieira parecia seguir a ordem definida, mas as coisas começaram a descarrilar.
©Carlos Alberto Costa
As duas épocas seguintes custaram ao Benfica a perda do título para os dragões, em circunstâncias antagónicas. Em 2010/2011 a luta pelo título ficou praticamente resolvida no primeiro terço da época, após um arranque desastroso das águias. Essa seria também a temporada de uma derrota humilhante no Estádio do Dragão, por 5x0, e da eliminação nas meias-finais da Liga Europa aos pés do SC Braga. Jesus perdia algum do crédito amealhado na época de estreia, mas a posição de Vieira parecia intocável.

Quando em 2011/2012 o título voltou a escapar ao Benfica, mesmo depois de ter ganho uma vantagem de quatro pontos sobre o FC Porto na reta final da temporada, o estado de graça do treinador tinha definitivamente desaparecido e Luís Filipe Vieira começava a sentir os primeiros sinais de descontentamento de um setor da massa adepta. Surgiram então as promessas feitas pintadas nos muros da Luz, recordando o líder que o clube estava longe de alcançar os objetivos traçados.

Quarto mandato – 2012
Apesar dos sinais de contestação, Vieira seria reeleito a 26 de outubro de 2012 com 83 por cento dos votos, batendo Rui Rangel. A nova época voltava a contar com Jorge Jesus à frente do comando técnico da equipa e 2012/2013 bateu à porta daquilo que podia ter sido a temporada de ouro para o Benfica e Luís Filipe Vieira. Podia, mas não foi. Os encarnados voltariam a perder o campeonato para o FC Porto na reta final, depois de desperdiçarem cinco pontos de avanço, e acabariam derrotados na final da Liga Europa e da Taça de Portugal.
Vieira no Amsterdam Arena, onde o Benfica disputou a final da Liga Europa 2012/13 com o Chelsea ©Carlos Alberto Costa

É verdade que Vieira cumpriu uma das promessas – levar o Benfica a uma final europeia -, mas a falta de títulos para renovar o recém-inaugurado Museu Cosme Damião está lentamente a gerar descontentamento junto dos adeptos. No fecho da primeira década de presidência, não será especulativo dizer que Luís Filipe Vieira vive um dos momentos mais delicados e de menor popularidade junto da família benfiquista.

Os treinadores

Nos 10 anos enquanto presidente, Luís Filipe Vieira contratou seis treinadores e apenas um não conquistou títulos: Fernando Santos que, no entanto, é hoje apreciado pelo líder das águias que reconheceu publicamente o erro pelo despedimento do treinador português.
O primeiro técnico a chegar à Luz pela mão do presidente foi o espanhol José António Camacho, que não tardou a ganhar a simpatia dos adeptos e a criar uma relação de forte amizade com Vieira. Nesta primeira passagem pelo Benfica – regressaria em 2007 para substituir Fernando Santos -, Camacho conquistou a Taça de Portugal em 2003/2004 antes de deixar o comando técnico.
Seguiu-se então Giovanni Trapattoni, que na única época que passou no Estádio da Luz levou o Benfica à conquista do título nacional que escapava há 11 anos. As primeiras escolhas de Vieira para o banco tinham sido um sucesso e o próximo a ser eleito era outro nome de peso: Ronald Koeman. O holandês não foi muito feliz mas ainda assim levou no currículo a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira e uma presença nos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
©Catarina Morais

Numa troca constante de treinadores, Vieira decidiu apostar no primeiro português na época seguinte. Fernando Santos convenceu com o bom futebol mas o Benfica ficaria sem títulos em 2006/2007. Ainda assim, o «Engenheiro» aguentou a pré-época mas um empate frente ao Leixões na 1.ª jornada de 2007/2008 precipitou a separação, a tal que Vieira lamentou publicamente anos mais tarde.

Com a saída de Fernando Santos, o Benfica viveu a época mais instável do legado de Vieira no que toca a treinadores. Primeiro regressou Camacho mas a segunda passagem do espanhol pelo banco encarnado não correu bem e o outrora aclamado técnico de 58 anos acabaria por sair ainda antes do final da época, com Chalana a assumir o cargo de forma temporária.
Em 2008/2009, Rui Costa passou dos relvados para o gabinete e Vieira entregou-lhe as responsabilidades do futebol. O novo técnico voltaria a ser espanhol e apresentava um ar «fresco» e de renovada ambição. Quique Flores acabou, contudo, por não durar mais que uma temporada na Luz mas ainda assim festejou a conquista da Taça da Liga.

Embora quase todos com títulos no currículo, a verdade é que apenas Camacho tinha aguentado mais que uma época no banco das águias. A instabilidade dificultava as metas propostas e em 2009/2010 Luís Filipe Vieira avançou para a contratação daquele que já é um dos treinadores com mais anos de «casa». Jorge Jesus está agora na quinta época como técnico do Benfica, tendo, para já, conquistado um Campeonato Nacional e três Taças da Liga.

daqui

O segredo do futebol são os maus jogadores

Se La Palisse ainda estivesse por cá e tivesse uma game box, podia dizer que o segredo do futebol está nos bons jogadores ou nos bons treinadores. Tal como as omeletes não se fazem sem ovos, também as boas omeletes se fazem com bons ovos. Podia ainda dizer que quando não está sol é porque está chover ou que a bola é redonda, salta e às vezes esvazia-se.


Como sempre, o futebol português está aí para desmentir todas as evidências. Apesar de termos o melhor treinador do Mundo e o segundo melhor jogador do Planeta depois do Irobiso, não temos o melhor futebol porque, por aqui, o segredo são os maus jogadores. São eles, por vezes ditos excedentários, que preenchem lacunas das equipas que estão além do universo dos 4 grandes e que, também rotulados de promessas, completam o quadro. O nosso campeonato é tão equilibrado como eu ou o leitor, partindo do princípio que não trabalha num circo, a correr sobre o arame. No fundo, o nosso campeonato é um sofisma, ou seja, aparentemente tem tudo para ser um bom campeonato mas teima em não ser assim.


Nós, os portugueses, não gostamos de coisas fáceis.


Qualquer equipa ganha com bons jogadores. Sem segredo.


Qualquer treinador, sobretudo se dirigir o FC Porto, conquista títulos com as boas equipas formadas por bons jogadores.


Com Pinto da Costa o Benfica seria sempre campeão.


Mas era uma grande chatice (sobretudo para Pinto da Costa).


O português, atente-se, é um especialista em matrecos. Pena que o futebol de mesa nunca tenha sido promovido a modalidade olímpica. Como especialista em pimbolim (como diria o Scolari, o melhor treinador brsileiro de sempre da seleção portuguesa), o tuga acredita que o bilhar está sempre inclinado e as balizas viciadas. Por isso é que não se rala nada com o facto de ter um campeonato desequilibrado, anacrónico e por vezes anedótico, um lago onde os grandes clubes navegam à vontade, promovendo ventos, marés e correntes.


Não temos os melhores jogadores? Não temos os melhores treinadores? Não temos o melhor futebol? Que se lixe. Temos o que queremos. Mas não nos faltam paineleiros (obrigado senhor Alfredo Farinha), transições rápidas, blocos baixos, basculações e, claro, temos o Luís Freitas Lobo.


E se nada disto estiver disponível temos sempre um último recurso: Jesus treina o Benfica, Deus o Gil Vicente e Salvador preside ao Braga. São gajos para não nos deixarem ficar mal.
através do jornal record

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pinto da Costa vs João Loureiro

... como dizia alguém - recordar é viver.
este vídeo em baixo, explica muito do que se passou no início da primeira década deste século...em especial com o Boavista.



esta contratação foi uma decisão acertada

 
 
«Bombeiro de serviço? Chamaram-me porque já passei por isto» - Henrique Calisto
 
O novo treinador do Paços de Ferreira, Henrique Calisto, regressa ao clube dois anos depois de ter salvado os castores da descida de divisão. Confiante, espera repetir o feito de impedir a descida de divisão do clube numa altura em que, admite, os tempos são diferentes.

«É uma situação pela qual já passei mas temos atualmente uma conjuntura diferente. O mesmo cenário foi ultrapassado há dois anos com sucesso mas temos de trabalhar nessa senda para dar a volta às dificuldades», diz o treinador que assume que «o Paços não tem o mesmo estatuto de há dois anos».

«Temos um bom grupo de trabalho, o balneário é forte. Deixem-me até saudar a forma como os jogadores defenderam o treinador até à última. O que o Paços fez na época passada foi uma página gloriosa na história do clube, mas este ano a equipa é diferente, há mais uma taça para disputar, mais desgaste e os competidores estão diferentes também», acrescentou.

Calisto admitiu que o objetivo imediato é evitar a descida, para que a partir daí o clube possa pensar noutros objetivos. E, apesar de saber que há áreas da equipa a melhorar, «ainda é cedo para pensar em reforços».

Sendo que esta é a quarta vez que Calisto orienta o Paços, será que se considera bombeiro de serviço dos castores?

«Prezo muito os bombeiros e não encaro isso com o sentido pejorativo. Convidaram-me porque já vivi esta situação e consegui um resultado positivo. Logicamente que não era a única solução mas, pelo passado recente, terei outros dividendos que outros podem não ter. Conheço o clube, a direção e tenho empatia de quem cá está, além de já ter passado pela mesma situação», afirmou.
através do jornal «A Bola»
 
sem dúvida uma decisão acertada esta contratação de Henrique Calisto.
espero e desejo que o Paços consiga sair da zona aflita em que se encontra - a tarefa vai ser dura.

'Parabéns ao Rei'!

Diego Armando Maradona, o jogador que a mim mais me marcou até hoje, faz hoje 53 aninhos! Parabéns!!!




Sporting retira camisola 12

'dedicado ao senhor Joseph Blatter'

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Chulos da bola!

...em destaque, no facebook do amigo António Boronha.

"Na Federação Portuguesa de futebol ( F P F ) gasta 882622 euros em salários, por ano, com os membros da direção.
O dirigente mais bem pago é Fernando Gomes ( presidente ) : 222736 euros brutos ( mensais 18561 euros ), verba que inclui ordenado de base ( 190120 ), mais o subsidio de alogamento ( 32616 ).

 
Logo a seguir, aparecem os "vices" Humberto Coelho , Rui Manhoso e Calos Coutada ( 114142 euro/ano o que mensalmente é 9511 euros ), e os "diretores" João vieira Pinto, Pedro Pauleta e Pedro dias ( 76104 euros; mensal 6342 ) .

A também "diretora" Mónica Jorge aufere 89148 euros, mensalmente 7429 euros dado que, segundo a FPF, tem direito a subsídio de alojamento (13044 euros ).

Os vice presidentes Herminio Loureiro e Elísio Carneiro Amorim não estão em exclusividade na federação, pelo que apenas têm direito a receber ( 204 euros ) em senhas de presença por cada reunião em que participam."

 [segundo 'O Correio da Manhã']

Chulos da bola!
Nunca a expressão foi tão apropriada.
 



Blatter pede desculpa ao Real Madrid

Depois das repercussões que as palavras de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo tiveram a nível mundial, que originaram reações do próprio jogador, da FPF e do Real Madrid, o presidente da FIFA dirigiu uma carta ao clube espanhol com um pedido de desculpas apresentado a Florentino Pérez.

O clube merengue tinha-se mostrado «surpreendido» e «dececionado» pelas «inaceitáveis manifestações» provenientes do líder do órgão máximo que rege o futebol.

Agora, Joseph Blatter reagiu numa carta de resposta, onde se retrata do incidente e onde refere não ter tido a intenção de «incomodar ou faltar ao respeito» ao emblema madrileno.

Leia a carta enviada pelo presidente da FIFA ao Real Madrid:

«
Querido Presidente:

Recebi a sua carta, datada de hoje, com um conteúdo que me deixou surpreendido.

Em primeiro lugar, gostaria de explicar que, nesta ação em que estive presente na passada quinta-feira na Universidade de Oxford, não foi dicutida a candidatura dos jogadores ao prémio de Bola de Ouro da FIFA. No final da exposição que fiz, e em resposta a uma questão sobre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, o moderador pediu-me para eleger um dos dois e, nesse momento, tendo comentado que Messi é o tipo de filho que todas as mães gostariam de ter, disse finalmente o seu nome como resposta à pergunta. De qualquer forma, gostaria de deixar claro que, para mim, Cristiano Ronaldo está ao mesmo nível que Messi e que são dois jogadores excecionais, cada um à sua maneira.
Lamento profundamente que esta situação, verificada numa ocasião universitária, lhe tenha causado tanto transtorno e apresento-lhe as minhas desculpas pelo sucedido. Nunca foi minha intenção incomodar ou faltar ao respeito ao Real Madrid C. F. nem a nenhum dos seus jogadores ou aos seus adeptos, não apenas por ser o clube fundador da FIFA, mas também por ser um clube que sigo e admiro desde a minha juventude.

daqui

 Cordialmente, con um abraço
Joseph Blatter
»

Sporting critica e acusa FC Porto


Comunicado na íntegra


Ontem teve lugar mais um jogo da primeira Liga. Infelizmente não vencemos pelo que, naturalmente, não podemos estar contentes.

Cometemos vários erros que acabaram por ditar a sorte do jogo.

No entanto, aquilo que deveria ser apenas um jogo de futebol infelizmente foi muito mais, com um conjunto de episódios extra espectáculo que em nada dignificam o Futebol e a sua promoção. Com efeito, são situações que continuam a ter a cobertura e anuência por parte de muitos que deveriam ser os primeiros interessados em denunciá-las e que não o fazem, situação com a qual nós não compactuamos e que queremos que sejam do conhecimento dos Sportinguistas:

- Vários Sportinguistas foram agredidos nas imediações do estádio do dragão. Ao invés do clube da casa repudiar totalmente estas atitudes, como esta Direcção já o fez em situações similares, começou a circular um rumor de que um grupo de Sportinguistas teria provocado desacatos, facto ainda não confirmado, que “justificaria” tais atitudes bárbaras e inqualificáveis. Até ao momento, ao serem vistas as imagens televisivas e fotográficas disponibilizadas, verificou tratar-se de um conjunto de pessoas onde as únicas que se conseguem identificar são do clube da casa;

- Antes do início do jogo tentaram impedir-nos de verificar a integridade das cadeiras (no nosso sector), permitindo que posteriormente eventuais estragos nos fossem indevidamente atribuídos;

- Até ao início do jogo foi passada a informação de que os elementos do Staff da nossa Equipa (Segurança, Assessor de Imprensa e Oficial de Ligação aos Adeptos) teriam lugar na bancada atrás do banco de suplentes da nossa Equipa. Ao invés, no início do jogo vedaram-lhes o acesso, colocando-os numa sala somente com cadeiras e sem televisão;



- Além da falta de condições da sala do Staff, os ARD's (Stewards) impediram-nos de sair e circular nas zonas autorizadas, contrariamente ao regulamentarmente definido;

- Na sala de treinadores retiraram tudo que lá estava (televisão e mesas) deixando apenas os cacifos e três cadeiras;

- Na entrada para o estádio deixaram, primeiramente, entrar pequenos grupos de adeptos do nosso Clube. Posteriormente retardaram a entrada dos restantes adeptos, fazendo com que muitos apenas tivessem acesso ao jogo já passados 30m do apito inicial;

- Autorizaram uma das nossas Claques a entrar com uma faixa para a bancada. Já dentro do estádio, sem nenhuma razão para tal suceder, os ARD´s procederam a sua remoção à força, provocando um tumulto que resultou em feridos ligeiros. A razão invocada para este acto descabido foi que a referida faixa continha a expressão “bimbolândia”, o que era falso. Quando os membros da claque abriam a faixa para mostrar o que realmente estava inscrito (o provérbio chinês "mete-os sobre tensão e cansai-os") esta foi selvaticamente retirada pelos ARD’s. Com efeito, toda esta atitude poderia resultar num acto deliberado para provocar os nossos adeptos e posteriormente os culpabilizarem;

- Em simultâneo, os ARD’s tiraram uma bandeira à Juve Leo, rasgando-a e entregando a mesma a uma claque da equipa adversária (Colectivo);

- Durante o aquecimento da nossa Equipa, as bolas que iam para a bancada desapareciam. Na primeira fila estavam quatro adeptos da equipa da casa devidamente instruídos para passarem as bolas entre si e depois passarem a um quinto elemento que na fila atrás roubava a bola, levando-a consigo. Isto tudo com total conivência dos ARD's que ali assistiam impávidos e serenos;

- Deixaram a manga de acesso do balneário ao relvado recolhida, à face das bancadas, facilitando agressões verbais e arremesso de objectos ao Presidente do Sporting Clube de Portugal, contrariamente ao acordado entre as Seguranças dos dois Clubes;

- Nas bancadas foram colocados vários cartazes (com acabamento gráfico profissional e por isso de acesso altamente questionável) exibidos por adeptos da equipa da casa, com frases provocatórias dirigidas ao Rui Patrício enquanto guarda-redes da Selecção Nacional. Sabendo-se que há proximamente um play-off importante para a nossa Selecção, esta atitude demonstra uma mesquinhez regional, não compatível com o Seculo XXI em que vivemos, e como tal um desrespeito por Portugal;

- O nosso Assessor de Imprensa foi impedido de permanecer na bancada de Imprensa, após lhe ter sido permitida a entrada e comunicado que ali poderia ficar durante o jogo;

- No final do jogo, junto à entrada da zona técnica, estiveram oito colaboradores da equipa da casa, que por várias vezes insultaram pessoas do nosso Staff, até à saída do autocarro;

- Jornalistas coagidos, nomeadamente dos três jornais desportivos foram empurrados por ARD’s. Um deles, só por ter questionado o porquê daquele inqualificável tratamento, foi de forma violenta imediatamente despojado da credencial do jogo e colocado na rua;

Há coisas na vida que nunca mudam, a nobreza de carácter é uma delas, ou se tem, ou não. Por mais “riqueza” que ostentem, os pobres de espírito sempre o serão. O complexo de inferioridade demonstrado por todas estas atitudes é totalmente incompatível com um clube que para além de títulos quer ser grande, pois a grandeza é muito mais do que o vencer. A grandeza é vencer, é saber vencer, é saber perder, é saber estar, algo que não está ao alcance de todos.

Não podemos deixar de louvar os mais de 3.000 Adeptos e Sócios do Sporting Clube de Portugal que estiveram ontem presentes no jogo, demonstrando claramente a nossa dimensão e que apesar de todo o esforço dos nossos adversários para nos desestabilizar continuamos unidos, nos bons e maus momentos, em torno do Clube que amamos, facto que muito nos orgulha e que nos motiva para diariamente fazer mais e melhor.

No próximo sábado em Alvalade, continuaremos o nosso trabalho de forma séria, cumprindo os objectivos que nos comprometemos, que é entrar em cada jogo para ganhar e honrar a camisola do Sporting Clube de Portugal.

Continuaremos a contar com todos os Sportinguistas para encherem o Estádio e apoiarem, como mais ninguém sabe fazer, a nossa equipa.

O Sporting Clube de Portugal,
Lisboa, 28 de Outubro de 2013


 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Costinha?...

..., pois é 'meus amigos', Costinha deixou esta noite o comando técnico do Paços de Ferreira depois da derrota em casa com o Vitória 'de Guimarães'.

fosse tão certo acertar no euromilhões,... e eu a esta hora estava ajudando os 'meus amigos' dentro das possibilidades que o eventual prémio assim o permitisse.

foi no dia 11 de Junho que escrevi este post e, desta vez, não falhei. desejo que a carreira deste jovem técnico a partir de agora seja feita 'mais às claras'.

nada tenho contra o homem, mas estava visto que esta aposta não resultaria.

Giovanni Trapattoni

Pinto da Costa prepara retirada




















O mandato de Pinto da Costa só termina em 2016, contudo, de acordo com o "Correio da Manhã", o presidente do FC Porto estará já com o seu futuro imediato bem definido, devendo ir viver para o Brasil, país de nascimento da sua mulher Fernanda Miranda, assim que finalizar este mandato presidencial.

Segundo o "CM", Jorge Nuno Pinto da Costa apenas aguardará pelo momento ideal para fazer esse anúncio, sendo que a proximidade dessa mudança para o Brasil estará já a fazer crescer a "guerra" pela sucessão no comando de um clube que tem sido dominador no futebol português nos últimos trinta anos.

Antero Henrique na linha da frente

Na verdade, de acordo com o "CM", terá sido nesse contexto de luta pelo poder que muita gente no FC Porto interpretou a recente entrevista de Antero Henrique, assumindo que o vice-presidente fez uma espécie de prova de afirmação, colocando-se na linha da frente para ser o próximo líder azul-e-branco.

Na corrida, todavia, também poderá estar o administrador da SAD Adelino Caldeira, assim como António Oliveira, ex-jogador e ex-treinador dos azuis-e-brancos que, segundo uma fonte citada pelo "CM", poderá entrar igualmente em cena.
daqui

Lamentável!

mais uma vez, as cenas de violência voltaram aos estádios de futebol, neste caso, fora do estádio do dragão antes do jogo de ontem,...enfim, é sempre triste assistir a isto.



os golos do clássico

domingo, 27 de outubro de 2013

O descolar do dragão

O FC Porto continua mandão em casa e, este domingo, alargou para cinco pontos de vantagem sobre o Sporting na frente do campeonato. Josué, Danilo e Lucho marcaram os golos azuis na vitória sobre os leões, no jogo grande da 8.ª ronda da Liga portugesa (3x1).
FC Porto e Sporting subiram ao tapete verde do palco azul com a intenção de escrever mais um pedaço de história neste campeonato e lutar pela liderança na tabela classificativa. Perante um ambiente de euforia - vivido sobretudo nas bancadas onde não faltaram algumas picardias de parte a parte - dragões e leões procuravam somar mais três pontos rumo aos lugares cimeiros.
No duelo oficial número 216 entre dragões e leões (em todas as competições) na história do futebol português, os portistas queriam "vingar" a derrota de meio de semana, para a Liga dos Campeões, frente ao Zenit, enquanto que o Sporting lutava para se manter sem derrotas nesta Liga.
Leonardo Jardim tinha dito, na semana que antecedeu o clássico, que rumava ao Dragão sem nada a perder mas disposto a lutar pela liderança, sempre com a noção de que o adversário entrava em campo «na condição de favorito».
Dragão antes de abrir portas para o clássico ©Catarina Morais
Paulo Fonseca, por seu lado, não escondeu que o seu plantel entra em todos os jogos «para vencer», independentemente do nome do opositor.

No clássico frente aos leões, o FC Porto procurava manter a invencibilidade, em casa, em partidas do campeonato, poucos dias depois de se terem completado cinco anos desde que os azuis e brancos sofreram a sua última derrota no Estádio do Dragão para a primeira Liga.
O FC Porto - equipa consolidada, experiente e constante nos últimos anos – entrou no palco do jogo com a fixa ideia de vencer e, se possível, com um futebol atrativo. Empurrados pela ambição sem limite da família portista, que acorreu em massa ao seu estádio, o pensamento portista sabia que perder estava fora de questão.
Mas, do outro lado, estava um Sporting em bom momento na temporada. Após a pior época da sua história, a nação verde e branca ressurgiu embalada nesta temporada.
Paulo Fonseca apostou em Varela e Herrera, Leonardo Jardim lançou Iván Piris
Na distribuição dos atletas os dois técnicos não fugiram ao seu plano tático habitual. Paulo Fonseca, que não contava com o lesionado Juan Quintero, lançou Héctor Herrera na titularidade. O treinador portista ofereceu, deste modo, um voto de confiança ao médio mexicano, depois do duplo amarelo (e consequente vermelho) visto na Champions, na última terça-feira, frente ao Zenit. Quanto ao resto, Varela e Josué foram escolhidos para "carrilar" jogo para Jackson Martínez, a habitual referência mais adiantada dos tricampeões nacionais.
Josué voltou a fazer o gosto ao pé ©Catarina Morais
Do outro lado, Leonardo Jardim viu-se forçado (outra vez) a não contar com Jefferson e lançou, por isso, Iván Piris. O técnico do Sporting optou ainda por deixar Capel no banco e lançou para a titularidade André Carrillo e Wilson Eduardo... no apoio a Fredy Montero.

Quando Artur Soares Dias apitou para o começo do jogo, as duas equipas fizerem notar algum nervosismo. Muita precipitação, muitas bolas por alto e alguns passes errados de parte a parte. Ainda assim, aqui e ali FC Porto e Sporting espreitavam a felicidade.
É certo e sabido que em qualquer duelo marcar cedo é sempre duplamente favorável; dá maior segurança a quem faz o golo e deixa, por outro lado, o adversário numa situação, pelo menos, incómoda. E a verdade é que os tricampeões nacionais adiantaram-se cedo no marcador. Aos 11 minutos, Josué colocou os portistas a vencer na transformação de uma grande penalidade; Varela subiu pela esquerda, assistiu Alex Sandro na área e Maurício, de acordo com o árbitro Artur Soares Dias, travou em falta o esquerdino.
Em desvantagem, Leonardo Jardim pediu aos seus jogadores para subirem mais no terreno e pressionarem os portistas em zonas mais avançadas. No entanto, o FC Porto circulava bem a bola - apesar de algum sub-rendimento de alguns jogadores - e o Sporting teve dificuldades para criar perigo junto da baliza de Helton. De resto, apenas aos 19 minutos, os leões ameaçaram as redes azuis e brancas. André Martins quase surpreendia Helton e Mangala, que não souberam controlar uma bola que parecia inofensiva.
Até final da primeira parte o jogo avançou morno e sem lances dignos de registo. O FC Porto deixou o relógio correr e o Sporting continuou a demonstrar falta de capacidade para ter bola.
William Carvalho ainda deu esperanças mas quem tem Lucho...
©Catarina Morais
No regresso para o segundo tempo nenhum dos técnicos alterou as peças. Mas a verdade é que o Sporting entrou melhor e deu sinais de que queria chegar ao empate. Aos 56 minutos, William Carvalho tentou o empate com um forte remate de zona frontal, mas a bola saiu ao lado. Não marcou aos 56', marcou aos 60. Na sequência de um livre cobrado na direita, Helton desviou e o médio leonino, à meia-volta, de pé esquerdo, rematou para o fundo das redes azuis; a bola parece ainda sofrer um desvio na perna de um jogador do FC Porto.

Com o jogo empatado, a emoção parecia renascer no Dragão. E renasceu mesmo. Aos 62 miunutos, Danilo provocou uma "implosão" no estádio do FC Porto. O defesa brasileiro recebeu a bola no limite da área, virou-se para a baliza, tirou um adversário do caminho e rematou de forma fulminante de pé esquerdo, sem hipóteses para Rui Patrício! Golão!
Os leões voltavam a estar em desvantagem mas também não demoraram a ameaçar as redes de Helton. Aos 68' e 69 minutos os sportinguistas obrigaram o guarda-redes portista a mostrar serviço entre os postes; primeiro foi Montero com um remate de longe, depois foi Iván Piris.
No futebol há um velho ditado que diz que «quem não marca, sofre». Dito e feito por Lucho González. El Comandante marcou de cabeça, aos74', e colocou um ponto final no que ao vencedor do jogo dizia respeito, depois de uma jogada de nota artística do conjunto de Paulo Fonseca.
Os minutos que se seguiram foram de total controlo por parte dos tricampeões nacionais, que procuraram gerir a vantagem. O Sporting, no entanto, tentava reduzir a distâncias e reentrar na luta pelo resultado. Porém, os dragões eram rápidos nas recuperações de bola e na chegada a zonas mais avançadas do terreno.
O FC Porto, ao som de olés vindos das bancadas, conservou a vantagem e somou os três pontos, naquela que foi a primeira derrota dos leões na Liga, esta época.
daqui

o documentário da época 1993-1994 (vídeo)

...há 20 anos foi assim.


reveja a finalíssima da Taça Portugal entre FC Porto Sporting

...época 1993/94


FC Porto-Sporting, em direto

 
siga todas as incidências antes do jogo

13H46: À vista desarmada, uma troca de galhardetes servirá apenas para assinalar uma boa relação institucional entre dois clubes antes, por exemplo, de um jogo de futebol. Só que neste caso, antes do badalado FC Porto-Sporting, tal expressão tem outro significado... nada amigável, por sinal. Recorde aqui o que Bruno de Carvalho e Pinto da Costa têm dito... em praça pública

No Estádio do Dragão vão defrontar-se os dois ataques da Liga que se alimentam de golos vindos da Colômbia (Jackson Martínez e Montero). Mas a forma como as equipas tratam do transporte da bola antes desta chegar aos “matadores” é diferente, apesar de ambas assentarem o jogo a partir de um sistema 4x3x3. Saiba tudo aqui

13H06: O FC Porto saiu há pouco para um passeio de cerca de 10 minutos até junto ao mar. Jackson e Helton (que hoje joga o seu 18.º clássico com o Sporting) foram dos mais solicitados pelos adeptos que foram abordando a equipa

13H03: 2.620 adeptos do Sporting esgotaram os bilhetes que o FC Porto enviou para Alvalade. Vinte autocarros com as claques dos leões saíram agora de Alvalade rumo à Invicta

Confira aqui os convocados do FC Porto e do Sporting

12H26: Junto ao Estádio do Dragão, tudo tranquilo. As portas abrem às 17H45, duas horas antes do apito inicial e ainda há bilhetes à venda.

Artur Soares Dias é o árbitro do encontro. Aos 34 anos e natural do Porto, este será o 5.º clássico da sua carreira, o segundo entre portistas e sportinguistas. No anterior, em 2010/11,o tricampeão nacional venceu o rival, por 3-2

12H18: Manhã tranquila junto das unidades hoteleiras onde as equipas estão a estagiar. O FC Porto está em Vila Nova de Gaia e prevê-se que a equipa saia por volta das 12H40 para um pequeno passeio, como é habitual. À tarde, a saída para o estádio do Dragão está prevista para as 18 horas. Já o Sporting está instalado mais perto do palco do jogo num hotel ao qual chegou ontem ao final da tarde. Durante a manhã, os leões estiveram sempre dentro da unidade hoteleira.

O clássico FC Porto-Sporting (19H45) concentra hoje as atenções da 8.ª jornada da Liga, num dia em que o Benfica poderá tirar dividendos do embate entre estes dois rivais.

Os dragões, campeões nacionais em título, lideram a prova e podem abrir de dois para cinco pontos a sua vantagem, caso triunfem sobre os leões. Por seu lado, o Sporting, que vem da sua pior temporada de sempre, está bem melhor esta temporada e surge no Dragão a discutir a liderança, que pode assumir, caso vença em casa do seu rival.

Siga aqui, ao longo do dia, tudo o que se passa antes do pontapé de saída.
 daqui

sábado, 26 de outubro de 2013

Quanto vale Rui Costa?

aqui vos  deixo um artigo de opinião do 'polémico' Rui Santos.
realmente, ainda não percebi a 'não utilidade' de Rui Costa junto à equipa principal do Benfica.

o Sporting tem o seu presidente no banco, o FC Porto tem o cada vez mais importante, Antero Henrique...

...e o Benfica não tem ninguém com 'estaleca' para estar no banco.
Shéu é delegado aos jogos, secretário técnico e, muito bem!,...mas é necessário mais alguém junto de Jorge Jesus, do balneário e de tudo o que rodeia um jogo de futebol e não só.


PRESSÃO ALTA

Afinal, qual é a utilidade de Rui Costa no Benfica? Um extraordinário ex-jogador não consegue níveis de excelência similares como dirigente. Porquê? Por culpa própria ou por falta de autonomia? Ou por uma questão de “gestão de poderes”, uma vez que entre Vieira e Jesus, duas personalidades com características muito próprias, não sobra espaço para mais ninguém? Ou será que o Benfica está a pagar agora a Rui Costa aquilo que Rui Costa prescindiu no seu regresso ao Benfica, independentemente da avaliação das competências enquanto director e administrador?...


Ter sido um grande jogador de futebol provoca um grande fascínio nos adeptos e aumenta a tolerância sobre quem, como é o caso de Rui Costa, desempenha agora funções directivas, exactamente no grande clube da Luz. Não há, contudo, muitos exemplos de excelentes jogadores que se tenham transformado em melhores técnicos ou dirigentes, em comparação com o desempenho enquanto atletas de alta competição.


Nem Di Stéfano, nem Garrincha, nem Puskas, nem Pelé, nem Bobby Charlton, nem George Best, nem Eusébio, nem Maradona, nem Gullit, nem Van Basten, nem Ronaldo nem Zidane atingiram noutras funções no futebol a preponderância e o reconhecimento público que alcançaram enquanto eméritos executantes. Há os casos distintos de Platini (presidente da UEFA), Beckenbauer (presidente honorário do Bayern), Hoeness (presidente do Bayern), Rummenigge (“chairman” do comité executivo, também do Bayern), mas, sem embargo de reconhecer que todos atingiram posições de relevância enquanto dirigentes, nada se compara ao brilhantismo que alcançaram enquanto futebolistas.


Há ainda o caso de Guardiola. Muito bom jogador (sem ter sido fora de série), que se transformou num treinador de “top”, com uma carreira fantástica no Barcelona (aproveito para sublinhar o peso de ex-grandes jogadores, transversalmente, na estrutura actual do Bayern). Sem esquecer, obviamente, talvez o caso de maior sucesso de um nome que foi um jogador de excelência, capaz de estender essa excelência ao cargo de treinador (campeão europeu ao serviço do Barça): Johan Cruijff!


Quando Rui Costa regressou ao Benfica ainda para jogar, em 2006, os encarnados recuperaram as recordações deixadas pelo Maestro, durante 3 épocas, no começo da década de 90. E cedo se começou a gerar a ideia que Rui Costa poderia ser, a prazo, presidenciável. Como se viu, nem todos os ex-grandes futebolistas dão excelentes presidentes ou mesmo directores. Uma coisa é certa: Rui Costa foi um executante de eleição, mas ainda não se percebeu o que vale enquanto dirigente. Porque, neste aspecto, a sua permanência na Luz vem sendo muito errática, com altos e baixos e aquilo que de mais seguro se pode dizer a este respeito é que Rui Costa, enquanto dirigente, continua a ser uma... promessa adiada.


Essa imagem de ex-jogador presidenciável talvez tenha provocado algum deslumbramento inicial no próprio Rui Costa, no momento em que iniciou as suas funções como director-desportivo (2008), mas talvez o tenha prejudicado na mesma medida, uma vez que os holofotes chegaram a estar centrados na sua figura, mais do que para o presidente, Luís Filipe Vieira. Por outro lado, quando Jorge Jesus entra na Luz e consegue de imediato o título de campeão nacional, que já fugia ao Benfica há 5 e... 16 anos, o protagonismo transferiu-se todo para Jorge Jesus, o que concorreu para que Luís Filipe Vieira recuperasse as rédeas do regime presidencialista. Rui Costa iniciou então um período de ocaso e reclusão, de acordo com a conjuntura e só volta a ser falado como alguém com alguma preponderância na estrutura depois de Jorge Jesus (e Vieira) terem falado, por muito pouco, a reconquista do título nacional.


Coisas de conjuntura, um tanto ou quanto caprichosas. Ficámos a saber, por LFV, numa entrevista televisiva, a influência de Rui Costa na preparação desta época, designadamente na contratação dos jogadores sérvios. O que significa que LFV quis tornar clara a responsabilidade efectiva de Rui Costa naquilo que já aconteceu e vai acontecer nesta época de 2013/14...


O Benfica está a pagar agora a Rui Costa aquilo que Rui Costa prescindiu no seu regresso à Luz? Não será talvez um acerto de contas contratual, mas é o reconhecimento (do lado dos encarnados) de uma decisão, em tempos, aparentemente sentimental. A pergunta faz todo o sentido porque nunca Rui Costa revelou desconforto em ser uma espécie de “rainha de Inglaterra” no Benfica.


Parece óbvio, no entanto, que o Benfica ainda não encontrou a melhor forma de compatibilizar, sem hipocrisias, as pedras angulares do seu futebol. E já houve tempo e oportunidade(s) para isso...


JARDIM DAS ESTRELAS


FC Porto-Sporting: novo "cartaz"


Um clássico é sempre um clássico, que desperta sempre interesse e acende paixões, mas nas últimas (6) épocas criou-se o hábito de o FC Porto, em casa, se superiorizar ao Sporting. Os leões estão em mudança de ciclo, cortaram relações institucionais com o FC Porto, quebrando uma lógica de certa subserviência e as recentes declarações de Bruno de Carvalho fizeram elevar a fasquia, colocando também uma nova exigência aos leões.


É o maior dos testes que o Sporting enfrentou até agora na época desportiva. Mas o facto de o FC Porto ter registado segundo desaire consecutivo na Champions, agora frente ao Zenit, talvez não concorra a favor do clube leonino. O Sporting vai... “pagar as favas” ou tornar-se-á na grande sensação da Liga?


O CACTO


Fraude fiscal


Leio no CM que administração fiscal portuguesa e espanhola assinaram esta semana acordos para reforçar o combate à fraude e à evasão (fiscais). Quer dizer: os Governos acertam medidas contra a fraude e a evasão fiscais. A FPF, através do seu presidente, Fernando Gomes (na foto) e da direcção, acham “normal” proteger um quadro profissional condenado em tribunal por fraude fiscal. José Luís Arnaut, presidente da AG da FPF, tem alguma coisa a dizer sobre esta tão violenta contradição? E o Governo, que tutela a instituição de... utilidade pública?
através do jornal record

«onzes e sistemas de Barcelona e Real Madrid»


saiba quem vai a jogo, aqui

Rui Moreira... "de joelhos"


Bruno de carvalho dá resposta dura ao presidente da câmara do porto


Na antecâmara do clássico, Rui Moreira, recém-eleito presidente da Câmara do Porto e portista confesso, alertou para a necessidade de “calar Bruno de Carvalho e o seu populismo”. O líder do Sporting registou e respondeu, elevando o tom.

“Quem tem responsabilidades como as de Rui Moreira não pode fazer crónicas daquelas. Não são feitas no momento, nem a quente. São pensadas e refletidas. Somos livres de emitir opinião mas... Fiquei surpreendido. Já que o presidente da CM Porto se permitiu falar sobre futebol, vou falar de política. Acho graça quando ouço que ele foi um dos independentes com a vitória mais surpreendente das últimas autárquicas... Antes da candidatura, foi dependente de partidos e figuras partidárias; agora é o mesmo cenário. Não deve ser fácil fazer todas estas conjugações na sua vida. Para lá de todas estas dependências, já se viu que tem uma subserviência muito vincada ao seu ídolo desportivo. No meio desta ginástica, não deve ser fácil passar tanto tempo de joelhos. Depois de ler o que escreveu, aprendi que mais vale ser popular do que hipócrita”, considerou.

Não lembra ao 'Diabo' em véspera de um clássico o presidente de um clube rival do FC Porto ser tão destemido.
Não está em causa quem tem ou não razão, mas uma coisa é certa: Bruno de Carvalho chegou ao futebol de um maneira que me faz lembrar aqueles 'antigos trincos do futebol português' - entra a pés juntos e leva tudo o que está pela frente.
Certo ou errado, só o futuro o vai dizer...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Quem quer ser líder?


VISÃO DE JOGO

O FC Porto-Sporting do próximo domingo chega no momento certo. Um dragão ainda à procura do seu melhor fato (de um onze- base e melhores exibições) encontrará um leão motivado, em ascendente de forma, ansioso por poder mostrar que tem argumentos para competir com o seu rival. Será o FC Porto a confirmar o seu favoritismo ou o Sporting a apresentar a sua candidatura “oficial” à conquista do campeonato?


Os portistas tardam em patentear todos os atributos que lhe são reconhecidos. A equipa tem denotado essencialmente um problema de consistência, visto que tem sentido dificuldades em manter a mesma bitola exibicional ao longo dos 90 minutos de cada jogo. Quase que numa versão de “Dr. Jekyll e Mr. Hyde”, temos visto frequentemente um FC Porto de duas faces, capaz do melhor e do pior na mesma partida.


Que razões têm contribuído para isso? A indefinição do onze titular (sobretudo no substituto de Moutinho e nas alas), a falta de profundidade e criatividade nos corredores (a equipa “pede” um extremo mais dinâmico, como Hulk ou Quaresma, capaz de desbloquear jogos menos inspirados), assim como a inexperiência de jogadores (com alguns erros infantis) e do treinador (ainda a apalpar terreno) são limitações evidentes.


No entanto, os dragões também têm aspetos positivos. Não é por acaso que lideram a Liga e, curiosamente, as prestações nas derrotas na Liga dos Campeões servem de exemplo. A primeira parte com o Atlético Madrid mostrou uma equipa dominadora que podia ter goleado. Por seu turno, perante a adversidade de jogar mais de 80 minutos em inferioridade numérica contra o Zenit, os portistas equilibraram o jogo, tiveram pujança física e uma alta atitude competitiva que lhes podia ter valido maior sorte.


Frente ao Sporting, os dragões jogam a liderança do campeonato. Em caso de vitória, darão um passo importante, passando a deter um avanço de cinco pontos face aos rivais. É certo e sabido que “candeia que vai à frente alumia duas vezes”. Ganha-se maior confiança e os bons resultados vão surgindo com naturalidade. É igualmente em busca dessa condição que vai o Sporting. Um brilharete no Dragão, depois de ter defrontado Benfica e Braga, atira os leões para o 1.º lugar e pode ser o tónico ideal para embalar ainda mais a equipa.


Este será um bom exame às reais capacidades do Sporting renovado que temos visto. Tirando partido de vários elementos da formação, é uma equipa com princípios definidos, com um meio-campo pressionante e de olhos postos na baliza adversária. O leão tem dado indicadores muito positivos e falta-lhe agora esta última prova de admissão, para passar das promessas aos atos e ser considerado um candidato ao título.


O colombiano Fredy Montero está a ser uma belíssima surpresa. O seu poder de fogo, capacidade de desmarcação e a imprevisibilidade das suas ações fazem dele uma seta apontada à baliza de Helton. Mas o perigo não virá só dele, porque uma das virtudes de Montero é a abertura de espaços para os companheiros, contribuindo ainda mais a veia goleadora do Sporting desta época. E tendo do outro lado, o compatriota e artilheiro Jackson Martínez, há boas perspetivas para um jogo recheado de golos.


Uma coisa é certa, o frente a frente das únicas equipas que ainda não perderam neste campeonato, que têm as melhores defesas e os melhores ataques da prova, estando com índices de confiança elevados, reúne ingredientes para um grande espectáculo.


O CRAQUE


Um Polvo que cresce


De ano para ano, Fernando tem vindo a melhorar. Se as qualidades defensivas foram facilmente detetadas, fazendo uso de velocidade e capacidade de marcação para tapar os acessos à sua baliza e recuperar bolas, hoje vemos o brasileiro (quase português) a construir jogo e avançar no terreno. Irrepreensível do aspeto tático, a sua grande evolução deu-se no capítulo técnico, sentindo-se mais confortável quando tem a bola nos pés. Mesmo em final de contrato, o profissionalismo que mostra todas as semanas é notável. É um elemento chave no FC Porto e não admira que esteja a ser cobiçado por meia Europa.


A JOGADA


Vantagem de sair a Suécia


Não saiu o bombom (Islândia) nem o papão (França). De certo modo, o sorteio do playoff acabou por ser positivo. Aconteça o que acontecer, o subconsciente português não entrará em possíveis facilitismos e muito menos com a ideia de entrar numa missão impossível. A Seleção Nacional terá pela frente um oponente forte, muito complicado de bater em sua casa, e que possui jogadores de grande qualidade. Só um Portugal concentrado e ao seu melhor nível pode bater a Suécia. Será muito disputado, mas temos as nossas possibilidades de vencer.


A DÚVIDA


Onde está o sorriso de Jorge Jesus?


Um empate no clássico deste fim de semana pode permitir um novo fôlego ao Benfica e a Jorge Jesus. A equipa teima em não jogar aquilo que sabe, os adeptos começam a deixar de ir ao estádio e o discurso dissonante entre presidente e treinador também não ajuda. Jorge Jesus para estar cada vez mais sozinho. Fragilizado com o caso Cardozo, conseguirá o técnico voltar a ter mão no balneário encarnado? Poderá o regresso às vitórias devolver o sorriso perdido de Jesus?
através do jornal record

3-3 no Sporting - FC Porto

ora aqui fica em baixo um Sporting - FC Porto da época 1982/83, tempos em que os estádios estavam praticamente sempre cheios em dias de clássicos, em que as famílias podiam ir à bola com muita mais tranquilidade e com uma enorme felicidade 'espelhada' no rosto.
tempos da entremeada, bifana e couratos nas roulottes à beira do estádio.

enfim..., tempos que deixam saudades.

curiosidades desta época 1982-1983

O Sporting era o campeão em título;

O Benfica orientado pelo jovem técnico sueco - Sven-Göran Eriksson - venceria o campeonato e a taça, esta ganha em pleno estádio das Antas em pleno mês de Agosto de 1983, depois de muita polémica sobre o local onde se disputaria a mesma.

José Maria Pedroto, técnico do FC Porto, continuava a 'incomodar' e de que maneira os rivais de Lisboa. um 'grande' treinador, uma enorme pessoa, segundo relatos de gente séria que com ele conviveu.

Fernando Gomes tornou-se no melhor goleador da prova com 36 golos, seguindo-se Nené do Benfica com 21 golos e N´Habola do Rio Ave com 20 golos.

aqui fica o clássico da segunda volta, o Sporting - FC Porto ( O jogo da primeira volta que ficou 0-0, não consegui ainda o vídeo)




o FC Porto conseguia a sua primeira final europeia no ano seguinte, perdida em Basileia para a Juventus de Platini, com uma arbitragem a favorecer os italianos.



a final da taça disputada no estádio das Antas:



Este Benfica só espera a certidão de óbito

 
Tal como referiu o meu colega de mesa de trabalho António Mendes, a quem desde já agradeço o facto de ter pensado por mim, o que justifica de certo modo as bolachas que me usurpa, o Benfica jogou com o Olympiacos tal como o Cinfães, na Taça de Portugal, jogou contra o Benfica. O Mendes é uma fonte credível pois a sua família é originária do Marco de Canaveses, a única terra do mundo que conseguiu vender para Hollywood uma bailarina assim para o gordo com sotaque brasileiro e uma fruteira a balançar na cabeça - nem mais, a grande Cármen Miranda, nascida precisamente na freguesia de Várzea do Ovelha e Aliviada.

Citando outra fonte, embora menos credível, neste caso o Serafim, meu vizinho em Perafita, "qualquer semelhança entre este Benfica e uma equipa de futebol confiante é pura melancolia". O Serafim é um poeta, acho que me esqueci de dizer.

Feito o nariz de cera que merece uma peça que não tarda nada mergulhará nos confins deste site, muito para além da secção dos perdidos e achados, acho que tirando o próprio e provavelmente o irmão e o pai, Jorge Jesus continua sem conseguir retomar o fio da meada do Benfica anterior àquele passe de Liedson (que passou e caiu, assim justificando as generosas transferências bancárias que recebeu e que justificaram o carro ardido) para Kelvin, o tal jogador que conseguia ter uma crista mais alta que o Paulo Fonseca.

Este Benfica está exposto aos elementos. Os jogadores estão desligados, o treinador comenta jogos que ninguém viu mas...tudo bem. A coisa, ao que parece, só vai cair de podre.

É também o problema do país: enquanto pode, disfarça, para cair realmente com fragor.

Até lá, contarei aqui o meu vizinho Toninho e também com o Serafim. O sentido prático do primeiro e o sentido poético do segundo pelo menos nesta sexta-feira fazem-se sentir um Robinson Crusoé que acaba de encontrar na praia uma bola de voleibol e uma caixa de tíbias da confeitaria Primavera.
através do jornal record

O paraíso em forma de Jardim


DE PÉ PARA PÉ

1 Se é verdade que o Sporting 2013/14 tem marcas das aparições fantasmagóricas dos seus jogadores mais explosivos, talentosos e eficazes (ninguém marca tantos golos em Portugal), também se caracteriza pela insistência da entrega à luta, pelo cumprimento das tarefas solidárias e pelo compromisso inabalável com a causa. Equipa que se deixa arrastar pelas emoções, é orientada por inteligência superior na ocupação do espaço, no tempo em que cada um dos seus componentes entra em cena e no acerto das decisões tomadas por todos eles. Há treinadores que lutam para mudar o rumo das coisas, Leonardo Jardim melhora o que lhe oferecem; uns chocam, frontalmente com a realidade, ele adapta-se a ela. Porque o talento se consolida na competência e se dimensiona mais facilmente no êxito, os futebolistas leoninos jogam cada vez melhor.


2 Desenvolvido um modelo, assimilados princípios e criada empatia global entre os elementos da equipa e os adeptos do clube; com soluções para cada dificuldade, talento para surpreender a qualquer momento e personalidade para gerir os resultados (por enquanto quase todos bons), o Sporting sustenta o sucesso dos primeiros meses da temporada com trunfos de regularidade que já não se compadecem com estados de graça transitórios. Numa atividade cuja obsessão dos últimos anos visa diminuir a imprevisibilidade, esses trunfos básicos e estruturais das equipas há muito deixaram de expressar-se por obra e graça do Espírito Santo. De resto, a esse nível do entendimento do fenómeno futebolístico já pouco ou nada acontece por acaso.


3 Leonardo Jardim formou uma cooperativa sem privilégios e riscou da cartilha conceitos como egoísmo, vaidade e todo o tipo de valores que sobreponham o individual ao coletivo. Os jogadores vivem no meio de um sonho, são queridos pelos adeptos e têm sabido aproveitar o clima de motivação geral para dar eficácia ao que fazem. De resto, o Sporting tem sido responsável pela enorme lição de dignificar o futebol como escola de vida, na qual o orgulho e as referências morais superam os tiques de novo-rico de quem nasceu pobre e se dimensionou no apelo constante a sentimentos e emoções – é esmagador o sentido de representação de quem empunha uma bandeira e sente no peito o símbolo à volta do qual se unem milhares e às vezes milhões de pessoas.


4 No Sporting todos se comprometem com as dificuldades e sabem interpretar o papel de um clube que, tradicionalmente oficial e cavalheiro, vive hoje como classe operária unida à volta de um projeto institucional e técnico, pronta a desafiar as potências dominantes. É este exército deslumbrante, caracterizado por exprimir os seus valores de forma quase comovedora, que vai ao Dragão submeter-se ao teste mais exigente da temporada. Uma equipa que, jogando pelos adeptos, pela história e por si própria, encontrou o lugar idílico onde todos se entendem e são felizes a partir de um cenário de dificuldades. Um milagre escolheu o Sporting para mostrar que o futebol também serve para construir paraísos onde se esperava o horror de infernos reeditados. E a superação é um bom ponto de partida para a glória.


Ivan Cavaleiro é causa coletiva


De repente, o país ficou a saber que o Benfica tinha uma pérola preciosa escondida no Seixal


Ivan Cavaleiro há anos que é familiar aos olheiros dos maiores clubes europeus. Pelo que tem feito nas Seleções jovens, na equipa B e agora no jogo da Taça em Cinfães, é um jogador tremendo, dono de soluções contundentes em todo o espaço de ataque – é rápido, forte e potente; serve para pintar quadros solitários e articular-se bem com o jogo combinado; porque é íntimo do golo, pode ser ala ou avançado-centro. Agora que evoluiu para causa coletiva na Luz, só precisa que a convicção de lançá-lo supere a dificuldade de fazê-lo numa equipa com extremos e avançados de nível mundial.


Varela entre o bem e o mal


Apreciar um jogador não pode estar dependente do momento (bom ou mau) que atravessa


Varela é daqueles que parecem condenados a viver na ténue fronteira entre o bem e o mal; o amor e o ódio; o reconhecimento do talento e a dúvida que chega a ser malcriada. Por mais que jogue, por mais brilhante e decisivo que seja, está sempre em causa, como se tivesse de responder eternamente à fúria inquisidora de um tribunal do Santo Ofício. Mesmo quando vem de meses a fio jogando como só ele e poucos mais sabem, há sempre quem tenha dúvidas quanto à sua capacidade. Não era preciso para mostrar o que vale mas o golo que marcou ao Trofense define-o como um craque.


Dois génios em confronto


Por mais que o playoff seja um Portugal-Suécia, a individualização do duelo é inevitável


O confronto suscita, desde logo, uma primeira conclusão penosa para o futebol: Ronaldo ou Ibrahimovic, um deles vai ficar pelo caminho e subtrair ao Mundial brasileiro um dos melhores jogadores do Mundo. O sueco já perdeu a festa de há quatro anos, na África do Sul – CR7 não falhou, até ao momento, qualquer grande competição – mas nem por isso se habituou às ausências da grande montra. Um Campeonato do Mundo sem Zlatan é um horror para o futebol. Mas sem Cristiano será uma verdadeira tragédia. O confronto prevê-se equilibrado: esperemos que os deuses tomem partido por Portugal.
através do jornal record

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A Deusa Fabiola Campomanes

«jogo grande na taça de Portugal»

o sorteio da 4ª eliminatória da taça de Portugal ditou jogos interessantes, com especial atenção para o derby lisboeta e para o 'Vitória de Guimarães' - FC Porto.























aqui ficam os jogos a disputar a 9 e 10 de novembro:
Benfica (I) - Sporting (I)

 Vitória SC (I) - FC Porto (I)
 

Olhanense (I) - SC Braga (I)

 Ribeirão (CNS) - Penafiel (II)

 Arouca (I) - Chaves (II)

 Tondela (II) - Paços de Ferreira (I)

 Fafe (CNS) - Aves (II)

 Rio Ave (I) - Sertanense (CNS)

 Beira-Mar (II) - Feirense (II)

 Cova da Piedade (CNS) - Gil Vicente (I)

 Camacha (CNS) - Atlético (II)

 Covilhã (II) - Leixões (II)

 Famalicão (CNS) - Estoril-Praia (I)

 Vitória FC (I) - Santa Maria (CNS)

 Marítimo (I) - AD Oliveirense (CNS)

 Académica (I) - Académico de Viseu (II)

I (Equipas da I Liga)
II (Equipas da II Liga)
CNS (Equipas do Campeonato Nacional de Seniores)



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

tudo em aberto...

continua tudo em aberto para o Benfica, no que ao segundo lugar do grupo diz respeito, é bom que se entenda.

o jogo de hoje não foi nada por aí além, enquanto o relvado permitiu, o Benfica só a 'fogachos' esteve por cima do Olympiacos, os gregos após se adiantarem no marcador até poderiam ter 'matado' o jogo por duas vezes mas não conseguiram.

na segunda parte, com a chuva torrencial a prejudicar o relvado e consequente má circulação de bola, o 'jogo' estava mesmo a pedir bolas na área do Olympiacos, mas aí, alguns jogadores do Benfica esqueceram-se que tinham sido colegas deste 'enorme' guarda-redes de nome Roberto.
preferiram na maior parte das vezes tentar conduzir a 'redondinha' no meio do pântano. incrível a falta de ideias deste Benfica.

Jesus continua teimoso e não quer 3 homens no miolo do terreno, prefere jogar com dois contra os três das equipas adversárias, hoje, mais do mesmo.

Aos 83 minutos 'cruzamento' e o 'grande' Roberto lá voltou a ser amigo, desta vez do Benfica - 'piu, piu', e golo do empate. já foi tarde!...o empate aceita-se perfeitamente.

erros de arbitragem?
aceita-se que tenha prejudicado o Benfica num penalty claro que ficou por assinalar e numa ou noutra jogada mais perigosa, mas o Benfica não se pode esquecer das 'entradas' de Enzo Perez que só ficou 'amarelado' já na segunda parte quando o deveria ter sido mais cedo.

ah!, o pontapé de canto que dá origem ao golo do Benfica também não deveria ter existido.

enfim...não foi pelo árbitro que o Benfica não conquistou os três pontos. quem pode afirmar que se fosse assinalado penalty, o mesmo resultaria em golo?!...


«onze e sistema oficial do Benfica para hoje»

continuação da entrevista de Carlos Queiroz

«A tarefa mais ousada da minha carreira»
TREINADOR FALA DA SUA EXPERIÊNCIA NO IRÃO
 
Não considera ter sido um milagre a qualificação do Irão mas reconhece a dimensão do desafio...

RECORD – A qualificação com o Irão para o Mundial é uma das maiores proezas da sua carreira?

CARLOS QUEIROZ – Se considerar o grau de dificuldade dentro e fora das quatro linhas de todas as áreas que foram desenvolvidas nesta cruzada, até ao último jogo para a qualificação, diria que foi a tarefa mais difícil, mais complicada e mais ousada que enfrentei na minha carreira.

R – Quer especificar?

CQ – As nuances técnicas e táticas e tudo o mais que tem a ver com o futebol conhecido são matérias de que não vale a pena falar, pois são iguais em qualquer parte do Mundo. Mas fazer uma qualificação na Ásia é uma obra muito complicada, pelas distâncias, pela complexidade das viagens, dos alojamentos, dos campos, das horas de treino.

R – As federações não estão preparadas para tanta complexidade?

CQ – Não, e a dificuldade de desenvolver uma qualificação num continente enorme obriga a ter de gerir situações como a de jogar a uma sexta-feira na Indonésia ou na Coreia do Sul e quatro dias depois jogar no Líbano ou no Qatar, viajando em carreiras oficiais com horários que não são controlados por nós.

R – E as dificuldades próprias de um país com particularidades muito especiais e que tem vindo sob um embargo internacional?

CQ – Nem isso ponho em evidência. O Irão tem especificidades complicadas. Em relação à Coreia do Sul, ao Japão e até à Austrália, trata-se de um país que em termos de futebol está distante em várias componentes: infraestruturas, campos, mentalidade, rigor, profissionalismo. Naquilo que tem a ver com o futebol internacional, está longe. Por outro lado, basta referir que foi quase impossível, durante este período, encontrar equipas para jogarem connosco, seleções que criassem as condições de dificuldade e atração para que os nossos jogadores pudessem aplicar aquilo que estavam a fazer nos treinos e a desenvolver as suas próprias qualidades. Tivemos de enfrentar as sanções que em momentos cruciais da qualificação não permitiram que fosse possível defrontar as equipas convenientes para preparar a seleção do Irão. E quase não vai ser possível fazê-lo na nossa caminhada para o Brasil.

O Irão nunca se qualificou para a 2.ª fase do Mundial. Esse é o objetivo que traçámos. Não podemos é cair na armadilha da FIFA

R – E como resolveu o problema?

CQ – Foi necessário recorrer a muita imaginação para recriar envolvências e atmosferas que permitissem aos jogadores progredir e treinarem-se em condições mais próximas daquelas que iríamos encontrar nos jogos.

R – Apesar dessas limitações, presumo que nunca deixou de haver exigência?

CQ – A exigência é sempre igual em todos os países. O nível de expectativas está acima daquilo que são os investimentos e a realidade. Mas o túnel entre as expectativas, os sonhos e as ambições dos adeptos iranianos e a realidade, aqui ainda é maior.

R – Maior?

CQ – Sim, porque o Irão tem tido poucos contactos com o futebol internacional e assim sendo não tem tido a possibilidade de expor as suas grandezas e fragilidades na confrontação internacional. Portanto, perdeu um pouco a noção da realidade. Os seus jogadores e treinadores não sabem muito bem onde estão sob o ponto de vista técnico, físico, da preparação mental. Aliás, os resultados dos últimos jogos particulares das seleções asiáticas estão a mostrar isso e vão continuar a mostrá-lo. Estive aqui na Ásia há 15 anos [n.d.r.: Emirados Árabes Unidos] e infelizmente quando se pensaria que a distância entre o futebol asiático e o futebol europeu pudesse ser menor a realidade é esta: o Japão está mais próximo das exigências do futebol internacional e toda a Ásia está mais distante daquilo que foi a evolução europeia e sul-americana.

R – Houve algum momento da campanha em que pensou: isto não vai acabar bem?

CQ – Sim e é normal, pois as qualificações são complexas. Veja-se os casos de Portugal e França. Só as seleções sul-americanas estão mais confortáveis uma vez que o modelo de qualificação é mais benéfico para as melhores equipas, pois permite mais oportunidades para corrigir o erro. Está provado que é preciso ter um estômago de cimento, convicções muito firmes e firmeza de ideias para não vacilar às primeiras críticas e resultados. Temos de ter a flexibilidade para corrigir planos que estão em marcha e o que não podemos de todo fazer é andar ao sabor da crítica fácil. Ela também existe aqui com a agravante de não haver a noção comparativa que referi.

R – Quando é que então se “assustou”?

CQ – Perdemos um jogo que nunca deveríamos ter perdido, com o Líbano, fora. Todos nos esquecemos que esse mesmo Líbano tinha ganho ao Japão, à Coreia do Sul e aos Emirados. Fomos numa situação de alerta e mesmo assim perdemos.

Tivemos de enfrentar as sanções internacionais que nos impediram de defrontar as equipas convenientes. E vai ser assim até ao Brasil

R – Ficou tudo em causa?

CQ – É claro que quando isso acontece, as coisas abanam e é fundamental confiarmos em nós próprios. No entanto, aconteceu algo importante: do presidente aos jogadores, foi inabalável o sentimento de convicção de que no final iríamos conseguir. Por outro lado, não entrámos em pânico, nunca perdemos a noção do que queríamos e o que conseguiríamos fazer. Com isto, chegámos ao Brasil.

R – Pode falar-se num milagre?

CQ – No futebol não há milagres. Mas foi muito difícil. Fiz uma qualificação com uma seleção cuja esmagadora maioria dos jogadores atuam no Irão e que de profissionais só têm o facto de não terem outros empregos e auferirem apenas um salário porque o conceito de profissionalismo que hoje o futebol coloca a nível de competição não existe. Assim, com um grupo de amadores a trabalhar profissionalmente, nós conseguimos chegar lá. Obviamente, sem sorte não é possível ter sucesso, mas a verdade é que não só conseguimos o apuramento como também ficámos no 1.º lugar. Hoje o Irão ocupa o 2.º lugar do ranking da Ásia. Quando chegámos, estava em 5.º. Procurámos fazer perceber que quanto mais trabalhássemos e melhor o fizéssemos, mais sorte iríamos ter no final.

R – Com essa falta de noção de não saberem quanto valem, será melhor preparar os iranianos para uma desilusão no Mundial?

CQ – Não, a minha responsabilidade não é essa. A minha missão é preparar estes dirigentes e o futebol iraniano para a necessidade de nos prepararmos convenientemente. Lancei um repto: é preciso traçar um objetivo. O Irão nunca se qualificou para a segunda fase de um Mundial. Realisticamente, esse objetivo significa colocar a fasquia muito alta.

R – Mas, portanto, possível.

CQ – Sim, mas vai depender de duas coisas: ser feliz no sorteio e pôr em prática um plano de preparação que não pode ser aquele que a FIFA nos oferece. Se tivermos um plano adequado e ajustado à realidade do futebol iraniano, teremos uma chance. Agora, se o Irão cair na armadilha de preparar a sua equipa de acordo com o perfil estabelecido pela FIFA para a preparação das seleções, comete um grande erro.

R – Que armadilha é essa?

CQ – O conceito de preparação que está criado não foi desenhado para seleções como o Irão, a Nigéria ou a Eslovénia. Foi desenhado para o Brasil, a Argentina e a Alemanha continuarem a ganhar Campeonatos do Mundo e para que Portugal, França, Inglaterra mantenham as suas posições. Está na mão da federação iraniana fazer a sua escolha. Deve perceber que se cair na armadilha de juntar a equipa 15 dias antes do Mundial, conforme os padrões da FIFA, não poderá competir com honra, dignidade e trazer alegria, prestígio e reputação. Se o Irão disser que quer fazer um plano de preparação de acordo com a verdade do seu futebol, então terá algumas hipóteses.

R – E então?

CQ – Coloquei esse desafio à federação e alertei-a para os perigos e benefícios de cada uma das opções. Não podemos, como agora aconteceu, estar 4 meses sem sequer fazer um treino e jogarmos um desafio da Taça da Ásia. Como disse no final do jogo, quase que tive de apresentar os jogadores ao intervalo. Durante a 1.ª parte, parecia que nem se conheciam…

R – Um sorteio feliz seria jogar com Portugal?

CQ – [risos] Bom era que Portugal, França, Brasil e Argentina ficassem todos no mesmo grupo. Resolviam-se logo alguns dos problemas que eventualmente poderíamos enfrentar. Agora a sério, diria que neste momento há outras equipas que preferia enfrentar na 1.ª fase. No entanto, se tiver de jogar contra Portugal ou a França, o que temos de fazer é prestigiar o Irão e justificar por que é que estamos no Mundial. E isso pode ser feito se estivermos bem preparados. Há que ter a coragem de pôr em marcha um plano que justifique a nossa ida ao Brasil.

R – O que espera fazer no Mundial?

CQ – Competir com honra, dignidade, alegria, orgulho e prestígio. Este é que é o Campeonato do Mundo do Irão. E através de uma participação assim, os dirigentes poderão trazer benefícios que se traduzam em melhores campos de futebol, melhores treinadores, melhores condições para a formação para que, daqui a 4 anos, possa estar num patamar acima. Se a presença no Mundial for um passeio ao Brasil de um grupo de turistas que se juntaram 15 dias antes, então esta qualificação não trará qualquer vantagem ao Irão.

«Três convites para depois do Mundial»
AFASTA REGRESSO A PORTUGAL A CURTO PRAZO
 
Queiroz está no Irão de corpo e alma, mas o ciclo deverá terminar após o Mundial...

R – Aos 60 anos admite a possibilidade de um dia voltar a treinar em Portugal?

CQ – Não.

R – Dirá Portugal nunca mais?

CQ – Não digo isso porque não tenho essas posições absolutistas. Nem tenho razões para as ter. Recebo o carinho e as manifestações que tive do sector desportivo e público foram sempre fantásticas. Travei uma luta que era minha e de mais de ninguém. Neste momento estou no Irão, vou jogar o Mundial e tenho desenhadas três oportunidades no horizonte pós-Brasil. Nenhuma delas vem de Portugal. Portanto, tenho de ser realista e aceitar: por qualquer razão, os centros de decisão não têm apreço pelo meu trabalho.

R – Mas, como contou, os presidentes do FC Porto e do Benfica mostraram esse apreço. Não seriam duas boas oportunidades?

CQ – São coisas distintas. Uma é o apreço e respeito que ambos me manifestaram. O meu, por eles, envolve um sentimento de profunda gratidão. Olhe, o Sporting, clube onde trabalhei, não teve qualquer dirigente na altura a disponibilizar-se para testemunhar a meu favor. Agora, nada disso significa que esteja nos seus planos como treinador. E neste momento sinto-me com vontade de continuar a treinar.

R – As três hipóteses que falou são para seguir como treinador?

CQ – Sim e, como disse, vêm de fora de Portugal. Por isso, não está no meu horizonte, a curto prazo, voltar a Portugal

R – Inglaterra é destino provável?

CQ – Sim, e tenho dois convites de seleções.

«Dá-me encanto ver jogar as equipas de Jorge Jesus»
SERIA BOM QUE O BENFICA FOSSE UM CASO DE SUCESSO
"Gosto de ver aquele futebol [do Benfica] de ataque, alegre, de transições rápidas, atrativo, bonito", admite...

R – Que análise faz do campeonato português?

CQ – Verifica-se o que tenho vindo a dizer: o quadro de competitividade da liga portuguesa tem subido significativamente. Apesar dos orçamentos continuarem a ser diferenciados, existe qualidade no trabalho, no scouting e nos treinadores. Embora às vezes me assustem os passivos anunciados, os clubes fazem um trabalho fantástico num contexto de dificuldades de natureza social e financeira que a sociedade portuguesa atravessa.

R – Jesus está há mais de 4 anos no Benfica. É muito tempo para um treinador resistir num clube português?

CQ – Sob o ponto de vista teórico é pena não vermos mais exemplos destes. O FC Porto tem um conceito que promove um ciclo de três anos em sucesso. Pinto da Costa aposta numa filosofia para evitar as fraturas de sucesso – muda para evitar que as rotinas limitem o progresso. Esta é a base da decisão filosófica de atuação do FC Porto.

Uma história de sucesso com a aposta em jovens [Sporting] cria moda, estilo e leva outros a imitá-la

R – Falava do Benfica...

CQ – O Benfica, pela primeira vez em muito anos, consegue manter o seu treinador. Era bom que no Benfica isto representasse um caso de sucesso pelo exemplo que poderia significar para todos os outros clubes. Esta minha afirmação tem o perigo de acharem que estou a torcer para que o Benfica vença em vez dos outros mas não é isso que quero dizer.

R – Mas pode considerar-se Jesus um caso de sucesso no Benfica?

CQ – Não vou entrar por aí. O que lhe digo, até porque já lhe disse pessoalmente, é que gosto de ver jogar as equipas treinadas pelo Jorge Jesus. Vi essa qualidade no Est. Amadora, no V. Setúbal, no Belenenses, no Sp. Braga e no Benfica. Gosto de ver aquele futebol. Gosto de ver futebol de ataque, alegre, de transições rápidas, atrativo, bonito. Lembro-me da final da Taça pelo Belenenses com o Sporting. Foi espetacular! Pode não ganhar sempre e pode naturalmente perder aquilo que ele próprio mais gostaria de conquistar, mas não lhe posso tirar o mérito. E sobretudo devo reconhecer essa sua qualidade não apenas quando a equipa ganha mas também em momentos em que as coisas correm bem os resultados são menos positivos. Falo na condição de colega, de profissão e insisto: era bom que os casos de permanência de três/quatro anos fossem mais frequentes. Repito: dá-me encanto ver as equipas de Jesus jogar. Os títulos, deixo para os presidentes decidirem.

R – Surpreende-o que o Sporting esteja a fazer tanto com tão pouco?

CQ – Não é a primeira vez que a imagem de marca do Sporting deve ser realçada. O Sporting, nos últimos anos, tem sido, entre os três grandes, o clube que, apesar de todas as dificuldades, mais tem aberto a porta e proporcionado oportunidades aos jogadores jovens portugueses. Disse-o privadamente e digo agora abertamente: lamento que haja tanta gente a criticar e a exigir aos treinadores e aos jovens jogadores. Já noutros tempos, teria sido bom que o Sporting tivesse tido sucesso. Uma história de sucesso fundamentada neste tipo de decisões cria moda, cria estilo e leva os outros a imitá-la, a seguir o mesmo caminho. Neste momento firme do Sporting, em primeiro lugar do novo presidente e depois do Inácio, seria bom que tivesse êxito. Se vai ganhar ou não, isso é outra coisa.

R – Face à sua análise, quem corre mais riscos esta época? OFC Porto com a opção por um treinador jovem e com muito por provar, o Benfica na continuidade de uma aposta ou o Sporting em novo ciclo com a prata da casa?

CQ – O que corre menos risco e tem tudo a ganhar, é sem dúvida o Sporting. Depois, será o FC Porto, pois, independentemente dos resultados, a filosofia não será colocada em causa. O balanço que tem é suficiente para gerir uma época de menor sucesso. O que está em situação de tudo ou nada é o Benfica. Esta época, o Benfica jogou todos os trunfos. Descolando-me das pessoas que falam sem saber, quero ressalvar que esta é uma leitura de quem está a ver as coisas à distância, não assiste a todos os jogos e não conhece os detalhes. Seja como for, honestamente vejo as coisas desta forma simplista: Sporting tem tudo a ganhar, o FC Porto é “fifty-fifty” e o Benfica está em situação de maior risco. Em todo o caso, não é grande novidade. Sabe, Lisboa é uma cidade fantástica e bonita, mas tem um terrível defeito: não aprende.

R – O que quer dizer com isso?

CQ – O Sporting e o Benfica ao longo de muitos anos vacilaram por duas razões. Primeiro: não depositaram nas suas próprias pessoas a confiança incondicional que deveriam ter depositado – “trust in your own people”. Segundo: entraram em pânico. Os resultados bons e maus fazem parte do processo. Ninguém consegue ganhar todos os jogos. Quem entra nesta vida, seja dirigente ou treinador, tem de estar preparado para os altos e baixos e para as críticas. O que importa fazer é isolar o que está a afetar o nosso trabalho.

A casa de trabalho da Team Melli
JÁ TEM UM DEDO DE CARLOS QUEIROZ
 
A entrada principal do Estádio Azadi onde a seleção do Irão realiza os seus encontros.
Quando há mais de dois anos Carlos Queiroz viajou até Teerão para conhecer as condições de trabalho que a Federação de Futebol iraniana oferecia, ficou logo impressionado com a grandeza do complexo desportivo Azadi (que em farsi significa liberdade, assim rebatizado após a revolução que colocou o aiatola Khomeini no poder em 1979).

Construído para os Jogos Asiáticos que ali se realizaram em 1974, o complexo, então chamado Aryahmer, estende-se por 450 hectares e é dotado de infraestruturas para a prática de várias modalidades, do basquetebol à canoagem. Foi essa grande herança desportiva que o Xá Reza Pahlevi deixou, antes do Irão se tornar numa república islâmica.

Queiroz e os portugueses da equipa técnica (António Simões e Daniel Gaspar) ficaram, aliás, durante um ano instalados no hotel do complexo, tempo que foi aproveitado para promover uma série de melhoramentos no espaço destinado ao futebol.

Gabinete sem nome

O selecionador do Irão conduziu a reportagem do Record aos vários departamentos e campos do centro do futebol onde trabalha a seleção do Irão, a Team Melli. Visitámos o balneário de apoio à equipa e os vários gabinetes técnicos “onde gostamos menos de estar”.

Queiroz brincou com a inscrição à entrada do seu gabinete e onde se pode ler “treinador da seleção” sem qualquer referência ao seu nome. Assim, argumenta Queiroz, “facilita-se a mudança…”

Depois de nos cruzarmos com o roupeiro “Charles Bronson” – diz Queiroz que é “o meu Gonçalves do Irão”, referindo-se ao técnico de equipamentos da Federação Portuguesa de Futebol – chegámos ao departamento médico. Ficámos a saber que funciona como uma clínica, associada à federação, e que presta serviço não apenas aos jogadores das seleções mas a todos os futebolistas da Liga, sobretudo aqueles que representam clubes com menor capacidade financeira. Todos recebem assistência gratuita.

Lab United

Por concluir está o laboratório de alto rendimento, do qual se veem apenas os alicerces. O projeto, desenhado e concebido por Carlos Queiroz, corresponderá às exigências da alta competição: reabilitação, recuperação e avaliação. Tem ginásios e uma pista de tartã de 40 metros. “Foi baseado no laboratório que ajudei a criar no Manchester United” refere Queiroz. “Deveria já estar pronto mas faltou o ‘oxigénio’ e só deve ficar concluído em dezembro”, sublinha o treinador.

Ainda virá a tempo de ser utilizado como espaço de preparação para o Campeonato do Mundo do Brasil. Assim não volte a faltar o oxigénio...