sexta-feira, 31 de maio de 2013

em repouso

Vítor Pereira e mais dois na corrida pelo Everton


Canal desportivo ESPN insiste em colocar o treinador bicampeão nacional pelo FC Porto na rota dos "toffees". Saiba quem são os outros candidatos ao lugar deixado vago por David Moyes.

Vítor Pereira continua a ser colocado na rota do Everton, tendo em vista a sucessão de David Moyes.

O treinador português, que está em negociações com o FC Porto para a renovação de contrato é um de três nomes de uma restrita lista de possibilidades para o comando dos "toffees".

De acordo com o canal desportivo ESPN, o espanhol Robert Martínez (ex-Wigan) e o alemão Ralf Rangnick - actual director-desportivo do Red Bull Salzburgo e antigo técnico do Schalke 04 - estão igualmente na calha para trabalhar em Goodison Park.

Vítor Pereira, que conquistou dois campeonatos portugueses seguidos ao serviço do FC Porto, tem ainda o futuro em aberto. O treinador está em final de contrato com os dragões.

através da RR

Os melhores do ano

VISÃO DE JOGO

Terminadas que estão as provas nacionais, chega a altura de fazer um balanço. E nada melhor do que escolher um naipe de jogadores portugueses e estrangeiros que mais se destacaram ao longo da temporada.


Rui Patrício e Helton. Em ano horrível para o Sporting, o guardião leonino surgiu na melhor forma de sempre e fez com que tudo não fosse ainda pior. Já o portista foi o menos batido e valeu pontos preciosos em muitos jogos.


Tony e Salino. O lateral português foi um dos obreiros da época histórica do Paços de Ferreira, enquanto o brasileiro do Sp. Braga foi um dos melhores e mais regulares da equipa a jogar numa posição diferente.


Diogo Figueiras e Alex Sandro. O jovem pacense surpreendeu com boas atuações, nos dois lados da defesa, sem comprometer. Por seu lado, o internacional brasileiro tem muita classe, é incansável no corredor esquerdo e uma peça chave nos dragões.


Steven Vitória e Garay. O central do Estoril é um valor seguro. Forte na marcação e jogo aéreo, tem também apetência para os golos. Garantia de segurança, o argentino do Benfica foi um pilar importante da defesa e transmitiu estabilidade aos companheiros.


Paulo Oliveira e Mangala. No V. Guimarães está a nascer um grande central. Estilo requintado e eficaz na marcação, fez excelente época de estreia na 1.ª Liga. O francês do FC Porto será jogador de top mundial. Rapidez, técnica, força e poder de impulsão fazem dele um craque.


André Leão e Matic. Os trincos em maior evidência na liga. O português pela segurança defensiva que deu ao onze de Paulo Fonseca, e o sérvio pela evolução que registou ao longo da temporada, sendo importante na estratégia de Jorge Jesus, a recuperar e construir jogo.


João Moutinho e Enzo Pérez. O dragão voltou a ser o motor de alta rotação da equipa e elemento vital na conquista do título. Já o argentino foi aposta ganha do treinador do Benfica. Extremo razoável que virou médio de eleição, lutador constante que deu força ao meio campo.


André Martins e Carlos Eduardo. Titulares no último terço da liga, os dois criativos estiveram em excelente plano. O leão caminha para a afirmação e chegou à Seleção. O médio estorilista mostrou bons pormenores técnicos e potencial para jogar num clube de maior ambição.


Licá e James Rodríguez. O português, a extremo ou avançado, foi uma seta apontada à baliza dos adversários. Rápido, habilidoso e finalizador. Abaixo do habitual, o colombiano não deixou de ser uma referência nos portistas. A criar desequilíbrios, assistir e marcar golos.


Bruma e Salvio. O jovem leão promete "explodir" na próxima época. Extremo vibrante, tem tudo para ser uma estrela nacional. Salvio foi uma das grandes contratações da época e crucial para o bom futebol do Benfica, pela profundidade dada ao corredor direito e golos apontados.


Éder e Jackson Martínez. O bracarense fazia uma época brilhante até se ter lesionado. Tem faro de golo, mobilidade e força. Quanto a Jackson, é um ponta de lança de alto calibre, com golos de todos os feitios. Os 26 tentos na estreia são dignos de espécie rara.


Jogadores como Ricardo, Jefferson, Vítor, Josué, Filipe Augusto, Sami, Lima, Baldé ou Ghilas, entre outros, também foram figuras de proa nesta emocionante liga. Quanto a treinadores, os destaques vão para o mérito do campeão Vítor Pereira, a época (apesar de tudo) muito positiva de Jorge Jesus e as proezas de Paulo Fonseca, Marco Silva e Rui Vitória.


O Craque - O herói da Taça


Ricardo foi um dos destaques vitorianos na final da Taça de Portugal e o melhor marcador da prova com 6 golos apontados. Com apenas 19 anos, uma das boas surpresas que Rui Vitória deu a conhecer ao futebol português não se intimidou com a estreia na liga e mostrou todo o seu virtuosismo. Dono de um drible curto, velocidade e capacidade de explosão, é um extremo imprevisível que também arrisca o golo. A ida para o FC Porto não surpreende. E será uma das principais armas da Seleção portuguesa que estará no próximo Mundial de Sub-20.


A Jogada - Treinadores vão a votos


Este fim de semana (dias 1 e 2 de junho) realiza-se, em Oliveira de Azeméis, o XII Congresso da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, um evento onde se efectuarão também as eleições da ANTF, com duas listas a apresentarem-se a votos. Numa fase de afirmação do treinador português, dentro e fora do país, este é, sem dúvida, um momento importante para o futuro da classe que, ao contrário de outras, não tem conseguido marcar uma posição forte nos assuntos do futebol luso. Os técnicos nacionais merecem uma estrutura que os ajude a serem ainda mais reconhecidos.


A Dúvida – Comportamentos estranhos


A indignação do Sporting quanto ao valor da venda de João Moutinho é compreensível. Mas por razões diferentes das apontadas. Os leões só têm de se queixar de si próprios e dos moldes do negócio que aceitaram fazer. Depois de vender o jogador, o Sporting perdeu qualquer poder de decisão. Foram 25 milhões como podiam ter sido 10 ou 40. Criticar um valor que os leões apenas conseguiram uma vez (Nani) e que permitirá um encaixe razoável, parece insensato. Teria esta postura outros interesses na manga (Josué ou Rolando)? E já agora, quanto recebeu o FC Porto, detentor de 50% do passe, com a venda de Postiga para Espanha?

António Oliveira no jornal record








quinta-feira, 30 de maio de 2013

«Já cheira a verão»

Vieira: «Esta época fez-nos sonhar como há muito não acontecia»

PRESIDENTE DO BENFICA DESTACA ASPETO POSITIVO

Luís Filipe Vieira jantou esta noite, na Luz, com os deputados benfiquistas e, no discurso que abriu a cerimónia, fez um balanço da temporada que agora terminou. Sem nunca abordar o tema Jorge Jesus, o presidente encarnado admitiu frustração pelos títulos perdidos mas lembrou que não se pode colocar tudo em causa.

"Esta época não foi de sonho mas, por outro lado, fez-nos sonhar como não acontecia há mais de 20 anos. A tristeza destas últimas semanas é tanto maior quanto o caminho percorrido e as expectativas criadas durante os últimos meses, fruto do trabalho dos profissionais desta casa. O nosso estado de tristeza tem precisamente a ver com o facto de termos estado muito perto de concretizar uma época fantástica", sublinhou o líder das águias no seu discurso, vincando que "só a morte não se ultrapassa".

Embora sem fazer referência à eventual continuidade de Jorge Jesus, Vieira vincou que, em 2013/14, pretende seguir a mesma linha da temporada que agora terminou, embora, obviamente, com a conquista de títulos.

"Queremos repetir para tudo para o ano com um final diferente. Temos condições para isso. Tenho a amargura de ainda não ter chegado onde quero mas a certeza que aquilo que falta para lá chegar é muito pouco", referiu.
através do jornal record

Bruxaria: Mestre 77 ataca o bruxo de Fafe



Fonte: daqui

O caminho do Sporting

Minuto Zero
No mesmo dia em que apresentou Jefferson, Bruno de Carvalho viu Josué assinar pelo FCPorto.

Normal, tendo em conta que os dragões são hoje muito mais poderosos, tendo neste negócio inclusivamente a vantagem de deterem 50 por cento dos direitos do médio.
Não se pode falar verdadeiramente de uma derrota leonina, uma vez que as sondagens nunca poderiam passar disso sem o acordo dos tricampeões.
Ora a guerra verbal a propósito de João Moutinho deu logo a entender que Josué era carta fora do baralho de Leonardo Jardim.


Este caso serve para mostrar como difícil e sinuoso será o caminho a percorrer pelo Sporting este defeso.
Não só porque os leões estão sem capacidade negocial que lhes permita pagar para terem jogadores de primeiro plano, como também nas saídas será preciso muita cautela.
Vender bem e comprar melhor, a velha quimera que todos perseguem.


No árduo trabalho que se avizinha para Leonardo Jardim é necessário que o mercado seja bem orientado por Bruno de Carvalho e Inácio.
Falhar nos reforços experientes, por exemplo, seria gravíssimo. Jovens com talento e futuro há muitos na Academia.
Jardim precisa de alguns homens para trazerem serenidade à equipa.
Se Jefferson preenche estes requisitos é algo que se verá mais à frente.
E por isso perder Josué não será de uma gravidade extrema.
Já a guerra levada a cabo contra os empresários, parecendo algo quixotesca, poderá ter outras consequências.


O técnico do Sporting vai ter de potenciar os jovens valores que Jesualdo lançou na equipa e outros com vontade de despontar, mas precisa de algumas peças-chave para equilibrar o plantel.
É por isso que as vendas são vitais. E diga-se, aqui a margem de manobra dos dirigentes leoninos não é muita.
Estão obrigados a fazer encaixes importantes pela reestruturação financeira negociada, o que retira capacidade negocial.
É, de facto, uma tarefa complicada o que se apresenta ao presidente.
Mas muito do sucesso futuro depende do que for capaz de fazer agora.
Bernardo Ribeiro no jornal record

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Sir Alex Ferguson: 27 histórias incríveis


Ryan Giggs na casa errada
Lee Sharpe gostava de se divertir. O extremo do Manchester United tinha fama de organizar festas privadas e um dia o treinador foi a casa dele para o encostar à parede.
Ao tocar à campainha, apareceu-lhe Ryan Giggs com duas garrafas de cerveja na mão.
O galês de 18 anos era a nova aposta do United e ficou sem um mês de salário.
Furioso, Ferguson acabou abruptamente com a festa, pedindo a duas raparigas que se retirassem.

Um contestatário arrependido
Em 1989, ao fim de três épocas sem títulos em Old Trafford, a paciência dos adeptos começava a esgotar-se.
Uma tarja exibida no estádio tornou-se famosa pelos aplausos recebidos:
«Três anos de desculpas e continuamos a mesma porcaria. Adeus Fergie». O escocês aguentou-se e, 38 troféus depois, o homem responsável por pedir a sua cabeça mantém o lugar cativo no estádio, com uma opinião diferente.

«Ainda bem que ele ficou. Agora penso que devia ser canonizado», disse Pete Molyneux ao The Guardian.

O efeito secador de cabelo
Dion Dublin só jogou seis vezes pelo United, mas teve tempo para sentir o famoso ‘efeito de secador’. A expressão foi inventada pelos jogadores e resume o momento em que Ferguson lhes berra tão perto da cara que os cabelos esvoaçam.
«Ele gritou comigo e cuspiu-me todo, na cara, no queixo, nos olhos», contou o antigo avançado.

A descompostura é por todos temida e serve para o treinador controlar o balneário. «Se não for impiedoso com estes milionários estou perdido».

Desacreditado em tribunal
Só foi despedido uma vez. Corria Maio de 1978, treinava o St. Mirren e estava de saída para o Aberdeen – mas não tinha informado ninguém.
Contestou a decisão em tribunal e o clube apresentou 15 razões para o dispensar, entre as quais ter insultado uma funcionária e convidado jogadores para o seguirem.

A Justiça deu razão ao St. Mirren, qualificando o treinador de «insignificante» e «imaturo», antes da estocada final:
«Não tem experiência nem talento, nem qualquer habilidade para a função».

A paternidade de Gary Neville
Durante duas décadas, o defesa formado no Manchester United fez parte da mobília.
Ferguson era um grande apreciador das suas qualidades e apenas lamentava que não tivesse crescido mais um pouco.

Numa tirada sarcástica, atirou: «Se fosse três centímetros mais alto seria o melhor central da Grã-Bretanha. O pai dele mede 1,85 m. Se fosse eu, ia verificar como é o leiteiro».

Stam mete gasolina no fogo
Uma autobiografia incendiária, na qual o holandês revelava ter sido contratado à revelia do anterior clube, numa manobra ilegal, deixou o escocês em fúria.
Depois de um treino em que ouviu as explicações de Stam, o treinador mandou a secretária dizer ao jogador que esperasse por ele onde quer que estivesse.
Stam parou num posto de gasolina e ali ouviu a sentença da boca do escocês: era tempo de deixar Old Trafford.

Mais uma rodada até vir o cowboy
Quando chegou ao United, em 1986, imperava a cultura do álcool. Numa digressão ao Bahrain, ao deparar-se com os jogadores a beber à descarada, gritou-lhes:
«Vocês são uma desgraça para o clube». Apesar do sermão, Norman Whiteside e Bryan Robson decidiram sair naquela noite.
Foram descobertos por um dirigente numa discoteca, bêbedos.
«Sabíamos que tínhamos sido apanhados e pedimos mais uma rodada», contaria ??Whiteside na sua autobiografia.
Passados 15 minutos, Ferguson irrompeu pela porta «como se estivesse a entrar num bar de cowboys». Whiteside desculpou-se e pediu ao treinador para chamar um táxi. «Táxi? Vocês podem andar». Cinco quilómetros até ao hotel.

Em nome de Cathy
O primeiro trabalho, ainda na adolescência, foi numa tipografia em Glasgow. Ali conheceu a mulher, Cathy, com quem casou há 47 anos.
Ele protestante, ela católica, nenhuma igreja aceitou celebrar a cerimónia. A solução era um deles converter-se, mas preferiram casar pelo civil a mudarem de fé.
Na despedida de Old Trafford, domingo passado, Ferguson anunciou que era por Cathy que se ia embora:
«Tudo mudou com a morte da sua irmã Bridget.
Agora que ficou sem a sua melhor amiga e está um pouco solitária, acho que lhe devo o meu tempo».

Escondido na piscina
Na primeira época em Manchester, um desaire caseiro levou-o ao balneário com o intuito de aplicar o ‘secador’ a Peter Barnes, depois de uma exibição muito apagada.
O extremo estava sentado à beira da piscina comum, quando se apercebeu dos passos do escocês na sua direcção. Inspirou fundo e mergulhou.
Ferguson olhou e não o viu. O jogador emergiu finalmente, quase sem ar, mas livre do raspanete.

E se o Fergie quer ser cá da malta...
No Verão de 1989, dispensou dois dos jogadores mais populares do United, mostrando pela primeira vez que não olharia a nomes para atingir o sucesso.
Norman Whiteside e Paul McGrath abusavam na bebida e, como passavam muito tempo lesionados, repetiam-se as oportunidades para uma escapadela até ao bar mais próximo.

McGrath conta na sua autobiografia como se desenrolava o processo de decisão: «Não, não podemos. Não podemos.
Não podemos, pois não? Ah, vamos lá. Vamos lá beber uma ou duas».
Um dia embebedou-se e bateu com o carro. Ferguson avisou-o.
Pouco depois voltou à mesma vida e, numa entrevista, aconselharia o escocês «a relaxar e a beber umas».

O casaco creme de Eric Cantona
Segundo rezam as crónicas, quase ninguém escapou aos acessos de autoritarismo de Ferguson. Mas uns eram mais poupados que outros.
Eric Cantona estava no primeiro lote. A ideia de vestir a roupa oficial do clube nunca agradou ao excêntrico francês, que um dia apareceu de casaco creme e ténis vermelhos num evento que obrigava a usar fato e gravata. Ao ver a indumentária alternativa do seu pupilo, em vez de lhe chamar a atenção, Ferguson exclamou que Cantona estava «estupendo».

Uma ferida mediática
Quando, em 2003, entrou de raiva no balneário e pontapeou uma chuteira que acertou em David Beckham e lhe abriu o sobrolho, já estava em rota de colisão com o jogador.
Ferguson culpava o casamento com a ex-Spice Girl Victoria e a vida de celebridade pela dedicação cada vez menor ao futebol.
«Ele nunca tinha sido um problema até se ter casado», afirmaria anos mais tarde.
A ‘bota voadora’ obrigou Beckham a ser suturado com dois pontos e no final da época a ferida ainda não estava sarada:

o adeus ao clube que representou mais de uma década tornou-se inevitável.

Roy Keane fura lei do silêncio
Com Roy Keane o problema foi outro. O capitão era o expoente máximo do espírito competitivo que o técnico exige, mas cometeu um pecado capital em 2005, ao fim de 12 anos no United.

Ao arrasar sete companheiros em declarações à TV do clube, entre eles Rio Ferdinand, violou um dos mandamentos mais sagrados de Ferguson:
a lei do silêncio que protege o balneário. Com mais de 50 jogos pela Inglaterra, o guarda-redes David James revelou que, mesmo nos estágios da selecção, nunca um jogador às ordens de Ferguson lhe contou sequer o que comiam ao pequeno-almoço.

Cavalo ‘desenterra’ podres
Fanático das corridas de cavalos, deteve 50% de um garanhão avaliado em mais de 50 milhões de euros. A divisão dos direitos sobre o cavalo levou-o a uma disputa legal:
o milionário John Magnier alegava que tinha feito uma oferta simbólica ao amigo, quando decidiu partilhar a titularidade do animal, mas Ferguson exigia uma parcela dos lucros.

 Foi então que Magier, que chegou a ter quase 30% das acções do Manchester United, contratou um detective que terá descoberto alguns podres do treinador no clube.
Ao ser confrontado com a informação, desistiu do processo em tribunal.

Cunhas para a família
Uma reportagem da BBC, em 2004, apanhou a boleia do detective de Magier e apresentou Ferguson como promotor de cunhas no Manchester United.
Além de ter nomeado o irmão mais novo, Martin, como director da prospecção de talentos, Ferguson terá beneficiado os filhos gémeos:
Darren passou quatro épocas no plantel principal e fez 30 jogos (os únicos na Premier League) e Jason participou em várias contratações do clube, através da sua agência de representação de jogadores.
Em resposta, Ferguson deixou de falar para a TV do Estado, um boicote que durou sete anos.

Imprensa banida
Mark Ogden foi proibido de entrar nas instalações do United por ter noticiado que Rio Ferdinand ia falhar o primeiro jogo da época.

Habituados à mão castigadora de Ferguson sempre que lê ou ouve algo que não lhe agrada, os jornalistas sentiram esta punição como totalmente desproporcionada.
Mas o treinador culpou o repórter do The Telegraph pela derrota com o Everton e baniu-o durante meses. Ironia:
seria Ogden a avançar em primeira mão com a notícia da retirada, antecipando-se ao anúncio oficial, para espanto do escocês.
Os jogadores ainda não sabiam e, até ao dia anterior, nem ao irmão tinha contado.

através semanário Sol, revista tabu

Rui Gomes da Silva ataca forte e feio

BENFICA:
OS HOMENS DE CARÁCTER, OS OPORTUNISTAS E O SILÊNCIO

"No futebol profissional tudo começa e tudo acaba nas vitórias", afirma Manuel Sérgio, na pág. 68 do seu livro "Filosofia do Futebol"!

Permito-me discordar do "Grande Mestre"!

Porque acho que - como em tudo na vida - também no futebol tudo começa e acaba no carácter dos Homens!

Vem isto a propósito dos ataques oportunistas de quem, discordando de Luis Filipe Vieira - sempre por divisões do passado e não por razões do futuro - aproveitou este momento muito difícil por que o Benfica está a passar para atacar a sua gestão.

De coragem, de carácter, de coerência seria ter dito o que disseram um mês antes, quando tudo faria prever estarmos, hoje, a festejar o que momentos menos bons tudo deitaram a perder - seja lá quem for o responsável!

Não posso aceitar esta tentativa de fragilização do Presidente do Benfica na praça pública - pelos ataques de uns ou pelo silêncio de outros.

Porque Luis Filipe Vieira sabe que, desde que aceitei o seu convite para o ajudar a conduzir, de novo, o SLB ao nível que deve ser o seu, sempre lhe disse o que penso, sem prejuízo de saber qual o preço público da lealdade e do respeito que me merece, como sucessor de Homens como Rosa Rodrigues, Félix Bermudes, Ferreira Bogalho, Vieira de Brito, Borges Coutinho .... tendo sempre presente o exemplo de Cosme Damião!

Carácter (e não oportunismo), frontalidade (em vez de bajulação), coragem (e não medo), disponibilidade (nunca beneficio), humildade (em vez de arrogância)... é o que vamos precisar nos próximos tempos....


Dos que concordaram ou discordaram em liberdade e, de forma convicta, nunca o esconderam.

Mas continuaremos a dispensar os oportunistas, os que só criticam quando as coisas correm mal, os que só na derrota realizam as suas vinganças pessoais, os que, com o silêncio, parece estar mas não estão.

Porque, também no Benfica de sempre, como escreveu Tucídides, “... só o sentido de honra tem a garantia de não envelhecer”!


através do facebook de Rui Gomes da Silva

«Estou num dos maiores clubes portugueses»

Jefferson é o primeiro reforço oficializado pelo Sporting para a próxima temporada. O defesa de 24 anos contratado ao Estoril pretende agarrar o lugar mas tem consciência de que terá uma dura tarefa pela frente.

"Estou muito feliz por assinar por um dos maiores clubes portugueses", referiu, em conferência de imprensa, o lateral-esquerdo, que admitiu que Roberto Carlos é a sua "referência" enquanto futebolista.

Mais comedido se mostrou quando questionado sobre as aspirações dos leões da próxima época: "Sinto-me feliz por estar aqui e por o Sporting ter acreditado em mim. Vamos lutar para conquistar vitórias, o futuro a Deus pertence".
através do record

«Equipa faliu em termos psicológicos» - Manuel José


ora aqui está uma excelente análise que eu subscrevo em alguns pontos:

Manuel José (foto ASF)
 
 
Manuel José considera que os jogadores do Benfica acusaram a pressão das decisões e que o empate (1-1) com o Estoril, na antepenúltima jornada do campeonato, foi determinante para o insucesso da equipa esta temporada.

«Os jogadores não aguentaram a pressão de ter de ganhar as provas todas.

Se tivessem ganho ao Estoril, o Benfica seria campeão nacional e, talvez assim, tivesse ganho a Liga Europa e a Taça de Portugal. Mas a equipa faliu em termos psicológicos e foi-se abaixo», disse o antigo treinador do Benfica em declarações à TSF, sustentando que Jorge Jesus «também não aguentou a pressão».

«As vitórias têm muitos “país” mas as derrotas só têm um, que é o treinador. A figura central é o Jorge Jesus. Quando se ganha, ganham todos, quando se perde, perde o treinador», prosseguiu, defendo a saída imediata do treinador.

«Em tempos, disse que Jorge Jesus devia continuar. Neste momento não tenho dúvidas, tenho a certeza que ele deve sair. Não tem margem de tolerância nenhuma. Quando não se tem adeptos, o melhor é ir embora.

Se já tinha um acordo com o presidente, deviam quebrar esse acordo, mesmo que ele vá para o FC Porto.
O importante é que o Benfica tenha estabilidade para se preparar melhor, aprendendo com os erros desta época, e que venha um treinador que renove a esperança dos benfiquistas.»
através do jornal «A Bola»

é mesmo ele o novo treinador

tal como este blogue avançou no dia 13 de Maio - a renovação de Jesualdo Ferreira com o Sporting estava então complicada - , Jesualdo Ferreira está a caminho do Braga.

fosse tão certo sair o euromilhões e eu amanhã a esta hora estava a viajar para um destino paradisíaco para umas merecidas férias.

excerto do post de 13 de Maio:

também não é novidade para ninguém que a renovação de Jesualdo no Sporting está complicada.

(...) e quem anda atento às declarações de António Salvador, já ouviu da boca do presidente arsenalista que o melhor treinador que passou em Braga desde que o mesmo é presidente do clube foi Jesualdo Ferreira...

e,

... Salvador não escondeu também que um dia gostaria de o ver regressar.

bom, Jesualdo Ferreira faz 67 anos no dia 24 deste mês e provavelmente será desta que faz o último contrato da sua carreira de técnico... no Braga, de António Salvador.


A certeza das convicções

MINUTO 0
O presidente do Benfica aguentou estoicamente a derrota no Dragão. Depois, teve declarações poderosas e reveladoras logo após a final de Amesterdão, confirmando que a Jesus só faltava decidir se queria “assinar por 2 ou 4 anos” quando o próprio treinador assumia que precisava de pensar.

Pode a derrota no Jamor colocar tudo isto em causa e levar de bestial a besta o homem que tem estado à frente da equipa nos últimos quatro anos? A resposta é a quisermos dar: sim e não.

Sim, porque este final de época foi muito traumático. Principalmente a derrota frente ao Vitória de Guimarães.
Perder o campeonato no Dragão e o desaire com o Chelsea ainda foi coisa que os adeptos souberam encaixar – recebendo até os jogadores como heróis no regresso da Holanda –, já ficar sem qualquer conquista e perante um adversário claramente inferior em termos futebolísticas, essa foi a gota que colocou Jesus na cruz.

Não, porque Luís Filipe Vieira conviveu diariamente com Jorge Jesus durante as últimas quatro temporadas e se há 13 dias o treinador só tinha de decidir se queria continuar por 2 ou 4 épocas, então é porque o presidente tem a certeza de que está na presença de um grande técnico. E a certeza das convicções é o que faz a diferença quando se lidera.
Pode falar-se de Alex Ferguson, que esteve 6 anos no Manchester United sem ganhar o título, ainda que isso já não seja sequer um timing do futebol dos dias de hoje, mas também da importância da estabilidade num clube.

Não encontrar qualidade em Jesus é uma parvoíce completa. Tal como ver nele o mais iluminado dos treinadores portugueses. Encontrar-se-á no meio a virtude, mas nada disto é vital na decisão que Vieira tem de tomar.
Estando mesmo na própria SAD algo isolado na defesa do técnico, tendo muitos adeptos zangados com tanta tristeza seguida, será necessária muita coragem ao presidente decidir-se pela renovação.

Mas são estes momentos que definem os grandes líderes.
É que não é só Jesus que está no fio da navalha. O futuro de Vieira também passa por aqui.
Bernardo Ribeiro no jornal record

de besta a bestial num ano ou vice-versa...

a comunicação social avança que Vítor Pereira pediu mais tempo a Pinto da Costa para pensar no convite (?) que este lhe endereçou para continuar como treinador do FC Porto.

pergunto eu: mas anda tudo parvo ou quê? alguma vez Vítor Pereira dizia não a um convite para continuar como técnico do FCP?

coincidência do caraças?!...para alguns, para mim, não!...
continua o impasse no FC Porto quanto à continuidade de Vítor Pereira...

e,

 na Luz, também continua o impasse quanto à continuidade ou não de Jorge Jesus.

caro presidente Luís Filipe Vieira,

bem sei que não se pode comparar o Bayern Munique ao Benfica actual, nem Jupp Heynckes com Jorge Jesus!, mas as vitórias, empates e derrotas, são iguais em todo o lado.

Jupp Heynckes na época passada perdeu o campeonato, a taça da Alemanha e a champions league.
lembra-se como e onde foi?

eu relembro, na própria casa,... é verdade?!...isso sim, é uma tragédia desportiva, perder a maior prova da europa na própria casa.

e este ano?, o que aconteceu com Jupp Heynckes e com o Bayern de Munique?
passou de besta a bestial!...

pois é, vexa decida pela sua própria cabeça a continuidade ou não de Jorge Jesus.
vexa sabe melhor do que ninguém que há um pré acordo entre Jorge Jesus e o FCP. se fosse outro treinador, sem coluna vertical, já tinha assinado pelo FCP, só que ele não o fez!, além de profissional, é seu amigo pessoal e deve uma enorme gratidão ao SLB!

mas atenção, JJ não pode continuar a prejudicar a sua carreira por caprichos dos seus vice-presidentes...

é que se não ficar com JJ, já sabe onde ele vai parar!...

e aí,
é mais um trunfo para o FC Porto ser novamente campeão na próxima época!

o FCP ter um treinador que sabe como tudo funciona nos corredores da Luz não me parece ser boa ideia!...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Salvador arrasou Peseiro no Dragão

José Peseiro chegou a acordo com o Sp. Braga e já não é treinador do clube.
O treinador de 53 anos tinha mais um ano de contrato mas o seu destino estava traçado.
Nem a conquista da Taça da Liga convenceu António Salvador. O presidente considerou a época “uma desilusão” e por sua ordem nem sequer o troféu conquistado ao FC Porto foi apresentado aos adeptos, estando já no memorial do clube.
A relação de Salvador com os treinadores que nos últimos anos têm passado pelo Sp. Braga é comparada ao boletim meteorológico: há momentos de bom tempo e outros de tempestade. O mais difícil é prever esses momentos.


Nem a conquista da Taça da Liga chegou para evitar a rutura. No caso concreto de Peseiro, o mau tempo chegou sobretudo quando o Sp. Braga se deslocou ao Dragão para defrontar o FC Porto, onde perdeu o jogo nos últimos minutos, num momento em que lutava ainda pelo 3.º lugar que podia dar-lhe acesso ao playoff da Champions.

No final do jogo, o presidente bracarense entrou no balneário e a primeira pessoa a quem se dirigiu foi a José Peseiro, perguntado-lhe em voz alta:
“O que estás ainda a fazer aqui?”
Ao que Record sabe, o treinador não reagiu mas permaneceu no balneário longos minutos. A corda esteve quase a partir.

Sem retorno

A partir desse momento, ficou sem retorno qualquer hipótese de entendimento entre o presidente e o treinador.
O ponto final foi a derrota com o Nacional em casa, na penúltima jornada, com o Paços de Ferreira a empatar em Coimbra e a assegurar uma presença histórica no playoff da Champions.

José Peseiro fez tudo para acertar agulhas com o presidente ao longo da época e fontes próximas do treinador garantem que bateu recordes de paciência.
Como aconteceu em janeiro quando apresentou uma lista de possíveis reforços a Salvador e não viu um só desejo ser satisfeito.

Não foi um ano fácil em Braga para um treinador que conquistou a Taça da Liga e que eliminou o campeão nacional da Taça de Portugal.

Ele que começou a época em grande, com o Sp. Braga a derrotar, embora no desempate através de grandes penalidades, a Udinese no playoff da Champions, depois de empatar a duas bolas na Luz ainda com Lima.

Na fase regular da Champions começaram os problemas, como resultado de 5 derrotas e uma vitória (no campo do Galatasaray).
Eugénio Queirós no jornal record

na piscina...

Águias negam reunião para decidir futuro de Jesus

O Benfica emitiu esta terça-feira um comunicado no site oficial a negar que tenha sido feita qualquer reunião de emergência com o intuito de discutir o futuro do técnico Jorge Jesus à frente da equipa encarnada.

Comunicado:

“Ao contrário do que o jornal “A Bola” publica no seu site, não há nem nunca esteve prevista qualquer outra reunião da SAD para o dia de hoje.

Mais se informa, face às notícias publicadas esta terça-feira e que não correspondem à realidade, às matérias e ao modo dos temas discutidos na habitual reunião semanal da SAD, o Sport Lisboa e Benfica lamenta a publicação das mesmas, percebendo, no entanto, as motivações com que foram “plantadas”.

O Benfica não decide em função das matérias publicadas pelos jornais e lamenta alguns critérios editoriais onde a especulação contamina, e em alguns casos elimina, o rigor que deve orientar os jornalistas.”
através do jornal record

Benfica à espera de Vieira

Um clube com a grandeza do Benfica não pode depender apenas das decisões de dois homens. Desde 2010 – quando Luís Filipe Vieira confessou em direto na SIC que se entendia com Jesus por “sinais de fumo” – que nada mais existe.
A estrutura do Benfica são eles os dois e os telemóveis de alguns empresários de futebol.
Nos últimos anos, para o bem e para o mal, foi assim que tudo aconteceu.
O treinador ouve o presidente. O presidente ouve o treinador. E decidem.


Defendi aqui ontem que Jesus não tem condições para continuar na Luz. Deu ao Benfica tudo o que podia e sabia. E o que podia e sabia está à vista.
Mas acredito, mesmo assim, que Vieira pode anunciar esta semana a renovação de JJ.
E justificá-la em direto, ao vivo e a cores no horário nobre de uma estação de TV. A história, às vezes, tem direito a repetição.


O presidente das águias cometeu um erro grave neste processo:
o timing em que decidiu comunicar a continuidade do técnico nunca podia ter sido aquele.

Das duas, uma – se JJ é, de facto, o homem do projeto, a renovação teria de estar tratada três ou quatro meses antes do final da época.
Não estando, então guardava silêncio sobre o assunto até ao último jogo da temporada. E agora, sim, decidia e anunciava.
Nunca podia era ter garantido que Jesus continua quando ainda estava sob a emoção da vitória frente ao Fenerbahçe, que valeu a final da Liga Europa.


Éevidente que Vieira está refém da sua promessa, que, aliás, reiterou após o jogo com o Chelsea. Jesus quer ficar? Sim, é o que parece. Vieira quer que Jesus fique? Sim, é o que parece. Há alguém no Benfica que possa fazer Vieira mudar de ideias?
Parece que não.


A falta de uma estrutura ao nível da dimensão do clube é a razão do problema. Decide-se e pronto. Ninguém faz perguntas.
E elas deviam ser feitas. Para que serviu, afinal, um consultor motivacional pago a peso de ouro?
O que fez no Benfica o professor Manuel Sérgio?
Quem acreditou que seria possível viver mais um ano sem lateral-esquerdo? Qual o papel de Carraça? E de Rui Costa?
Nuno Farinha no jornal record

Jorge Jesus não fica?!...

mas afinal, qual é a novidade?! Vieira não o vai conseguiur convencer a ficar?

enfim...um processo que demorou tempo demais a ser resolvido e agora só um milagre para o segurar...
e ....Pinto da Costa está no seu sofá a dar gargalhadas com isto tudo...

«A Bola» dá Jesus de saída do Benfica.
O jornal diz que a maioria da SAD defende essa solução e fala de uma reunião hoje com Vieira.

Nos outros desportivos, a ideia é que o futuro do treinador está em dúvida.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Lição de Artur Jorge no calcanhar de Madjer

Como o FC Porto ganhou em Viena
 
A 27 de maio de 1987, no Estádio do Prater, em Viena, o FC Porto bateu o Bayern Munique por 2-1 numa histórica final da Taça dos Campeões Europeus que ainda hoje é recordada pelo incrível golo de calcanhar de Rabat Madjer.

O que tantas vezes se esqueceu ao longo destes 26 anos foi o decisivo papel do plano tático preparado pelo treinador do FC Porto, Artur Jorge. Foi, acima de tudo, o triunfo da força de técnica sobre a força do músculo.

O Bayern Munique era o favorito – para muitos observadores internacionais, o único favorito.
Tinha alguns dos melhores jogadores alemães daquela geração:
Lothar Matthäus à frente de um grupo onde se destacavam também Michael Rummenigge, Dieter Höness ou o pequeno Ludwig Kögl, o que mais se encaixava, física e tecnicamente, do perfil da equipa portuguesa.

À frente do Bayern estava um treinador de créditos feitos, Udo Lattek, que levara os alemães à conquista da primeira Taça dos Campeões Europeus, em 1974.

Lattek não revelou a atenção devida ao FC Porto e o erro saiu-lhe caro, especialmente porque o homem que estava no outro banco era um treinador mais jovem, ambicioso, e herdeiro do mestre do futebol português, José Maria Pedroto.

Com Pedroto, Artur Jorge, então com 41 anos, aprendera que a melhor forma de derrubar equipas que assentavam o seu jogo na componente física era explorar a técnica individual dos “baixinhos” portugueses.

A primeira lição internacional dessa opção havia sido dada 13 anos antes, quando Pedroto conduziu uma Seleção Nacional portuguesa formada por meia dúzia de “baixinhos” – João Alves, Octávio Machado, Vitor Martins, Osvaldinho, Adelino Teixeira ou Chico Faria – a um escandaloso empate sem golos em Wembley.
Os ingleses bem correram, bem tiveram mais centros para a área de Vitor Damas, mas a técnica de Alves e companhia valeu o empate.

Em Viena, perante um Bayern Munique superfavorito e sem pode contar com alguns dos seus melhores jogadores – Eurico, Lima Pereira, Jaime Pacheco e Fernando Gomes, todos lesionados – Artur Jorge montou um plano similar ao do mestre Pedroto. Corram à vontade que nós ficamos com a bola.

O “baixote” Kögl ainda colocou o Bayern Munique em vantagem com um golo de cabeça, imagine-se, mas na segunda parte a força da técnica derrubou a força do músculo.
Primeiro, foi Paulo Futre a começar a abrir brechas na muralha alemã com sucessivas jogadas em velocidade sem que alguém fosse capaz de lhe tirar a bola.
Depois foi o jogo de paciência e persistência de Frasco a abalar a organização contrária.
Finalmente, dois momentos de magia em que os atributos técnicos dos jogadores do FC Porto fizeram toda a diferença.

Se o golo dos alemães nascera de uma sucessão de erros do FC Porto (Jaime Magalhães deixou Flick fazer um lançamento lateral à vontade e depois ainda desviou a bola na direção de Kögl, que rematou de cabeça no coração da área, com toda a defesa portista parada...) os golos dos azuis-e-brancos foram momentos de magia coletiva e individual.

No primeiro, o do empate, tudo começa em Frasco, passa pelo pé direito de Juary e acaba com o tal calcanhar de Madjer, também de pé direito, de costas para a baliza, única forma de enganar Hans-Dieter Flick, o homem que estava sobre a linha de golo.

O segundo, o da vitória, nasceu do génio de Madjer e da distração de Winklhofer, o lateral direito do Bayern, que deixou o argelino correr à vontade, fintá-lo e centrar para Juary desviar com um toque subtil do alcance de Jean-Marie Pfaff.

No final do jogo e da conferência de imprensa, Artur Jorge esteve vários minutos a explicar a um conhecido jornalista inglês os princípios de jogo que levaram o FC Porto a vencer aquele jogo, recordando-lhe precisamente o que a Seleção Nacional, com Pedroto ao leme, havia feito em Londres, 13 anos antes.
 
através do jornal record

meu Deus?!...

Jorge Jesus sabia o que dizia...



Jorge Jesus tinha avisado, quem sair primeiro das provas europeias vence o campeonato.

disse também, que se tivesse que optar, optava pelo campeonato!...

ficaram chateados com o discurso (eu incluido)...

...queriam matar o homem, pressionaram a direcção, queriam tudo e, não tiveram nada.

ele sabia o que dizia, o resto são fait-divers.

só falta culpar Jorge Jesus por perder duas provas nos descontos.
mas algum treinador controla a concentração de um atleta nos descontos de uma partida como a do Dragão e a da final da liga europa?!...
 
Haja paciência!...

Kloppologia. Jürgen Klopp como nunca o lemos.

Kloppologia. Jürgen Klopp como nunca o lemos.
 
7 de Agosto de 2009. O jornal alemão Die Zeit (ZM) apresentava uma grande entrevista, realizada por Carolin Emcke e Moritz Müller-Wirth, a Jürgen Klopp (JK), no lançamento da Bundesliga 2009/10.

Estava encerrada a época de estreia do técnico no Borussia Dortmund, em que alcançou um 6º lugar, falhando o acesso a um lugar europeu na última jornada. 631 dias antes de se sagrar campeão alemão. 988 dias antes de alcançar o bicampeonato. 1387 dias antes de disputar a grande final da Liga dos Campeões, em Wembley, diante do Bayern de Munique.

Da metodologia de treino ao trabalho exaustivo em prol da evolução dos jogadores, passando pela liderança, pela análise dos jogos e pela aplicação da cinética no futebol, eis um verdadeiro manual da Kloppologia.

Sem qualquer tipo de rodeios, Klopp viaja até à infância e adolescência na Floresta Negra – uma comunidade com cerca de 1500 habitantes -, fala sobre a sua relação com a fé e com a morte, como também aborda questões políticas, sociais e um tema tabu no futebol alemão: a homossexualidade.

O Futebol Mundial apresenta a entrevista na íntegra em português, num trabalho para o qual muito contribuíram as prestações de Carlos Filipe Costa e, principalmente, Sofia Oliveira, estudante finalista da Licenciatura em Direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto.

ZM: Sr. Klopp, queremos falar consigo sobre Futebol.

JK: Ora aí está algo de novo! Já estou quase habituado a que os media se interessem apenas por informação cor-de-rosa: quanto é que custou um jogador ou quem é que foi visto com quem na discoteca.
ZM: Em poucos dias começará a nova época da Bundesliga. A última época foi marcada pelo epíteto de futebol de sistema e também pela frase de Jürgen Klinsmann “cada jogador, a cada dia, pode melhorar um pouco”. Neste momento, Klinsmann já foi substituído, mas fica a pergunta: o que significa concretamente “melhorar um jogador de futebol”?
JK: Em público, existe sempre uma tendência para se falar, do ponto de vista teórico, no sistema, no modelo de jogo e no papel do treinador e dos jogadores. Mas raramente é questionado para que serve determinado exercício prático, um treino ou o que retiras disso para desenvolver ou formar um jogador.
ZM: E…?
JK: A minha regra pedagógica basilar consiste, numa primeira fase, em que é bem mais importante enaltecer as qualidades do jogador do que apontar-lhe os pontos fracos e criticar-lhe as falhas. Não podemos dizer ao jogador: “Isto tu não sabes fazer” ou “Isso não vais conseguir fazer”. Quando eu, enquanto treinador, acredito num jogador e que ele poderá evoluir, ao mostrar-lhe como poderá desenvolver as suas capacidades ganho a sua confiança. Se ele sente essa confiança, vai evoluir e crescer como jogador. E, no momento da verdade, vai acreditar em mim e, seguidamente, em si mesmo.
ZM: Mas uma auto-confiança elevada não substitui o talento. O que acontece aos pontos fracos dos jogadores?
JK: A autoconfiança, para mim, é determinante. Depois, sim, trabalhamos os pontos fracos. Várias vezes, muitas vezes. São exercitados, repetidamente. Tenho um excelente exemplo no plantel: o nosso central Felipe Santana. Ele é verdadeiramente um atleta excepcional. Tem grande capacidade física, o que lhe permite ser bem-sucedido nos lances homem-a-homem. Teve porém que dissimular as suas limitações técnicas. Para corrigir as deficiências, só tivemos que lhe fazer duas perguntas: Qual é a função de um defesa central? e Por que é que ele é um jogador crucial na equipa? A resposta é imediata: o defesa central é, quase sempre, o nosso último recurso. Quando perdes a bola ou se não a souberes parar convenientemente, é praticamente certo que o adversário vai ter uma oportunidade para marcar um golo. Nessa posição, é crucial ter jogadores com um nível técnico considerável. Isso analisa-se com base em três parâmetros: recepção/controlo da bola, condução da bola e passe. E foi isso que fizemos com o Felipe Santana. Treinar controlo, condução e passe. Várias vezes, muitas vezes…
ZM: Os colegas não gozam com o jogador?
JK: Isso é um disparate. Não, ninguém goza ou se ri neste tipo de treino, porque pode acontecer a qualquer um. E acontece! Treino é repetição. Isso é válido para atletas e para músicos. Vi, recentemente, um filme sobre um baterista que repetia as sequências individuais 1600 vezes, até que estivessem verdadeiramente interiorizadas. Aí, ele já não pensa mais. Apenas tocava. Simples: badambadam, badambadam, badambadam. Repetição, repetição. As coisas também funcionam assim no futebol. Não precisas treinar 1600 vezes, mas, depois do treino, proponho ao Felipe Santana 60-70 bolas desde posições diferentes. E ele vai ter que conseguir reagir sempre: receber, conduzir e passar.
ZM: Isso é suficiente?
JK: Claro que não é suficiente para corrigir as deficiências do jogador, mas consegues algo muito importante: o jogador envolve-se e passa a saber lidar melhor com os seus pontos fracos. O jogador tem que reconhecer estes pontos fracos. Saber viver com eles.
ZM: Agora ele consegue parar a bola…
JK: A técnica é, do meu ponto de vista, o primeiro pré-requisito para um futebolista. A arte, se quiser. Depois, segue-se o segundo passo: a inteligência de jogo. E aí há uma necessidade de melhorar individualmente, como também do ponto de vista colectivo. Seja com toda a equipa, seja com parte da equipa. Depois, também possuímos recursos sofisticados para realizar uma análise vídeo top do ponto de vista individual e colectivo, em que utilizamos múltiplas câmaras que estão instaladas no estádio apenas com esse propósito.
ZM: Antes de fazer a análise em equipa, tem que ver o vídeo de jogo. Quanto tempo dura essa tarefa?
JK: Para que um vídeo de um jogo de 90 minutos fique devidamente visto, não o posso ver corrido. Paro, volto atrás, avanço. Paro, volto atrás, avanço. Demoro 5 horas a analisar e a esmiuçar um jogo de forma a apreender tudo.
ZM: Quando é que faz isso?
JK: Quando jogamos ao sábado, faço a análise do nosso jogo ao domingo. Às terças-feiras, vemos as imagens da equipa relativas ao último jogo. Reúno os jogadores e observamos duas sequências: o que fizemos bem e o que fizemos mal. Da mesma forma, faço reuniões por sector. Por exemplo, reúno-me inúmeras vezes com os quatros defesas para lhes mostrar como reagiram às situações do jogo. É fundamental definirmos os tempos certos, para que a linha de quatro funcione na perfeição: não se podem mover demasiado rápido, nem de forma demasiado lenta. No que diz respeito a análises individuais, temos um registo de gravações de todos os jogadores. De todas as suas acções. Uma a uma.
ZM: Faz uma crítica individual perante toda a equipa?
JK: Quando tecemos críticas, gostamos de as fazer em frente a todo o plantel. A nossa crítica é feita ao comportamento posicional, nunca é uma crítica à pessoa. O trabalho de desenvolvimento funciona por meio de feedback e de correcções.
ZM: Qual é a frequência dos treinos?
JK: Faço dois treinos à terça-feira. À quarta-feira, fazemos cinética e uma unidade de treino. À quinta um treino e à sexta outro. Ao sábado é o jogo.
ZM: Cinética?
JK: A cinética é fundamental na minha metodologia de treino. O professor Horst Lutz apresentou-nos um método fabuloso, chamado Life Kinetik, que obteve excelentes resultados com esquiadores alemães como Felix Neureuther. Isto envolve a concentração e a coordenação, como também a educação ocular (treino do olho). Aparentemente, isto parece ter muito pouco a ver com futebol. Por exemplo, nós praticamos formas bastante complexas de malabarismo (pegar em dois cubos de açúcar, atirá-los ao ar e agarrá-los com as mãos cruzadas), o que permite aprender a diferenciar percepção e movimentação, cérebro e aparelho motor. Tudo isto se treina.
ZM: Isso faz sentido para os jogadores?
JK: (risos) Isso é a parte prática da autoridade: se eu quero que seja feito, é feito. Isso permite que os jogadores se apercebam que isso os ajuda a melhorar o seu posicionamento, a ter maior velocidade de reacção, a reagir mais rapidamente, a ter uma perspectiva mais acurada e uma melhor visão geral do jogo. Tudo isto reunido acaba por fortalecer a minha autoridade. A inteligência dos jogadores de futebol é francamente subvalorizada. As pessoas julgam-nos pelas declarações que fazem no final dos jogos, muitas vezes por responderem a perguntas muito pouco inteligentes. Experimentem pôr um microfone à frente do nariz de um cirurgião imediatamente após uma operação de duas horas ao coração. Ele é quem nos salva a vida. Mas dele, nessa circunstância, também não ouviriam as melhores respostas.
ZM: No que diz respeito a jogadores inteligentes e adultos, há uma predisposição para questionarem decisões ou para pedirem alguns privilégios?
JK: O exemplo típico é o da reserva e da ocupação de quartos e camas em estágios. Se não houvesse um critério, todos escolheriam quartos individuais. Eu faço questão que não haja quartos individuais. Reservo sempre quartos com duas camas e faço questão que um jogador não escolha o seu parceiro. Por isso, sou eu quem define os pares que ocupam os quartos… Se não o fizesse, pode imaginar o que daí resultaria.
ZM: Na última temporada havia excepções?
JK: Havia duas. Os dois jogadores que ressonavam. Assim não dá! Num estágio é preciso dormir e descansar bem. Por isso, receberam ambos um quarto individual. Assim, podiam ressonar à vontade. Para definir a escolha dos quartos, faço um sorteio no início de cada época, o que se tornou num verdadeiro ritual. Encenamos um sorteio das competições europeias: temos o “que joga em casa”, que é o primeiro a ser sorteado e que se senta à frente, de olhos tapados, à espera de saber quem lhe calha na rifa. Ou seja, “quem joga fora”. Depois, há gritos e cenas de júbilo. Isso acabou por tornar-se num evento extremamente divertido.
ZM: Em criança ou durante a sua juventude reconhecia autoridade em alguém?
JK: O meu pai era um desportista de corpo e alma. Muito completo. Um treinador de corpo e alma. Muito completo. Foi quem me mostrou e ensinou tudo: futebol, ténis e esqui. Ele era completamente irresponsável: quando esquiávamos, só via o seu anoraque vermelho. Das pistas de esqui não via nada.
ZM: Como assim?
JK: Ele ultrapassava-me e, com isso, procurava levar-me em frente. Nunca esperava por mim. Era completamente irrelevante o facto de eu ser um principiante. Ele passava por mim disparado. E eu via sempre as costas daquele anoraque vermelho. Ele queria que eu fosse um esquiador perfeito. E fizemos sprints e corridas… no campo de futebol. A partir da linha de fundo até ao meio-campo. Na minha primeira corrida, já ele tinha chegado ao meio-campo e eu ainda estava a chegar à entrada da grande área. Isso para ele era muito mau. Ele gostava muito de mim e eu sabia disso. Mas não tinha nenhuma consideração por mim: nem me protegia, nem me deixava ganhar.
ZM: Desagradável!
JK: Apenas por sorte é que aquilo que o meu pai queria que eu fizesse me trazia divertimento. Já aí, eu amava o futebol, mais do que qualquer outra coisa, mas naturalmente que não tinha paciência para ao domingo, às 8 da manhã, estar a treinar toques de cabeça!
ZM: Quando o ouvimos falar, pela descrição que faz do seu pai, sentimos uma incrível semelhança reflectida no seu comportamento em relação aos seus jogadores: uma mistura entre exigência e proximidade, rigidez e afecto.
JK: Hmm… A sério? Se calhar, tem razão!
ZM: O seu pai era apenas ambicioso ou era um verdadeiro amante de desporto?
JK: Quando o meu pai já estava com um cancro em fase avançada, decidiu disputar com a sua equipa de seniores um jogo de “masters”. Ele adorava ténis e essa foi a sua forma de despedida da vida. O mais importante era que a desfrutasse. Um dia, quando já estava no hospital, chamou-me junto de si e falou-me do seu funeral. Disse-me que músicas deviam ser tocadas – um solo de trompete de Helmut Lotti e a “Time to say goodbye”. Deu-me também a fotografia que deveria ir sobre o seu caixão: mostrava-o ainda no auge da sua vivacidade. O meu pai era muito vaidoso e ainda disse em tom de brincadeira: «se alguém abre o caixão, vai haver sarilho!». Aí, eu senti a responsabilidade de ser o único homem que restava na família. Na Floresta Negra, onde nasci e cresci, a morte não é um tema que os homens discutam com as mulheres.
ZM: Consegue aceitar a morte como algo inalterável e definitivo?
JK: Oh… Eu até sou crente. Mas aceitar a imutabilidade da morte parece-me incrivelmente difícil.
ZM: O que é para si a fé?
JK: A fé é simplesmente certeza. Não trago essa ideia desde os tempos de infância, mas em algum momento da minha vida tive essa ideia. Para mim significa – por mais patético que isso soe – que devo fazer tudo o que está ao meu alcance para mudar o lugar onde estou para melhor. Para mim, em variadíssimas situações, é importante que as pessoas que me rodeiam estejam bem. Eu estou sempre bem. Desejo verdadeiramente fazer um trabalho que torne o Mundo melhor. Infelizmente, esse desejo não significa que seja bem-sucedido na tarefa de aceitar que há coisas – como as doenças ou a dor – que não posso mudar.
ZM: Este desejo de melhorar as coisas, esta vontade de melhorar a vida das pessoas tem também consequências políticas?
JK: Eu nunca escolheria um partido, apenas para me sentir melhor. Ora, quando um partido promete reduções dos impostos para os escalões mais elevados de tributação – aos quais eu vou pertencendo – isso não é motivo suficiente para que eu o escolha.
ZM: Qual é a percepção que tem da realidade política e social fora do seu mundo protegido do futebol?
JK: Nós vivemos na zona do Ruhr. Observamos, claro, as pessoas que vão ver os treinos todos os dias. É claro que essas pessoas não são veraneantes em férias. São pessoas que não têm trabalho. A essa realidade não podemos fechar os olhos. Os jogadores sabem exactamente quão dura é realidade da vida das pessoas agora durante esta crise financeira.
ZM: Por favor, Sr. Klopp!!!
JK: Absolutamente! Não preciso de encenar o interesse. Os meus jogadores não precisam de posar para a fotografia com a cara manchada de carvão. As pessoas da região não precisam desse tipo de pseudo-compaixão. O que nós podemos fazer é proporcionar-lhes momentos de distracção. Dar-lhes alegrias. Os nossos fãs ganham connosco, perdem connosco e jogam connosco. Temos a tarefa, nestes momentos, de criar momentos tão agradáveis quanto possível. E essa é uma tarefa monumental.
ZM: Também transmite essa mensagem aos jogadores?
JK: Não. Não preciso. Eles sabem-na interiormente. Também não posso agir como se eles fossem solucionar os problemas das pessoas! Apenas podemos ajudá-las a não olhar para esses problemas de forma tão gravosa. Recentemente, recebi uma mensagem de um fã que era beneficiário do Hartz IV e que contava que tinha comprado um bilhete de época do Borussia Dortmund.
ZM: E…?
JK: Ora, na realidade, tive que dizer imediatamente que ele não estava bom da cabeça e devia gastar o seu parco dinheiro em coisas mais importantes. Mas eu sei que nós trazemos alegria à vida dele. Não posso mudar a situação política, não posso mudar nada na realidade social, mas posso fazer estas pessoas muito felizes por alguns momentos.
ZM: Há âmbitos nos quais o futebol está desfasado face à realidade social alemã. A homossexualidade é abraçada na cultura, na política e até no meio militar. Apenas no futebol há um muro das lamentações relacionado com esse assunto.
JK: É preciso esclarecer qual é a fonte do problema. Claramente não são os jogadores, os fãs ou os treinadores.
ZM: Ah…
JK: Na minha equipa, os homossexuais são muito bem-vindos. Quando um jogador é bom, joga. Quando não é bom, não joga. Tão simples quanto isso.
ZM: Se calhar, não é assim tão simples. Caso contrário, os jogadores já se teriam assumido há mais tempo. Em vez disso, têm que dissimular a sua sexualidade e suportar o desdém entre colegas e fãs. Os jogadores reagem com histeria perante a ideia de tomar duche com colegas homossexuais…
JM: Ah! O que é que você sabe acerca do que se passa no duche?! Há sempre algo de inusitado a que os jogadores têm que habituar-se. Alguns muçulmanos tomam duche com calções de banho. E aí há ao início boatos e passado algum tempo já é normal. Tenho a certeza de que vão sempre existir rumores e as malditas piadas. Também as há entre as mulheres jogadoras, onde já se adequa dizer “é feia a tua?…». Uma palermice. Isso tornar-se-ia rapidamente normal. É como tudo. Como trabalhar uma linha de 4 defesas sem libero.
ZM: A homossexualidade vai tornar-se tão natural como a linha de 4 defesas sem libero?
JK: A essa também ninguém queria, e houve bocas até que as pessoas a tivessem compreendido. E aí tornou-se normal.
ZM: Então, por quê este tabu?
JK: Muito simples: o primeiro que sair do armário vai ser perseguido pelos media. Vão cair-lhe em cima e não serão os colegas. Esses aceitam mais rapidamente do que a imprensa. As revistas cor-de-rosa iriam atirar-se, durante meses, ao pobre desgraçado.
ZM: Se fosse gay ter-se-ia assumido? Se fosse incapaz de dissimular como contornaria o problema?
JK: Tenho que pensar sobre isso. Não sou gay. Mas acho, muito sinceramente, que se há alguns anos tivesse dito que era gay, não teria o trabalho que tenho hoje. Quando, hoje em dia, um jogador vem ter comigo a pedir conselhos sobre a sua saída do armário, aí, antes de mais, tendo em conta o que sei acerca dos media e da vida pública, recomendar-lhe-ia que não fosse pioneiro nessa revelação.
ZM: Então se nenhum for o primeiro, isso significa que os/as futebolistas gay devem levar uma vida dupla?
JK: Tinha que ser uma enxurrada. Quando dez ou vinte se assumissem de uma vez: «Olá, aqui estamos. Olá, somos homossexuais». Aí o caso poderia mudar de figura. Aí iriam suportar-se mutuamente, é claro.
ZM: O que vai existir primeiro: a primeira Bundesliga feminina ou o primeiro futebolista gay assumido?
JK: Claramente a primeira. Não. Os primeiros 10 futebolistas homossexuais assumidos. Apostas?
ZM: Para terminar, gostaríamos de apresentar-lhe algumas declarações, às quais apenas deve responder com “certo” ou “errado”.
ZM: O papel do treinador está a tornar-se sobrevalorizado.
JK: Errado.

ZM: Jürgen Klinsmann fracassou como treinador do Bayern.
JK: Errado.

ZM: Manuel Neuer vai ser o novo guarda-redes da Selecção alemã?
JK: Certo.

ZM: Ballack devia encerrar a carreira como futebolista.
JK: Errado.

ZM: O dinheiro destrói o futebol.
JK: Errado.

ZM: Os agentes prejudicam o futebol.
JK: Errado.

ZM: Kehl merecia ter ido ao Mundial 2008, em vez de Frings.
JK: Certo.

ZM: Matthias Sammer vai ser o próximo seleccionador alemão.
JK: Posso saltar perguntas?

ZM: O futebol é, em última análise, justo?
JK: (hesita longamente) Certo.

ZM: A sua frase: «Ainda não tomei qualquer decisão profissional com fundamento em motivos puramente pessoais».
JK: Certo.

ZM: Jürgen Klopp diz sempre a verdade nas entrevistas.
JK: (hesita longamente) Errado.


foto de abertura © Rua — Hilfe für Straßenkinder e.V.


daqui

«os convocados de Paulo Bento»

Paulo Bento divulgou a lista de convocados para o embate decisivo da Seleção Nacional do apuramento para o Mundial'2014, na qual os destaques são a ausência de Pepe (Real Madrid), castigado, e a inclusão de André Martins (Sporting).

Portugal, que recebe a Rússia a 7 de junho, no Estádio da Luz, ocupa a terceira posição do Grupo F de qualificação europeia, em igualdade pontual com Israel, ambos com menos um ponto do que a Rússia, que soma menos duas partidas.

Depois do confronto com a seleção russa, a equipa nacional parte para a cidade suíça de Genebra, onde na segunda-feira seguinte, 10 de junho, defrontará a congénere da Croácia, em jogo particular.

Lista de convocados:

Guarda-redes: Beto (Sevilha), Eduardo (Istanbul BB) e Rui Patrício (Sporting);

Defesas: João Pereira (Valencia), Fábio Coentrão (Real Madrid), Bruno Alves (Zenit), Ricardo Costa (Valencia), Sílvio (Corunha), Sereno (Valladolid) e Neto (Zenit);

Médios: Raul Meireles (Fenerbahçe), João Moutinho (FC Porto), Miguel Veloso (D. Kiev), André Martins (Sporting), Custódio, Ruben Amorim (Sp. Braga) e Ruben Micael (Sp Braga);

Avançados: Nani (Manchester United), Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Varela (FC Porto), Vieirinha (Wolfsburgo), Hélder Postiga (Saragoça), Danny (Zenit) e Nélson Oliveira (Corunha).
daqui

a dúvida de Jorge Jesus

quem por aqui passa certamente reparou que as minhas críticas a JJ ao longo destes três últimos anos foram quase sempre uma constante.


esta época vi um Jorge Jesus diferente, um Benfica a jogar bom futebol e finalmente com vários sistemas de jogo alternativos ao excelente modelo de jogo implementado pelo técnico encarnado.
mas nem tudo foi mau na presente época, o Benfica voltou a lutar por títulos e a marcar presença nas grandes decisões até ao fim - que só as grandes equipas o conseguem!, mas não basta para um clube como Benfica, é necessário títulos!...

culpar JJ pela perca do campeonato e da liga europa é algo exagerado, ninguém consegue controlar a falta de concentração do ser humano, em especial nos descontos de uma partida - aconteceu no dragão e, aconteceu na final da liga europa.

a parte boa de Jorge Jesus no Benfica:

voltou a colocar o clube no centro das decisões, a lutar por tudo até ao final de cada prova;

valorizou jogadores que renderam milhões aos cofres encarnados;

uma equipa a jogar um excelente futebol;

em quatros anos:
- um título de campeão;
- uma final da taça de Portugal;
- três taças da liga;
- duas vezes nos quartos de final da champions;
- uma vez na meia final da liga europa e uma final da mesma prova;

nos 20 anos anteriores qual foi o treinador que fez melhor?!...

os contras de Jorge Jesus no Benfica:

- alguma teimosia, alguma arrogância e talvez gabarolice a mais, que no final de contas, só prejudicou o Benfica e a ele próprio;

- um 'campeonato' entregue ao FC Porto na época passada devido à sua teimosia com invenções que não lembram ao diabo: não ter Javi Garcia em Guimarães, e deixar Witsel no banco, foi de bradar aos céus.
a partir daí, perdeu o balneário e depois foi o que se viu...

- tem uma equipa técnica alargada, a mais cara do futebol português;

- é o profissional de futebol mais caro de sempre no futebol português - incluindo jogadores!
o Benfica necessitava de mais títulos?...
...sim, mas o caminho faz-se caminhando!


Luís Filipe Vieira quer a continuidade do técnico, mas o caminho de Jesus talvez esteja traçado...
(...) não me parece que ele diga não aos convites que tem:

o plano A passa pelo FC Porto e o plano B passa pelo estrangeiro, plano este, que não lhe agrada mesmo nada.

um 'conselho' a Luís Filipe Vieira - chame os capitães de equipa e saiba qual é o sentimento no interior do balneário. 
a decisão também passa por aqui, apesar de na minha opinião achar que o melhor para o Benfica é  a permanência de Jorge Jesus como seu treinador - uma opinião meramente pessoal.

        

domingo, 26 de maio de 2013

Parabéns ao Vitória de Guimarães e a Rui Vitória!

o Vitória de Guimarães conquistou hoje a sua primeira taça de Portugal frente ao Benfica.

depois de ficar em desvantagem desde o minuto 30 com um golo esquisito de Gaitán, os vitorianos em dois minutos (79 e 81) deram a volta ao resultado e merecem sem dúvida alguma fazer a festa junto dos seus, na sua cidade - Guimarães!

«onze e sistema oficial de Benfica e Vit. Guimarães

o exemplo da Bundesliga

já aqui escrevi e volto a afirmar que a bundesliga será dentro de pouquíssimos anos a segunda melhor liga do mundo ou até a primeira.

querem exemplos do rigor financeiro dos alemães?

- os bilhetes são mais baratos;

- os estádios são de última geração e estão sempre cheios;

- clubes que tenham prejuízos orçamentais não participam nas competições profissionais;

- a aposta na formação é uma constante;

- clubes sem academia de formação não entram na bundesliga.

O tri e o futuro

DE PÉ PARA PÉ
O FC Porto perdeu uma peça solta da engrenagem (James) e a corrente que alimenta a sala de máquinas (João Moutinho).
Já Vítor Pereira deve permanecer não por ter sido campeão mas porque depurou um modelo de jogo que identifica as grandes equipas.


1 Há uma linha de dez anos, muitos títulos e grande futebol a unir Costinha, Paulo Assunção e Fernando; Maniche, Raul Meireles e João Moutinho; Deco, Lucho, Belluschi, Guarín e El Comandante outra vez.
Ao fim de três épocas no Dragão, chegou a vez de João Moutinho partir.
E, apesar dos eloquentes exemplos de uma década, reveladores de definição técnica precisa e disponibilidade financeira automática, o momento requer redobrada atenção.


Se os 70 milhões de euros são uma espécie de jackpot que enchem os cofres portistas, a saída simultânea da máxima referência e do príncipe sublime do reino (James) levanta ao FC Porto o dilema habitual.
Prova de que o mercado tem regras perversas, nem sempre o peso na equipa se reflete no valor do passe.


2 Perder talento nas faixas não costuma ser drama para as grandes equipas.
Em zonas periféricas a qualidade é mais fácil de repor, porque esses artistas, que encantam plateias com magia instantânea, só acrescentam contribuição individual à comunidade.
Sai James outro virá. Já Moutinho pertence à estirpe dos que multiplicam o valor da equipa;
fazem os outros jogar mais e parecerem melhores;
são perfeitos a gerir o senso comum e deslumbrantes a criar a surpresa.


Um é uma peça solta da engrenagem, o outro é a corrente que alimenta a sala de máquinas; um cria o assombro da genialidade que não se explica, o outro tem argumentos menos visíveis e reconhecidos mas domina todos os elementos do futebol como jogo coletivo. Que um valha mais 20 milhões do que o outro é daquelas coisas que não se entendem.


3 João Moutinho traz inteligência e soluções táticas a uma zona do terreno que lhe permite dar segurança atrás, equilíbrio no meio e claridade à frente.
É raro o mesmo jogador ter espírito do bombeiro que vai apagando focos de incêndio por todo o terreno, autoridade de juiz no modo como dita as leis do jogo e visão de arquiteto no desenho do edifício, isto é, na forma como traça o plano futebolístico para o êxito.


Por outro lado, a interpretação que faz do papel que lhe cabe prova ser possível assumir o compromisso com a orientação do treinador combatendo a previsibilidade das ações e a submissão absoluta às ideias superiores.

Cada jogador, mesmo os que funcionam como extensão do mestre em campo, devem cumprir ordens.

Mas podem e às vezes devem fazê-lo defendendo pontos de vista originais.


4 Se o tricampeão parte desfalcado para 2013/14, a dúvida prende-se agora com o treinador. Mesmo que a crescente dimensão do futebol como indústria tenha elevado vitória e derrota ao exagero de vida ou morte, Vítor Pereira ganhou o direito a permanecer não só por ter sido campeão mas porque é competente;
porque consolidou traços da cultura portista e depurou um modelo de jogo que identifica as grandes equipas, assente num conceito ofensivo, em que a bola é o centro nevrálgico de todas as decisões.


O título aproximou-o da família azul e branca e tornou-o alvo dos impulsos passionais dos adeptos; mas Vítor Pereira não merece o prémio de atacar o tetra só por elementos circunstanciais de análise.
 
Se ficar por convicções reduzidas ao facto de ter sido bicampeão é melhor que vá à sua vida.


Danilo e Alex a quilómetros


Durante anos, a tendência foi preencher essa zona com jogadores a quem se pedia apenas para não cometerem erros. Seguiu-se a fase em que os treinadores viam um corredor para explorar em termos ofensivos, o que levou à adaptação massiva de extremos a defesas.


Olhando para o campeonato português, Danilo (que pode ser médio) e Alex Sandro (lateral-esquerdo de raiz) não têm concorrência. Pode ser uma coincidência. Mas a vitória do FC Porto foi também a da equipa que, a distância quase escandalosa, tem os melhores laterais em Portugal.


Mangala terá nível mundial


Mangala é um central espetacular, com argumentos físicos notáveis, insuperável no jogo aéreo. Colocado perante situações que exigem resolução com base no despique individual direto é de uma eficácia tremenda.
Melhorou muito de uma época para a outra mas ainda lhe falta aperfeiçoar o entendimento global do que acontece no seu raio de ação.


Mesmo sendo cada vez menos, ainda comete erros de decisão. Tem de saber quando deve ir ou ficar; atacar a bola e o adversário ou defender o espaço. Já está referenciado na Europa. Quando concluir a formação poderá ser uma referência mundial.


Jackson assumiu peso da herança


Jackson assumiu a herança de Jardel, Pena e Falcão; em vez de temer comparações, pedir tempo de adaptação e solicitar tréguas aos adeptos, fez logo o que sabe: jogar futebol e marcar golos. Simples.

O colombiano entra na lenda do tri vestindo a pele de melhor marcador da equipa e da Liga, como titular quase absoluto.


Pela preponderância na equipa, pelo futebol que demonstrou e pelos golos decisivos que foi marcando não merecia associar o nome à época como protagonista de três penáltis falhados: um “à Panenka”, frente ao Olhanense, e outros a Marítimo e Rio Ave.
Rui Dias no jornal record